Redenção

1 Capítulo Único


Os sonhos de Hanzo pareciam mais intensos a cada noite que passavam, se arrependia de não ter feito as escolhas certas e seguir a honra, essa que o guiou até o momento que se lamentava ter de presenciar não apenas acordado e sim em seus sonhos, enquanto dormia e relembrava a cena, o sangue no chão e o olhar de seu irmão se apagando aos poucos.

Sua dignidade ainda lhe despertava, o fazendo esconder a dor da perda e da vergonha de ter deixado a responsabilidade de seu pai para trás, mesmo sendo um erro ou não, não se arrependia por buscar através do mundo sua redenção que poderia demorar e ser conquistada de forma árdua, sendo caçado, sendo julgado e barrado ao tentar passar na mansão de seu antigo clã.

Ele não conseguia esquecer, a dor era mais forte, a reflexão de seus atos ainda o rondavam, mas ele tentou assim que sua tentativa de honrar a morte de seu irmão, Genji, falhou.

Agora estava na América, uma quase destruída, mas se reconstruindo, se indagando se foi o certo atender a chamada, uma desconhecida que parecia contatar todos os antigos e novos membros da Overwatch. Talvez fosse o certo a fazer, aquele fantasma do passado que se intitulou ser seu irmão falar que o perdoava, que aceitava o que se tornou, mas será que ele poderia se perdoar e aceitar o que ele se tornou? Seria difícil, mas foi menos quando atendeu o chamado.

Uma base escondida na América, abrigando o que seriam da antiga Overwatch, a sua redenção.

Não foi o que esperava no inicio, principalmente quando o mundo estava realmente um caos, ignorando a opção mais óbvia.

Ele estava lá, o seu "irmão". Ele encarava um monitor junto de uma mulher loira e um ômnico que parecia mais um monge. Não perguntou nada até ser apresentado a um gorila de óculos e uma garota com sotaque britânico, sendo breve em sua apresentação e ficando curioso com a função da Overwatch. O macaco e a inteligência artificial Athena o alertaram o risco de fazer parte da organização deles, mas se o mundo parecia voar para o caos novamente e todos, ou boa parte, tinham relatos de que algo muito estranho estava acontecendo, não se tinha duvidas que algo maior que a crise de antes estava prestes a ocorrer de novo.

Se ajuda-los era conseguir sua redenção interna, não importando o que Genji falasse, Hanzo a buscaria, mesmo que tivesse de trabalhar ao lado de pessoas como todas aquelas.

Todos ali tinham suas intenções. Proteger inocentes, quitar dividas, promessas de que se tornariam melhores e tornariam do que sobrou em algo bom. Entre essas pessoas encontrou alguém que antes também se assemelhava a ele, sendo justo e trabalhado de forma desconhecida a Overwatch, nem o macaco ou a garota do sotaque informaram de onde o outro era, mas a loira ao lado de Genji parecia saber, mas não contava a ninguém.

Seu nome Jesse Mccree e era irritante a forma como ele fumava seus charutos baratos, ignorando caretas daqueles da instalação base da organização, falando pouco, mas ajudando e cooperando como todos nas semanas que se seguiam, fazendo missões básicas para não atraírem atenção de governos ou das organizações unidas.

— Sinceramente, essa foi de todas a mais estranha missão que me foi designada — Mccree falara ao seu lado, atraindo sua atenção ao deixarem traficantes de laboratório perto do estado do Novo México.

Hanzo ficou tentado a franzir o cenho, a confusão por ouvir uma palavra complicada ter sido pronunciada por Jesse Mccree, fumando seu charuto enquanto seguiam caminho de volta para a base do macaco que ele não decorou o nome. Seu arco em suas costas e poucas flechas sobraram na aljava.

O calor fresco da noite não espantava a sensação de que aquela missão tinha sido muito estranha. Pareciam querer reproduzir vírus da crise dos ômnicos e se tivessem deixado a russa Zarya ir no lugar deles, as coisas definitivamente não teriam sido nada bonitas.

— Estranho, não sabia que alguma vez já trabalhou realmente para a Overwatch — Provocou, tentando de alguma forma provoca-lo para saber mais, sempre queria saber mais quando era deixado para trabalha ao lado de alguém que nunca compartilhou direito como chegou a trabalhar com a Overwatch.

— Esqueça, parceiro, nada de informações para você — Rebateu, ignorando Hanzo e seguindo caminho, mas não deixando de solta a fumaça do charuto que incomodou o outro de maneira irritante.

— Não somos parceiros — Resmungou, franzindo o cenho com a nomeação e se perguntando mentalmente quantos anos ele tinha para ficar idiota assim.

— O cientista nos deu uma tarefa e você me acompanhou para completar, então sim, somos parceiros — Riu, respondendo com humor, ignorando a careta de Hanzo.

Foi sim um ato imprudente impor seu arco e usar da guarda baixa de Mccree para prende-lo contra a parede mais próxima. Detestava o ar convencido do outro, não gostava como ele o tratava, achando que eram parecidos, mas eram divergentes demais para terem suas semelhanças, talvez apenas no modo de justiça e pouco em honra.

— A que ponto chegamos pata você perder a paciência, não poderia esperar chegarmos na base para não sermos vistos pelos policiais? — Indagou, ainda com o humor intacto, ignorando o arco que o prendia e jogando fora o charuto — Vamos lá, estrangeiro, abaixe isso e vamos embora, talvez Genji consiga falar de maneira mais pacifica com você ou até mesmo a pirralha do robô gigante já que ela também é chinesa.

— Ela é coreana e eu sou japonês, não é a mesma coisa — Ralhou.

