Reencarnação

28 Festival com No Name


Notas iniciais
Oi gente! Desculpinha de novo ter demorado pra atualizar a fic TuT Mas bem, ela está aqui, e novamente o capitulo ficou enorme ;u; Queria chegar no máximo a 5000 palavras, mas não deu de novo x.x Peço desculpa por isso. Agora um momentinho aqui, quase que eu me esqueço, de agradecer à MariMaltez e Dene Chan (não lembro se já agradeci antes, mas se já, faço de novo) pelas recomendações da fic, pq sério, me arrepiei lendo e quase chorei *u* Muito obrigada pelas palavras de vocês, me motivou muito! ♥ Outra coisa, sobre o capitulo anterior, eu fiquei inspirada e desenhei duas cenas marcantes do cap, tá aqui os links, aposto que vocês já até imaginam, quais que eu escolhi ¬w¬: https://www.facebook.com/NikkiyanDrawings/photos/a.1454548634797039.1073741828.1454541188131117/1529956333922935/?type=1&relevant_count=1 ~~ https://www.facebook.com/NikkiyanDrawings/photos/pcb.1532441913674377/1532441523674416/?type=1 Bem, não vou enrolar mais aqui em cima, só digo, boa leitura pra quem tiver no pique aí o/ ♥

Levi

Adentrei a escola do Eren levando aquele velho amplificador da Hanji. Foi meio trabalhoso carregá-lo, pois era enorme e pesado, mas nada que eu não pudesse dar conta. Passei pelos corredores mais vazios. Na verdade, todo lugar tinha gente andando pra lá pra cá. Especialmente hoje. Eu nunca havia vindo nesse festival que tem todo fim de ano no colégio do Eren, por isso não tinha ideia de como era. Novamente me dei conta de como o colégio era enorme e, como já havia dado ênfase anteriormente, super bem higienizado. Fora essa arquitetura que lembrava universidades inglesas, com boa parte feita toda com madeira maciça.

Eu andava vagarosamente. Tão vagarosamente que a quatro-olhos conseguiu me alcançar e dar um tapinha em minhas costas para chamar a atenção. Ela já carregava sua guitarra dentro de uma capa, com alça transpassada pelo peito. Em suas mãos, vários fios enrolados junto ao seu pedal.

– Ei, e aí? Precisa de ajuda?

– Não.

– Ai, que seco! Anima um pouco isso aí, você vai cantar daqui a pouco! – Como sempre, a doida não media o volume da voz.

– Para, Hanji! Fala mais baixo. Não quero chamar atenção dessa pivetada... – Falei com descaso.

– Mas... Como?! Na hora que você for cantar vai chamar atenção de qualquer jeito!

– É, mas só lá, naquela hora. Não quero chamar atenção nem antes e nem depois disso... – Eu falava sério, mas já percebia que não estava dando muito certo. Por onde passávamos, várias pessoas, especialmente as meninas, olhavam para mim de forma curiosa. Até pude ouvir alguns comentários...

Nossa, quem será ele?

– Será que estuda aqui? Nunca o vi antes...

– Waaw, ele é tão lindo!

– Ei, você diz que não quer chamar atenção... Acho que não está tendo muito sucesso nisso. – Hanji riu. Eu dei de ombros, continuei sério e segui o caminho até a sala onde havia um palco. O que demorou um pouco para encontrar, o colégio era muito grande. “Hunf, ao menos vale a mensalidade que eu pago disso aqui.” Pensei comigo mesmo. Ao adentrar a sala, já vi como o lugar era grande, o teto baixo, mas com um palco enorme, além de vários assentos na plateia! Havia já um grupo de pessoas por lá. Pareciam montar um cenário teatral no fundo, fora a grande movimentação de pessoas fantasiadas por todo o salão. Arqueei uma sobrancelha, assim como Hanji.

– Ué, achei que o palco ia estar vazio só pra nós. – Disse a quatro-olhos parando na entrada.

– É... eu também. – Comentei.

– Ah, vocês são os caras da banda que vão tocar aqui na escola? – Um aluno de cabelos loiros e com costeletas enormes (para um jovem), aparentemente da mesma idade de Eren, nos chamou a atenção. – Estão procurando o palco para montar os instrumentos?

– Não é este aqui? – Perguntou Hanji.

– Ah, foi mal não avisar antes, este aqui vai servir para a apresentação da peça do clube de teatro, a gente tem muito preparativo antes do ato, então já acabamos tomando todo o espaço. – Explicou o garoto.

– Hã, entendo... er, qual o seu nome? – Perguntei.

– Thomas. Thomas Wagner!

– Thomas. Ok, Thomas, e então como é que a gente fica? – Apontei para mim, para Hanji.

– Oh, temos um outro palco no salão ali do outro lado. – Ele apontou. – É o palco menor, o diretor Pixis já reservou ele para vocês.

– Hum, obrigada rapazinho! – Hanji agradeceu animadamente e logo começou a puxar papo com Thomas e perguntar sobre a tal peça que fariam. Eu simplesmente ergui o amplificador e fui direto pro tal segundo salão.

Chegando lá, é que notei que era menor mesmo e não tinha nenhum assento, mas área do salão até que era significativamente boa. Nem muito espaçoso e nem muito apertado. Olhando para o palco, estranhamente já vi Mike ali agachado atrás dos tambores, terminando de montar sua bateria. Uma veia pulsou em minha testa. “Esse imbecil não sabe se comunicar não?”

– Mike!!

– Oh! – Com o susto ele bateu a cabeça num dos pratos. – Ah, Levi, finalmente chegou. Cadê a Hanji?

– E você?! Tá aí já faz quanto tempo?

– Hum... uma meia hora.

– E por que não ligou pra gente?

– Ora, ia fazer isso depois de montar as coisas, relaxe... – O loiro, como sempre, era bastante tranquilo com tudo, além de ser lento em fazer as coisas. Parecia frequentador de Woodstock.

– Mike...

– Deixa o amplificador aí, eu monto tudo. – Ele desceu do palco e veio se aproximando, foi aí que eu vi que ele estava de terno também (faltando apenas o paletó), assim como fazíamos no colegial. – Uhh, você veio de terno também! – Ele comentou.

– É, Hanji insistiu.

– E você ia cantar com roupas casuais? Ia perder todo o espírito do No Name!

– É, eu sei. No mínimo a caracterização é simples. – Falei.

