Redrum
1 Prólogo
Notas iniciais
O orfanato Overlook era um lugar extremamente agradável, localizado em uma pequena ilha inglesa chamada Frankshire. Havia apenas duas fazendas na ilha além da grande construção.
Já passava das onze horas da noite e as crianças estavam dormindo em seus quartos com capacidade para quatro. O corredor onde ficavam os quartos dos garotos estava silencioso e vazio, iluminado fracamente pela luz do luar que entrava pelas brechas das grandes persianas nas janelas. Uma das portas brancas lentamente se abriu, fazendo um rangido. De dentro saiu um pequeno garoto. Verificou se não havia ninguém – não havia – e então saiu. Estava indo em direção à sala de brinquedos.
Caminhou com passos leves pelo corredor, sempre atento a qualquer movimento. Se alguém o pegasse fora do quarto uma hora dessas ele estaria com problemas. Continuou andando lentamente até sair do corredor e chegar à escada. Estava pronto para descer quando viu uma mulher passar pelo saguão lá embaixo. Estava com um pijama e esfregava os olhos. Era Rose, uma das assistentes que ali moravam. Ele se abaixou, escondendo-se entre os pilares de madeira da sacada. Quando a mulher passou, ele desceu as escadas, quase exatamente no momento em que a porta de um dos quartos ali em cima se abria. Ao ouvir o rangido da porta, ele apressou o andar e escondeu-se na escuridão do pequeno espaço ao lado da escada.
A mulher, uma senhora de cabelos grisalhos, desceu, segurando com frasco de xarope e uma colher em mãos. Iria para a cozinha, guardar aquilo, e depois voltaria para seu quarto, por isso, ele preferiu esperar, escondido na escuridão.
***
Segundos depois, quando o garoto ouviu o ruído da porta dupla da ala das crianças se fechando, ele saiu do escuro e caminhou em direção ao seu destino, que ficava a alguns metros dali.
O grande orfanato era perturbador à noite. O piso de madeira bem encerado quase refletia a luz azulada do luar e as grandes janelas estavam cobertas por persianas, que mostravam apenas as sombras do que havia lá fora, como por exemplo uma grande árvore, cujos galhos e folhas balançavam com o vento da noite gelada.
Entrou no pequeno corredor à direita, havia apenas uma grande porta dupla de madeira no final. A sala de brinquedos.
Ele girou o trinco e ele não a porta não abriu. Estava trancada.
O garoto se sentou no chão e pôs as mãos no rosto, com uma expressão de medo nele. Não podia voltar a dormir sem ter certeza de que tudo estava bem. Ele havia feito uma coisa muito ruim hoje, e agora aquele maldito demônio sabia. Ele sempre sabia de tudo. Por isso precisava acabar logo com isso, antes que sofresse alguma punição grave.
Finalmente uma ideia lhe passou pela cabeça. Iria entrar pela janela do lado de fora. Se estivesse trancada – e com certeza estaria –, ele a quebraria. Depois de fazer o que deveria, ele sairia pela porta principal, que sempre continha uma chave do lado de dentro.
O garoto caminhou até uma das janelas, subiu a persiana e em seguida, tirou a trava, abrindo-a logo em seguida. A noite fria soprou um vento gelado em seu rosto e ele sentiu vontade de recuar, mas precisava fazer aquilo, por sua vida.
Assim que pisou a grama do jardim, descalço, ele começou a caminhar até a lateral do prédio, onde estava a janela da sala de brinquedos. Olhou para os lados, viu as árvores balançando, a lua cheia brilhando, as folhas que estavam no chão, voando, e a bela fonte de sereia da entrada, jorrando água sem parar.
Ele caminhou mais um pouco até chegar à primeira janela da lateral do orfanato. Viu pela janela, os brinquedos organizados, exceto por alguns bonecos, que estavam espalhados pelo chão. O garoto sabia que eles estavam brincando ou festejando há apenas alguns minutos e só pararam porque sabiam que ele vinha.
Ele empurrou a janela para cima e para sua surpresa, ela estava aberta, então ele abriu e entrou na sala, que estava quente e aconchegante. Um calafrio passou por seu corpo ao se aproximar dos bonecos. Parecia que eles o encaravam.
O seu alvo, um boneco de cabelos ruivos e sorriso enigmático, não estava ali. Parecia que estava escondido em algum outro local, então ele pegou uma linda boneca de rosto angelical e olhou bem para seus olhos de porcelana. Eles tinham um brilho sobre-humano. Pôs a mão em seu bolso e sentiu o aço da faca que ele trazia. Iria acabar com tudo naquele momento, destruindo todos aqueles bonecos. Foi o primeiro a ter coragem disso.
Antes de pegar a arma, ele sentiu, nas costas da boneca, um toque gelado de metal, também percebeu que ela estava com as duas mãos para trás.
Virou o brinquedo para verificar o que ela segurava e viu que era uma tesoura extremamente pontiaguda. Ao ver aquilo ficou aterrorizado, levando um grande susto quando a cabeça da boneca girou 180 graus e ela disse, através de um alto falante em sua barriga: “Você quer brincar?”
Ele largou o brinquedo no chão e correu para a porta. Girou a chave e destrancou a fechadura, em seguida, olhou para trás e viu a boneca no chão, com suas pequenas pernas de plástico mexendo nervosamente, enquanto ela soltava doces risadinhas de alegria.
Ele sequer fechou a porta, apenas saiu correndo em direção ao seu quarto. Achou que estaria seguro lá. Subiu as escadas apressadamente e correu para lá. Entrou e fechou a porta instantaneamente. Seus três colegas ainda dormiam. Ele voltou para sua cama e enrolou-se no lençol branco, mas algo estava errado. Ele conseguia sentir um toque macio na pele de seu pé, enrolando-se em seu tornozelo.
Tirou o lençol e percebeu uma boneca de pano agarrava-se ao seu pé esquerdo. Ele chacoalhou-o e a boneca voou para longe, em seguida, o garoto levantou-se da cama, correndo para fora do quarto. Não estava seguro em nenhum local.
Andou lentamente pelo corredor até a escada. Iria em direção ao quarto da diretora, avisar sobre o que havia acontecido. Era sua última chance. Na verdade, já havia feito isto antes, mas ninguém acreditava, nenhum adulto. No entanto, estava no limite, não tinha muitas opções.
Aproximou-se da escada, sem perceber que algo muito pequeno o espreitava nas sombras. Ele olhou para trás para verificar se a boneca o seguia, e não percebeu quando um pequeno boneco ruivo de sorriso enigmático segurou seu tornozelo, fazendo-o tropeçar e cair escada abaixo. O corpo do garoto produziu baques estrondosos ao atingir os degraus da escada de madeira com força. Quando chegou ao chão, ele já estava sem vida. O causador do acidente havia sumido, de volta às sombras, onde ninguém poderia vê-lo.
Fale com o autor