Redenção

1 Redenção


Notas iniciais
Fandom: SPN
Ship: Sam/Rowena (implícito).
Avisos: Spoiler de Funerallia (i.e., do episódio 13x19).

Eu estive vendo a amizade de Sam e Rowena desenvolver-se há temporadas e depois de Funerallia, não resisti e escrevi uma fic com eles. Ela não é explícita, então você pode entender isso tanto como o início de uma boa e longa amizade quanto como o início de algo mais.

Confesso que meio que shippei um pouco eles no episódio em questão e esta fic pode não ser filha única. Ela não tem nenhuma novidade em termos de enredo (a maioria das falas, por exemplo, são canônicas e estão presentes na última cena do epi 13x19, que é o momento em que a fic se passa), mas eu tentei descrever o que eu acho que as personagens (especialmente Sam e Rowena) estavam pensando e/ou sentindo naquele momento, com base nas expressões faciais deles e na minha imaginação.

De qualquer forma, espero que gostem. Boa leitura! :)

Os irmãos Winchester e Rowena estavam sentados no chão do quarto de hotel, para onde a bruxa tinha levado Sam, provavelmente na intenção de matá-lo. Dean não presenciara tudo que acontecera, mas sabia que houve algo sério, pela expressão da ruiva e do seu irmão caçula. Billie tinha estado lá também.

Sammy, por sua vez, estava perdido em pensamentos. A verdade é que ele pensava em toda aquela situação que estava com Rowena e como as coisas ficaram daquele jeito. Sam sempre tivera a impressão de que não poderia nunca confiar nela, entretanto, volta e meia eles passavam de inimigos a amigos e vice-versa. Ele não saberia dizer em qual dessas fases estavam agora, mas Rowena não parecia ter vontade de brigar no momento e ele ia tomar isso como uma coisa boa.

Ele tentara atirar nela mais cedo e ela tentara o matar também depois disso, mas por algum motivo, Sam tinha a impressão de que nem um nem outro conseguiria terminar aquele serviço. Sam sabia que não tinha vontade de matar a bruxa. De fato, ele discutira com Dean naquele mesmo dia, mesmo sabendo que Rowena estava matando pessoas, pelo simples motivo de que ele sentia que tinha uma conexão com ela. Talvez não a mesma conexão que Dean tinha com Castiel, mas ele conseguia entender como ela se sentia e as coisas pelas quais ela passara porque muitas dessas lutas foram as mesmas que ele enfrentara no passado, então ele identificava-se com a bruxa.

Contudo, o moreno tentou não pensar muito sobre o que tudo isso poderia significar por um momento e focar no momento que estavam. Observou o seu irmão fisicamente ferido, com marcas no rosto, e a bruxa emocionalmente ferida, talvez fisicamente também, mas não era visível, se estivesse.

“Como você está se sentindo?” perguntou Sammy ao irmão, enquanto lhe passava uma garrafa de cerveja.

“Como se eu tivesse sido socado no rosto.” respondeu Dean. “Bastante.”

“É, sobre isso, Bernard é muito empolgado.” comentou Rowena. Sam não teve muito contato com Bernard, mas ele parecia ser bastante forte, especialmente se conseguira detonar seu irmão daquela forma numa luta mano a mano.

“É, pode-se dizer que sim.” respondeu o caçador mais velho.

Sammy olhou para o irmão.

“E quanto a você? Como você está se sentindo?” perguntou Sam, após alguns milésimos de segundos. Ele olhou nos olhos da bruxa, aguardando uma resposta dela.

“Eu lutei com a Morte e perdi.” respondeu a ruiva. “Eu me sinto cansada. Mais fraca. Eu não sei se é para sempre. Sam, o que foi que eu fiz?” O olhar dela mostrava arrependimento. No fundo ela nunca quis machucar Sam e ele também sentia o mesmo com relação à bruxa.

Sam sentia profunda empatia por Rowena. Eles passaram por situações parecidas, como ambos terem perdido pessoas amadas e ambos terem passado por maus bocados nas mãos de Lúcifer e isso, de alguma forma, aproximava-os. O Winchester mais novo inspirou profundamente e, ainda mantendo o contato visual com Rowena, respondeu:

“Você teve a chance de me matar, mas não matou. Eu chamo isso de progresso.”