– Bem, então... – Mike pegou o amplificador e foi o levando até o palco. – Vá dar uma voltinha por aí, depois, quando voltar, já vai estar tudo prontinho. – Mike podia fazer as coisas lentamente, mas no quesito de organizar coisas e montar equipamentos, ele sempre foi bem manjado, mesmo demorando.

– Tá. Então volto depois. E manda a quatro-olhos não ficar de papo furado com os alunos assim!

– Pode deixar! – Mike fez “joinha” sem nem em olhar.

– Outra... Você falou com ela? – Perguntei a fim de confirmar.

– Sim, ela vem depois, mas vem!

– Certo...

Assim que deixei a sala do palco menor, virei-me para o outro lado rumo as salas do colegial. Em especial, a do primeiro ano. Sim, apesar de eu estar ali para, aparentemente, fazer uma apresentação para a garotada, eu também não podia deixar de ficar alerta. Estava ali, acima de tudo, para vigiar o Eren e qualquer outra pessoa que possa servir de alvo para Kenny.

Andei pelos corredores, olhando pra todas as entradas e saídas do estabelecimento. Além de janelas e tubulações. Oh, droga, estava ficando paranoico novamente... Hunf. Imaginando Kenny saindo de dentro da tubulação e atirando em todo mundo? Claro que não. Ele era mais sutil e silencioso do que isso. Era possível até que nem aparecesse aqui hoje! Mas... é sempre no momento em que a vítima abaixa a guarda que ele ataca. Realmente era muita pressão. Não podia relaxar em nenhum momento até matá-lo...

– Olá, moço! Gostaria de dar um passeio pelo túnel do terror? – Uma garotinha, repentinamente chamou minha atenção, já logo segurando meu braço.

– O quê...?

– O túnel do terror do oitavo ano! A primeira ida é grátis para não-estudantes.

Olhei para a entrada da sala e notei aquela lona preta na porta e uma escuridão infinita. Realmente, eu não tinha tempo pra isso.

– Desculpe, fica para outra hora. – Disse e já fui seguindo meu caminho. Algumas salas depois, outro aluno me parou.

– Ei, gostaria de ver o seu futuro na barraca da vidente do sexto ano?

– Er...

– Ei, aceita provar os cupcakes da sala do quinto ano?

– Hum...

– Senhor, se interessa em tirar algumas fotos caracterizado com cosplays diversos?

De repente muitos apareceram ao meu redor e começaram a oferecer coisas. Me senti meio mal por ver que boa parte deles eram mais altos do que eu. Recusei o mais educadamente que consegui na hora e saí daquela multidão. Hunf... Fiquei espantado, parecia comércio do centro da cidade onde os vendedores já jogam a mercadoria em cima de você. Mas bem, depois de passar pela parte mais cheia, ouvi um assobio.

– Ei, bonitinho...! Não gostaria de nos ajudar na barraca do beijo? São apenas dois euros. – Uma garota até que bem bonita jogava um olhar cheio de intenções dobre mim.

– Como é?

– Ajude-nos a pagar nossa formatura, ainda não temos todo o dinheiro, mas já reservamos o salão. Poderia nos ajudar? – Pelo visto, era uma aluna do terceiro colegial tentando arrecadar fundos de todas as formas possíveis.

– Hum... Eu tenho que pagar... e ainda por cima beijar...?

– Bem, se quiser, pra você, pelo mesmo preço, eu posso usar a língua. – Ela deu uma piscadinha pra mim. Fiquei meio pasmo. Foi uma frase bastante ousada para uma garotinha assim usar. Será que todas as meninas de hoje estavam desse jeito, ou era só esta? Bem, mas vi claramente que ela achava que eu era outro adolescente e estava dando em cima de mim.

– Ouça, garota... Te dou seus dois euros se me disser onde fica a sala do primeiro colegial. – Disse já depositando as moedas sobre seu balcão.

– Hum... – Ela, agora mais acanhada e meio decepcionada, respondeu. – É no andar de cima. A última sala do corredor.

– Huhu, agradeço sua ajuda. – Logo me virei de volta para meu caminho rumo à sala do primeiro ano. Ainda deu para ouvi-la lamentar...

– Ahhh, por que ele não me quis? Sou uma das mais bonitas da sala...

. . .

Finalmente, depois de um bom tempo andando, é que finalmente encontrei a sala do primeiro ano. Assim com o garoto havia dito, sua classe faria uma espécie de cafeteria. Estava bem caracterizada como tal, com um balcão e mesas improvisadas com as próprias carteiras. Até que estava lotado. Já da entrada, consegui avistar o Armin, devido à sua cabeleira loira bastante chamativa. Estava vestido com as mesmas roupas que Eren passava ontem. Aliás, todos estavam nesse traje, tanto meninos quanto meninas. Calça preta, camisa social branca e um colete escuro por cima. Bem “garçom”, eu diria. Em meio àquela lotação, fiquei meio receoso de entrar. Não curto lugares muito cheios...

Armin logo que me avistou, se virou para a parte do fundo da sala, onde havia aquelas paredes móveis usadas em eventos, separando a área das mesas da “cozinha”. Ele aparentemente chamava por alguém. Assim, surgiu o Eren dali de trás, que rapidamente abriu o sorriso ao me ver.

– Levi!! – Ele correu até mim. Notei que seu cabelo estava diferente. De um lado estava meio jogado para trás, provavelmente com gel para mantê-lo assim. Sua testa inteira estava praticamente à mostra. – Ah, estou tão feliz que esteja aqui! Você vai cantar mesmo, não é?

– Sim... Mas pare de falar tão alto. Parece a Hanji.

– Desculpe...

– O que houve com o seu cabelo?

– Ah, isso? A Mikasa ajeitou ele pra mim! Não ficou legal? – Ele estava todo alegre mostrando o penteado.

– Hummf... Mikasa... – Revirei os olhos. – É... Até que não está mal.

– Obrigado! – Era incrível como ele ficava contente com um elogio tão fraco. – Oh, esqueci as normas! Eu sou servente da cafeteria agora... – Eren limpou a garganta, colocou um dos braços para trás e deixou as costas bem eretas, fazendo atuação típica de um garçom. – Boa noite, senhor. Gostaria de provar do nosso menu?

Eren falou com se fosse num restaurante ao invés de cafeteria, mas mesmo assim, até que seu jeitinho me... encantou. Resolvi entrar na dele.

