Redenção

3 Parte I - Segundo Dia: Passado e Futuro, Miragem e Realidade.


Notas iniciais
Gostaria de começar agradecendo vocês por todos os comentários até aqui - isso tem me motivado demais ♥ Apesar de eu estar postando isso no limite do tempo, ainda está dentro do prazo, então acredito que tudo bem - embora eu preferisse ter posatdo na terça, admito. Não deu tempo de revisar, então me desculpem por qualquer erro. Boa leitura:

Parte I — O Florescer da Primavera em meio a Escuridão

— Então o Itachi te trouxe para cá? Para o presente, digo... Futuro? – ele me olha fixamente, ainda com uma expressão de desgosto no rosto. Céus, qual o problema com esse cara? Não consigo acreditar que a Sakura, que era tão inteligente, possa ter se aproximado desse idiota. Ele está conseguindo ser mais estressante do que o Naruto, absolutamente.

— Eu já te disse tudo que aconteceu, agora será que dá para parar de ficar repetindo o óbvio e me explicar com vim parar em Konoha?

A porta se abre nesse instante e a primeira coisa que vejo é um emaranhado de cabelos rosas. Sakura olha, meio hesitante, primeiro para o cara parado à minha frente e só depois para mim, como se ele fosse mais importante. Ranjo os dentes, já mais do que estressado. Não obstante eu ter sido acordado nas primeiras horas da manhã para lidar com esse cara, ainda tenho que aguentar uma coisa dessas.

— Sasuke-kun, como está se sentindo hoje? Espero que esteja mais calmo esta manhã – ela diz com sua voz extremamente doce e eu suspiro, irritado. Ver a presença excessivamente colorida da Sakura não me alivia em nada, pois ainda é para este rosto estranho que olho. Quer dizer, não exatamente estranho já que ainda é a Sakura, mas com certeza não é a Sakura de que me lembro – o que não faz o menor sentido. Ela permanece usando aquelas roupas do dia anterior e seus traços continuam como ontem, distantes da garota que vi na ponte.

— Sakura, pensei que tivéssemos concordado que eu resolveria isso e você se manteria o mais distante possível – aquele cara volta a se pronunciar, agora em um tom irritado, até mesmo ríspido; o que só serve para me estressar ainda mais: desde quando Konoha me considera tão fraco a ponto de se limitarem a deixar tudo nas mãos desse idiota? Mais do que isso, quem ele pensa que é para achar que pode decidir algo sobre mim? Francamente, esse era todo o amor que a Sakura dizia sentir por mim? Não consigo acreditar que até aquele idiota do Naruto abaixou a cabeça para ele.

— Você concordou com isso, não eu. Então pare de perder tempo tentando me deixar de fora das coisas, isso só vai ser um desperdício de forças. — Deixo escapar um sorriso de lado ao notar que, apesar da voz da Sakura continuar tão doce quanto antes, há um leve tom irritadiço nela. Finalmente ela se parece com a garota de que me lembro, não deixando um homem qualquer descartá-la como se ela não fosse capaz de lidar com a situação – qualquer que seja.

Dessa vez é ele quem range os dentes, virando o rosto para a janela, como se não estivesse afim de olhar para nenhum de nós – o que, por mim, está ótimo. Lentamente, ele começa a recontar minha história, como se possuísse mais propriedade sobre ela do que eu. Argh.

— Isso realmente não é bom, não me lembro de algo assim e sequer já ouvimos falar de algo parecido. E não se trata de um genjutsu, eu saberia se fosse o caso – conclui ele, voltando a olhar para a Sakura e ignorando totalmente a minha presença.

— Sasuke-kun, isso é verdade? Você realmente acredita ter sido enviado do passado para cá?

— O que eu acredito é que não aguento mais ficar preso aqui enquanto tenho que aguentar essa confusão toda, já que nenhum de vocês se dá o trabalho de me esclarecer as coisas. Será que já dá para pararem de enrolar? Francamente, Sakura, você costumava ser mais inteligente que isso.

Vejo um leve rubor lhe subir ao rosto, enquanto aquele cara range os dentes e me olha mortalmente – coisa que eu finjo não notar.

— Não se estresse de novo, por favor. O que você tem que entender, Sasuke-kun, é que essa situação toda é inédita para todos nós, então é difícil sabermos como agir.

— O melhor, no momento, com certeza é manter você preso aqui. Pelo menos até que eu encontre um esconderijo suficientemente distante da vila, onde eu possa manter você até encontrarmos um jeito de resolver isso.

