Redemption
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Katsuya estava certo sobre a família receber bem a chegada de Mikaru, ao ponto de deixá-lo constrangido com toda aquela atenção. O irmão de Takeo estranhou o pedido sobre ficar em seu apartamento por alguns dias, mas não negou o favor, assim como também não fez muitas perguntas. Ele respeitou seu espaço para falar ou não, caso quisesse. A família Kurosaki fez o completo oposto, questionando se o que leram no jornal era verdade, se ele estava bem, se aconteceu algo mais grave e não noticiaram. Só deram espaço para Mikaru respirar quando Katsuya confirmou que estava tudo bem e que teriam tempo de averiguar depois, já que o namorado iria morar ali. O tempo de estadia não foi mencionado, deixando Mikaru inquieto, já que não planejava incomodar a família por muito tempo.
Dada a notícia, Mikaru esperava olhares surpresos e irritados em sua direção, indicando que sua presença ali não era bem vinda, mas ter a sogra brigando por não avisarem antes, para que ela pudesse arrumar o quarto, foi uma boa surpresa. O sogro deu-lhe tapinhas no ombro, apenas acenando de forma positiva, o que Mikaru encarou como um bom sinal. Mayu foi quem mais mostrou animação, dizendo que faria um jantar especial para comemorar, mas o que iam celebrar exatamente ele não sabia, já que sua vida não estava lá uma boa festa.
Katsuya não precisou apresentar a casa para o namorado, apenas informando que podia ficar à vontade, não como ele fazia durante as visitas, mas como se fosse sua própria casa. Ao chegar ao quarto, Katsuya sorriu satisfeito por uma aquisição recente e que viria a calhar naquele momento e não passou despercebida por Mikaru.
— Você trocou a cama…
— Sim. Agora não precisamos nos apertar em uma de solteiro.
— Eu mexo tanto assim? – Mikaru questionou preocupado, mas sabia que Katsuya não ia reclamar. Ele raramente se irritava com algo que fazia ou falava.
— Um pouco, mas agora vai ser mais confortável. – Katsuya sentou na ponta da cama, puxando Mikaru pela mão, a seguir deitando com ele ao seu lado – Você está bem mesmo?
— Estou…
— Pode chorar se quiser.
— E por que eu iria chorar? – Mikaru encarou-o incrédulo, negando com um aceno.
— Bom, você perdeu tudo… é normal se sentir triste…
— Eu não perdi você.
A conversa cessou de uma vez, deixando o clima estranho para um e vergonhoso para o outro. Mikaru ergueu o olhar, encarando o namorado que encarava o teto.
— O que houve?
— Ah… nada. Você me pegou desprevenido. – Katsuya sorriu sem graça, apertando-o num abraço – Eu sei que às vezes ainda me considera uma criança, mas eu falei sério sobre cuidar de você. Estava pensando durante o caminho pra cá, você pode continuar trabalhando, algo informal… porque duvido que vai ficar parado até o problema da empresa se resolver…
— Não vou mesmo. Se não tiver com o que ocupar a mente, eu vou surtar. E a empresa já era, não tem como resolver, exceto as pendências e processos.
— Bom… como você gosta mais da parte de arquitetura, podia trabalhar no ramo, divulgar para seus conhecidos, oferecer o serviço… o processo da empresa não te impede disso.
— Talvez seja difícil abrir outra empresa…
— Por isso seria informal. Pensei em liberar aquela sala da frente na clínica pra você usar, eu quase não fico nela. Quando puder oficializar o negócio, podemos colocar uma placa naquela parte, reformar e abrir uma porta na frente.
— Pensou nisso tudo enquanto vínhamos pra cá? – Mikaru encarou-o, sem acreditar. O rapaz não era do tipo que planejava antes de fazer. Isso sem contar a segunda parte da oferta, sobre reformar toda a sala para ser o seu local de trabalho. Katsuya realmente queria mantê-lo ali, para morar por um longo tempo. Não queria pensar naquilo agora…
— Sim… acha uma ideia ruim?
— De forma alguma. Seria bastante viável, se não for te atrapalhar. E não precisa liberar toda a sala, basta uma mesa.
— Eu posso conseguir isso pra você.
— Hmm… acho que sua imagem como uma criança se despedaçou de vez. – Mikaru se virou de frente para Kurosaki, acomodando melhor no abraço enquanto se aproximava – Eu sei que vai cuidar bem de mim.
Foi inevitável que um beijo se iniciasse. Depois de tantos dias sem se verem, sem se tocarem, com todos aqueles problemas rondando, toda a tensão acumulada, agora podiam acalmar e relaxar nos braços um do outro.
