Redenção

16 Sentimentos Aflorados


Notas iniciais
O capítulo tem uma música Beside You - Simple Red Espero que gostem

Manual de Sobrevivência de Sasuke Uchiha:

Apaixonado, eu? Isso é deveras um disparate.

O Uchiha estava confuso e aflito. Talvez fosse os efeitos do isolamento. A questão é que passara a olhar para Hinata de outra maneira desde que a mesma cuidou dele com tanta preocupação.

Estou ficando mau acostumado.

Nos últimos dias que suscedeu a recuperação de Hinata, a morena têm dado bastante atenção para os recentes agregados da casa — vulgo Madara, Obito e Itachi — e deixado Sasuke para escanteio. Os dias se resumiam a discutir política com Madara, jogar qualquer tipo de jogo com Obito e servir de ajudante para Itachi na cozinha. Enquanto Sasuke ficava jogado em algum cômodo da casa.

Por quê queria, certamente. Odiava o fato de ter que dividir a sua Hinata com seres inferiores. O Uchiha também odiava o fato de não conseguir enconder o ciúmes, tanto que até deixou de falar com a pérolada — mas isso não durou nem duas horas pois Hinata sempre conseguia o que queria —.

Daí, para ter a atenção exclusiva da Princesa do Byakugan o moreno teve uma ideia mirabolante. Espantosa. Sem pé e nem cabeça de fingir uma doença. Sim! para todos os efeitos Sasuke Uchiha estava acamado, quase batendo as botas.

Hinata ficou tão preocupada que tratou de cuidar dias a fio para que ele melhorasse logo e vendo que não melhorava tratou de chamar Naruto.

— Sasuke sendo Sasuke — disse Itachi em uma conversa com o loiro. Todos, com a exceção de Hinata já haviam percebido o teatrinho do moreno.

— Será que é o que eu estou pensando? — manifestou-se Naruto respondendo à Itachi. O Uzumaki e os Uchihas estavam na sala aguardando o veredicto de Sakura que examinava o Uchiha. Sasuke saiu correndo da sala e em seu encalço estava Hinata com a sua Kekkei Genkai ativada. Ela estava furiosa.

— Eu vou matar você, Sasuke.

O feitiço tinha virado contra o feiticeiro. Se antes o Uchiha estava a fingir um estado terminal, agora a azulada faria questão de deixá-lo assim.

Hinata brigou feio com Sasuke como nunca havia brigado com ninguém antes. Ele tentou se desculpar, se ajoelhou, beijou até os pés da morena e no entanto ela se manteve irredutível. Após alguns dias tentando falar com Hinata e sendo cruelmente ignorado, o moreno resolveu deixar a situação como estava e fingir descaso. Só que isso não agradou nadinha Madara, e este último convocou Itachi e Obito para uma conversa.

— O que faremos já que nenhum dos dois dá o braço a torcer? — ponderou Itachi.

— E se colocarmos eles num Genjutsu? — Madara olhou para Obito completamente perplexo se questionando como existia um Uchiha tão idiota assim no clã.

— Obito, você é normal? — o mais velho questionou e o Uchiha apenas acenou com a cabeça, confuso. — Eu deveria processar quem atestou normalidade no seu teste do pezinho.

— Ei, mais respeito comigo seu velhote! — rebateu, indignado.

— Enfim gente, qual é o plano Madara? — Itachi perguntou baixo para que Hinata e o irmão não ouvissem o teor da conversa. Madara apenas deu um sorriso maquiavélico que fez os dois gelarem a espinha.





Hinata acordou meio zonza, estava deitada no chão e ao seu lado estava Sasuke desacordado. A morena passou a mão entre os fios índigos tentando se lembrar de como foi parar ali. Hinata olhou ao redor, reconhecendo que estava no quarto da bagunça, o mesmo em que fez o pantarma' para assustar Madara. Aliás, onde estava todo mundo?

— Tem alguém aí? — após diversas tentativas falhas de abrir a porta a pérolada desistiu e optou por chamar ajuda. Os gritos incessantes acabaram despertando Sasuke, que acordou desnorteado.

— O que está acontecendo? — perguntou a Hinata e a mesma o ignorou voltando a bater na porta, dessa vez irritada.

Sasuke se sentou no chão, entediado. Sabia que aquilo tinha sido uma brincadeira de muito mau gosto feita pelo trio. A última coisa de que se lembra é de sentir o cheiro forte antes de apagar. Só pode ter sido aqueles demônios, e é provavel que tenham feito a mesma coisa com a Hinata, concluiu.

— Você vai ficar batendo nessa porta até quando? — a pérolada o fuzilou com o olhar mas não foi o bastante para o intimidar.

Ele soltou um suspiro impaciente. Até quando Hinata pretendia torturá-lo desse jeito? Certo, ele estava consciente de que errou, mas esse tratamento frio já é demais. Sasuke sentia falta dela.

Repentinamente um papel é jogado por debaixo da porta. Exasperada, Hinata tentou pegar o papel no entanto Sasuke foi mais ligeiro tirando a folha do alcance da Hyūga, que sentiu sua dignidade indo ladeira à baixo.

— Aqui diz: Vocês não irão sair até que se entendam e trabalhem juntos. Então sugerimos que comecem já.

Oh, deus Jabiroca!

Ela deu de ombros indo para a outra extremidade da sala. A ideia lhe soou absurda a princípio. Onde já se viu trancar duas pessoas num cômodo da casa e forçá-las a fazer as pazes?

Hinata fechou os olhos por um instante. Realmente estava pegando pesado com Sasuke, por breves instantes sentiu um aperto no peito ao pensar na situação.