– Hunf... Tudo bem então.

– Por favor, me acompanhe. – Eren fez todo um gesto requintado, seguindo as normas de etiqueta da área gastronômica. Ele estava indo até que bem pra alguém que, no nosso primeiro encontro, fez tanta caipiragem no restaurante. Ele me levou à uma mesa próxima à janela. Bem, como mencionei, não era exatamente uma mesa, e sim quatro carteiras juntas cobertas por uma toalha de mesa. Ali, me acomodei. Ele entregou-me o cardápio, uma folha com as palavras escritas à mão, aparentemente uma caligrafia feminina. – Então, o que deseja pedir? – Eren até que estava bem charmoso atuando assim tão a sério como anfitrião.

“Eu queria você na minha cama...”

– Pode ser um café mesmo.

– Certo, senhor. Mais alguma coisa?

“Um beijo talvez...”

– Não, apenas isso. – Pedi já pensando que devia me manter bem acordado até a hora de começar o “showzinho”.

– Ok, já trago o seu pedido, senhor! Com licença. – Eren curvou-se e logo foi para trás das paredes móveis, onde preparavam os pedidos. Enquanto isso, fiquei na minha, esperando. Foi quando notei Mikasa do outro lado da sala, servindo um casal de adolescentes. Assim que ela me notou, veio rapidamente ao meu lado com aquela expressão séria no rosto.

– Já anotaram o seu pedido, senhor...? – Como sempre, ela mantinha a indiferença na voz, mas fazia sua atuação como garçonete.

– Eren já anotou o meu, não se preocupe, mocinha. – Era inevitável uma troca de olhares meio rivalescas entre nós. E ao que me parecia, ela não gostou muito de saber disso.

– Entendi... – Mikasa desviou e foi para trás das paredes móveis também. Me pergunto o que se passou na cabeça dela agora.

Eren

Preparei da forma mais caprichada que pude o café do Levi. Tá certo que foi tudo na cafeteira elétrica, mas eu que temperei com açúcar do jeito que eu sei que ele gosta. Quando estava para montar a bandeja, Mikasa surge de repente ao meu lado, fazendo-me quase derrubar tudo.

– Ahh! Caramba, Mikasa! Não apareça assim do nada, me deu o maior susto...

– Por que está servindo ele?

– Hã...? Ué, é um cliente da nossa cafeteria, não?

– Esqueceu da regra? Os meninos atendem o público feminino, e as meninas atendem ao masculino.

– Vish... – Arregalei os olhos. – Verdade, esqueci disso... Ah, mas vou atender só o Levi, depois eu volto para o público feminino...

– Não, Eren, temos que seguir a regra. – Mikasa continuava firme na sua fala. – ...Não é mesmo, Armin?

O loiro que estava atrás dela, também deu um tropeço.

– Er... É... Foi o combinado, pra sala ficar mais atrativa. Mas não acho que precisar ser uma regra tão rig...

– Viu só, Eren. – Mikasa novamente me encurralou. Soltei um breve suspiro.

– Tá bem, então... Aqui, sirva o café do Levi. – Estendi a bandeja para ela.

– Muito bem... – Ela a pegou e foi rumo ao Levi. Eu fiquei olhando-a meio cismado, havia momentos que o olhar dela intimidava até a mim. Quando ela estava longe, cheguei no loiro.

– Ei, Armin, por que ela ficou assim de repente?

– Oras, Eren! – Armin fez aquele tom de óbvio. – Já se esqueceu do que eu falei? Que “Ela tá tão na sua, cara...” – Eles balançava os braços para se expressar melhor.

– Ah, é... é claro que eu lembro! – Falei emburrado. Eu lembrava, mas na verdade eu não acreditava ainda. Ou pelo menos não queria acreditar. Não parecia que ela me via dessa forma. Ela me tratava como se fosse o filho dela...

– Hum, sei... – Quando Armin olhou para o relógio em cima da lousa, deu um pulo. – Ah, droga!! Já são sete e quarenta??

– Eh? Por quê??

– Er... Foi mal, Eren, não dá tempo de falar agora, mas eu tenho que ir. – Ele simplesmente tirou seu colete, deu-o para mim e saiu às pressas da sala. Eu fiquei apenas o olhando sem entender muita coisa. Ele estava estranho desde o dia que Ymir o levou pra longe de mim pra falar não sei do quê.

– Ei, Eren! – Uma voz bem grossa chamou minha atenção.

– Oi, Reiner...?

– Tem uma senhorita acanhada ali na entrada da sala, acho que ela está querendo tomar alguma coisa. – Reiner apontou à tímida menina parada à porta. Esta parecia bem envergonhada de entrar aqui. – Vá lá atendê-la.

– Tá...! – Limpei a garganta e fui.

Levi

O tique na minha sobrancelha esquerda começara a dar uma manifestada. Mantive os braços e pernas cruzadas enquanto Mikasa, com aquela expressão de poucos amigos, colocava o café na mesa sem tirar os olhos dos meus. Parecia até guerra pra ver quem piscava primeiro.

– Mikasa... Acho que eu havia dito que o Eren já estava me atendendo. – Falei sarcástico.

– Eu sei. E está errado, a regra posta a nós é dos meninos atenderem ao público feminino e vice-versa.

– Hum... Você sente mais segurança do Eren atender uma garota da sua faixa etária do que a mim? Realmente eu devo ser um rival bastante perigoso para você.

– Aproveito e venho para lhe aconselhar a parar de fazer o que faz com o Eren.

– Como é?

– Já disse que o que está fazendo não está certo. Você é o responsável dele, apenas isso. – Ela insistia em me fazer desistir.

– Hum... Esse é o seu argumento?

– Quer que eu repita sobre a sua diferença de idade com ele.

– Bla, bla, bla... Eu já estou ciente disso também, mocinha.

– Tanto faz... Com licença, tenho mais coisas à fazer. – Antes que Mikasa saísse...

– Ei! Só pra saber... Seus pais estão aqui na escola também?

– ... – Ela olhou-me de canto. – Minha mãe veio mais cedo, mas já foi embora. – Disse simplesmente e continuou andando.

– Hunf. Você não colocou nada estranho no meu café, né?

– Não. Não deu tempo...!

“Tsc... Ela se parece muito comigo, especialmente no jeito de falar. Havia momentos que eu até me perguntava se não era mesmo um Ackerman, como ela.”

