Redenção
2 Capítulo 1 - Inesperado
Notas iniciais
Capítulo 1 – Inesperado
Um grito de horror soou, fazendo-me acordar atordoado.
No entanto, mais uma vez, não havia nada a minha volta. E aquilo não era surpresa alguma. Acordar com aquele tipo de pesadelo já havia virado rotina em minhas várias noites mal dormidas.
Fantasmas do meu passado ainda me assombravam, consumindo meus sonhos.
Respirei fundo, sentindo a luz da lua banhar minha pele, úmida pelo suor da noite. Há tempos não me dava o luxo de refletir sobre tudo o que estava fazendo de minha vida.
Desde que havia começado minha jornada, só pensava em seguir em frente, o mais longe que podia, ansiando encontrar algo que me fizesse sentir em paz, mas ao sentir na pele mais uma vez o quanto aqueles pesadelos ainda me abalavam, sei que talvez a paz de espírito fosse algo inalcançável para mim.
Talvez não houvesse redenção verdadeira para alguém com tantos pecados quanto eu.
Matar meu irmão era um deles e ainda assim, podia sentir que Itachi zelava por mim em algum lugar e aquilo fazia meu peito doer.
O que estava fazendo da vida que meu irmão morreu para me dar?
Nada além de andar maltrapilhos pelo país em busca de algo, que eu, estranhamente, sabia onde encontrar, só não queria admitir. Talvez fosse por isso que, aos poucos, eu refazia meu caminho em direção a vila.
Respirei fundo tentando organizar os pensamentos e foi só então que olhei para o céu.
Nunca foi um grande apreciador de astronomia, mas podia afirmar que aquela ação da lua não era natural.
Ela estava se quebrando em pequenas partes e, também podia ver fragmentos se aproximando rapidamente em direção a vila por onde havia passado mais cedo.
Sem pensar duas vezes, levantei num pulo, já pegando todos meus pertences.
Sabia muito bem para onde deveria ir. Não estava muito longe de Konoha e usando minha velocidade máxima em menos de cinco horas estaria lá.
Sem contar o tempo, corri por horas a fio até sentir uma fraca presença em meio a floresta, ao redor da vila.
A pessoa estava ferida, pude notar a metros, porém, cautela nunca é demais.
Lentamente, aproximei-me, encontrando o líder do clã Hyuuga caído a beira da inconsciência. Foi ali que tive a certeza de que as coisas não estavam nada bem e de que eu precisava fazer alguma coisa rápido.
Enfim, eu voltaria para casa.
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Após poucos minutos cheguei ao centro, onde ocorria a maior movimentação da vila.
Kakashi liderava o povo como o bom Hokage que era e eu não queria aparecer muito, sabia que Naruto não estava ali, então a vila era minha responsabilidade. No entanto, pousar de herói não era minha intenção.
Agi rápido, fazendo tudo o que estava ao meu alcance para manter todos a salvo.
O povo estava tenso, mas tudo acabou rápido demais.
Naruto havia salvo o dia, junto de Sakura e outros ninjas.
Pude ver claramente quando, tempos depois, os seis ninjas voltaram vitoriosos e Naruto caminhou alegre junto de Hinata em direção a multidão que os aclamava.
A paixão entre os dois era visível, quase palpável e eu soube que Naruto finalmente havia encontrado o que procurava e aquilo me fez querer ver Sakura, mas ela já não estava mais ali.
Decepcionado, eu quis fugir e como nem Naruto sabia de minha presença ali, me afastei em direção aos portões da vila.
— Eu sabia que você estava aqui, Sasuke-kun — a voz suave de Sakura me assustou.
E como num maldito Déjà vu, lá estávamos nós no mesmo lugar de nossa primeira despedida.
O cenário parecia o mesmo, apenas nós havíamos mudado e os olhos verdes de Sakura já não pareciam tão esperançosos como da última vez.
— Hm — resmunguei sem palavras.
