Redemption

1 Conexões


Notas iniciais
Olá, babys. Mais um projetinho concluído! Eu sei, eu sei... ainda estou devendo o final da última Reylo que comecei (e sim, ainda vou terminar, prometo! sorriso amarelo). Mas enquanto isso não acontece, trago para vocês Redemption, uma história fechadinha, com apenas 7 capítulos, e pronta para ser devorada. Kylo Ren e Rey sempre me pareceram dois lados de uma mesma alma. E aqui, pude explorar o que acontece quando essa dualidade transborda para algo mais íntimo. Entre conflitos e reconciliações, luz e escuridão, eles encontraram algo que talvez a galáxia inteira tenha esquecido: esperança. Obrigada por embarcarem comigo nessa jornada curta, mas intensa. Que a Força esteja com vocês, sempre. 💙

Kylo Ren

Após o fim de mais uma batalha em um planeta qualquer, o céu permanecia nublado como se o próprio planeta se recusasse a testemunhar o que havia acontecido. Entre os destroços fumegantes de uma base abandonada, corpos caídos e silhuetas desfeitas de naves destruídas, Kylo Ren permanecia em pé, os ombros tensos e os dedos ainda firmes ao redor do sabre apagado. Não havia mais inimigos por perto. Não havia aliados.

Havia apenas ele, ofegante, com sangue seco no canto da boca e o peito queimando com uma sensação estranha.

A Força o envolvia de maneira inquieta, como se algo além da morte e destruição pulsasse em sua direção. Ele não precisou se virar para saber que ela estava ali. Não a escutou chegando, mas seu corpo respondeu antes que sua mente processasse: os músculos endureceram, a respiração vacilou por um breve segundo, e seus olhos buscaram instintivamente um ponto entre as sombras da floresta que circundava a base. Ela o observava. De novo.

Rey.

Ele não sabia o que o incomodava mais: a frequência com que ela o encontrava ou o fato de que ele não fazia nada para impedir isso.

Ela surgiu entre os galhos partidos, a expressão tensa e o sabre ainda em mãos, embora não ativado. Estava ferida no braço, o tecido da roupa rasgado e manchado, o cabelo solto grudado na pele suada e suja. Mas seus olhos estavam firmes como sempre. Determinados. Como se ele ainda fosse um inimigo a ser vencido.

— Acabou — ela disse, a voz baixa e grave, como se não houvesse sentido em gritar.

— Não pra mim — ele respondeu, sem desviar o olhar.

Era sempre assim. Nenhum dos dois precisava explicar como se encontravam. As conexões que surgiam entre eles vinham sem aviso e os arrastavam para esses encontros como marés inevitáveis. A Força os empurrava um para o outro, e embora nunca tivessem dito isso em voz alta, já haviam aceitado que não poderiam romper esse laço por mera vontade.

Ela se aproximou, sem ativar o sabre. Os olhos buscaram os dele, como se esperasse alguma mudança, alguma brecha de humanidade. Mas não havia máscara naquele momento, nem armadura. Apenas a face exausta de um homem em conflito, e o olhar de uma mulher que começava a compreender que o ódio por ele não era tão puro quanto gostaria que fosse.

— Por que você sempre vem? — ela perguntou, encarando-o.

Kylo abaixou os olhos por um instante. Não havia resposta simples para aquela pergunta. Ela sabia. E ainda assim, continuava a fazê-la, talvez porque não suportasse a verdade óbvia: ele vinha porque não sabia mais onde pertencia, e ela era a única constante em meio ao caos. Ele vinha porque, no meio de tudo que destruíra, Rey era a única que não desaparecia, que o via inteiro.

Ela estendeu a mão, como se hesitasse entre tocá-lo ou afastá-lo. Os dedos pairaram no ar, e por um momento, Kylo achou que ela recuaria, como tantas vezes antes. Mas então, para sua surpresa, ela deixou que a palma encostasse na lateral de seu rosto.

— Você devia me odiar — ele murmurou.

— Eu tentei — ela respondeu com honestidade.

Havia algo cruel naquela confissão, mas isso não deixava de parecer tão humano. Ele fechou os olhos por um instante, inclinando o rosto na direção do toque dela, como se fosse a única âncora que restava. O silêncio entre eles se estendeu, mas não era vazio. Era um tipo diferente de comunicação, o mesmo que já haviam experimentado antes, quando suas mentes se cruzavam pela Força como janelas abertas por acidente.

Aquela noite não terminou em confronto.

Ambos partiram para lados opostos sem dizer mais nada, mas com as mentes ainda entrelaçadas, como se carregassem um ao outro mesmo ao atravessar galáxias.

****

Nos dias que se seguiram, Rey voltou à Resistência como se nada tivesse acontecido. Não contou a ninguém sobre o encontro. Não revelou que, ao invés de enfrentá-lo, havia escutado sua respiração e tocado seu rosto de forma carinhosa.

