Redenção Dracônica
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O escuro daquela seção da caverna foi quebrado por uma tocha sendo trazida por um homem alto e forte. Seus cabelos pretos e curtos reluziam frente as chamas. Em suas costas, uma capa de pele animal.
— Está na hora Konna! Se levante logo!
A garota de 16 anos coçou os olhos e sem dizer nada se levantou de sua cama feita de palha seca.
— Eu preciso mesmo? — A garota de cabelos na altura do queixo se vestia na frente do homem que ignorava este fato.
— Você é a filha do grande Krull, chefe da tribo Kaiser. Você precisa passar pelo rito para manter o nosso poder! — Vociferou o homem, brandindo a tocha.
— Mas pai! Eu não quero! — A garota gritou, sua voz ecoava pelas galerias da caverna.
O homem ignorou a garota e deu as costas e saiu, nada podia ser feito. Ela deveria lutar e se provar. Ela sabia que seu pai não iria ter piedade nem de sua própria filha caso viesse a falhar.
— Você só pensa no poder... Só pensa em você... Por isso a mamãe foi embora. — A garota terminou de colocar suas roupas, panos simples bordados à mão.
Na galeria principal da Tribo, cerca de 110 bárbaros de todas as idades comiam e cantavam em torno de uma fogueira. Uma verdadeira festa que acontecia a cada Ano Profundo. Naquele ano, oito jovens faziam dezesseis anos, a idade obrigatória do Rito.
Um bárbaro mais velho e grisalho se aproximou de Krull.
— Sua filha está pronta? Sabe que se ela falhar terá que defender seu Título como chefe e exilar a garota, não é? — o ancião indagou.
— Farei o necessário, independente do resultado — a frieza de Krull afastou o ancião.
A festa continuava, os jovens desafiantes estavam todos numa seção separada da caverna, onde podiam ouvir toda a festa.
— Ora ora, Konna! A filha do chefe! — um rapaz de cabelo moicano longo se aproximou — Deve ser difícil para um pai ter que se livrar da filha!
Alguns garotos riram, ela era a única mulher naquele local. Por obrigação, apenas homens deveriam fazer o Rito, mas por ser filha do chefe, Konna necessariamente deveria defender o poder de sua família.
— Acho que vai ser pior para sua mãe chorar sua derrota, Darius. — A garota olhou de forma debochada o rapaz e sorriu de canto — Afinal, eu quem dominei todas as armas que temos, não fiquei apenas no machado.
Um homem de altura média se aproximou da galeria.
— Está na hora, vou levar vocês ao Estádio.
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