Redrum

5 Capítulo 04 - Algo Diferente


Era noite de lavar roupas para Sarah. Por volta de um pouco mais de dez horas da noite, ela estava na lavanderia vazia. Colocava suas roupas dentro de uma máquina, colocando as brancas em um grande balde de plástico para lavar separadamente.

Quando colocou as brancas na máquina ao lado, ela sentou em uma fileira de bancos a alguns metros e ficou sentada, observando o local. Era bem iluminado e limpo, com paredes coloridas com um verde bem claro e luzes fluorescente. A sua frente havia o grande muro de máquinas, com três fileiras com dez lavadoras cada uma. Apenas duas delas funcionavam, rodando em ciclos rápidos.

Sarah aproveitou o tempo para pensar sobre seu trabalho. Estava certa do problema das crianças do orfanato, apenas não sabia o que fazer a respeito. Elas pareciam resistir ao tratamento, não estava sendo fácil convencê-las de que estavam abaladas emocionalmente, afinal, eram somente crianças.

Seu celular vibrou no seu bolso e ela levou um susto. Pegou o aparelho e viu o nome na tela: Asher.

– Oi, Ash! – Disse ela, com uma felicidade imensa. Asher era um de seus melhores amigos, pois eles haviam se formado juntos.

– Só para a sua informação, eu já cheguei, ok? – Disse a voz masculina do outro lado, em tom de ironia. Asher havia viajado para a Holanda há três meses.

– Oh meu deus! – Ela exclamou – E como foi? Quer dizer, não... Não diga nada, você vai me contar quando estivermos no Le Gourmet!

– Já fiz reservas, às oito, não se atrase.

– Não se preocupe, querido.

– Preciso ir agora, vou passar na casa da minha mãe.

– Ok, tchau tchau.

– Beijos!

***

Mais ou menos uma hora depois, Sarah estava estacionando seu carro em frente a um grande restaurante. O Le Gourmet. Sempre gostou de lá.

Desceu do veículo levando sua bolsa. Estava usando um vestido especial já que a ocasião exigia. Ele era preto e justo, alongava-se até o joelho.

Entrou no estabelecimento, sendo recebida por um homem trajado com um terno.

– Boa noite, srta. – Disse ele, da forma mais educada possível.

– Boa noite – Sarah respondeu à altura, com um sorriso simpático – Estou com alguns amigos... O nome na lista deve ser Collins, Asher Collins.

O homem abaixou a cabeça e procurou o nome em uma lista em cima do balcão de madeira.

– Oh sim, ele já está aqui, mesa 7, é por ali – Concluiu o homem, apontando para a entrada do lado esquerdo. O restaurante tinha duas alas.

– Obrigada.

– Por nada.

Sarah entrou na ala esquerda, cheia de mesas decoradas com finas toalhas em branco e vinho e arranjos de rosas brancas. Curiosamente, o local não estava tão cheio como de costume. Havia apenas algumas mesas ocupadas. Um casal conversando, uma mulher olhando seu relógio, provavelmente esperando alguém, três mulheres sentando-se em uma das mesas mais afastadas. Ela observou todos eles, mas parou quando encontrou o que estava procurando. Longe, em uma grande mesa no canto, havia quatro pessoas, conversando e sorrindo. Quando um deles a viu, levantou-se. Era Asher, um homem de curtos cabelos loiro com óculos de armação azul marinho.

– Sarah! – Ele exclamou, correndo para um abraço.

– Oh meu deus – Ela ficou surpresa com os cabelos curtos do amigo. Alcançavam os ombros na última vez – Você cortou o cabelo!

– Pois é, e aí, como eu fiquei? – Ele passou as mãos pelos cabelos.

– Oi pessoal! – Sarah cumprimentou os outros amigos e eles cumprimentaram de volta.

***

Algum tempo depois, eles já haviam jantado e estavam apenas conversando, revivendo alguns momentos e comentando sobre as mudanças na vida de cada um. Ela não os via há quase um ano.

– E então, o que vocês andam fazendo? – Perguntou Amy Koester, uma mulher de cabelos curtos e negros. Parecia uma pergunta que deveria ter sido feita há muito tempo, mas só naquele momento ela surgiu.

– Eu continuo na mesmice – Respondeu Kevin Levine, um homem corpulento de cabelos castanhos e barba feita.

– Eu estou cursando história – Disse uma mulher de longos cabelos loiros e olhos azuis após beber um gole de vinho. Cassie Edwards.

– O que aconteceu com o seu emprego na New Times? – Perguntou Asher.

– Ainda estou trabalhando lá, mas é sempre bom ter uma segunda opção, vai que um dia eu não queria mais trabalhar com publicidade?

– Caramba, é muita coisa – Ele ficou surpreso.

– Nada disso, é só uma garantia, e eu sempre gostei de História – Ela deu outro gole na sua taça de vinho.

– E você Sarah? – Perguntou Amy.

– Faço das palavras do Kev as minhas, estou na mesma – Ela respondeu – Quer dizer, pela primeira eu estou trabalhando com criança.

– Eu sempre quis isso, mas nunca tive oportunidade – Disse Asher – Como é?

– Olha... É difícil, mas vale a pena, ver aqueles rostos lindinhos prestando atenção em você.

– Pera aí... Rostos? – Perguntou Kevin, surpreso – Não é só uma criança?

– Não, é um grupo.

– Deve ser dureza mesmo – Disse Amy.

– Pois é, eu sinto que não está dando muito certo... Já estou com eles há uma semana e ainda não vejo resultado, eles apenas pioram, ficam mais tímidos e reprimidos a cada dia que passa.

– Qual foi o trauma? – Perguntou Asher.

– A morte de um colega, eles são de um orfanato.

– Não esquenta, eles só estão muito abalados, não é coisa de outro mundo.

– Pois é – Concluiu ela, pensando nas crianças e em seus comportamentos estranhos – Provavelmente só é isso mesmo.

***

Algumas horas depois, logo após de sair de um bar onde eles foram depois de sair do restaurante, Sarah chegou em casa. Entrou pela porta da frente e balançou o pé esquerdo para a frente, jogando seu salto alto em algum lugar atrás do sofá. Fez o mesmo com o outro pé.

Estava realmente cansada.

Começou a abrir o zíper de seu vestido enquanto caminhava para o quarto.

Depois de vestir um pijama, ela se deitou no sofá para assistir algo, não queria ir dormir naquele momento, mesmo estando com tanto sono. Ligou a TV e viu que passava o noticiário da madrugada. Ao ver aquilo, voltou atrás e resolveu que deveria ir dormir mesmo.

Sarah caminhou até o seu quarto e deitou-se na sua cama. Virou para o lado esquerdo e apagou o abajur. Iria desligar sua mente de tudo e de todos.