Redenção

1 Proposta tentadora


Fresno, cidade da Califórnia, Estados Unidos.

9h53m.

Clea pousou no meio do gramado de um colégio que estava em horário de aula. Observou vários jovens correndo de um lado para o outro.

Um grupo se aproximou e começou a caçoar das roupas que a loira vestia.

— Olha só... Aluna nova? – um garoto alto, de cabelos castanhos, circula em torno dela.

Ela apenas lança-lhes olhares mortais, misturados ao medo incutido.

— Que roupa mais ridícula! A festa dos vikings não é hoje, querida. – um garoto negro se aproxima e empurra Clea, que cai com o rosto direto no chão.

Eles gargalham, apontando para ela. Logo, várias pessoas começam a tumultuar, observando o estilo peculiar daquela moça.

A asgardiana finalmente se levanta. Cospe um pouco de grama que havia entrado em sua boca no momento da queda.

— CHEGA!!! – ela brada. Naquele momento, todos se silenciam e ficam a encarando.

Depois de uma pequena pausa, as risadas voltam piores.

Clea bufa. Seus olhos emanam puro ódio. A cada encarada que dá aos presentes, poderia matá-los.

Ela ergue os braços e uma esfera na cor rosa começa a se formar.

— Ih... Olha lá, ela tem poderes! – uma garota comenta.

Sua respiração se acelera. Clea sente perder o controle sobre sua raiva e sobre seus poderes. Eles estavam mais fortes agora!

O orbe cor-de-rosa se amplia de tal forma que cerca toda a extensão daquela escola e de uma pequena mata fechada que há ali em torno.

— O que você está fazendo? – o primeiro garoto que a atazanou estava assustado.

— MORTE! – foi tudo o que conseguiu gritar.

A grande bola de energia explodiu, extinguindo todos que ali estavam. Devastando toda aquela região.

Clea não foi atingida pela explosão, pois criou um escudo em torno de si.

Em meio à fumaça que surgia do fogo, que se alastrava pelo matagal, uma figura surgiu levitando no ar.

A loira esperou que se aproximasse. Logo, avistou um homem de cabelos negros, com mechas grisalhas nas laterais, barba bem feita, usando uma capa vermelha e luvas amarelas nas mãos.

— Quem és tu? – ela interpela-o.

— O que você fez aqui? – ele rebate. Sua voz saiu embargada, sentia-se pasmo com a quantidade de mortes que provavelmente havia ocorrido ali. – Por que eu não consegui chegar antes? – queixou-se a si mesmo.

— É o Doutor Estranho. Mago Supremo de Midgard, mestre em artes marciais, projetor astral e algumas coisas mais... – ela sorri vitoriosa por conseguir entrar em sua mente. Estava feliz em ter suas habilidades de volta.

Ele estatela os olhos e se assusta com a moça.

— Agora é minha vez... – retribui o sorriso, com ar de deboche. – Clea. Asgardiana, com poderes de criar objetos e telepata. Nem você mesma sabia que seria capaz de criar tamanha detonação! Apaixonada por Thor, só está aqui para se vingar dele, que tanto ama a Terra e especialmente Jane Foster. Teve ajuda de Loki, não foi? – conclui, sendo fuzilado pelo olhar da mulher.

— Sofrestes um acidente, onde perdestes o controle sobre tuas mãos e não encontrou cura na ciência. Foi obrigado a buscá-la em Katmandu, onde a Anciã lhe ensinou além das artes místicas, a humildade. Tiveste um caso com Christine Palmer, todavia por sua arrogância, perdeu seu amor. Mesmo arrependendo-se, não foi perdoado e agora está fadado a viver sozinho, tomando conta de seu Sanctum Sanctorum, um local todo cheio de misticismo. – ele aperta os olhos. Ela ri maleficamente.

— Você é realmente muito boa... – o homem dá de ombros. – Mas nunca será melhor que eu. – assim que consuma a frase, lança-lhe um feitiço que surpreendentemente, ela para com seu escudo místico.

Com a outra mão livre, Clea cria uma redoma de vidro para prender Strange, mas ele consegue se esquivar e a imobiliza com um de seus feitiços.

Ela se debate em desespero e cria uma nova esfera de energia. Desta vez, muito maior do que a anterior.

— Você deve parar com isso, Clea. Você não quer isso! Eu posso ler a sua mente... – o homem diante dela comentou, já evocando seu Escudo de Seraphim para se proteger.

— SAIA DA MINHA MENTE, MAGO SUPREMO! – ela gritava como louca. – SAIA!!! – a bola explodiu.