* * *
Shiroyama retornou para a cafeteria após deixar os amigos em casa, aliviado por tirar aquele peso das costas. Estava preocupado com Mikaru, mas agora que sabia que Katsuya cuidaria dele, podia relaxar.
Depois, é claro, de explicar o que aconteceu para o namorado que o esperava ansioso.
— Eu te falei que ele não estava no meu guarda-roupa! – Takeo começou a contar no típico tom de brincadeira, na esperança de não ser apontado como cúmplice ou errado na história.
— Estava no do seu irmão… e não foi você quem deu a ideia?
— Claro que não! Acha que eu ia ficar procurando igual louco se já soubesse onde ele estava? Imaginei que fosse algum lugar óbvio, mas não tanto!
— Hmm… – Hayato resmungou ainda cutucando o lábio num tique nervoso. Estava preocupado com o amigo, mas também chateado por Mikaru não ter confiado neles – Mikaru contou o que fez com a cafeteria?
— A sociedade? Contou… passou a parte dele pra mim e pro Katsuya. – Takeo desviou o olhar, mas não conseguiu conter o comentário que veio a seguir – Você sabe que tem parte na culpa, não é? Assinou sem ler.
— Está defendendo ele? Se eu assinei sem ler foi por confiar em algo que passou nas mãos dele primeiro! Como eu não confiaria no meu sócio? Como ia adivinhar que ele me enganaria dessa forma?
— Na cabeça dele estava protegendo a cafeteria de ir pra leilão ou algo do tipo. Não acho que foi certo fazer sem falar com a gente antes, mas parece que ele fez às pressas.
— Certo, agradeço a preocupação, mas o que custava mandar uma mensagem contando o que fez? Uma ligação teria resolvido isso! – Hayato caminhou pela sala da gerência, indignado com a atitude do sócio. Se sentia péssimo por imaginar que confiou em alguém que não merecia.
— Pois é, ele podia ter avisado… ia amenizar muito a dor de cabeça, mas agora já era.
— Se importa de parar de defender seu amigo?
— Não estou defendendo, Hayato! Só acho que ele teve os motivos dele e você tem os seus pra estar chateado.
— Claro que tenho. Ele traiu minha confiança. Se eu soubesse que ele ia fazer isso, nunca teria chamado pra ser sócio.
— Nesse caso, talvez o café não tivesse saído do papel… – Takeo mal terminou a frase e ergueu as mãos em sinal de paz, visto o olhar enfurecido em sua direção. Era melhor não apoiar nada que viesse de Mikaru – Ele fez mais alguma coisa pra te deixar assim?
— Não… bom, tudo na verdade. Eu confiei nele, tento mostrar que somos amigos, chamo para os nossos jantares, tento dar conselhos na relação com o Katsu, e como ele retribui? Fazendo chacota com tudo que é importante pra mim! Estamos juntos nessa sociedade há tanto tempo e ele ainda age assim! Eu me sinto tão idiota, mais ainda por me importar e me preocupar com ele.
— Vem cá. – Takeo acenou num chamado, envolvendo-o num abraço – Você tem razão de estar chateado. Mikaru gosta de se fazer de difícil, principalmente com você. Gosta de te implicar. Mas também gosta da cafeteria, ou não teria se preocupado em nos ajudar.
— Hm… eu sei… mesmo assim… – Izumi suspirou frustrado, negando com um aceno – Acho que é pedir demais um pouco de consideração vindo dele. Parece que estou confiando nas pessoas erradas…
— Não está. Ele que não sabe dar valor.
— Isso inclui você. – Hayato comentou após um instante, menos abatido do que parecia minutos atrás – Como sai correndo atrás do Mikaru e não me leva?
— Só cabem dois na moto! – Takeo comentou indignado – Katsuya precisava ir pra convencer ele.
— Seu irmão não estava aí? Podia ter pegado o carro emprestado e deixado a moto com ele.
— … não pensei nisso… Ok, te levo lá pra puxar a orelha dele depois.
— Claro… vamos ver se vou ter tempo pra isso. Agora que a cafeteria está praticamente nas nossas mãos, acho que meu serviço vai aumentar.
— Vai mesmo, porque não entendo muito da parte que ele era responsável. – Takeo abriu um sorriso sacana, nem um pouco envergonhado por deixar a administração da cafeteria nas mãos do namorado. Iria ajudar com o que pudesse, mas Hayato estava mais preparado para tomar a frente.
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