Agora voltei meu olhar para o pirralho, que antes me atendia, agora dava atenção para uma garota ali...

~*~

Depois de tomar o café na sala do Eren, voltei para o salão do palco menor. Mike já havia montado tudo. A bateria, o amplificador, a guitarra de Hanji e seu pedal. Além de, claro, um pedestal girafa de microfone, que seria para mim...

– Waaa, isso tá lembrando muito nosso tempo de colegial! Não é nostálgico? – Hanji, sentada sobre o amplificador, viajava em pensamentos enquanto degustava um espetinho de frango.

– É... até que sim. – Concordei. Mike também comia, mas como para ele era um momento sagrado, não falava quase nada no durante. Ainda estávamos à espera de uma pessoa, e não sabíamos o horário certo que ela viria, por isso, nos encontrávamos sem nada para fazer por enquanto.

A porta do salão estava escancarada, e no corredor podíamos ver alunos e não alunos passando constantemente por ali. Grupinhos de meninas, colegas de sala, até passou um grupo grande de rapazes com uniforme de futebol. Creio que haveria algum campeonato ainda hoje, mesmo já sendo tarde da noite.

Bem, enquanto ela não chegava, achei melhor me distrair um pouquinho. Odeio ficar esperando.

– Quatro-olhos... – Chamei-a. – Você trouxe seu violão?

– Hum, sim, tá ali encostado! – Ela apontou para o canto da sala. – Uhh, aprendeu a tocar então?

– Só sei duas músicas, que foi você mesma que me ensinou. – Argumentei enquanto ia até o instrumento tirá-lo da capa.

– É, mas está tocando sem errar agora? – Ela sorria de forma divertida.

– Hunf. Olhe só...

Dei uma testada nas cordas para ver se estavam afinadas. Eu podia não saber tocar quase nada, mas sabia ver se o tom estava correto. Depois de afinado, sentei-me sobre um dos banquinhos em cima do palco e já fiquei em posição para tocar a primeira música que eu havia aprendido: “More Than Words” do Extreme.

Assim que comecei já dei uma errada, que fez Hanji dar um risinho. Respirei fundo e recomecei, com maior concentração. Desta vez fui acertando... O bom é que, a cada acerto de acorde, ganhamos mais confiança de fazer a continuidade tranquila e sem errar.

Então, comecei a cantar...

“Saying, ‘I love you’ / Is not the words I want to hear from you / It's not that I want you not to say / But if you only knew / How easy it would be to show me how you feel [...]”

Enquanto eu cantava, concentrado somente nos acordes, não notei algumas meninas timidamente paradas na entrada do salão, com uma expressão encantada na face, só percebi quando Mike apontou para elas. Vendo isso, Hanji já se levantou e conectou um dos fios do amplificador no violão e trouxe o microfone pra mais perto de mim. Eu a olhava com a sobrancelha arqueada, mas sem parar de cantar. Ela simplesmente fez um “joinha” com as duas mãos. Observava cinco meninas adentrando o lugar de forma acanhada, mas pareciam encantadas por me ver tocar.

Mais um grupo pequeno de meninas com uniformes de vôlei surgiu na porta, logo seguido por mais algumas outras pessoas com roupas estranhas de halloween (provavelmente, daquela classe do túnel mal-assumbrado), depois uns poucos rapazes também vieram por curiosidade. Aos poucos a garotada ia aparecendo, até a nossa “plateia” já ficar com cerca de trinta pessoas, mais ou menos.

Assim que a música terminou, eles bateram palmas. Quase todos com um sorriso no rosto. Algumas das meninas até ficaram com os rostos corados quando as olhei diretamente nos olhos. Bem, isso de alguma forma me fora nostálgico... Agora eu lembro... Lembrava perfeitamente. Admito que eu gostava de cantar para um público. Me dava uma sensação boa... Era como se eu pudesse extravasar meu estresse, especialmente quando eu cantava algum rock antigo.

– Mais um! Mais um! Mais um! Mais um! Mais um![...] – As garotas do time de vôlei começaram o coro, e o restante logo acompanhou.

Mordi o lábio inferior. Então eu já tenho um público agora... O jeito era então... me apresentar.

Estendi o violão para Hanji e fiz sinal para que ela já pegar sua guitarra e Mike se posicionar na bateria. Vesti meu paletó devidamente e me posicionei em pé na frente do microfone.

A quatro-olhos logo apareceu por trás de mim, vendando meus olhos com algumas bandagens.

– Hanji...? O que...?

– Levi, não somos No Name sem as bandagens! – Ela riu.

– Bem, mas não tampe os dois, deixe um olho de fora, ao menos. – Dei uma ajeitada pra poder no mínimo enxergar as pessoas. Assim, segurei o microfone e finalmente me pronunciei.

– Olá... Nós somos No Name. O que vocês gostariam de ouvir?

– Nirvana!!

– Bon Jovi!!

– Billy Idol!!

– Toca Raul!

– The Calling.

– Beatles!!! Beatles!!

– Queen!

– Guuuns!!

Cada um gritava uma coisa diferente. Juro ter ouvido um “Madonna” ali no meio. Bem, enquanto ela não chega, só cantaria músicas com vocal masculino, obviamente. Virei-me para Mike e Hanji.

– Vamos começar com Queen. – Falei e ambos concordaram com a cabeça. Mike ergueu as baquetas e fez a contagem.

Eren

Olhei para o relógio que já marcava quase oito e meia e dei um suspiro de alívio, meu turno como garçom já estava quase terminando. Daqui a pouco poderei sair pra encontrar o Levi. Poxa, me senti meio mal. É a primeira vez que ele vem para o festival da minha escola e eu não fiquei com ele por mais de cinco minutos ainda.

– Aqui está, senhorita! – Servi uma xicara de chá para uma aluna de outra classe que veio nos visitar como cliente. Ela estava toda suja de tinta, certeza que era membro do clube de artes.

– Oh, muito obrigada, lindo! – Ela passou a mão em meu rosto, em agradecimento.

– Ah... Er... P-por nada. – Fiquei meio sem ações com o seu gesto. Pareceu que recebi uma cantada...

– Eren!! – Mikasa chamou. – Não esqueça que você é só o anfitrião do café. – Ela disse em tom de alerta. Foi aí que me toquei.

