Redemption
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Conseguir o telefone dos pais de Mikaru foi fácil. Kojima ficou receosa de passar num primeiro instante, mas entendia a preocupação de Katsuya e avisou-o para não alimentar esperanças.
Katsuya só entendeu a última parte depois que o telefone foi desligado na sua cara diversas vezes. Foi atendido na primeira tentativa, mas quando se apresentou como namorado de Mikaru e pediu notícias dele, o homem simplesmente desligou, sem dar chances para explicar nada.
O rapaz ajudou Shiroyama com as buscas pelos hotéis, mas nenhum passava informação e quando passava, era apenas para confirmar que aquela pessoa não estava hospedada com eles.
Hayato continuou tentando nos restaurantes durante o dia seguinte, mas sem resultados, o que era esperado. Se Mikaru queria se esconder, ele não ficaria passeando em locais públicos onde seria identificado facilmente.
Em outra conversa com Kojima, Katsuya foi instruído a tentar falar com as decoradoras que costumavam trabalhar para Mikaru e alguns dos supervisores mais antigos da empresa, mas ao mesmo tempo em que ela tentava encorajá-lo, era possível notar que estava receosa, talvez por conhecer bem o chefe ao ponto de saber que ele não confiaria naquelas pessoas.
— Sinto que não estamos saindo do lugar… – Katsuya lamentou, reunido com o casal de amigos na gerência da cafeteria – Já procuramos em todos os lugares que sabemos que ele frequenta e nenhum sinal! Como alguém pode sumir sem deixar rastro?
— Dinheiro? – Hayato sugeriu o óbvio, estando um pouco distraído com alguns papéis que o contador trouxe mais cedo – Ele pode pagar qualquer um pra escondê-lo…
— A empresa dele faliu, lembra? – Takeo soltou uma risada irônica, grato pelo amigo não estar presente para vê-lo rir de sua desgraça – Acho que ele não vai sair extravasando muito por esses tempos.
— Mas o que… isso não está certo… – ignorando o comentário do namorado, Hayato separou um documento dos demais, lendo-o por inteiro, confuso pelo conteúdo. Tinha sua assinatura ali, junto à de Mikaru, mas ele não se lembrava de assinar.
— Algum problema? – Takeo se inclinou sobre a mesa para ver do que se tratava, mas a atenção dos três foi chamada para uma batida na porta.
— Shiroyama-san, estão te chamando lá em baixo. – Miura avisou após entreabrir a porta.
— Eu? Certeza? – Takeo riu enquanto se levantava, acompanhando a supervisora para fora da sala. Era raro o chamarem ao invés de Hayato, já que o namorado sempre tomava a frente da cafeteria junto com Mikaru.
— Katsu… lê isso aqui e confirma que não entendi errado…
Kurosaki estranhou, mas não negou o pedido. Ele trabalhou algum tempo no café, tanto como atendente quanto auxiliando na supervisão e Mikaru o ensinou o suficiente para ajudar Izumi em algumas questões. Pegou o documento que lhe era estendido e começou a ler, entendendo o motivo da estranheza, mas sem ter certeza da veracidade da informação.
— Doação? Mas… ele pode fazer isso? Está com data do começo do mês…
— Ele não tinha comentado nada com você? Eu não lembro de assinar isso, mas o contador me entregou com os papéis de hoje e realmente é minha assinatura!
— Não me falou nada… – Katsuya parecia horrorizado, mas vindo do namorado, podia esperar qualquer coisa – Por que ele faria isso?
— Será que ele já sabia sobre o problema da empresa e se adiantou?
— Mas se Mikaru sabia, por que não tomou providências para evitar? Tenho certeza que ele conseguiria pensar em alguma saída!
— Vamos ter que perguntar quando ele-
— Katsuya, você vem comigo, agora! – Takeo invadiu a sala, recolhendo a carteira e a chave da moto pelo caminho, ignorando os olhares surpresos.
— O que houve? – Hayato questionou preocupado, deixando o papel de lado um instante.
— Eu descobri onde Mikaru está. E nós comentamos que era óbvio! Mas nunca pensei em procurá-lo ali!
— Ali onde? Vai trazê-lo pra cá?
