Redenção - Um Novo Caminho

1 Capítulo 1 Lobo Alado, uma nova caçada


Notas iniciais
Uma nova vida e um novo começo. O que mais se poderia querer?

Era uma noite escura. Um apagão havia deixado a cidade inteira nas trevas e apenas os raios clareavam o cenário de uma sombria disputa. Ao longe, sobre o rugir da chuva e o ribombar dos trovões, ouvia-se o estrépito de lâminas se chocando. Um raio riscou o céu e, em meio a uma chuva de faíscas, um rapaz de cabelos azuis mostrou seu rosto. Sua foice girava na noite como uma hélice, e ele gargalhava. O cabo da foice, coalhado de cortes profundos, parecia que ia se despedaçar a qualquer segundo e ele apenas ria e se esquivava, atacando sempre que possível. Em seus olhos, nada se refletia. Eram túneis escuros e profundos que absorviam a luz. Seu riso era um esgar de sarcasmo e cinismo. E sua voz, travada na garganta, era como o chamado da morte. Seus esforços, no entanto, eram barrados pelas espadas prateadas de um lobo alado. Os olhos do lobo chamejavam de cólera. Seus cabelos negros, agarrados ao seu pescoço e às suas costas, estavam encharcados. Suas asas, pesadas pela água, começavam a dar mais trabalho do que ajudar seu dono. Mas mesmo assim ,ele continuava atacando, continuava avançando. Sua respiração arquejou quando errou um golpe e o outro riu. Um riso estranho e frio.

- Ora, ora. O Guardião já está cansado é? – ele pontuou a frase desferindo um golpe que errou, por milímetros, a cabeça do outro, que se esquivara a tempo e se colocou em posição sem responder – Pelo que vejo... ainda não. Então, continuemos. Thanatos quer seu coração hoje à noite para o jantar.

As armas recomeçaram seu trajeto em direção aos corpos dos oponentes. De um lado, um rapaz de cabelos azuis e olhar frio, que conseguia voar com o auxílio de sua capa negra. Do outro, um lobisomem alado que já mal conseguia planar. As coisas estavam ficando críticas. O Lupino então se lembrou do que estava em jogo. Lembrou-se dos rostos de Layla, Ryuuku, Onimura... Do rosto de sua mãe... Do rosto de Yumi..........

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Meus olhos se abriram com fúria e ataquei com a força de um exército. Minhas espadas se chocavam perigosamente contra a foice de Carrau. Ele se espantou, minhas asas começaram a vibrar, espanando a água como uma segunda chuva e me ergui seis metros no ar, desferindo um poderoso golpe co minha espada. Ele defendeu. Mas de que raios era feita aquela foice?? Ela resistiu ao golpe, vergando como um arco e ele sorriu. Então nossos rostos se aproximaram, pude ver até o branco dos olhos dele.Nesse momento, eu segurei a argola em seu pescoço e, pela primeira vez na minha vida, vi a cor sumir do rosto de Carrau e ele assumiu uma cara de espanto e medo. Quebrei o anel de pedra que lhe envolvia o pescoço e, imediatamente, sua capa se tornou uma simples capa preta. Percebi na hora o que aquilo significava: A minha vitória. No entanto, ele se libertou da minha mão com uma explosão negra que me lançou longe, e olhando pra mim, com os olhos ardendo em fúria, disse:

- Pagará caro por isso guardião! Não descansarei até destruir o último dos Galahad!!!

Numa explosão de fumaça negra ele sumiu, e eu sorri. Estava cansado, mas havia vencido Carrau novamente. Me virei e, fechando as asas em redor do corpo como um manto de penas, entrei no círculo protetor da redoma na casa de Yumi. Era reconfortante sentir o perfume das rosas e a brisa fria tocarem meu rosto. Sorri e entrei na casa, era simplesmente uma paz incalculável. Lá dentro, Ryu com o braço enfaixado e Layla com um curativo na testa me esperavam. O olhar de Layla era assustador.

