Bati e foi Gustav quem me atendeu.

– Gustav, você não foi trabalhar? – perguntei.

– Cortesia da minha mãe. – ele disse.

– Posso entrar? – perguntei, quase entrando na casa sem a permissão.

– Claro! O que te traz aqui? Tom está trabalhando agora, ele não está aqui. – Gustav falou.

– Nada. Eu só não quero ficar la sozinha, ouvindo barulhos desagradáveis. – respondi.

– Nossa! Agora é lá então? Antes era aqui, por isso eu ia direto para sua casa. – ele falou.

– Então você sabe? – indaguei inconformada.

– Sim. – ele falou, parecia envergonhado – Não há muito o que fazer, Yuuki. A vida é deles, não nossa.

– É, mas Bill é seu amigo. Você sabe que se Tom ou Bill descobrirem isso, eles ficarão loucos e considerarão isso uma traição, não sabe? – falei.

– Eu sei, eu sei. É um risco que se corre. Georg também é meu amigo. Não posso fazer nada. – ele falou.

Passei algumas horas vendo TV com Gustav. Depois fomos jogar vídeo game e depois eu fiz o almoço para nós dois. Foi um dia muito interessante, eu nunca conhecera esse lado de Gustav.

– Yuuki, às vezes parece que você e Tom se conhecem há tanto tempo...- Gustav comentou quando terminávamos o almoço.

– Parece não é? Mas nos conhecemos quando cheguei no campus. É estranho, eu também sinto isso. – falei.

– Aquele lance do colar, que você falou quando estávamos embriagados, parece que mexeu um pouco com ele, sei lá. Ou talvez seja paranoia minha. – Gustav comentou.

Fiquei alguns minutos em silencio.

– Ora Gustav, pare com essas paranoias, seu maluco. – falei e dei uma risada.

Gustav concordou e riu também.

– Você é tão quieta. Combina com o jeito do Bill, não entendo por que você sai com Tom... – gustav comentou.

– Pois é. Apenas no jeito mesmo, me parece que Bill é daqueles que gosta de meninas magrinhas como modelos e eu não sou assim. Eu gosto do Tom, mas não estou saindo com ele. – falei.

– Mas e aquele sexo oral enquanto jogávamos embriagados? – ele perguntou.

– Ora, aquilo foi porque eu estava bêbada, você queria o que? – respondi.

– É, quando bebemos, nós mudamos muito quem somos. Tem gente que diz que mudamos quando bebemos. – ele comentou.

– Eu não acho isso. Quando você bebe, você não muda, só mostra quem você realmente é. Bebida é uma coisa curiosa. Ela te tira todos os medos de rejeição da sociedade. – falei.

– então você queria... – Gustav insinuou.

– Não, eu não queria fazer sexo oral com Tom, se é o que está pensando, mas tinha a curiosidade. Entende? – respondi.

Gustav concordou com a cabeça.

Enquanto conversávamos sobre aquilo, eu fui arrumando a cozinha.

Após algum tempo conversando sobre bebidas e fazer merdas enquanto você está bêbado, fomos dar uma volta no parque.

– Você gosta daqui não é? – Gustav perguntou.

– Esse parque é inspirador. Mas como você sabe? – falei.

– Eu sempre te vejo da aminha janela. E você sempre se senta no mesmo lugar... perto do lago, em baixo da arvore. – ele respondeu.

Ele ficava me observando, eu me assustei ao pensar nisso. Não me agradava a ideia de ter alguém me observando, era realmente desagradável.

– Gustav, já é tarde. Ficamos a tarde toda conversando. Daqui a pouco Tom chega, eu preciso fazer o jantar dele. Sabe, ele chega cansado. – falei – se quiser ir comigo.

– Claro. – ele respondeu.

Gustav me acompanhou até minha casa. Quando chegamos, Caroline e Georg assistiam televisão juntos na sala. Achei aquilo um absurdo.

– Hey, vocês dois! Fiquem aí marcando mesmo. Fazendo barulhos e depois assistindo televisão abraçados; poderia ser o Tom chegando, aliás, ele chega daqui a pouco. – falei.

No mesmo momento, os dois se separaram e Georg se levantou para me acompanhar até a cozinha. Gustav olhou para Georg como quem avisa que o outro está prestes a levar um belo sermão. Georg sabia que eu falaria muito na cabeça dele, mas seria melhor me ouvir falar do que ser pego abraçado com aquela menina quando Tom chegasse.

– Georg, você está ficando louco? Não tem noção do perigo não? – perguntei aos sussurros.

– Como assim? – ele perguntou.

– Você fica aí o dia todo se pegando com a Caroline, aqui em casa. Daqui a pouco Tom chega mais cedo em casa e pega vocês dois. Hoje eu estava ao telefone com Bill e vocês dois lá fazendo aqueles barulhos. Eu não dou força nenhuma para isso. Além do mais, você é amigo do Bill, como pode fazer isso? – falei.

– Eu realmente gosto dela, Yuuki. Você não pode fazer nada com isso. Se Bill não pode controlar a menina que tem, a culpa não é minha. – ele respondeu.

Eu não me preocupei a responder aquilo. Eu ficava com muita raiva só de pensar que Bill estava sendo traído por seu próprio amigo. Nem Tom sabia daquilo. Tom mataria Georg se descobrisse.

– Olhe, eu não quero confusão para mim. Quando você quiser ficar com aquela menina repulsiva, fique com ela bem longe daqui, entendeu? – falei.

– a casa também é dela, Yuuki. – ele respondeu, cruzando os braços como uma criança mimada.

– Ótimo! Que assim seja, mas eu que escute mais um barulho de vocês. Farei questão de pegar meu telefone e telefonar para Simone, Bill e Tom para que eles saibam dessa historinha. Eu odeio mentira e odeio omitir as coisas dos meus amigos. – falei.

Georg olhou para Gustav, pedindo ajuda. Gustav não sabia o que me dizer, ele não gostava de esconder as coisas do Tom também. Tom odiava que escondessem as coisas dele, eu também odiaria se fosse algo do tipo.

Pedi que Gustav fizesse companhia a Georg enquanto eu fazia o jantar. Caroline disse que ia sair com as amigas; ia ao shopping como sempre.

Terminei o jantar, arrumei a mesa com dois pratos a mais e fui tomar meu banho. Georg e Gustav ficaram lá em baixo assistindo televisão. Após sair do banho, enquanto trocava de roupa, Tom chegou. Ouvi Tom perguntar por mim e Gustav dizer que eu estava no banho. Os três ficaram lá em baixo conversando e fazendo aquelas brincadeiras de sempre.

Desci e fomos jantar. Eles sabiam que eu não gostava de comer tarde para não dormir de estomago cheio.

– Georg, você sabia que nossa linda Yuuki ficou bêbada nas férias? — Tom perguntou.

Após fazer essa pergunta, Tom me olhou com um sorriso estampado no rosto. Georg parou de comer ao ouvir aquilo e ficou sem o que dizer, ficou ali, parado por alguns minutos digerindo o que Tom dissera.

– Como? A Yuuki? – Georg falou.

Ao terminar, Georg começou rir; rir não, gargalhar.

– Pois é, ela não é tão santinha assim. Ela se embriagou e ainda descobri que ela fuma. – Gustav falou.

– Hey, desde quando vocês começaram contar as coisas sobre minha vida? – falei, me mostrando zangada.

– Ora, não fique nervosa, Yuuki, Georg é de confiança. – Tom falou.

Naquele momento, eu e Gustav pigarreamos e engasgamos com a comida. Juntos, olhamos de Tom para Georg.

– Como assim? – ele perguntou.