– Ah, beleza. – Fiz um “joinha” pra ela e voltei-me para a garota do clube de artes. – Eu é que agradeço por ter vindo... princesa. – Para completar, dei um beijo nas costas de sua mão. Esse ato a fez ficar pasma, com os olhos arregalados. Seu rosto logo ficou bem vermelho.

– Ah, Deus... Oh, Deus... – A garota deu meio que deu um pane. – É o destino?

– Perdão? – Arqueei uma sobrancelha.

– Eren!! – Mikasa veio até mim e me puxou pela orelha pra longe da menina.

– Ai, ai, ai, ai, Mikasa, assim não! Isso machuca! – Ela nem deu bola, me levou até atrás das paredes móveis e cruzou os braços de forma impaciente.

– Eren, não precisa tratar a cliente assim também. Isso é demais.

– Ué, Armin me mostrou que alguns “hostess” atendem assim. Você não ia gostar se fosse com você? – Falei meio que sem querer.

– Ah... Bem... Talvez. – Agora ela abaixou a bola e ficou levemente acanhada.

– Então, é um tratamento que uma garota merece.

– É... Bem, só não exagere nesse...

Na mesma hora eu pude ouvir um som musical bem abafado e baixo. Além de sentir levemente aquela batida de amplificador... Logo ouvi a voz que cantava. Rapidamente tampei a boca da Mikasa.

– Espera, para. – Assim, tentei ouvir melhor. Era a música do Queen, “Under Pressure”. E a voz... Aquela voz gostosa.

– Eren, o que foi? – Mikasa afastou minha mão.

– É o Levi! Ele tá cantando!! Vou lá ver!! – No maior desespero, me virei e fui correndo em direção à saída. – Reiner, já são oito e meia, meu turno acabou! O Bertholdth entra no meu lugar! – Falei o mais rápido que pude no curto tempo que passei diante do loiro. Ele apenas respondeu um “Ok” confuso.

– Eren! Eren, espera! – Mikasa gritava da sala.

– Vem também, Mikasa! – Chamei-a.

– Ah, mas...

– Ei, calminha aí, Jaeger. A Mikasa fica. – Jean surgiu ao lado dela, passando o braço sobre seus ombros. – Deixa o viadinho ir, Mika... – E já falou uma dessa, que mesmo baixo e de longe, consegui ouvir alto e claro.

– É o quê, Jean??

– É isso aí mesmo! Você é um viadinho... e passivo ainda!

– Argh, não tenho tempo pra você. Vem, Mikasa! – Agarrei o pulso dela e a vim trazendo junto comigo. Isso pra pelo menos Jean não ter ninguém pra tentar “dar em cima” na frente dos outros.

– Ei, espera aí, Jaeger!! O turno da Mikasa ainda não terminou! – Jean logo veio correndo atrás de nós.

. . .

Chegando no corredor da sala do palco número dois, já podia se ver uma multidão de gente aglomerada na entrada. Muito cheio mesmo! E a voz do Levi interpretando tanto o Freddie Mercury quanto o David Bowie ecoava por todo o corredor. A música já estava no final, mas eu queria ver uma partezinha ao menos.

– Droga, esse povo todo na frente... – Murmurei ao ficar bem atrás da multidão na porta. Pior, parecia ser gente do terceiro ano, eram muito altos. Dei uns pulinhos para tentar ver. – Levi!! – Estava meio longe, mas deu pra dar uma olhadinha mínima nele. Droga, não dava ainda pra apreciar como eu queria...

– Eren, acho que não dá pra entrar... – Mikasa constatou.

– Não! Tem que dar sim! Não vou conseguir ver nada daqui de fora! – Lamentei. – Levi!! Leviii!!! – Gritei bem alto esperando que ele ouvisse, mas foi inútil, o amplificador não permitia. Mesmo entre eu e Mikasa precisávamos falar alto para nos ouvir.

Jean, que acabou vindo junto, estava na ponta dos pés, tentando enxergar lá dentro.

– Aquele baixinho ali cantando não é o seu responsável? – Perguntou ele, abobado.

– É... Você está enxergando?

– Um pouco... Espera aí... Ei, que é isso? Aquele ali é o Marco? – Jean apontou para o meio da multidão.

– Marco está lá dentro? – Perguntou Mikasa.

– Está... Filho da mãe, ele largou a tarefa dele pra vir pra cá? O turno dele ainda não tinha terminado.

– Vamos até ele então! – Sugeri já logo avançando no meio da multidão, tentando pedir licença. Mas em vão, não conseguia passar da porta. As pessoas formavam uma enorme muralha.

– Afe, Eren... Você é muito manso. – Jean chegou ao meu lado e tentou passar pelas pessoas à sua maneira. – Anda, sai da frente! Dá licença! Sai do meu caminho! – Jean abriu uma pequena passagem que permitiu eu e Mikasa adentrarmos a sala atrás dele. Ele foi indo na direção de Marco. Até que fiquei meio... com bico. Só consegui entrar por causa do Jean... Assim que alcançamos o sardento, ele parou ao seu lado. – Argh... Marco!! Imbecil, me largou sozinho lá fazendo o trabalho da sala enquanto curtia o sonzinho aqui! – Jean deu um tapinha na cabeça de Marco.

– Ahh, foi mal, é que eu tava só de passagem pelo corredor, mas eu vi que uma banda estava se apresentando, e bem... isso é raro, então resolvi ouvir um pouquinho. Mas quando dei por mim, já estava preso aqui. – Marco riu.

– Hunf. Tá. Vou ficar aqui também e dar essa mesma desculpa para o professor... estou farto de servir café!

– Hã... – Embora eu não quisesse, como Jean ajudou-me, resolvi agradecer. – Valeu, Jean... Por nos ajudar a entrar.

– Hunf. Eu fiz isso pela Mikasa. – Argumentou.

– Ah, para de fingir, Jean, ele já sabe que você é gay.

– Marco!!! – Jean apertou o pescoço do sardento. Eu segurei o riso e voltei minha atenção para o palco, afinal o que me interessava ali era o Levi e não implicar com Jean. Estávamos praticamente no fundo da sala, por isso Levi, Hanji e Mike estavam pequenos na nossa visão. Mas pelo menos agora havia uma abertura, eu conseguia vê-los sem ter que pular. A música já era outra... “Because We Can” do Bon Jovi! Levi fazia uma voz mais rouca em alguns momentos... Era diferente da voz que ele me mostrara. Fora que ele estava agindo de uma forma que eu não havia visto ainda. Parece que ele incorporou o “personagem” e cantava como um astro num show de grande porte. Estava tão... atraente.