— Nem pense em fazer uma coisa dessas, Sasuke-kun – responde Sakura, antes que eu possa sequer pesar em atacar aquele cara. Mas é o meu nome que ela diz no final da frase, como se estivesse (naturalmente) se dirigindo a mim. Apesar disso, é para aquele cara que ela está olhando mortalmente, como se pudesse realmente reduzi-lo a pedaços se ele seguir em diante com o que disse, coisa que eu não duvido que ela realmente faça. Mesmo tendo isso em mente, minha mandíbula se contrai ainda mais, indignado com esse erro no final da frase dela. De repente, essa história toda de futuro, passado e a estranha semelhança entre mim e aquele cara passam a me incomodar ao extremo, dando voltas na minha mente. Alheia a confusão que se passa aqui dentro de mim, ela prossegue – Precisamos pensar seriamente sobre o assunto antes de tomarmos qualquer decisão. Além disso, quantas coisas sobre as quais nunca havíamos ouvido falar já não aconteceram nas nossas vida? Você mesmo disse, isso não é um genjutsu. O Sasuke-kun de anos atrás está bem na nossa frente e talvez não haja nada que possamos fazer para mudar isso. Talvez ele simplesmente tenha de estar aqui, você goste disso ou não.

— Anos atrás...? Sakura, o que você está dizend... – começo a tentar falar alguma coisa, mas ela me interrompe, olhando firmemente dentro dos meus olhos enquanto fala.

— Sasuke-kun, pelo que podemos entender até aqui você, de algum jeito inexplicável, veio parar aqui. No futuro, no seu futuro. Nosso futuro. A guerra acabou e você... Você finalmente voltou para a vila, voltou para nós. Sei que isso parece muito distante da sua realidade de agora, mas essa é a verdade. Nós nos casamos, é por isso que você viu o brasão da sua família nas minhas costas: porque agora eu sou uma Uchiha, assim como você. E este homem aqui conosco... Ele é você. É a sua versão atual, é você no futuro, Sasuke-kun.

Em um primeiro momento, tudo que consigo fazer é continuar olhando abobalhado para ela, preso naquele olhos verdes sempre tão intensos. Bem, nem sempre. O episódio da ponte me vem à mente e penso nos olhos dela enquanto dizia que iria embora comigo. Penso nos olhos dela quando apontou a kunai para mim, como se realmente fosse capaz de me matar.

A verdade é que não havia sequer a metade do brilho que vejo nos olhos dela agora. Eles eram de um verde quase opaco, bem diferente de como eu me lembrava que eram na infância. O olhar dela era sempre tão brilhante, mas naquele dia, eles estavam opacos demais.

Ela não desvia o olhar do meu e eu não digo nada, ainda pensando nos olhos dela de uns dias atrás e nos olhos que vejo agora, cravejados em mim, tão parecidos com os de anos antes.

E então finalmente escuto os passos daquele homem e me liberto da prisão que eram aqueles olhos. Vejo ele andando na direção dela, apressado, e noto que há algo diferente nele... A manga esquerda da sua blusa está diferente, vazia demais... Ele, ele não possui mais o braço? O choque com a constatação é o que me faz parar de divagar. É só agora que vejo onde eu realmente estou, as pessoas ao meu redor. É só agora que as palavras dela voltam a ressoar nos meus ouvidos e finalmente eu começo a gargalhar.

— Você enlouqueceu, Sakura? Eu sempre soube que essa sua obsessão infantil por mim tinha que acabar antes que acabasse lhe trazendo danos sérios! Você por acaso escutou o que acabou de dizer?! Por acaso enlouqueceu?! Tem noção deste absurdo?! – eu estou gritando antes mesmo de me dar conta, tentando arrancar meus pulsos dessas malditas algemas enquanto, de novo, tento me lançar na direção dela.

Mas ela não está mais lá. Subitamente, ela simplesmente desapareceu. A ausência dela me faz parar, de repente fico confuso com a situação e isto é o suficiente para que eu sinta o impacto de um punho em meu rosto.

Aquele homem, como ele ousa...

— Eu estou verdadeiramente cansado disso tudo. Então, agora que estamos a sós de novo, eu espero que possamos continuar nossa conversa sem maiores problemas, entendeu, Sasuke? Eu não concordo com a Sakura sobre mantermos você aqui e nem pelo modo como ela lhe contou tudo, mas...

Você está cansado? Sou eu quem tenho que aguentar isso tudo e você vem me dizer que você está cansado? Por acaso você tem noç...

— Eu tenho total noção do que você está enfrentando neste momento da sua vida. Afinal, eu também passei por esses momentos. Apesar dessa história de viagem no tempo ser confusa, para todos nós, ela se tornou um fato. Não importa o que você pense sobre este futuro: eu sei que, neste atual momento da sua vida – da nossa vida – você é incapaz de entender como as coisas puderam chegar a este ponto. Mas é assim que as coisas são, é assim que elas serão.

