Redenção
17 Cadê a Hinata?
Notas iniciais
Manual de Sobrevivência de Sasuke Uchiha:
Daí você me pergunta, como você se apaixonou por ela?. Como diria o filósofo contemporâneo Chicó: Não sei, só sei que foi assim.
Do lado de fora do quarto, o trio demoníaco se escorava atrás da porta tentando ver ou ouvir o que estaria acontecendo no quarto.
— Madara, voce tá conseguindo ver alguma coisa aí? — cochichava Obito, tentando bisbilhotar pela fechadura da porta.
— Eu não tô conseguindo ver nada. — praguejou — Ai, Minha costela! Sai de cima de mim, fominha. — Madara empurrou bruscamente Obito para o lado.
— Silêncio, eu tô conseguindo ver alguma coisa. — advertiu Itachi e inconscientemente um sorriso se formou em seus lábios — venham ver — o moreno deu espaço para que os outros dois pudessem enxergar pelo buraco que havia na porta.
Madara sorriu vitorioso com a cena que vira. Finalmente as coisas estavam começando a dar certo para um Uchiha. Já era meio caminho andado para juntar os dois, agora o resto era por conta deles.
Pelo respeito que tinha por Hinata, o Uchiha mais velho advertiu os outros dois à darem um pouco mais de privacidade para os pombinhos e meio à contragosto, obedeceram.
●
Pego totalmente desprevenido pelo beijo, uma parte de Sasuke tentava resistir ao toque, por que o seu lado racional gritava a ele que não poderia estar fazendo isso com ela. Não queria de forma alguma machucá-la e tampouco iludí-la.
Mas, por outro lado, a outra parte do moreno se rendia de bom grado aos toques um pouco desajeitados, ocasionados pela falta de experiência de Hinata. Era uma sensação nova que o Uchiha estava experimentando, uma sensação que causava euforia, excitação e um leve friozinho na barriga.
Se separaram em busca de ar, mas suas testas estavam coladas; os braços de Hinata ainda se mantinham rodeando o pesçoco de Sasuke, e este, por sua vez, mantinha a mão espalmada sobre o pescoço alvo da pérolada.
Os olhos enigmáticos do portador do Sharingan miravam sem pudor algum a face de Hinata, que desviava o olhar.
Agora tão de perto assim, o Uchiha pôde confirmar uma coisa: a Princesa do Byakugan detinha uma beleza natural, única, absolutamente encantadora.
Ele não conseguia desviar os olhos dela.
Recobrando um pouco da sanidade, Hinata se afastou bruscamente procurando um meio de sair da situação constrangedora que havia se metido.
Ah, mas do beijo havia gostado. E muito.
Ela estava bastante vermelha.
— M-me d-desculpe, por favor! Eu não devia ter… — fora interrompida pelo moreno, que a agarrou com brusquidão.
— Não peça desculpas por isso. — ele a cortou e chegando mais perto do seu ouvido, perguntou: — Mas me diga... gostou do beijo? — e de repente se viu receoso com medo da resposta.
Hinata o olhou assustada e dessa vez estava roxa, longos minutos iam se passando e Sasuke ansiava por uma resposta. Ela abria e fechava a boca repetidas vezes, procurando as palavras certas para dizer.
Mas não haviam palavras certas. Era só sim e pronto, acabou.
Presumindo que a azulada não tivesse gostado do beijo, ele se desvencilhou do contato e já estava pronto para sair do cômodo, no entanto, a morena foi mais rápida, se pondo entre ele e a porta. Hinata não poderia deixá-lo sair assim.
— Eu gostei sim...muito — as palavras saíram quase num sussuro e Sasuke teve que se inclinar um pouco para ouvir o que ela estava dizendo. — E talvez eu q-quisesse te beijar de novo…
A medida que a morena proferia cada palavra, o Uchiha prestava atenção apenas à vermelhidão em torno das suas maçãs do rosto. Achou adorável a maneira como ela tocava os dedos indicadores em sinal claro de puro nervosismo.
E os lábios entreabertos, tão convidativos.
Ainda nervosa pelo contato repentino, Hinata dá passos vacilantes para trás até que sente as suas costas tocarem na madeira fria. Não tinha escapatória.
— Você quer repetir?
