*FLASHBACK*

- Por que você precisa ir? – perguntei

- Você sabe que eu não posso ficar aqui... minha mãe vai se mudar e quer que eu vá com ela... – ele respondeu

- Mas... mas... como nós ficaremos? Você me prometeu que ficaria comigo para sempre... – disse com lágrimas nos olhos

- Eu gosto de você, você sabe disso. Não posso ficar aqui sozinho... Mas saiba que eu sempre me lembrarei de você. Agora, sobre a questão de estarmos sempre juntos, não se preocupe, eu estarei sempre ao seu lado... Existe telefone e podemos nos falar sempre, e você sabe que quando a gente gosta de alguém, nunca esquecemos por mais que exista uma distância... – respondeu

Sua mãe o chamara, apressando-o.

- Não posso ficar mais, preciso ir. Eu sempre te levarei comigo, no meu coração... sei que somos muitos novos, mas eu sempre te amarei. E bem...- o menino tirou um colar do pescoço e me deu- isso é para você... para que se lembre sempre de mim...

Aceitei o colar e tirei outro, um que continha a minha foto, o qual estava pendurado em meu pescoço..

- Tome, você também não pode deixar de se lembrar de mim, por favor, não deixe de usar isso... – dei-lhe o colar.

Com lágrimas nos olhos ele entrou no carro, abaixou os vidros e disse:

- Eu voltarei para ver você em breve, me espere. Eu não esquecerei você, por favor, nunca me esqueça... eu te amo.

*FIM DO FLASHBACK*

Eu me lembro como se fosse ontem. Nunca pude dizer que também o amava. Naquela época nós tínhamos apenas 11 anos, mas nunca me esqueci daquelas palavras que, eu sabia, foram verdadeiras. Ele nunca voltara para me visitar. Nos falamos algumas vezes depois de alguns meses que ele se mudou, mas depois perdemos contato. Ele falava que conhecera pessoas novas e que lá era legal.

Ele se esquecera de mim?

Agora, 11 anos depois, estou indo para a mesma cidade que ele. Talvez ele ainda esteja lá.

Passei todos esses anos a espera de um dia em que eu pudesse reencontrá-lo. Desisti deste sonho após entrar para faculdade, no ano passado, e começar a trabalhar. Pela minha faculdade, ia para Los Angeles terminar meu ensino superior de Letras lá. Era uma bolsa que só os melhores alunos conseguem; eu, graças ao meu esforço, consegui.

- suas malas já estão prontas, Yuuki? – perguntou minha mãe.

- sim, estão. – estava muito ansiosa pela viagem, ir para outro país estudar sempre fora meu sonho.

Entrei no carro e fomos ao aeroporto.

- Filha, não se esqueça de suas prioridades, nada de procurar aquele nosso ex-vizinho... o tal de Bill. Ele nem lembra mais de você. – minha mãe sempre realista.

- Eu sei, mãe, não se preocupe. Você sabe muito bem que eu sou focada no que quero. E eu nem sei de ele ainda está em Los Angeles. Ele também nem deve lembrar-se de mim e eu acho que nunca o reconheceria. – enquanto falava, segurei a corrente que ele me dera minutos antes de partir com sua mãe e seu irmão.

Embarquei e fui para Los Angeles. Ao chegar, meu mentor me esperava. Eu ficaria no campus da universidade. Meu mentor era muito simpático.

- Olá,Yuuki. Sou Newton, seu mentor. Acompanharei você até o campus e zelarei por sua segurança e seu desenvolvimento na universidade. – disse.

- Tudo bem. Obrigada por me aceitar na universidade, sempre foi meu sonho. –respondi.

Entrei em seu carro e fui até o campus, que ficava há 20 minutos do aeroporto. Durante o caminho, falamos sobre as normas da universidade e do campus.

- Bem, é aqui. – ele me apontou um lugar com casas e árvores, mais parecia uma cidade europeia.

- Nossa! É muito legal aqui. Aconchegante. Eu ficarei em uma casa dessas? – perguntei.

- Sim, aqui não é por sexo, portanto, você ficará com dois outros meninos e uma menina. Um deles cursa Letras, assim como você. O outro rapaz cursa engenharia ambiental e a menina, biologia. — Respondeu.

- Tudo bem. Será legal dividir a casa com pessoas, conhecer alguém, pelo menos. – respondi — Não sei se me adaptarei tão rápido, mas vou tentar. Obrigada por me trazer até aqui. Nos falamos depois?

- Por nada. Sim, mais tarde eu passo na república para saber se você se instalou bem. — respondeu.

Nos despedimos e eu sai do carro em direção à republica.

Abri a porta e tudo estava silencioso.

- Ahhhh! Novata! – Um coro muito bem ensaiado e um jato de tinta, ovos e farinha voaram em todo meu corpo.

- Droga! Qual o problema de você? — fiquei frustrada de inicio, eu odiava esses trotes.

- Você é nova aqui no campus, e é assim que recepcionamos os calouros. É melhor se acostumar. — O rapaz me estendeu as mãos — Prazer, meu nome é Tom.

Um rapaz alto, de alargador nas orelhas. Usava roupas largas, possuía um piercing nos lábios. Um homem muito bonito.

- Olá, meu nome é Yuuki. Agora eu precisarei tomar outro banho. – reclamei.

Tom me encarou como se estivesse se lembrando de algo, mas não expressou nada. Riu do meu jeito caipira e saiu andando.

- Ele é assim mesmo. Me desculpe por te surpreender assim, é que por aqui é normal fazermos estas coisas. Meu nome é Caroline, mas pode me chamar de Carol. Seu nome é Yuuki, ou esse é seu apelido? – a menina perguntara.

Ela era baixa, esguia e muito bonita, achei. Cabelos pretos, pele um pouco morena e olhos em evidência.

- Meu nome é Yuuki. Não gosto de apelidos. – respondi.

Eu sempre odiei brincadeiras, estava de péssimo humor.

- Meu namorado também fica aqui, mas ele ainda não chegou. Vocês vão se dar bem, ele também é como você...Mas tente não se aproximar tanto, se é que me entende. –ela comentara.

Eu apenas acenei com a cabeça; não sabia como reagir a pessoas assim.

Subi as escadas e fui tomar banho. Primeiro coloquei minha mala na cama, no meu quarto. Feito isso, fui para o banho.

O banho era muito quente, em relação à cidade, que possuía uma temperatura aparentemente baixa.

Ao sair do banho, esperava que o meu outro colega de república já estivesse me esperando... Mas não.

- Seu irmão ainda não chegou, Tom? – perguntei.

- Não, não sei o que aconteceu, era para ele ter chego aqui há algumas horas, mas nada. Estou com um mau pressentimento, disse isso a ele. – Tom me respondeu com um tom preocupado.

- Não se preocupe, logo ele estará aqui.- respondi, tentando confortá-lo.

Não demorou muito e o telefone tocou. Foi Tom quem atendeu. Tom falava com alguém sobre algo muito sério. De repente, Tom foi tomado por uma expressão de susto, desespero e medo. Logo após isso, ele desligou o telefone e de espanto veio o pranto.

Notas finais
Meninas, esse foi o primeiro cap., espero que vocês tenham gostado.