Redemption
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Katsuya não tinha a menor intenção de ficar sentado esperando notícias e não ia deixar Takeo impedi-lo de procurar. Saber que a irmã saiu à sua frente já o incomodava o suficiente, ficar sem fazer nada era impensável! Contudo, Hayato expôs a dúvida que o impossibilitava de sair procurando sem rumo:
— Por onde começamos a procurá-lo?
— Se o pai está envolvido, será que Mikaru não foi atrás dele? – questionou Katsuya, sem fazer a menor ideia de onde encontrar os pais do namorado. Nunca viu os dois antes, nem por fotos. Mikaru se negava a mostrar e evitava falar deles.
— Duvido muito… eles não se dão bem. – explicou Takeo, ciente dos motivos – Sem falar que eles moram em Kyoto, até onde me lembro… acho que não se mudaram pra cá.
— Não seria mais um motivo pra ir atrás? – Katsuya continuou tentando ver as alternativas – Acertar as contas e sair da cidade?
— Ahm… não sei… – Takeo coçou a nuca nervosamente, dando de ombros. Pessoalmente, ele evitava contato com a própria família, mas não sabia se o amigo havia mudado de opinião com o passar dos anos. Aquele era um assunto que evitavam sem esforço nenhum – Podemos pedir o telefone deles pra Kojima, ela deve ter. Eu não tenho, nunca pedi.
— É melhor que nada… temos um rumo pra começar… – Katsuya suspirou longamente, mas ainda não era hora de relaxar – E se ele não estiver lá, o que fazemos a seguir?
— Ligar pra todos os hotéis perguntando se Mikaru fez reserva? – Takeo sugeriu sem pensar muito, mas a ideia soou idiota até para seus ouvidos. Duvidava que os funcionários passariam esse tipo de informação.
— Fora de cogitação. – barrou Hayato – Tem noção de quantos hotéis tem na cidade? Podemos ligar a semana toda e ainda não chegaríamos na metade da lista.
— Bom, vamos atrás apenas dos cinco estrelas, o que acha? Ele não ficaria em qualquer lugar.
— Você conhece ele melhor, Takeo… se acha que é uma boa ideia, não custa tentar. Podemos ir em restaurantes que ele costuma frequentar. Perguntar se ele apareceu por lá, quando foi a última vez que o viram… talvez a gente consiga algum rastro. – sugeriu Hayato, tentando ser mais racional que o namorado. Estavam numa cidade enorme; seria procurar uma agulha no palheiro.
— Ótimo! Eu vou atrás dos hotéis, Katsuya liga pra Kojima e pros pais dele e Hayato vai nos restaurantes.
— E depois? – questionou Katsuya, ainda preocupado – A ligação vai ser rápida… acha que é uma boa ideia ir em lugares que a gente frequenta? Não sei se ele sairia a passeio… mas eu preciso fazer alguma coisa!
— Você pode me ajudar com os hotéis. – Takeo ofereceu, entendendo a angústia do rapaz. Ele também estava apreensivo, mas torcia para que nada de ruim tivesse acontecido – Pergunte a Kojima sobre pessoas que trabalham com Mikaru com frequência, talvez alguma delas tenha notícias ou esteja ajudando ele… veja se ela aponta alguém que ele considera de confiança…
— Vou tentar… mas é tão estranho imaginar ele confiando em alguém que não seja um de nós três… – Katsuya remexeu-se incomodado por notar aquela lacuna entre eles. Não conhecia outros amigos do namorado, não sabia nem se eles existiam. Nunca pensou muito a respeito e sempre achou que Mikaru estava feliz por ter pelo menos Shiroyama e Izumi, mas agora, visto a situação, desejava que ele tivesse mais alguém em quem confiar.
— Hei, um voto de confiança cairia bem! – mesmo diante do desânimo geral, Shiroyama ainda tentou motivar o rapaz – Mikaru conhece muita gente, vai achar alguém legal pra ajudar! Não tão legal quanto a gente, mas vai servir!
Izumi lembrou o grupo que eles não podiam demorar muito. Precisavam voltar para a cafeteria para resolver algumas pendências e iria intercalar o trabalho com as buscas. Começaria a sondar alguns lugares que sabia que Mikaru frequentava, mas precisaria da ajuda de Takeo, já que ele conhecia melhor o amigo. Katsuya disse que ia encontrar a irmã no meio do caminho e passaria na frente da casa de novo, confirmar se tinha mesmo muita gente estranha por perto e depois iria falar com Kojima. Estava com medo de falar com os pais do namorado, mas não era hora de ter receios.
Takeo despediu-se do rapaz, dizendo que ligaria assim que tivesse qualquer notícia, mas pediu novamente para Hayato seguir na frente, para sondar se era seguro sair e só então caminhou para fora da clínica, apressando-se até sua moto.