A escocesa mexeu os lábios e arregalou os olhos levemente. Ela não havia pensado nisso antes, mas até que Sam tinha razão.

“Eu chamo isso de milagre.” respondeu Dean, do seu canto. Rowena desviou o olhar de ambos.

“E, sabe? O que aconteceu com Crowley não foi culpa sua.” continuou Sam, como se Dean nada tivesse dito. Olhando para ele, Rowena sabia que ele realmente pensava assim. Isso a fazia sentir-se melhor, de alguma forma, embora seu filho continuasse morto. Ela direcionou o olhar então para as próprias mãos, tentando controlar a vontade que tinha de chorar desde o início daquela conversa e disse:

“Ele nunca teve uma chance.”

“Ele fez as escolhas dele. Assim como todos nós.” respondeu Dean, num tom gentil. A bruxa olhou para ele. “Olha, todos nós fizemos alguma coisa com a qual temos que conviver e pelo qual tentamos compensar. Todos nós.”

“Mesmo sem todo aquele poder extra, você ainda é a bruxa mais poderosa.” completou Sam.

“Puxa-saco.” retrucou Rowena, mas pela primeira vez naquela conversa, ela sorriu.

“É, e nós vamos precisar da sua ajuda…” disse Sam. “Para salvar nossa família… Para salvar o mundo.” Ele riu como se aquilo não fosse grande coisa, mas no fundo torcia para que a bruxa decidisse se tornar uma aliada deles daquele momento em diante.

“Você quer se redimir? Este seria um grande passo.” completou Dean.

“Você ainda acha que eu posso ser redimida?” perguntou a bruxa, num fio de voz.

“Sim, eu acho.” respondeu o caçador mais velho.

“Nós dois achamos.” completou Sammy, olhando nos olhos da ruiva. Ele estava sendo sincero. Ultimamente sinceridade tem sido algo comum entre eles, Sam não saberia dizer quando aquilo começou. Talvez tivesse sido a partir do dia que eles conversaram sobre a Jaula. “Mas antes de você responder, tem uma coisa que você precisa saber: Lúcifer voltou.”

“Hm…” Rowena assentiu, voltando a olhar para suas mãos. Mais uma notícia ruim. “Claro que voltou.”

“Agora, você não vai…”

“Surtar?” perguntou Rowena, completando a frase inacabada de Dean. “Morrer de medo?” Ela olhou para ponto nenhum. “Claro que estou com medo. Eu estou horrorizada de medo, meu coração pode parar, mas…” Neste momento, Sam não sabia dizer se a bruxa estava sorrindo ou chorando. “Não é Lúcifer quem vai me matar, é?”

Quando Rowena olhou para Sam, ela estava sorrindo. O caçador mais novo tinha também uma expressão cansada no rosto, que espelhava um pouco a dela de anteriormente. Porém, ela tornou-se em seguida uma expressão que indicava que compreendera o que ela implicara, embora Sam não quisesse ter de matar a bruxa algum dia e não estava disposto a simplesmente tomar o papel de carrasco.

“Você mudou o destino de outras pessoas.” disse Sam, olhando mais uma vez nos olhos da ruiva. “Talvez possamos mudar o seu.”

Havia lágrimas nos olhos de Rowena, mas ela não se permitiria chorar ali. Naquela troca de olhares, entretanto, Sam e Rowena entenderam que queriam estar do mesmo lado nessa guerra. E queriam que a bruxa pudesse se redimir, como um dia o filho dela fizera. Esperançosamente, sem morte alguma envolvida.

“E então? O que me diz?” perguntou Dean. “Está dentro?”

Rowena quebrou o contato visual com o Winchester mais novo e, respirando fundo, finalmente respondeu.

“Sim. Contem comigo.”

Ao erguer a cabeça novamente, Sam estava sorrindo para ela. A escocesa sorriu de volta.

“Bem vinda ao time.” disse ele.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui. Comentários são sempre bem vindos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.