- GARLOCK!!!

- Ihhh. Que é Layla?

- Eu queria ter lutado!!! – Layla gritava e Ryu acompanhava a discussão com o olhar - Eu queria amassar a cara dele!!!

Baixei a cabeça e abri as asas. Layla ofegou tão forte que eu achei que ela ia sufocar. Em meu tórax havia pelo menos seis cortes profundos e ainda sangrando. Meus braços estavam malhados de cortes e meu rosto inchado e com um olho roxo. Minhas pernas estavam bambas e havia muitos cortes. Olhei pra Layla sério enquanto ela me olhava assustada.

- Acha que deixaria isso acontecer com você Layla? E afinal, ainda não me disse o que foi isso. — Apontei pro machucado na testa dela e ela desviou o olhar – Ainda não me disse onde arranjou isso.

- Não é da sua conta é? — ela me respondeu em desafio – Já que não me conta aonde vai não preciso contar aonde vou. E, aliás, Ryu vai comigo. Então não se preocupe.

- A contra gosto. – disse Ryuuku olhando pro chão – Eu, se pudesse, nem tinha ido... Vê lá se eu tenho cara de babá.

Nesse momento Layla o segurou pelo colarinho e o ergueu até ela gritando:

- CÊ É MEU IRMÃO!!!! NEM PENSE EM ME DEIXAR PRA TRÁS VIU!!!

Ele riu e deu um beijo no nariz dela.

- Nem morto. Se eu deixar você sozinha ele me mata!

Acabei rindo. Deixei os dois na sala e fui para meu quarto. De passagem olhei para o quarto de Yumi. Estaquei por uns segundos e me segurei na porta. Um flashback de lembranças passou pela minha mentee revi todos os momentos que passei naquele quarto. Lembrei da vez que trouxe Yumi pra cá e do pedido que ela fez para que eu ficasse. Das vezes que tínhamos nos abraçado naquele quarto e lembro que ela me disse não estar mais namorando o Leon. Uma alegria tomou conta do meu peito naquele dia. Mas logo me lembrei das palavras dela pouco antes de ir embora:

- ... Sabe que não te amo.

Baixo a cabeça e continuo. Lembro dos amigos que estavam conosco aqui. Olho pros quartos ao caminhar. Sasuke, o vampiro, ele se foi há mais ou menos uma semana. Não posso culpá-lo. Essa luta não é dele. Na porta do quarto de Leon eu paro e olho furioso pra dentro. Nenhum dos dois quartos fora mexido desde suas partidas. Mas ele havia partido um dia depois de Yumi. Era um covarde. Ao lembrar dele, meus olhos se encheram de fúria e segui para o meu quarto. Entrei no banheiro e comecei um banho relaxante. Lavei as feridas e as curei, me deitando na cama, adormeci em pouco tempo.

No outro dia, encontrei a mesa posta e Layla e Ryu já haviam saído. Estudavam na mesma escola e, pelo que soube, Layla fazia sucesso com os rapazes pela sua beleza e pelas asas. Sorri ao pensar nisso e me sentei, tomando café e me preparando pra ir trabalhar. Havia conseguido meu emprego de garçom de volta e trabalhava todos os dias. E logo quando voltava, podava as roseiras e limpava a casa. Era cansativo fazer tudo isso e ainda ter de impedir Carrau em suas investidas contra a casa. Às vezes ia dormir à meia noite para acordar no outro dia cedo. Sorri. Era uma vida bem corrida mesmo. Me levantei e, depois de tirar a mesa, saí para o meu trabalho.

O dia havia sido tranqüilo. Carrau não atacara e as roseiras dispensaram meu tratamento naquele dia. Entrei em casa e havia um bilhete em cima da TV:

“ Varremos e arrumamos a casa pra você. Saímos pra uma festa. Rsrs.

XOXOXOXO Layla e Ryu.

