Notas iniciais
Olá, pessoas. Espero que esteja tudo bem com vocês! Bem, espero que possam gostar da história, de verdade. Por enquanto é só, então boa leitura:

Puxei as fitas que envolviam a região dos meus olhos antes mesmo que Madara chegasse e se encarregasse disso. Ele andava dando uma de líder para cima de mim desde que Itachi morreu, quase que como um incômodo constante – especialmente após a morte do Danzou.

Itachi. Só de pensar em meu irmão eu já me sinto em fúria, meu corpo se prepara automaticamente para o combate, mas infelizmente a dor em meu peito não é um inimigo contra o qual eu possa lutar e, no fim, assassinar.

A única coisa que posso fazer com a dor é aceita-la e seguir por este caminho que, talvez, possa me distanciar dela.

Quando toda a aldeia da Folha estiver morta, destruída, talvez enfim esse aperto no meu coração diminua, talvez só então a alma de Itachi, dos meus pais e todo o meu clã possam descansar em paz.

— Não era isso que eu queria. – a voz dele soa em minha mente e sinto todo o meu corpo arrepiar, congelar, estatizar. Eu tento me virar rapidamente para a direção da voz, mas é como se eu estivesse preso em um bloco de gelo, como se só conseguisse me mover em câmera lenta.

Apesar disso, quando me viro, é ele que vejo, e o vejo tão claramente quanto uma memória minha.

Itachi está, impossivelmente, encostado na parede direita do esconderijo, olhando para mim com seus opacos olhos negros – que sequer deveriam estar lá, que deveriam... que na verdade estão em mim.

Cravo meus olhos nele. Não, na verdade é com nossos olhos que o vejo, é como se fôssemos um só – pelo menos um pouquinho. Então como posso vê-lo aqui, parado à minha frente, vivo e com seus olhos, quando na verdade eu o vi morrer, quando na verdade eu acabo de me recuperar da cirurgia que trouxe os seus olhos para mim.

— Na verdade, eu sempre quis que meu irmãozinho tivesse uma vida digna, uma vida muito mais feliz que a minha.

Será isso um efeito colateral da cirurgia? Um genjutsu do idiota do madara, quem sabe?

Não, impossivelmente não. Há algo nele que faz com que cada célula do meu corpo reconheça sua veracidade, sua presença.

De algum jeito absurdo, o homem parado à minha frente é mesmo o meu irmão morto.

— Como... ? — eu tento falar, mas as palavras parecem relutar para saírem de mim.

— Esse jutsu só deveria ser liberado em último caso, Sasuke. É algo para ser usado em emergência, o tipo de coisa que vivo ou morto você reza para nunca precisar ativar.

— Você está morto. Eu o vi morrer, eu o matei. – falo como um idiota, sem conseguir pensar direito antes. Porque tudo que meu cérebro processa é que Itachi, de algum jeito, está aqui. Vivo.

— Eu estou morto, com certeza. Mas fiz um selo em você quando lutamos, um selo que quando rompido, liberaria esse jutsu antigo, proibido e perigoso. Foi o seu ódio, Sasuke, e o seu desespero que me trouxeram aqui. Foi esse caminho de escuridão que você decidiu tomar que liberou o jutsu, tenha isso em mente.

— Selo? Jutsu proibido? De que merda você está falando? Itachi, eu não consigo entender nada disso, mas quero que saiba que Madara me contou a verdade, que finalmente entendo....

— Você não entende nada, como sempre – ele me corta grosseiramente e suspira como se fosse cansativo ter de conversar comigo – O mascarado que você chama de Madara está apenas te manipulando, Sasuke. O meu mais sincero desejo era que você ainda pudesse manter uma memória feliz e honrada do nosso clã: eu nunca quis que você soubesse sobre essa história de lágrimas e sangue. Mas agora é quase tarde demais: você matou Danzou. Se perdeu tanto nessa obsessão de vingança que jurou seu melhor amigo de morte e estava disposto a matar de verdade sua companheira de equipe.

— Naruto não é meu amigo. E Sakura e eu nunca mais estaremos na mesma equipe. Como pode me dizer isso? Como eu posso deixá-los viver quando eles passaram todos esses anos vivendo uma vida de paz conquistada às custas do meu clã? Às suas custas?

— Eu já disse, você não entende nada. Mas entenderá: foram meus atos que te trouxeram a escuridão então serei eu que irei tirá-lo daí. Vou leva-lo ao que pode ser o seu destino: você passará alguns dias no futuro, com a família que ainda pode ter, se desistir da sua vingança infundada. E depois irá para o único futuro que te espera se continuar na escuridão: um futuro tão desesperador quanto o inferno.

Quero gritar com ele, quero dizer que está maluco, que este é o único caminho que posso seguir, que viagem no tempo é impossível. Mas antes mesmo de conseguir formular sequer uma palavra eu sinto meu corpo ser fortemente sugado para o “nada.”

Sinto o desespero se apoderar de mim quando tudo de repente se torna escuro e não posso mais ver meu irmão – ou as paredes do esconderijo, ou qualquer outra coisa. Novamente, quero gritar por ele, mas as palavras são arrancadas da minha boa pela forte sensação de queda: estou caindo, caindo, em alta velocidade e pelo que parece ser um buraco sem fim.

Então de repente vem o baque, a sensação de que meu corpo atingiu algo duro e liso – talvez um chão?

— Não se esqueça, é você que escolhe qual será o seu verdadeiro futuro. Confio em você para escolher o caminho certo, Sasuke. — Ouço a voz do Itachi, mas ela soa distante, como se ele estivesse indo embora.

Forço meus olhos a se abrirem, mas minha vista continua tão embaçada quanto antes do transplante dos olhos do meu irmão. Droga. Tento me levantar, mas mal consigo me mexer, meu corpo ainda está todo dolorido com o impacto da queda

Ouço passos ao longe e vejo o que parece ser uma figura humana caminhando em minha direção. Novamente, tento em vão me levantar, a dificuldade para ver ainda persistindo frente aos meus olhos. Maldição! O que diabos o Itachi fez comigo? Suspiro, dolorosamente cansado, é quase surreal que tudo isso esteja acontecendo.

A figura que vi antes parece estar correndo agora, ouço um eco de vozes em meu ouvido, como se alguém estivesse gritando meu nome, enquanto permaneço afundando em um oceano profundo e escuro. Totalmente inalcançável.

Ela está mais próxima agora, se abaixando sobre o meu corpo.

Um vislumbre de cabelos rosas é última coisa que vejo antes de apagar. Poderia ser ela?

Bem, talvez eu não esteja tão inalcançável assim.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Bem, esse prólogo foi meramente introdutório, apenas para deixar meio claro como foi que o Sasuke acabou indo parar no futuro. No próximo capítulo já teremos ele acordando no futuro, conhecendo sua futura família - e interagindo com a Sakura, Sarada e seu próprio eu mais velho. Beijos e até lá :3