Os três estavam de terno, como eu havia visto nas fotos deles de colegial. E usavam bandagens cobrindo os olhos. Hanji também estava de um jeito que eu nunca havia visto. Ela tocava a guitarra fazendo aquelas poses de guitarristas veteranos de bandas de rock. Ela estava tão legal! Hora ou outra balançava os cabelos de um lado para o outro. Mike, mais ao fundo, era o mais escondido, mas também pude ver um outro lado seu. Ele podia ser mais quietão na maioria das vezes, mas vi que na bateria ele se soltava. Até girava as baquetas entre os dedos nos pequeninos intervalos que dava. Claro, eles eram amadores, tinham que se virar só com a guitarra e a bateria de instrumentos. Hanji em alguns momentos fazia até a parte do baixo usando as notas mais graves da guitarra. Era tudo um grande improviso, mas dava certo! Cada batida da melodia desses dois únicos instrumentos, junto à voz do Levi, já saía um som muito bacana. Os três juntos estavam tão incríveis! De um jeito que eu nunca vi antes... Eu tinha que vê-los mais de perto!

Sem nem avisar Mikasa ou Jean, simplesmente fui indo para frente, passando pelos menores espacinho que encontrava. Tropeçava em algumas pessoas, pisava no pé de outras, pedia desculpa e licença sem parar. Agora que eu via a sala estava cheia, eu notava como música chama a atenção de jovens... Finalmente consegui chegar bem na frente. Os três estavam mais perto de mim agora. Vendo eles mais altos, sobre o palco, me fazia olhá-los como grandiosos artistas.

Podia ver melhor o Levi agora. As luzes do teto da sala estavam apagadas, mas a iluminação de palco focavam bem nele. Pude ver melhor seu rosto. Percebi que um de seus olhos estava descoberto e que escorria muito suor em sua pele. O jeito que ele andava de um lado para o outro devagar... aquele olhar semiaberto que ele fazia para o público... a forma como segurava o microfone e como roçava os lábios ali a cada palavra pronunciada... e essa voz rouca que ele fazia pra cantar o refrão...

“[...]I don't want to be another wave in the ocean / I am a rock, not just another grain of sand / I want to be the one you run to when you need a shoulder / I ain't a soldier but I'm here to take a stand because we caaan!”

Me arrepiei na parte do “[...]because we can”, era o momento que ele alcançava o tom mais alto. Eu simplesmente não conseguia parar de olhá-lo com a boca aberta. Ele estava tão incrível cantando que fazia meu coração acelerar.

Finalmente quando Mike deu a batida de encerramento da música. Todos gritaram e aplaudiram horrores, até assobiavam. Estavam curtindo quase tanto quanto eu. (“quase”, pois creio que ninguém aqui esteja mais maravilhado do que eu).

Levi deu mais uma andadinha pelo palco para tomar um pouco de fôlego. E o pessoal não parava de gritar para os três. Hanji gritou de volta para o público, com certeza estava curtindo muito tocar guitarra assim depois de anos, me pergunto se ela estava enxergando bem sem os óculos. Levi, apontou para Mike e pronunciou.

– “Numb” agora, Mike!

O loiro assentiu. Eu não pensei que ele cantasse Linkin Park, era diferente do tom do Bon Jovi. Assim, Mike fez a contagem com as baquetas e Hanji começou sua improvisada para fazer o início de “Numb”, e logo depois ele a acompanhou. Levi caminhou novamente até o microfone e segurou-o fazendo aquele olhar ardente que ele tinha. Finalmente começou a cantar...

“I'm tired of being what you want me to be / Feeling so faithless, lost under the surfasse[...]” — Ele conseguiu deixar a voz mais aguda e limpa do que antes. Caramba... Ele era bom mesmo nisso... Cheguei até a me perguntar por que ele não seguiu carreira.

Pelo que notei, acho que ele ainda não me viu. Aliás, nenhum dos três. Bem, mas não os culpo. Somente a área do palco é que estava iluminada, pro lado da plateia estava quase um breu, salvos pela luz que entrava pela porta de fundo, além de ter muita gente aglomerada. Só fui perceber agora que a maioria das que estavam na primeira fila eram meninas e elas não tiravam os olhos do Levi. Isso me fez morder o lábio... pois Levi lançava aqueles olhares para elas de vez em quando. E eu não gostei muito disso...

Eu não estava exatamente no meio da plateia, estava mais pra direita, e também não estava na primeira fila. Quando Levi virava para o meu lado, eu rapidamente tentei chamar a atenção dele, balancei os braços de um lado para o outro e pulei, mas não funcionava, pois havia outras pessoas perto de mim fazendo o mesmo. Foi aí que percebi que essa música ele cantava inteira com os olhos fechados. Parecia até que cantava para si mesmo... Bem, sendo assim, não pude chamar sua atenção durante esta música. Limitei-me apenas a admirá-lo... Em vários momentos ele mexia nos cabelos, jogando-os para trás. Nossa... Isso era tão sexy...

Depois de “Numb”, inesperadamente Levi cantou “Dancing With Myself” do Billy Idol. Não achei muito a cara dele, pois era uma música mais agitada e “dançada”, mas vi que ele só estava sendo diversificado e não seguindo o próprio gosto. Era simplesmente para agradar ao público. Nesta música, toda a plateia começou a pular no ritmo, até uns caras do segundo ano balançavam a cabeça de um lado para o outro, curtindo de verdade.

Depois do Billy Idol, eles tocaram “Sweet Child O’ Mine”. Clássico. Levi soltou a voz mais ainda nessa, tanto que tentou até imitar o próprio Axl Rose. Eu até me esqueci de chamar sua atenção, de tanto que eu estava hipnotizado de vê-lo. Levi cantou “It’s My Life”, “Warriors” de Imagine Dragons, “Jaded” do Aerosmith, “Counting Stars” do OneRepublic e até “The Reluctant Heroes”, que não era lá uma música muito conhecida. Além de ter cantado uma música em francês que eu conhecia, chamada “Elle Me Dit” do Mika. Aliás, essa ficou bem sensual... fiquei todo bobo vendo-o pronunciando aquelas palavras em francês... tão sexy... E agora, cantava outras mais “atuais” como “Animals” do Maroon 5... quando ele começou essa, Levi até retirou seu paletó, mostrando o quanto estava com calor. Foi aí que dei uma acordada e resolvi chegar mais perto do palco para que enfim ele me notasse ali. Dei afastadas de leve nas meninas da primeira fila e me encaixei ali, mas continuei meio no lado direito do palco. Hanji foi a primeira a me notar, ela abriu um largo sorriso e me mandou um beijo no ar, sem parar de tocar a guitarra. Ela deixou “Animals” num estilo mais rock... Eu acenei de volta e lhe elogiei na esperança de que ela ouvisse, e ela ouviu.