Doutor Estranho jogou-lhe uma magia que a fez cair no chão, com as mãos na cabeça. Ele havia conseguido domar sua mente, mas já era tarde. Parte daquela pequena cidade já estava destruída.

Enfraquecida por abusar de seus poderes, a asgardiana desmaiou.

Stephen a pegou no colo, olhou ao seu redor e ouviu as sirenes dos Bombeiros se aproximando.

Levitou no ar, abriu um portal e levou-a para longe dali.

Horas depois...

P.O.V. Clea:

Acordei com muita dor de cabeça. Pressionei minhas mãos sobre minha testa e abri os olhos lentamente.

Coloquei-me sentada e me assustei ao ver que estava cercada por um vidro forte.

Comecei a socá-lo, desesperada, até que um homem branco, quase sem cabelos, se aproximou.

— Olá senhorita... Clea! – cumprimentou com um sorriso. – Sou o agente Coulson, da S.H.I.E.L.D. e se eu fosse você não tentava ficar batendo nesse vidro. Pode acabar quebrando sua mão. – orientou.

— Mesmo porque esse vidro foi projetado para deter o Hulk! – uma mulher branca, com cabelos curtos na cor negra se aproximou. – Você deve conhecê-lo... Ele deu uma surra no seu parceiro, Loki! – debochou.

— Caso estejas se referindo ao monstro verde, cheio de ódio... Sim, eu o conheço! – comento, cerrando os punhos. – Tirem-me daqui! Não podem me enclausurar por muito tempo.

— Olha, eu não sei por que vocês asgardianos insistem tanto em atacar à Terra! Thor é o único gente boa desse planeta? – Coulson comenta.

— Por que você matou todas aquelas crianças? – a mulher interpela.

— Maria Hill teu nome, não é? – eu li sua mente. Fez uma expressão de surpresa e assentiu. – Bem, digamos que Thor seja “gente boa”— faço aspas com as mãos. – convosco. Todavia, está deixando de defender nossa amada Asgard por causa desta terra.

— E só por isso você mata um bando de crianças? – Hill rebate.

— Eles estavam me zombando! – soco o vidro ao lembrar. – Isso não importa. Quero que me tirem daqui antes que sofram as consequências! – ameaço.

— Quais consequências? – o tal Coulson indaga. – Essa cela contém seus poderes!

— Mas não conteve minha telepatia, não é mesmo, senhor Phil? Morto por Loki, quando fez sua primeira invasão à Midgard, entretanto, ressuscitado por um experimento envolvendo sangue kree. Atualmente sofre por dois motivos: Primeiro – ergo meu dedo indicador. – por ter perdido a diretoria da S.H.I.E.L.D. para ela. – aponto para a mulher. – Segundo por ser apaixonado por Melinda May. Mas esta, ainda sofre por se lembrar do ex-marido que se tornou um inumano violento, que sugava energia de outros inumanos. Falei algo equivocado? – ergo uma das sobrancelhas.

Ele enrijece sua expressão e sai da sala, enquanto rio, debochada.

— FODA-SE, SUA PIRANHA! – Maria Hill grita e aperta um botão que me dá um choque. Acabo apagando.

[x]

Senti alguém pressionando o meu pescoço. Clareei a visão, desesperada, procurando ar.

— Como você pôde ser derrotada por um simples homem? – Loki me hasteou pelo pescoço.

— E-Ele não é um simples homem... É o Mago Supremo desta terra... – tentava me esclarecer, sentindo o fôlego se esvaindo.

— Falhaste, Clea. Agora tens uma nova missão... Quero que seduza e mate o Doutor Estranho! – ele finalmente me solta, deixando-me cair diretamente no chão.

— Preciso sair daqui para isso primeiro! – respondo-lhe.

— Usarás este teu rostinho bonito para convencer Strange que está arrependida e quer ser treinada por ele. – tocou em minha testa com o dedo indicador. – Colocar-te-ei um bloqueio para que ele não leia tua mente e descubra teu plano. Este homem é sentimental, ligeiramente cairá em tuas garras! – ri. – Basta que faças teu trabalho direito. – por fim, comigo ainda deitada no chão, me dá um chute no estômago.

Encolho-me sentindo a dor. Observo-o atravessar a cela, apontando para a câmera de segurança e manipulando as imagens, sumindo em seguida.

Notas finais
O que acham que ela vai fazer para dar continuidade ao plano do Loki? Será que Clea vai se arrepender? Será que vai querer continuar ajudando o deus da trapaça? Só saberemos isso no próximo capítulo rs