* * *
Após Hayato puxar uma lista de telefone e se postar no sofá para começar as ligações, Takeo tomou conta do computador, pronto para filtrar todos os hotéis cinco estrelas da cidade. Ia virar a noite, tinha quase certeza, procurando numa cidade tão grande quanto a que moravam, mas precisava começar por algum lugar. Não havia desistido de ligar e mandar mensagens para o celular do amigo, mas ainda continuava sem resposta, então realmente precisava tentar do modo difícil.
Alguma coisa naquela situação toda o incomodava muito, mas não sabia dizer o que era. Como se estivesse esquecendo algo importante. Algo bem diante de seus olhos. A resposta para as buscas estava debaixo de seu nariz…
Katsuya mandou uma mensagem pouco depois que o casal chegou ao café, confirmando o movimento suspeito na rua da casa de Mikaru. Ali era um setor residencial de classe alta, era raro encontrar pessoas caminhando a pé, mas não impossível e, naquela tarde, a rua parecia bastante cheia, quase como um centro comercial.
Hayato ligou para alguns restaurantes que o grupo costumava frequentar, e vários atendentes se lembravam de Mikaru, outros não faziam ideia de quem era, mas ninguém soube dizer a última vez que foi visto, já que o movimento era grande nesses lugares e nem sempre perdiam tempo memorizando rostos e frequência das visitas.
Takeo também não estava obtendo muito sucesso, mas já esperava por isso. Era contra a ética profissional passar informações como o nome dos hóspedes e quanto tempo ficariam. Pensou em outra tática, onde ligaria fingindo ser Mikaru, cancelando sua reserva, para então descobrir se havia sido feita no local ou não, mas isso implicaria em ligar novamente para alguns dos hotéis e, lá no fundo, sabia que era uma tentativa falha.
— Não aguento mais… – Izumi murmurou enquanto massageava a garganta, sentindo que, se continuasse naquela tarefa, logo ficaria rouco. Não estavam indo para lugar nenhum! Estava preocupado com Mikaru e mais ainda com Katsuya, pois sabia o quanto o rapaz se importava com o empresário. Se fosse ele no lugar, certamente estaria desesperado atrás de Takeo.
— Está bem complicado… – Takeo reclamou enquanto se levantava da frente do computador, espreguiçando e se aproximando do namorado – Vou pegar chá pra você. Quer bolo?
— Por favor…
Jogando-se no sofá e encarando o teto, Hayato tentou se colocar no lugar de Kazunari. Se precisasse fugir e se esconder, pra onde ele iria? Caso não morasse com Takeo, ele seria a primeira opção, é óbvio. A casa dos pais também seria uma boa escolha, mas Mikaru tinha alguns desentendimentos com os pais, por não aceitarem sua sexualidade e nem sua escolha de profissão, então tinha certeza que ele não iria pra lá. A seguir viria a casa de algum amigo ou parente de confiança. Hayato tinha o primo e a tia na cidade, os amigos da antiga banda na sua cidade natal, mas não fazia a menor ideia de quem o empresário iria procurar, além de Takeo ou Katsuya.
E se Mikaru simplesmente estivesse parado, dentro do carro, no meio do nada, em alguma estrada que levava a outra cidade?
Dizem que quando se está perdido, o melhor a fazer é não sair do lugar, até que alguém o encontre. E se esse fosse o caso? Se ele estivesse apenas esperando? Mikaru talvez não fosse tão irresponsável assim e não costumava se desesperar para tomar decisões, mas sempre havia uma primeira vez.
— Está dormindo? – Takeo aproximou-se do sofá, sentando na mesinha de centro e colocando o lanche de lado – Se quiser ir pra casa descansar, eu assumo daqui.
— Vou ficar com você, só preciso fazer uma pausa. – Hayato voltou a se sentar, aceitando o chá e tomando um longo gole – Você também tem impressão que o Mikaru está num lugar óbvio?
— Hmm eu pensei nisso… porque ele não tem muitas opções pra onde fugir. Só que a gente já olhou em todos esses lugares, não é?
— Eu não olhei dentro do seu armário ainda…
— Hei! – Takeo não sabia se ficava indignado ou se ria. Se não estivessem falando de Mikaru, seria um bom esconderijo.
— Ele confia em você. Tenho certeza que ia aceitar se esconder lá se você oferecesse.
— Com ciúmes, é? Eu deixo você se esconder lá também.
— Não estou com ciúmes. – Hayato encolheu-se amuado no sofá, encarando o sorriso sacana do namorado, que ainda era bem visível. Takeo estava provocando e era melhor não cair em sua lábia – Talvez um pouco… quero ser compensado por isso e por estar ajudando a procurar o loiro ranzinza.
— Ok, te compenso em casa, depois que você conferir meu guarda-roupa e ver que não tem ninguém lá.
E Hayato realmente conferiu quando retornaram para o apartamento após o fechamento da cafeteria.
Fale com o autor