Voltei minha atenção para Levi, que arregaçava as mangas da camisa, parado diante do microfone enquanto soltava a voz. Gritei seu nome o mais alto que pude para vencer a potência do amplificador e fazer minha voz chegar aos ouvidos dele. O que deu certo finalmente. Ele virou-se para mim e até abriu um tímido sorriso de canto enquanto cantava, logo veio caminhando, no ritmo da música, até mim.

Chegando bem à minha frente, ele me fitou com aquele olhar semiaberto... Penso que ele possa estar um tanto contente de ter que olhar para baixo para me fitar nos olhos, aliás, não só nos meus, mas nos de todos. Ele devia estar se sentindo super alto. Imediatamente, enquanto cantava o refrão da música, ele agachou-se e aproximou seu rosto do meu...

“[..]Maybe you think that you can hide / I can smell your scent from miles...” – Não tirando a concentração da música, ele passou a mão em meus cabelos, logo descendo, acarinhando o meu rosto até passar os dedos sobre meus lábios. Meu corpo inteiro esquentou. – “...Just like animals, animals, like animals-mals[...]”

Estaria mentindo se dissesse que não senti vontade alguma de pular em cima do Levi e enchê-lo de beijos ali mesmo. Ele estava muito provocativo. Com seu olho visível, deu uma piscada antes de levantasse para finalizar a música, deixando-me lá, todo bobo, corado e doido para beijá-lo. Mas devia me controlar, estava em público afinal de contas, e eu não queria ser tascado de gay aqui na escola, já que isso era bastante mal visto por aqui. Aliás, já espero que não me zoem só por isto que acabou de acontecer...

Me recompus de sua tática de sedução e logo o aplaudi junto do resto do pessoal. Mikasa então surgiu ao meu lado, agarrando minha mão.

– Ah, que susto! – Murmurei.

– Finalmente te encontrei, você saiu do nada de perto da gente. – Ela reclamou.

– He, não precisa se preocupar, tá agindo como se fosse minha mãe de novo, Mikasa...

– Mas nem me chamou...

– Foi mal, é que eu queria ver de perto...

– Hum... – Agora ela desviara a atenção para ele também. — Até que ele ficou mais adolescente agindo dessa forma. – Analisou.

Notei Hanji andar sorrateiramente até o Levi, enquanto este bebia de sua garrafinha de água. Ela lhe cochichou alguma coisa no ouvido e ele apenas concordou, voltando à sua posição no microfone.

– Mike! Aquela... – Ele deu sua deixa, e Hanji que iniciou o toque primeiro... Agora o ritmo mudara radicalmente. Parecia uma música lenta. Levi, virado para mim, fitava-me de forma penetrante por um tempo... Ele queria dizer algo?

Eu manjava de todas as musicas anteriores que ele cantou, mas esta aí eu não consegui identificar. Nem o cantor... Ele segurou o apoio do microfone e ali ficou agora olhando para o chão antes de iniciar a letra...

“I've seen the world, done it all / Had my cake now... / Diamonds, brilliant / And Bel Air now[...]” – Era mesmo uma música bem mais lenta. Tanto que o improviso que Hanji fazia parecia na verdade cobrir um solo que seria de piano. Mike usava apenas o tom abafado do bumbo para acompanhar. Até o público ficara em silêncio para apreciar melhor.

– Oh... Lana del Rey... – Mikasa comentou.

– Hã...? – Virei-me para ela. – Quê?

– Ele está cantando uma música da Lana del Rey... “Young and Baeutiful”.

Arregalei os olhos. Não conhecia a música e nem o artista... Quer dizer que agora... Levi estava cantando uma música interpretada por uma mulher. Achei que ele só cantaria repertório de cantores homens... E ali estava ele, mesmo numa melodia originalmente feminina, ele passou para seu tom masculino. O silêncio possibilitou a voz do Levi até ecoar na sala.

Fiquei prestando atenção na letra. Eu não pegava todas as frases, pois a música estava em inglês. Mas eu entendi a maior parte perfeitamente, graças às minhas aulas de reforço de inglês e de tanto ouvir músicas mesmo.

“[...]Will you still love me / When I'm no longer young and beautiful?...” – Neste momento, Levi retirou o microfone do apoio e caminhou novamente até parar bem na minha frente. Continuou a cantar olhando fundo em meus olhos – “...Will you still love me / When I got nothing but my aching soul? / I know you will, I know you will / I know that you will[...]”

Como era lenta, eu consegui pegar a letra toda desse refrão... Agora Levi passara de sexy para romântico... Meu rosto novamente ficara corado e uma pontada foi sentida em meu peito.

“Levi, está cantando isso para mim...?”

Abri um largo sorriso para ele e senti uma tímida lágrima escorrer pelo meu olho esquerdo e eu rapidamente a enxuguei. Não queria chorar na escola. Aliás, eu não gostava de chorar, pois me fazia parecer fraco... e eu chorava com muita facilidade.

Levi ficou bom tempo cantando na minha frente, agachou-se novamente e bagunçou meus cabelos, que até então, estavam arrumadinhos com gel. Meus olhos brilhavam, tanto pelas lágrimas ali paradas, quanto pelo fascínio de ver Levi cantando daquela forma tão bonita... Depois de um tempo, ele levantou-se e deu uma caminhada para o outro lado do palco. Claro, para não dar preferência apenas a mim, afinal, ele estava se apresentando para um grande grupo de gente.

Mikasa repentinamente passou um lenço em meus olhos e em todo meu rosto. Eu logo afastei sua mão.

– Para, que isso?!

– Só estava enxugando seu rosto.

– Já falei que não precisa me tratar assim, é vergonhoso...

– Só me preocupo com você. – Ela simplesmente disse. – E seu cabelo... – Ela novamente deu uma ajeitada. Como estava com gel, acredito que tenha ficado todo torto...