Ele também desapareceu da sala após dizer isso, o que confirmou minha teoria de que havia sido ele quem teletransportou a Sakura naquela hora. Me recosto na cama, cansado. Nem fodendo que aquele cara sou eu. Nem fodendo que eu perdi um braço. Mas eu ganhei o Rinnegan? Não posso negar que isso não me incomoda tanto assim.

Argh, Itachi onde diabos você se meteu?

Isso não é o futuro, isso não pode ser o futuro.

Novamente, começo a gargalhar, mesmo que não haja mais ninguém no quarto para me escutar.

Eu não voltarei para a vila da folha, a menos que seja para destruí-la.

Eu não vou me casar com a Sakura, pois ela estará morta, definitivamente.

Este não é o meu futuro, isso não pode ser o futuro.

E todos eles vão pagar por inventarem uma coisa dessas, assim como pelo que fizeram com o meu clã.

Itachi, o que diabos você quer com isso?

Sou despertado dos meus sentimentos ao ouvir o ranger da janela sendo empurrada, olho para ela e vejo uma garota pulando-a. Ela aterrissa graciosamente no chão, olhando ao redor quase que imediatamente. Bem, ao menos ela não é tão descuidada. Ela para seu olhar no meu e, por alguns instantes, congelo. Eu pensei que inexplicável fossem os sentimentos que senti quando encontrei os corpos dos meus pais, quando o Itachi me disse que havia feito aquilo tudo para medir suas habilidades. Pensei que indescritível fosse o que senti quando Madara me contou a verdade sobre você, Nii-chan.

Mas o verdadeiro conceito de inexplicável é o que sinto agora, olhando para essa garota. Porque não há palavras para descrever o que sinto agora, enquanto nós observamos um ao outro. Eu passo meus olhos por seus cabelos excessivamente negros, pela sua pele branca, por seus olhos ônix, idênticos aos meus. Me detenho em seu olhar, perdido nas profundezas dele, afundando no oceano profundo que existe dentro deles.

— Seus olhos são iguais aos meus— eu digo, quase que em um sussurro, quase que como uma prece – Seus olhos são iguais aos meus – digo novamente, ainda em um sussurro. Ela continua me olhando, sem dizer nada e a verdade é que não tenho certeza se ela me ouviu, mas não importa. Porque os olhos dela são iguais aos meus. As características do meu clã estão estampadas no corpo dela e seus olhos fazem parte disso, mas, mesmo assim, a sensação que tenho é que possuímos os mesmos olhos. É baboseira, eu sei, são os olhos de todos os Uchihas. Mas ao olhar para ela, a sensação que tenho é que seus olhos são meus. E meus olhos são do Itachi e por um momento eu sinto algo escorrer por minha bochecha direita.

P-Pai...?— a voz dela também sai em um sussurro e não tenho certeza se realmente escutei estas palavras. Ela me olha em confusão, meio hesitante, como se não soubesse bem o que está acontecendo aqui. Como se não tivesse certeza quanto à minha presença.

Não a culpo. Eu também não tenho certeza quanto a presença dela. Ainda não sei se ela é uma miragem ou de verdade.

Ela continua me olhando e eu só consigo pensar no quanto os olhos dela se parecem comigo. E no quanto os meus olhos estão juntos ao do Itachi. Sinto algo molhado escorrer por todo o meu rosto e tudo que consigo continuar pensando é no quanto olhar para os olhos dela é como ter uma certeza estranha: a de que estamos todos aqui. Olhar nos olhos dessa garota me traz a certeza de que, de alguma forma, somos nós três nesse quarto: eu, ela e o Itachi. E, por algum motivo, isso faz com que as lágrimas continuem escorrendo pelo meu rosto.

Desculpe.

— Eu sou Sarada – ela diz com uma voz doce, porém firme. Uma voz que me lembra uma certa garota de cabelos rosas. Ela ainda me encara, seu corpo mostra que está hesitante, mas não seu olhar. Mesmo com o corpo tremendo, seu olhar é de determinação. Ela tem os meus olhos, os olhos do Itachi. Mas o olhar dela é o mesmo que o da Sakura. Assim como a voz doce, firme. Gentil.— Quem é você?

Parada a frente da janela, a luz do sol emoldura toda a sua presença.

Como uma certa garota que ilumina todo o ambiente com seus cabelos rosas, sempre.

Ela se parece com a luz e eu não sei porque, pateticamente, não consigo parar de chorar.

Você consegue ver isso, Itachi?

Notas finais
Espero que tenham gostado! O próximo capítulo sai de acordo com o prazo, daqui 2 semanas (uma sim, outra não) Aliás, fico muito contente em ver que todos vocês gostaram da ideia, obrigada pela compreensão ^-^ E, ah, no próximo capítulo finalmente teremos uma interação entre o Sasuke (Shippuden) e a nossa Sarada! Estão ansiosas por isso? Beijos e até o próximo ♥