Ao ouvir o nome do namorado, Katsuya não perdeu tempo em se levantar e seguir o guitarrista. Queria saber o que aconteceu, ouvir que estava tudo bem e também confirmar com os próprios olhos.
— Vai depender do Katsuya convencer ele a vir pra cá ou pra casa dele, mas precisamos saber porque ele está se escondendo também! Eu te conto melhor depois!
E sem maiores explicações Shiroyama saiu apressado da sala, acompanhado de Kurosaki, deixando Hayato encarando a porta fechada.
— E pensar que ele tirou a cafeteria da reta… – precisava confirmar com o contador a veracidade do documento, mas vindo de Mikaru, tinha certeza que estava tudo certo. O sócio não fazia nada levianamente. Precisava agradecê-lo por isso.
* * *
Katsuya não se lembrava de andar de moto com Shiroyama antes e lembrava menos ainda de Izumi reclamar sobre o outro ser um pouco imprudente e correr demais, contudo, vindo dele, era esperado algumas atitudes irresponsáveis. Talvez fosse a urgência da situação, mas se arrependia de não ter pego o carro do pai emprestado para ir até a cafeteria e agora dependia do amigo para se locomover.
— Como descobriu onde Mikaru está? – Katsuya precisou elevar um pouco a voz para se fazer ouvir através do capacete.
— Meu irmão. – explicou Takeo – Ontem pedi pra ele comprar alguns equipamentos pra minha guitarra e agora a pouco ele comentou sobre a situação da empresa. Perguntei se ele tinha visto novas informações na TV e jornais, mas ele disse que só sabia o que tinha ouvido do Mikaru mesmo.
— Eles se encontraram por esses dias!
— Foi o que eu pensei. Aí perguntei quando foi a última vez que se viram e ele disse que foi hoje cedo. Ele está escondendo o Mikaru!
— Espera… Seu irmão?
— Sim! Eu sei que eles se conhecem, mas não sabia que Mikaru confiava nele a esse ponto! Mikaru parece ter dito a ele que contou onde estava pra quem achou necessário, o que não foi uma mentira, porque aquele filho da mãe não quis contar pra ninguém!
— E a gente sofrendo pra ter qualquer rastro…
— Ele está lá desde que soube o que aconteceu com a empresa. Muito esperto!
— Será que conseguimos fazer ele sair de lá? Ir pra minha casa ou pra sua, o que ele achar melhor… – Katsuya estava feliz por encontrar o namorado, mas também receoso. Não queria obrigá-lo a ir consigo, mas queria protegê-lo. E se Mikaru achasse que era mais seguro ficar onde estava, então teria que aceitar.
— Isso vai depender de você. Vamos ouvir os motivos dele, mas acredito que você consegue convencer. Não é bom deixá-lo sozinho por muito tempo. – Takeo estacionou em frente ao prédio, conferindo se a chave emprestada pelo irmão ainda estava no bolso – Além disso, ele não pode ir pro meu apartamento. Hayato já deu sinais de estar com ciúmes, insinuando que escondi ele no meu guarda-roupa. Acredito que seja só pra chamar atenção, mas prefiro não testar.
A dupla pegou o elevador, cessando a conversa por um instante, cada um perdido em seu próprio pensamento. Takeo ainda não acreditava que o irmão escondeu aquela informação, enquanto Katsuya repassava o que podia usar como motivo para fazer Mikaru acompanhá-lo. Sabia que o namorado queria um lugar seguro e a clínica sempre tinha gente andando pra todo lado, mas ninguém entraria na casa sem a chave.
Shiroyama destrancou a porta com cuidado, acenando para Kurosaki segui-lo, entrando o mais silenciosamente que pode. Queria pegar o amigo no flagra e surpreendê-lo, sem dar tempo de inventar desculpas. Katsuya achou desnecessário tanto suspense, mas seguiu sem contestar.
A casa estava silenciosa, mas sabiam que não estava vazia. Não precisaram procurar muito para localizar quem procuravam. Mikaru ocupava um lugar na mesa da cozinha, digitando algo no notebook. O olhar dele foi atraído pelo movimento na porta e sua expressão se fechou ao notar quem entrava no cômodo.
Havia sido descoberto mais rápido do que imaginou.
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