Redescobrindo o Amor

2 Um Par de Olhos Cinza


Notas iniciais
Boa Leitura...♥

ANASTÁSIA

Começo a correr pelas ruas à procura de alguém que me ajude, mas todos parecem me ignorar completamente.

Também, quem se importaria em ouvir uma criança? Para as pessoas as crianças só sabem brincar e correr por ai, mas acho que o verdadeiro problema não está em uma criança, e sim na venda que os adultos insistem em colocar nos olhos.

Avisto uma mulher falando ao celular e me aproximo, mas ela me olha com tanto desprezo que eu dou um passo para trás. Reviro os olhos frustrada e continuo andando pelas ruas. Já nem sei quantas pessoas se recusaram a me ouvir. Parece até que sou um ser desprezível, mas sou apenas alguém que precisa de ajuda. É difícil enxergar isso?

Sento no meio-fio de uma calçada para descansar. Estou me sentindo um alguém invisível, ou até mesmo ninguém. Todos que tentei falar se recusaram a me ouvir. Acho que é por isso que a violência só aumenta ninguém se importa! Bufo frustrada e me levanto. Talvez se eu for mais longe eu consiga ajuda.

—Anastásia!

Essa voz...

Viro-me e vejo meu pai se aproximar.

Há não! Merda!

—Venha aqui agora! —Ele grita enquanto se aproxima.

—Me deixa em paz seu monstro! —Grito e saio correndo.

Com em direção à avenida, mas não noto o sinal fechado, estou tão desesperada por ajuda. Um carro buzina e eu fecho os olhos tapando os ouvidos com a mão, mas a única coisa que sinto é o chão quando sou empurrada da frente do carro. Abro os olhos lentamente e me deparo com um lindo par de olhos cinza.

—Você está bem? —Pergunta o menino que me salvou.

—Anastásia! —Vejo meu pai se aproximar e fico com mais medo.

—Me ajuda, ele vai me pegar. —Imploro e o garoto se vira olhando meu pai.

Rapidamente o menino se levanta e me leva junto com ele.

—Ana venha já aqui. —Diz papai.

—Quem é ele? —Pergunta o menino.

—Alguém que quer me fazer muito mal. — Digo com medo.

—Então se prepara pra correr. —O menino dá um sorrisinho de canto deixando confusa.

—O que?

O garoto segura minha mão e começa a correr pelas ruas me levando junto.

—O que você está fazendo? —Pergunto enquanto corremos.

—Te ajudando.

—Você é louco? Agora ele vai vir atrás de você.

—Nós damos um jeito.

—Damos?

—Sim.

Ih, lá vem!

Depois de corrermos umas duas quadras finalmente despistamos o louco do meu pai. Sento-me ofegante no meio-fio tentando acalmar minha respiração. O garoto de olhos cinza sorri e apoia as mãos nos joelhos para pegar ar... Eu acho.

—Eu sou Christian! —Ele declara enquanto me estende sua mão.

—Anastásia. —Declaro e seguro sua mão — o que em traz uma sensação muito boa.

—Quem era o homem que estava trás de você?

—Meu pai.

—Pai? —Christian pergunta confuso e se senta ao meu lado.

—De criação. Eu não conheço meu verdadeiro pai.

—E por que você estava fugindo dele?

—Porque minha mãe mandou.

—Você está me deixando confuso criança.

—Eu não sou criança! —Exclamo frustrada.

—Quantos anos vocês tem?

—Dez. — Digo encolhendo os ombros.

—Criança!

—Ok adulto! —Digo já nervosa. —Quantos anos você tem? Trinta?

—Dezesseis. —Declara Christian.

—Nossa! Como você é adulto! —Levanto-me e dou uma batidinha na roupa. —Eu vou procurar alguém que me ajude, porque ficar aqui discutindo com você não vai me ajudar em nada.

—E quem além de mim, vai querer ouvir uma menina de rua?

—Eu não sou menina de rua! —Digo ferida.

—Não é o que as pessoas pensam de uma menininha que anda com o rosto e cabelos sujos e roupas rasgadas.

—Você é um completo idiota! —Digo magoada e me viro andando para longe.

—Anastásia, espera! Eu vou te ajudar. —Christian segura meu braço fazendo-me parar.

—Não encoste em mim! —Grito e começo a chorar. —Você não vai me ajudar. Tudo o que tem feito até agora foi me insultar. Eu não tenho culpa se você é um Playboyzinho de merda e todos te ouvem, mas eu não vou ficar aqui para você ficar me insultando, se eu quisesse ouvir merdas ao meu respeito eu ficava em casa. E ainda ganhava uma surra por isso!

—Seu pai te batia?

—Sim! Por que você acha que eu fugi? Eu não aguentava mais viver vendo meu pai bater na minha mãe e ainda ter que apanhar. Eu não podia fazer nada! E quando eu penso que alguém vai me ajudar você aparece e começa a me insultar. Você pirou tudo Christian! Tudo!

—Me desculpe... —Christian encolhe os ombros.

—Ok... —Fecho os olhos e só abro-os quando a raiva passa. —Mas o quão você sente, infelizmente, não vai mudar minha situação. Eu preciso de ajuda de verdade, não de um riquinho marrento.

—Como você é birrenta criança!

—Não me chame de criança! —Grito deixando a raiva voltar.

—Ok. —Christian levanta as mãos em sinal de rendição. —Eu sei de alguém que pode te ajudar.

—Quem?

—Minha mãe.

—Por que você acha que ela me ajudaria?

—Porque ela me ajudou...

Christian dá um sorriso, mas eu posso ver a tristeza em seus olhos. Ele pega o celular e se afasta um pouco, apenas fico observando-o até que começo a me sentir mal, tudo começa a girar e de repente... Tudo está escuro.

Notas finais
Obrigada pela Leitura...♥