Provocou, se aproximando ainda mais e mordiscou o lóbulo da orelha da morena. Em resposta ao toque, Hinata sentiu seus pelos eriçarem e um arrepio involuntário percorrer por todo o seu corpo.
Ele estava atiçando-a. E ela sabia, mas isso não mudava o fato de que ela estava gostando daquele jogo.
Deixando a timidez de lado, Hinata passou a encará-lo. Agora as coisas iam mudar de rumo, a presa iria ser o predador.
— Pois é...porquê não? — sibilou, provocativa.
Lentamente, Sasuke baixou a cabeça até ficar a milímetros dos seus lábios e sussurrou: — Então o que estamos esperando, hm?
Um pequeno sorriso travesso se formou nos lábios da pérolada.
— Estou faminta, você não?
Ela o beijou no rosto, saindo em seguida e deixando-o perplexo.
O jantar foi tranquilo e todos os presentes puderam notar o clima entre Sasuke e Hinata, vez ou outra Madara olhava de soslaio para o Uchiha mais novo, que por sua vez lançava olhares indecifráveis para a Hyūga.
Depois que todos acabaram o jantar, Hinata se dispôs a lavar as louças e Madara se ofececeu para ajudá-la. Já na cozinha, o mais velho pigarreou chamando a sua atenção.
— E, aí? — questionou ele.
— E...aí? — repetiu debilmente, parecendo não saber a quê o mais velho se referia.
— E aí que eu não nasci ontem né, Hinata. Eu notei a forma como o Sasuke estava te olhando no jantar.
— A-ah, i-isso — suas bochechas adquiriram um tom vermelho escarlate — Você notou é? Bem..nós nos beijamos
— E o quê mais? — perguntou divertido.
— Como assim o quê mais, só nos beijamos, foi só isso que aconteceu.
— E você não sente nada por ele, Hime?
— E-e-eu..— ela tentou falar mas a gagueira a impedia.
— Nem precisa continuar, eu já entendi tudo. Olha como você tá toda vermelhinha e gaguejando só de eu mencionar o traste.
— Pare com isso, por favor, está me deixando nervosa. — implorou.
— Como quiser — levantou os braços em sinal de rendição.
Madara já ia saindo quando a voz da garota o fez parar.
— Eu nunca tinha beijado alguém antes, pronto, falei! — Madara viu por cima dos ombros a Hyūga se encolher ainda mais.
— Wow! Você tava pensando em virar freira? Por que olha...seria um baita desperdício, viu! — ele comentou enquanto a analisava de cima a baixo. Em resposta, a morena jogou o pano violentamente em seu rosto. — calma, não precisa ficar nervosa. A propósito, Hinata você sabe de onde vêm os bebês?
— Idiota! é claro que eu sei, ingênua é a tua mãe.
— Menos mal então.
De repente a sala se viu mergulhada em um silêncio desconfortável.
— Sabe, Hina, é palpável o carinho que o Sasuke tem por você, mesmo que ele nunca admita isso. Eu ainda me recordo de quando cheguei aqui e a forma como ele retribuiu ao seu abraço naquela noite, acredite, você é o Calcanhar de Aquiles daquele garoto — suspirou uma vez mais antes de prosseguir — Quando você ficou doente e estava internada no hospital, Sasuke ficou completamente transtornado. Passava dias sem comer e sem dormir direito. O garoto chorou de medo de perder você, e ele até te visitou disfarçado de médido no hospital...
Hinata ouvia a tudo atônita. O coração chegou a errar algumas batidas ao saber dos esforços do Uchiha para vê-la bem.
— Eu nunca pensei que alguém pudesse se preocupar tanto comigo.
— E não é só ele que se preocupa contigo, todos os homens dessa casa amam você.
●
3 dias depois
Analisando as infindáveis pilhas de documentos, Naruto vez ou outra passava as mãos no emaranhado de fios amarelados e tomava um gole de café, o seu mais novo vício depois do também.
A sua atenção se voltou para a porta na qual ouvira o som da maçaneta sendo girada e a porta aberta logo em seguida. Com as sobrancelhas arqueadas, ele mirava o amigo que acabara de chegar. Sasuke estava mais assustador do que nunca.
— acordou com o pé esquerdo hoje, Teme? — provocou.
— Não começa Naruto, hoje eu não tô' legal pra essas suas gracinhas.