A cada missão, ela evitava seus olhos nos relatórios holográficos, desviava conversas quando o nome Kylo Ren era mencionado, e trancava o próprio quarto para que ninguém visse como seus olhos ardiam sem motivo.

Mas havia noites em que ele voltava.

Não em pessoa, mas na conexão invisível que os ligava. Às vezes durante sonhos, outras, de maneira abrupta, como se fossem puxados um ao outro por alguma força que desafiava a lógica. E nessas ocasiões, ele estava diferente. Não como o líder implacável da Primeira Ordem, mas como um homem em conflito, cambaleante entre dois mundos.

— Você está se rendendo? — ela perguntou, certa vez, quando o viu sentado em um canto da mente compartilhada, o rosto escondido entre os joelhos.

— Estou cansado — ele respondeu, e o tom foi tão honesto que Rey sentiu o próprio peito se apertar.

— Isso não é o mesmo que se render.

Ele ergueu os olhos. Havia algo de estranho em ver Ben Solo por trás da sombra de Kylo Ren. Como se a casca começasse a se quebrar lentamente, revelando a verdade que ele passara anos tentando enterrar. E o mais perturbador era que, cada vez que isso acontecia, Rey deixava de querer impedir.

****

A frequência das visitas aumentou. Não por escolha consciente, mas porque parecia tão inevitável. O vínculo entre eles era mais do que mental, emocional demais para qualquer um dos dois evitar. No início começaram apenas a trocar palavras que não ousariam dizer em voz alta para outra pessoa.

Compartilhavam memórias, sensações, até dores físicas.

Rey sentia quando ele sangrava. Kylo escutava os pesadelos dela.

E, aos poucos, algo novo começou a crescer no espaço entre eles.

Não amor. Ainda não.

Mas um afeto doloroso e constante, como uma corda tensionada demais, prestes a se romper, e que, mesmo assim, nunca partia.

Era secreto. Era tão errado, mas era o único refúgio que ambos tinham.

****

Quando se encontraram novamente em físico, tudo pareceu real demais. Não houve batalha, não houve estratégia. Ele estava à espreita em um planeta neutro, e ela soube exatamente onde encontrá-lo. Não se cumprimentaram. Apenas se encararam, como se a ausência de palavras fosse o único idioma que compreendiam juntos.

Ela o abraçou.

E ele correspondeu.

Foi um gesto pequeno, silencioso, mas que quebrou qualquer defesa que ainda restasse. Naquele abraço havia dor, raiva, perda, saudade. Havia o luto por tudo o que poderiam ter sido e sabiam que nunca seriam. Havia a aceitação do que sentiam e a certeza de que não poderiam confessar isso para mais ninguém.

Depois disso, encontraram formas de se verem mais vezes. Não duravam muito. Às vezes só alguns minutos, mas nesses encontros, os toques se tornaram mais frequentes, os olhares mais prolongados, os silêncios mais densos. E, mesmo sem jamais falarem sobre isso, sabiam. Eles tinham caído, um no outro.

Irremediavelmente.

****

O fim começou com um simples olhar.

Em uma das raras vezes em que Rey o viu durante uma missão da Resistência, Kylo estava entre as sombras de uma nave da Primeira Ordem. Ele a viu e desviou o olhar.

Não entrou na conexão. Não deixou que ela se aproximasse.

Depois disso, desapareceu por dias.

Rey tentou chamá-lo pela Força. Gritou. Dormiu cercada por ansiedade, atravessou estrelas em busca de qualquer sinal.

Nada.

E quando ele voltou, era tarde demais.

Eles se encontraram em uma das visões compartilhadas. Mas ele estava diferente. Distante. Como se tivesse fechado as portas por dentro.

— O que você está fazendo? — ela perguntou, sufocando o desespero.

— Protegendo você — ele respondeu.

— Me afastando?

— Me condenando.

Ela avançou até ele. O rosto de Kylo estava sério, imóvel, mas os olhos traiam. Medo e tristeza.

— Isso não é justiça, Ben.

— Não é justiça. É punição.

— Por amar?

Ele não respondeu.

Ela segurou seu rosto entre as mãos. E então sussurrou, quase inaudível:

— Então me deixe sofrer com você.

— Não.

Foi a última coisa que ele disse antes de desaparecer.

Rey chorou. Não na frente de Finn. Nem de Poe. Nem de ninguém.

Ela chorou sozinha, trancada, sabendo que a conexão ainda existia, mas que ele se recusava a atravessá-la. Ele havia partido, não porque a odiava, mas porque a amava demais para arrastá-la com ele.

E, por mais que isso a ferisse, ela compreendia.

Eles estavam destinados a se amar no silêncio. A se buscar nas margens. A se lembrar nas entrelinhas.

E era isso que mais doía.

Saber que estavam um amando o outro e mesmo assim, sozinhos.


Notas finais
Até breve.