Meu desejo de vê-la havia se realizado, mas agora, com ela frente a frente, eu já não sabia o que dizer.
— Está indo embora? — Sakura perguntou, quebrando o silêncio e eu apenas permaneci calado. — Que pergunta idiota, não é? Tudo bem, Sasuke-kun. Eu não vou te impedir — declarou, sentando-se no banco onde eu a deixara desacordada na noite onde ela confessara seu amor a mim pela primeira vez.
— Não?
— Não.
Irritante!
Desejei ouvi-la dizer que me amava mais uma vez. Era egoísmo de minha parte querer aquilo, no entanto, eu ansiava por um motivo para me fazer ficar e agora ela não parecia disposta a me dar um.
— E por quê? — sussurrei, sentando-me ao seu lado.
— Porque eu aprendi a respeitar suas escolhas. Pois isso é amar uma pessoa.
Suas bochechas estavam coradas, pude ver quando meus olhos arregalados encontraram sua face.
— Quando uma garota ama alguém, esse sentimento não pode ser mudado tão facilmente. Ele evolui, mas não morre — completou, encarando meus olhos.
A sinceridade daquelas palavras era clara para mim e meu coração parecia querer explodir no peito.
— E o que você quer que eu faça quanto a isso? — perguntei.
— Nada. Pode ir embora se quiser, não vou te impedir — levantou e eu a segui. — Até porque, vou sair em missão amanhã.
— Amanhã? O Naruto vai com você? — perguntei.
— Não. É uma missão apenas para ninjas médicos e o Naruto vai iniciar seu treinamento para ser Hokage mais cedo ou mais tarde...
— Hm.
Um silêncio cheio de expectativas recaiu sobre nós e eu quis gritar, ainda sem saber o que.
— Tenha uma boa viajem, Sasuke-kun — disse ela em despedida, mas eu não a podia deixar partir.
Sem pensar, a segurei pelo braço.
— Posso passar a noite na sua casa? — Não sei muito bem se foi meu tom frio ou o pedido inusitado, mas Sakura pareceu estremecer a minha frente.
Mais pálida que o normal, a Haruno me encarava com os belos olhos verdes arregalados, com um tom rosa tomando suas bochechas pouco a pouco.
— Claro... Claro... Claro, que pode, Sasuke-kun — disparou atrapalhada ao se afastar de meu toque.
— Obrigado — murmurei. — Vamos?
Minha pergunta a surpreendeu novamente.
— Oh, claro. Vamos. Vamos, sim — rebateu, pondo-se a caminhar apressada comigo em sua cola.
As ruas da vila estavam animadas e ela parecia pensativa.
Daria tudo para saber o que passava por sua mente, mas apenas me contentei em observar seu belo rosto iluminado pela luz pálida da lua, que antes quebrava em pedaços.
Uma estranha ansiedade se apoderava de mim, enquanto caminhávamos, discretamente, em meio à multidão, que nos ignorava sem tirar os olhos do grande telão, onde a imagem de Naruto e Hinata aparecia, junto a Shikamaru e Sai.
Caminhar silenciosamente ao lado de Sakura estava me parecendo tão irreal, que fazia sentido me sentir ansioso, no entanto, também sentia expectativas estranhos sobre o desfecho daquela noite e aquilo me perturbava.
O que estava acontecendo comigo?
— Chegamos — falou ela de repente ao parar em frente a um novo prédio de quatro andares.
— Hm — concordei, dando-me conta de que, por sorte, ela já não morava com os pais.
Ao adentrar o prédio, subimos uns três lances de escada e logo paramos em frente a uma porta branca com o número 12 cravado e, como se todas as mais estranhas sensações do mundo me tomassem, um calafrio percorreu todo meu corpo e um voz sussurrou dentro de mim, que aquela seria uma longa noite.
Ignorando tudo, observei o pequeno apartamento bem organizado logo após a porta se fechar a minhas costas.
Aquela realmente seria uma longa e inesperada noite!
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