Redenção
3 Dia complicado
Notas iniciais
Recobrei a consciência só para sentir uma dor de cabeça excruciante, quase como se minha cabeça fosse partir-se em duas. Com um sobressalto, me dei conta de que não estava no meu quarto, mas sim em uma saleta branca, com uma poltrona ao lado da cama em que me encontrava deitada e um criado-mudo. Claro, eu desmaiei depois da partida. Céus, que humilhante. Não só eu perco a compostura por causa de uma pessoa que eu nem conhecia, como acabo sendo arrastada inconsciente para a enfermaria do instituto da guerra. Exatamente o que eu chamo de um 'ótimo' dia. Agora só faltava descobrir quem havia me levado para a enfermaria. E, claro, um meio de acabar com essa dor de cabeça infernal.
Ao me levantar da cama, dei conta de que não estava usando minhas próprias roupas, mas sim aquele tipo de roupão específico de hospitais. Sério, tem como isso ficar pior? Depois de encontrar minhas vestes e me trocar, sai da sala rapidamente, precisava encontrar uma aspirina urgentemente. Para minha surpresa, encontrei duas pessoas vindo ao meu encontro. Uma eu já esperava encontrar, Soraka, a Filha das Estrelas. A outra, bom, quase desmaiei de novo ao encarar o par de olhos verdes que me lembro de ter visto antes de apagar.
“Srta Riven, que bom que acordou. Irelia e eu estávamos mesmo indo ver como você estava. Como está se sentindo?" Soraka me perguntou gentilmente.
“Hã... Bem, não, mais ou menos, quero dizer. Minha cabeça está meio dolorida" Me obriguei a responder, o que não foi fácil, tendo em vista que no momento eu estava sendo analisada intensamente por Irelia, que mantinha um olhar educadamente interessado.
“Já imaginava, pelo estado que você estava quando chegou aqui... Irelia me disse que você não se sentiu bem após uma partida, então ela te trouxe aqui" Explicou a filha das estrelas. “Se você fizer o favor de voltar para a maca, eu realizarei um feitiço bem simples, que vai melhorar a dor na sua cabeça."
Mal disse isso e já me empurrou gentilmente de volta pra sala, sem me deixar digerir a ideia e nem dizer uma só palavra. Então, tinha sido a própria Irelia que havia me trazido até a enfermaria. Até parece ironia do destino. Enquanto realizava o tal feitiço, lançando uma névoa de cor dourada ao redor de minha cabeça, Soraka me explicava meu estado, brandamente.
“Quando você chegou aqui, aproximadamente uma hora atrás, estava ardendo em febre, e murmurando inquieta. Foi alguma coisa que deu errado com o feitiço de invocação?" Me perguntou de repente.
“Desculpe, mas se importaria se eu não respondesse essa pergunta?" Pedi de uma maneira meio suplicante, ao que ela parece ter entendido minha situação e assentiu, continuando com o feitiço.
Alguns minutos depois, a dor de cabeça já havia desaparecido quase por completo, sobrando apenas um latejar mínimo.
“Pronto, Riven. Agora você pode voltar para seus aposentos, mas se sentir algum incômodo novamente, por favor, volte a me ver, certo?" Sorriu gentilmente para mim, e se encaminhou para fora da sala.
“Obrigado, Soraka, e desculpe pelo incômodo." Respondi meio encabulada. Afinal, era minha primeira vez na enfermaria da liga, e eu ainda estava um pouco constrangida pelo acontecido.
Ao chegar no que parecia ser a sala de espera, percebi que Irelia ainda estava por ali, sentada em um dos bancos enquanto folheava uma revista qualquer. Pela educação, eu devia um agradecimento por ela ter me levado até a enfermaria. Mas no meu intimo eu realmente esperava que ela já tivesse ido embora. Contendo o súbito desejo de sair correndo dali, me aproximei lentamente dela.
" Hmm, srta. Irelia? Eu, hã... queria agradecer por ter me ajudado, e pedir desculpas pelo incômodo..." Ela me encarou sem dizer nada novamente. Apenas me encarou. Sua face inexpressiva. Mas os olhos não. Ela estava me analisando novamente. Só não sabia o por quê. Senti meu rosto esquentar levemente, ela era sempre calada assim? Depois de uns instantes me encarando, ela simplesmente suspirou, fechou a revista e se levantou.
" Só Irelia." Me disse, estendendo a mão em minha direção. Devo ter feito uma cara realmente estupefata, pois ela sorriu de uma forma quase imperceptível, e completou. " Me chame só de Irelia, não é necessário formalidades, Riven." Sua mão continuava estendida. Engoli em seco, sentindo o rosto esquentar mais. Me toquei que ela ainda esperava uma resposta, e eu não podia ficar olhando para ela como uma idiota. Segurei sua mão, meio hesitante.
“Hmm... Como quiser, hã.. Irelia." Respondi, ainda me sentindo desconfortável. Depois desse breve aperto de mãos, ela me olhou de uma forma mais intensa.
“Sobre ter te ajudado, não tem problema, qualquer pessoa teria feito o mesmo."
“Não um noxiano, pode ter certeza." Soltei sem pensar. Irelia riu baixo dessa vez, um riso meio zombeteiro, e na mesma hora, droga, senti o sangue subindo para meu rosto. Pra que essa porcaria de comentário?
“Verdade. Mas você teria feito o mesmo, não é? Logo se vê que você é uma noxiana bem incomum, Riven" Ainda sorrindo. Mas seu tom de voz me deixou um pouco intrigada. Soava como um desafio, de alguma forma.
“Ex-noxiana, na verdade. Eu sou uma exilada." Respondi firmemente. Falar sobre noxianos estava me trazendo os pensamentos sombrios de sempre, e eu me lembrei do porque estava na enfermaria agora. Minha mudança de humor não passou despercebida. Irelia aquiesceu, e suspirou.
“Sim, eu sei. Falando sobre isso, eu gostaria de ter uma conversa mais séria com você, se não se importar." Ela me fitou seriamente. Engoli em seco novamente, olhando para o relógio que marcava 17h25min. Até tentei pensar em uma desculpa para evitar aquilo, mas não deu tempo, pois ela continuou. “Eu sei que depois de tudo isso você deve estar querendo muito ir para seus aposentos, então porque não jantamos juntas? Te espero no hall do instituto as 20h, certo? Por favor, não recuse." Ela acrescentou, me olhando intensamente. Suspirei vencida e assenti. Mais um quase sorriso, e ela se foi, me deixando na enfermaria pensando no quão complicado esse dia estava me saindo.
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