PS: Os beijos são por conta da Layla. ¬¬”

Ri um pouco. Rabisquei um obrigado do outro lado do bilhete e o deixei no mesmo local. Então me dirijí a um local da casa, que havia muito tempo não ia. Andei com passos lentos, tentando absorver cada segundo de êxtase que a espera me proporcionava. Ao chegar à porta, sorri, e vi minha velha guitarra me esperando num canto, da sala de música. Me aproximei e a segurei, alisando suavemente suas cordas, fazendo-as ressoar num tom estranho. Sorri. A empunhei e ensaiei algumas notas, mas foi um completo desastre. Meus pensamentos, estavam em Yumi. Estavam longe da casa, longe da guitarra, bem longe de qualquer nota musical... Estava num lugar desconhecido... junto com meu coração.A empunhei mais uma vez. Fechei meus olhos e me concentrei em Yumi. Das cordas saiu uma melodia e da minha garganta, brotou uma canção.. que eu ainda não tinha ouvido... que saía de meu coração:

Tua pele fina seda

Que eu jamais vou esquecer

Sim o brilho de seus olhos

Ilumina o meu viver

Seu perfume, suave aroma

Que nem mil rosas podem abafar

Sim tu és a mais bela mulher

Estrela que pra mim sempre vai brilhar

Pois você é a única que mora em meu coração

Só você, pode me consolar em meio à solidão.

Ao soarem as notas para a próxima estrofe, meus olhos se encheram de lágrimas e eu chorei um pouco. Ela era tudo pra mim e estava tão distante.... Continuei a música:

Nem que mil anos eu ande

Ao norte ou sul, por onde eu for

Sei que jamais encontrarei

Em algum lugar tão grande e puro amor

Seus olhos vão me iluminar

E sua voz vai me guiar

Dentro dessa, densa escuridão

Que meu coração vem assolar

Pois você é a única que me dá forças pra voar

Só você, me ensina o que é amor... o que é amar

Eu chorava, mas os dedos continuavam seu caminho, pelas cordas da guitarra. Fechei os olhos e continuei cantando.

Jamais vou me esquecer

Do brilho da lua em seu olhar

Linda fada vem sim fazer

Meu coração por ti suspirar

Sempre de ti me lembrarei

Por você sei que viverei

Linda rosa entre tantos espinhos

Num jardim mais que secreto eu te plantei

Pois você é a mais bela rosa desse meu jardim

Só você, aplaca a dor que ainda arde em mim

Você é a única que mora em meu coração

Só você, pode consolar-me em meio a solidão

Os acordes da música foram morrendo e eu me deixei cair em choro. Onde estaria Yumi? Onde?? E fazendo o quê?!?! Me virei para sair e a vi lá, na porta, olhando pra mim. Me assustei e fiquei estático, de olhos arregalados. Mas como? Me ergui e dei alguns passos vacilantes em sua direção.

- Y-Yumi? É você?

Ela sorriu. O sorriso cálido e angelical dela. Tinha que ser ela. Ela se aproximou.

- Claro que sou eu bobo! Eu tava fora treinando lembra? E adivinha! Voltei bem forte!! Adivinha quem me treinou, YYAAHHH!! – ela me deu um soco no ombro. Foi fraco, ela deve ter dosado bem a força... mas foi suficiente pra me mandar pela parede da sala de música em cima de uma roseira. Meio tonto ainda, e cheio de reboco na cabeça, olhei pra ela e ri pela cara de aflição que ela fazia ao correr pra mim.

-Desculpa Garlock! – ela me ajudou a levantar e me curou os arranhões com um beijo em minha testa. – Pronto. – Eu ri.

- Com essa força toda só pode ser o mestre Kame! – ela sorriu e eu continuei – Quem te treinou? –Ela sorriu ainda mais.

- Meu irmão! Tenshi!

Notas finais
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Como?!? TENSHI!!!! MAS... EU O MATEI!!!! Como Yumi poderia ter sido treinada por ele?!?! Será que... não... Yumi uma necromancer!?!?

Próximo capítulo: Tentações do destino