Redemption
1 Beba
Notas iniciais
A fumaça se dispersava aos poucos. Suas mãos agiam com rapidez, o sorriso surgia aos poucos como se culpasse. Como se o fantasma de Ronald ainda estivesse ao seu lado.
Harry saiu da bancada e me estendeu uma caneca, bolsas arroxeadas circundando seus olhos.
— Kingston está demorando.
Fechei os olhos rapidamente e esbocei um sorriso. Kingston não viria.
Cinco anos se passaram com a rapidez de minutos. Harry sentou-se ao meu lado, sua xícara fumegando e fazendo com que o Largo Grimmauld parecesse ainda mais lúgubre. Esta era sua casa. A Única em que poderia viver, porém nunca esquecer-se. Perguntava-me se em dado momento ele aceitaria minha oferta de mudar-se comigo para Godrics Hollow.
A estúpida esperança se dissipava junto com o chá em minha mão.
Arrastei meus saltos por alguns segundos no carpete empoeirado esperando que qualquer outra palavra saísse de suas bocas.
— Prendemos alguns remanescentes há cerca de uma semana.
Ele esboçou outro sorriso, como se fizesse pouco do feito. E eu compreendi naquele momento que qualquer feito do Ministério pouco lhe importava. Não mais.
Harry tomou nossas xícaras e depositou-a no sofá surrado. Suas mão percorreram os nós roxos em minhas mãos.
— Tire o casaco.
Obedeci.
Aos poucos os hematomas em minhas mãos em antebraços foram se mostrando.
— Creio que a varinha não seja lá de muita utilidade nesse momento.
A raiva crescente encheu meu peito novamente.
— É assim que você trata dissidentes?
Eu ri.
— Ossos do ofício, Potter. Creio que você entende.
Harry suspirou profundamente e encostou levemente a cabeça em meus ombros.
— Temo que seus métodos não sejam lá muito humanistas.
Observei novamente os nós e arranhões em meus punhos. Humanidade era algo que perdi junto com o Obliviate que lancei contra meus pais.
— Ela tem 7 anos agora. Zoe.
Sua cabeça inclina-se em minha direção. Consigo sentir seu cheiro e meu desespero aumenta.
— Acabou, Hermione. Está na hora.
Minhas mãos deslizam sobre sua pele e descansam lá.
— Acabou Harry. É hora de voltar para casa.
— Esta é minha casa.
Sua postura rapidamente se ajeita para longe do meu toque.
Permito-me dar uma olhada ao redor de decrépita casa. Candeeiros a gás e um lustre coberto de teias de aranha, que, assim como os castiçais tem a forma de serpente continuam à me dar arrepios. Todos cobertos em poeira, uma pista de que Molly Weasley não o visita à tempos o Largo.
Um arrepio sobe minha coluna e o temor reaparece. É certo que ele ficará lá até que se torne parte da casa. Parte da culpa. Harry vira o rosto para mim novamente, desta vez os olhos verdes parecem de fato cansados. Meu rosto encontra o dele, nossos lábios se tocando rapidamente antes que ele me afaste com certa relutância.
Este é Harry. O que remanesceu.
Suas mãos encontram as minhas e xícara de chá volta à elas.
— Beba.
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