– Hum... – Vê-la me tratar desta forma só fazia escorrer mais poucas lágrimas de meus olhos. Mas no final, eu já estava acostumado com esse jeito materno dela em cima de mim sempre. Acharia estranho se ela não agisse de tal forma. Voltamos a atenção para o palco e deu para dar mais uma boa viajada no Levi cantando aquela música lenta. Ora ou outra fitava vários pontos da plateia, mas sempre acabava dando uma olhada em mim de novo.

Ao finalizar a música, creio que ele tenha terminado de conquistar as meninas que o assistiam. Elas o olhavam abobadamente e todas cheias de intenções.

Levi, educadamente, encaixou seu microfone no apoio e se curvou em agradecimento para a plateia. Todos aplaudiram de novo, bastante animados. Hanji dava altos pulos gritando de volta para o pessoal. Logo começaram a pedir por mais.

– Agora, última música para finalizar... e contarei com a ajuda de outra pessoa.

Todos fizeram som de chateação ao saber que só tocariam mais uma. Mas bem, pelo menos isso mostrou que No Name fizera bastante sucesso aqui na escola. Mas eu fiquei encucado com esse “outra pessoa”. Será que Hanji faria algum dueto com ele? Foi minha primeira suposição.

Notei as luzes de palco mudando e oscilando os tipos de piscadas, aliás, durante toda a apresentação estava assim. Me pergunto se era automático ou se havia alguém controlando as luzes... pois até agora eu não vi.

Hanji logo iniciou um solo de guitarra que os jovens logo identificaram. Bem agitadinha e dançante. Era sem dúvida outra música do Maroon 5.

“Just shoot for the stars if it feels right / Then aim for my heart if you feel like / Can take me away and make it okay / I swear I'll behave[...]” – Levi começou a cantar. Sim, era aquela música que ele sempre comentava que lembrava o meu nome. Era bem animada, por isso todos os jovens começaram a pular e cantar juntos. Levi escolheu bem. Todas as músicas que cantou foram as mais populares que conseguiu se lembrar. Ele estava mais suado do que nunca, as pontas se seus cabelos até pingavam. Até as bandagens que cobriam seus olhos estavam se desfazendo, ainda mais com ele se movimentando mais pra cantar.

Eu estava tão besta olhando pra ele, que nem notei um grandalhão que apareceu do meu lado se esbarrando em mim e me fazendo cair em cima da Mikasa. Foi meio sem querer, mas nossa queda foi meio doída, pois não tínhamos onde cair. Derrubamos algumas outras meninas que estavam ao lado em efeito dominó. Hanji enquanto fazia o solo até soltou um riso com a cena, que foi abafada pelo som do amplificador, claro. Fiquei meio tonto, na hora, mas ouvi algumas das meninas reclamando de dor. Estava meio escuro, por isso demorei pra notar que meu rosto estava em algum lugar inapropriado.

– E-Eren...

– Mikasa!! – Eu estava caído meio de quatro e com a cabeça entre as pernas dela. – Ahh!! D-desculpa!!

– N-Não... Não tem problema. – Seu rosto agora dera uma avermelhada. – Se... Se quiser, não me importo que fique aí...

– É o quê?! Tá doida?! O pessoal a nossa volta tá tudo pulando. Eles vãos pisotear a gente!

Levi

Eu olhava para o pessoal do fundo da sala agora. Eles pareciam estar tão animados quanto a primeira fila. Aliás, no geral, todos da sala se animaram bastante com essa última música que escolhi. Eu mesmo, que estava cantando, não estava tão agitado quanto esse pessoal. Jovens são mesmo cheios de energia... Cantar aqui foi tão nostálgico para mim. Creio que para Hanji e Mike também.

Dei um olhada no fundo do palco, bem escondidinha, vi se Petra estava bem ali, sentada com as pernas cruzadas, como índio. Ela fez um “Ok” com a mão para mim enquanto controlava a iluminação e o som do palco.

No mesmo momento, vi que Hanji estava rindo. Olhei para a quatro-olhos interrogativo e ela fez cara de paisagem pra disfarçar. Quando voltei meu olhar para onde Eren estava, vi que ele havia sumido. Quando cheguei na beirada do palco para procura-lo, apertei mais forte o microfone em minha mão. Vi que o garoto estava caído em cima da Mikasa com a cabeça no meio das pernas dela, além de mais uma sequência de outras pessoas caídas.

“Que porra é essa, Eren??!!”

Notas finais
Eaiiii?? Chegaram vivos até aqui? Bem, espero que sim ^u^ E espero tbm que vocês tenham gostado do capitulo e não tenham achado muito enrolativo (pq foi um pouco sim =3=) Heheheh, mas finalmente tivemos uma apresentaçãozinha de No Name ♥ Hehehe outra coisa, aquele "Toca Raul" lá no começo foi zoeira, tá? Me processem xD E se quiserem de uma vez a listinha de todas as músicas que o Levi cantou, aqui a listinha: ~ More Than Words - Extreme // Under Pressure - Queen ft. David Bowie // Because We Can - Bon Jovi // Numb - Linkin Park // Dancing With Myself - Billy Idol // Sweet Child O' Mine - Guns and Roses // It's My Life - Bon Jovi // Warriors - Imagine Dragons // Jaded - Aerosmith // Counting Stars - OneRepublic // The Reluctant Heroes (é da trilha sonora original de SnK) // Elle Me Dit - Mika // Animals - Maroon 5 // Young and Beautiful - Lana Del Rey // Move Like Jagger Bem, escolhi essas músicas, pois são tipo, muuuito populares (a maioria, pelo menos), tenho amigos que tem banda e eles tocam quase todas que estão aí nessa listinha (e por acaso, o nome do guitarrista é Riva :3) E eu queria ter feito o festival completo num único capitulo, mas não deu, terei que deixar uma parte para o próximo x.x Pq, sim, ainda tem mais coisinhas a acontecer, tipo Eren se safar da pequena situação delicada em que se encontrou, Levi terminar de ter ataque de ciúme xD Hanji terminar de rir de toda essa bagaça, saber aonde se meteu o Armin que sumiu do nada xD Oh, sim, muitas coisinhas, mas que será finalizado no próximo capitulo para então voltar o foco nos lances da Martha e do Kenny =3=/ Beijinhos da Nikki e até mais ♥