— Não tá mais aqui quem falou.
O Uzumaki riu e o ouviu praguejar.
— O que aconteceu, Sasuke?
— Nada não, esquece.
Naruto arqueou uma sobrancelha, descontente.
— Mas vejo que isso está te incomodando. — Sasuke apenas deu de ombros
Percebendo que o Uchiha não ia falar tão facilmente, Naruto resolveu dar-lhe alguns papéis para ele analisar. Quem sabe trabalhando um pouco o moreno poderia se acalmar. E realmente funcionou, em minutos Sasuke se via totalmente absorto nos documentos.
— Eu também preciso te falar sobre algo bem sério, além dessa doença que está assolando a todos.
O moreno desviou a atenção da papelada e passou a encará-lo.
— Do que se trata?
— Sobre Izumo.
— Ah, aquele policialzinho mequetrefe que insulta a garota dos outros.
— O quê?
— Hã?
Naruto o olhou confuso. Quer dizer então que Sasuke tinha uma garota, pensou.
— Enfim, voltando ao assunto. Na verdade ele foi sequestrado por quem ainda não sabemos, e quem estava no lugar dele aquele dia da confusão no supermercado era o clone. E antes que você me diga que essa história é conto da carochinha, eu peço para que veja algumas coisas.
Subitamente o portador do Sharingan sentiu a espinha gelar. Algo no seu íntimo o dizia que Hinata poderia estar em perigo.
●
Estavam em uma ala restrita no hospital comandado por Sakura. Enquanto aguardavam a chegada da Haruno, o loiro aproveitou a deixa para conversar com o amigo.
— Então, não vai me falar motivo da sua inquietação?
— Já disse, não é nada.
— Ah, fala aí Sasuke, quem sabe eu te ajude.
— Eu e Hinata nos beijamos — ele disse quase num sussurro e o Nanadaime se perguntou se tinha ouvido direito.
— E ai, o que rolou depois? — perguntou afoito.
— Não houve nada, idiota! — rebateu, contrariado. — por mais que eu quisesse...— concluiu em pensamento.
No final do corredor já podia se ver a silhueta da rosada que aparentava cansaço por conta da profissão.
— Me sigam.
Passaram por um corredor imenso, em seguida subiram as escadas, para chegar finalmente ao destino.
— Izumo está calmo agora, lhe foi dada uma dose alta de calmante. Até agora tudo que ele fala são referente ao Byakugan e ao Sharingan. Já faz um tempo que ele foi encontrado pelo amigo, Kotetsu, que relatou tudo o que nós já sabemos até agora.
Sasuke olhou o homem de cabelos iguais aos seus pelo vidro que os separava. Izumo estava magro e com olheiras fundas.
— Nenhuma previsão de alta, Sakura-chan?
— O quadro dele está estável agora, está melhorando aos poucos.
— E quanto à carcaça do humanoide que Kotetsu trouxe?
— O material colhido é extremamente fantástico, ele conseguiu se adaptar perfeitamente às celulas orgânicas. Seja lá quem projetou isso, é um verdadeiro gênio, veja até precisei da ajuda de Orochimaru para analisarmos e ele também afirmou que nunca tinha visto nada igual.
A essa altura Sasuke não prestava mais atenção nas palavras de Sakura, seus pensamentos divagavam entre o beijo e a frieza da pérolada nos últimos dias. Por mais que não demonstrasse, estava se sentindo rejeitado por Hinata já que a mesma sempre arrumava alguma desculpa para não ficar sozinha com ele.
Se preocupou com mau pressentimento que teve mais cedo, alguma coisa lhe dizia que não deveria deixar Hinata sozinha por um segundo sequer e após a confirmação de Sakura de que o tal cara falava sobre o Byakugan e o Sharingan repetidas vezes, a paranóia se agravou ainda mais. Estava ficando agoniado com aquela sala excessivamente branca.
De repente o membro da ANBU encarregado de vigiar os três Uchihas aparece para o espanto de todos.
— Desculpe a aparição repentina Nanadaime Hokage, Doutora Haruno e Senhor Uchiha, o que tenho para falar é de suma importância de todos aqui.
— Diga. — ordenou o Uzumaki sério, já temendo o que vinha pela frente.
— Vim a pedido de Madara Uchiha para avisar do sumiço de Hinata Hyūga.
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