— Tanto faz — Deu de ombros — Qual o seu problema comigo? Eu notei o seu olhar quando chegou depois do chamado, é estranho outro homem me encarar da mesma forma que você me encarou.

Aquela pergunta com toda certeza o pegou de surpresa, pois não esperava ouvi-la do próprio Jesse, nem pensava que ela poderia sair de sua cabeça. Claro que ficou se perguntando isso depois do chamado. Sabia que poderia ser iguais, mas a pergunta do outro para si apenas o deixou confuso, fazendo com que o arco o soltasse e se afastasse, olhando para o chão.

Mccree não se importou, apenas seguiu caminho, sumindo pela calada da noite e Hanzo apenas suspirou, fazendo o mesmo caminho, mas demorando um pouco mais.

Na base, todos os monitores mostravam informações, alguns trocavam informações de maneira tensa e Hanzo apenas se preparou para ir contar o ocorrido, mas não foi necessário ao ver Zarya furiosa com o que Mccree relatou e o cientista retirar os óculos. Sua parte de nada valeria ali no momento, poderia faze-lo depois.

Só por ter seu momento de privacidade longe da base num lugar escondido que escolhera para ser um lugar temporário de descanso já que a base não tinha espaço o suficiente para todos.

Hanzo respirava fundo e pensava mais sobre as palavras de Mccree. Faziam poucas semanas que tinha chegado e foram poucas as vezes em que interagiram junto, ele preferia ficar sozinho, tirando D.VA e Genji. Aquele caipira idiota realmente era ridículo.

Foram apenas duas semanas, as atividades estranhas de alguma corporação começavam a surgir com mais frequência, a britânica Tracer parecia ter conseguido seguir um dos agentes e só por ter pisado na base com reator em seu peito danificado e uma face de pura raiva já resumia o que tinha acontecido. O ômnico de aparência de monge apenas tentou acalma-la, mas em vão e Hanzo controlou uma risada, jovens e suas manias de fazer tudo sozinhos, D.VA e Lúcio eram um exemplo, mas Tracer não parecia o tipo de pessoa que perderia a paciência tão rápido.

Alguns parceiros tentaram anima-la de maneira que surtiu efeito até ela ou até mesmo em alguns ao retirarem um tempo, mas com alguns preferindo terminar logo suas tarefas resignadas. Ele preferia sair dali antes que todos destruíssem a base numa explosão causada por Junkrat, se desviando da insistência de Mercy para ficar, sabendo que se ela insistia, poderia ter envolvimento com seu irmão no meio.

— Parece que eu não fui o único que queria deixar o clima tenso para lá com diversão — A voz de Jesse Mccree chamou a atenção de Hanzo, sua guarda atenta a qualquer comentário idiota ou provocação que causasse confusão em sua cabeça — Está fugindo de mim, parceiro?

Aquela era a pergunta mais óbvia de todas, além de tentar arrumar outra pessoa para ir em missões com ele, tentou não olhar para Mccree enquanto voltava até a base, mas o cheiro de bebida e charuto já eram uma marca do outro, era difícil não reconhecer onde ele poderia estar, mas era uma coisa que usava ao seu favor, ir na direção oposta que o outro poderia se encontrar e ignora-lo.

Mas ali, onde estavam a sós e não conseguiu sentir a presença dele, onde não estavam em meio a uma missão e sim na base onde todos poderiam ver um conflito entre ambos, Hanzo queria sair dali, se retirar, mas não conseguia, sentia que aquela pergunta o prendia.

— Pelo visto, temos alguns problemas um com o outro, mas você me evitar já é um avanço... Ou não — Comentou, quebrando o silêncio de Hanzo — Eu não tenho "honra" o suficiente para ficar do seu lado?

— Não é isso — Interrompeu o outro, pensando por um momento ter visto um sorriso no rosto do outro, mas ignorando por ser apenas coisa da sua cabeça — Antes eu achava que você tinha uma politica de contratação respeitável, parecida até com a minha...

— E você achou que fossemos iguais? — Indagou, não julgando, apenas deixando a pergunta no ar.

— Por um momento, sim, eu achei — Proferiu, suspirando — Estive errado desde o começo... — Se virando para sair, mas parando com uma mão mecânica em seu ombro.

— Mas temos algo em comum — Mccree falou, virando Hanzo e puxando um charuto para tragar, mas levando um tapa na mão por Hanzo, que tinha uma careta no rosto e ignorando a cara de surpresa do outro — Queremos redenção, não é mesmo, senhor certinho? Você mais do que todos aqui, claro, depois de mim.

Não tinha como negar aquilo, era a palavra dele contra a sua, mas ele não queria e nem iria discuti-las com Mccree. Não sabia se as historias de seu clã estavam no pacote de recrutamento, mas não daria brecha para o outro lhe deixar confuso.

A aproximação e a distancia entre ambos deixou Hanzo um pouco perdido, não conseguindo indagar a tempo o que Mccree iria fazer, a escuridão dali era a protetora do que aconteceria e que esconderia face tanto surpresa quando espantada.

Um simples beijo, algo que não era esperado, não era aguardado para conseguir deixar Hanzo mais confuso. Mas também não foi aprofundado, Jesse Mccree não insistiu, não o empurrou até a parede, apenas juntou suas bocas, o barulho dessas se separando e a risada de Mccree despertando Hanzo do choque.

— Nos vemos em outra missão, parceiro.

Com toda certeza eles não iriam ter outra missão juntos.

Notas finais
Ele não é um macaco, é um cientista! u-u e como eu queria ter feito algo melhor, mas não ficaria legal, então deu nisso.... Me desculpem qualquer erro, desde os personagens até suas personalidades.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!