— Sasu...— Hinata tentou falar mas foi interrompida pelo moreno.

— Me ajude a pegar essa escada — ordenou ele, ríspido. — tem uma caixa de ferramentas ali em cima.

Ela prontamente obedeceu. Pegaram a escada e Sasuke tentou subí-la e acabou caindo, pois a madeira estava frágil e não suportava muito peso. A Hyūga tomou as rédeas da situação e se arriscou a subir.

Péssima ideia.

Hinata estava em um vestido muito justo e quase transparente e Sasuke acabou vendo mais do que deveria. Ele virou a cabeça para o lado, visivelmente constrangido. A morena chegou até em cima e tirou a maleta de ferramentas, todavia, fez pressão demais em uma das barras, acabando por cair em cima do Uchiha.

Seus corpos estavam tão próximos que o moreno podia sentir o hálito quente da pérolada contra o seu rosto. As orbes ônix haviam se perdido no brilho dos olhos dela.

Tudo parecia perigoso e tão...instigante.

O quase beijo foi interrompido por mais uma folha que fora jogada novamente por debaixo da porta. O cômodo mergulhou em um silêncio profundo e incômodo.

Sabíamos que tentariam usar de meios ilícitos para não cumprir o acordo, portanto, não há nenhum material perfurante no recinto. — dessa vez foi a morena que leu o papel.

— Vocês estão de brincadeira, só pode ser! — Sasuke gritou para quem quisesse ouvir.

Em seguida mais outra folha foi jogada por debaixo da porta.

Para adquirir a alforria, no entanto, será necessário a resolução deste enigma.

Primeiro: é um latanídeo(63)

Segundo: é um calcogênio(52).

Terceiro: é um actinídeo(95)

Quarto: é um calcogênio(18).

Ao encontrar a solução do enigma, a resposta deverá ser lida em voz alta. Lembrem-se: o amor é química pura.

— Obito, que idiotice foi essa que você escreveu, animal? — Madara ralhava com uma veia saltada na testa.

— É uma charada escolar. Agora já foi, ou eles descobrem ou vão acabar morrendo aí dentro sozinhos. — se defendeu.

Sasuke e Hinata estavam com grandes pontos de interrogação em suas cabeças. O que queria dizer aquilo tudo, meu Deus? Se passaram duas horas e o chão já estava ficando desnivelado de tanto que os dois andavam pra lá e para cá pensando no enigma. Vencidos pelo cansaço, os dois acabaram por se esparramar no chão.

— Eu sou claustrofóbico, preciso de oxigênio se não eu vou morrer. — dramatizou o Uchiha e a azulada matou a charada.

— Tabela Periódica! — o grito foi tão alto que acabou por assustar Sasuke, que se manteve encolhido num canto. — Você nos salvou!

— Salvei? — perguntou confuso. Ela apenas concordou com a cabeça.

Hinata vasculhou o lugar encontrando um livro velho de Ciências. Procurou pelos respectivos valores dados no enigma'.

— Európio, Telúrio, Amerício e Oxigênio! — Hinata gritou para que pudessem ouvir.

— Quase isso, tente outra vez. — a voz que vinha do outro lado parecia ser a de Obito. A Hyūga estava confusa. O que seria então?

Impaciente, Sasuke tomou o livro das mãos dela e se pôs a juntar as iniciais de cada elemento químico.

— Eu te amo. — o Uchiha disse firme alto, encarando Hinata. A porta foi aberta a e ele deu graças aos céus por que já estava ficando ruborizado. A azulada nada disse, apenas saiu do cômodo.





Um pouco solitária, Hinata se trancou no quarto — agora por livre e espontânea vontade — seus olhos vagavam pelo quarto, perdidos.

A Hyūga se lembrou dos olhares lascivos do Uchiha sobre si, do quase beijo. Admitiu a si que havia gostado. Balançou a cabeça em um tentativa de afastar esses pensamentos, Sasuke nunca olharia para si dessa forma, foi o que pensou. O calor que sentia no baixo ventre no entanto, não se dissipou. Mais uma vez veio à sua mente a imagem do Uchiha. Aqueles fios rebeldes que caíam sobre aquela face que parecia ter sido esculpida pelos próprios deuses, os olhos que carregavam uma aura de mistério e sedução. Pegou o rádio que estava sobre a escrivaninha e começou a alternar entre as estações num tentativa de se distrair dos pensamentos.

Ouviu o ranger da porta sendo aberta, provavelmente era o moreno. Sasuke acomodou-se sobre a cama e encarou a imagem feminina diante de si, que parecia perdida nos pensamentos perto da janela.

— Você está bem? — ele começou a conversa um pouco receoso.

— Sim. — ela disse.

Sasuke se aproximou cautelosamente e tocou levemente a face pálida da Hyūga, que em resposta ao toque, apenas fechou os olhos. De repente, a morena se aproximou dele, encurtando a distância entre os dois.

Ela o puxou para mais perto colocando os braços ao redor do seu pescoço. E então selaram seus lábios em um beijo terno e calmo e que aos poucos foi se tornando cada vez mais intenso.

Yes, I'd always be beside you

(Sim, eu estaria sempre ao seu lado)

To watch the day and night

(Para assistir o dia e noite)

And we listen to the sunrise

(E nós ouvir o nascer do sol)

And feel it's growing light

(E sinto que é cada vez mais clara)

And peace will come inside so quiet

(E a paz virá dentro de modo silencioso)



A música tocando no rádio e o temporal que ameaçava cair naquele instante faziam do momento o mais propício possível para outras coisas.

O moreno estava completamente entregue à ela.