Rede De Segredos

38 Capítulo 34 - Parte I


Notas iniciais
Olha só quem voltou! Sim, minha gente! Isso mesmo! Eu disse que não sumiria mais! U_U Queria agradecer as minhas leitoras lindas que comentaram o último capítulo! Seus elogios e considerações são um combustível e tanto! Obrigada! Capítulo dedicado a Eve, por sempre ser tão prestativa e disposta com RDS! Muito, muuuito obrigada! E também dedicado a Nat, pelas coisas que me disse hoje em forma de ameaças! Sem mais delongas, vamos ao capítulo!

Ele acendeu o cigarro.

Odiava fumar, mesmo que precisasse. Fazia-o apenas quando estritamente necessário. Quando não havia outra saída.

Outra saída... Bufou, irritado. Odiava o termo. Soava como se estivesse preso em alguma espécie de armadilha. Como se não pudesse lidar com suas próprias questões com a calma e racionalidade que lhe eram intrínsecas.

Odiava fumar e odiava admitir que fumava.

Porque era uma necessidade, um vício. Um ato não muito condizente com a pessoa fria e equilibrada que ele era.

Ele não poderia precisar de um vício, mas mesmo assim, precisava.

E dessa vez, estava fumando de novo por culpa dela.

Diogo Bertolazzo deu uma longa tragada e então apagou o cigarro no cinzeiro de prata com força exacerbada quando o rosto da mulher avultou sua mente.

Limpou o cinzeiro rapidamente, limpando as cinzas e o resto do cigarro. Olhou em volta, certificando-se de que a cozinha estava em sua perfeita ordem.

Tudo limpo, branco, translúcido... Cirúrgico.

Como ele em seu trabalho.

Sua casa nada mais era que uma extensão da perfeição que Diogo Bertolazzo idealizara de si próprio e de seus serviços. Uma perfeita metáfora.

Caminhou a passos largos até um dos quartos da casa, adentrando-o. Olhou para as diversas fotos em cima da mesa, encontrando-a no meio dos rostos.

Maldita mafiosa do nariz em pé.

E pensar que quase a invejara. Sua posição, sua patente, sua forma de trabalho. Mas ele, Diogo, não poderia invejar ninguém. Isabella Swan sempre seria presa à máfia. Ele não... Era um pássaro livre. Não trocava aquela liberdade por nada no mundo.

Como ela descobrira sobre Atlanta? Como ela ousara manipulá-lo usando aquilo?

Não ficaria por menos.

Sabia o que tinha prometido e não voltaria atrás. Não mataria Edward Masen, como Charles Swan o contratara para matar. Ainda. Aceitaria o acordo da mafiosa por ora, mesmo que a questão fizesse seu estômago embrulhar.

Não poderia vacilar. A informação não poderia vazar.

Mas saberia a hora certa de atacá-la. E poderia demorar, ele não tinha pressa. Seria extremamente devagar e cauteloso, porque Isabella era uma oponente perigosa. Era uma oponente à sua altura. Ambos eram cobras peçonhentas, mas quando ele atacasse... Ela não saberia de onde viera. E ele a engoliria. Ele a engoliria viva.

Ela iria pagar.

Analisou a parede do seu quarto branco. Era ali que trabalhava em suas missões. Era ali que descobria tudo sobre suas vítimas. E a vítima da vez era Isabella Swan.

Pegou quatro retratos, colando-os na superfície do quadro grande e branco que ocupava o centro do quarto. Dois homens e duas mulheres.

Posicionou o retrato de Isabella no centro da lousa, traçando linhas com a caneta apropriada até as outras três fotos. Escreveu o nome das pessoas embaixo de cada uma delas. Alec Swan. Alice Bradon. Agente Edward Masen.

Agente Masen...

Diogo coçou o queixo perfeitamente barbeado. O que aquele homem tinha que fez com que a mafiosa enfrentasse a ordem do próprio tio para que ele continuasse vivo?

O sorriso irônico moldou-se aos poucos nos lábios finos enquanto lembrava-se de Atlanta. Não... Será? Era muita coincidência.

O sorriso abriu-se ainda mais.

Quando chegasse a hora, por quem começaria? Quem morreria primeiro?

Ele já tinha a resposta e o faria da maneira mais dolorosa para a mafiosa. Uma crescente de perdas.

Mal podia esperar para riscar aquelas três fotos com um “X”.

Alvo eliminado.

Mas seria paciente, como sempre o era. Seria racional sobre aquilo como em todas, ou quase todas, as outras missões. Todas exceto por uma: O Caso de Atlanta.

Ele adquirira a excelência, e não importava quem Isabella Swan era, não importava o quão boa ela fosse.

Ela iria cair. Ele a faria cair.

~-~

Edward se inclinou para beijar a testa de uma Isabella ainda adormecida, admirando o modo como ela parecia relaxada e em paz enquanto dormia. A pele branca contrastava com os cabelos negros que estavam espalhados pelo travesseiro, o rosto de boneca quase sereno, nenhum vinco entre as sobrancelhas, nenhuma ruga que denunciava algum tipo de tensão latente. Parecia um anjo. Talvez fosse naquele momento que a linda menininha da foto que ele carregava assumia o controle. Quando a mafiosa estava adormecida.

O homem sorriu, acariciando levemente a maçã do rosto de Isabella, dando-se conta de que aquele ar perdido e relaxado poderia se dever também ao delicioso exercício que comungaram na noite passada. Saber que qualquer mínimo traço daquela expressão pudesse se dever a ele inflava seu ego e o deixava extremamente feliz.

Mas ainda assim, não tirava a sua preocupação.

Edward suspirou pesadamente, lembrando-se do conteúdo do quarto proibido e de todas as informações que Isabella lhe passara. Ela estava em perigo, mesmo que a própria não pensasse assim.

Será que o cerco cada vez mais perceptível em torno de Isabella, feito pela máfia russa, se devia às investigações dela a respeito da morte dos pais? Talvez ela tivesse chegado perto do assassino em questão ou, no caso, de algum descendente dele. A máfia russa poderia ter ficado irritada, ou mesmo temerosa...

Ou talvez estivessem atrás dela apenas pelo simples fato de que era sobrinha de Charles Swan, um inimigo natural, obviamente.

O federal balançou a cabeça, deixando seus pensamentos e teorias para quando estivesse fazendo seu caminho até a banca de jornal do bairro para comprar o jornal do dia.

Rumou para a sala e destravou o alarme da porta de correr, julgando-se um tolo por ainda ficar admirado com o fato de que a mafiosa em pessoa tinha informado o código para ele. Mas, tratando-se da mulher em questão, aquele era um grande gesto, um que dificilmente ele esqueceria.

Um sorriso de lado tomou conta dos lábios masculinos, mas não permaneceu por muito tempo. Assim que abriu a porta, Edward estacou.

Em frente à porta, repousando no chão de uma forma inofensiva, estava um envelope pardo.

Um envelope idêntico ao que encontraram naquele mesmo lugar há um dia.

Edward abriu a porta em um rompante, saindo de forma apressada, examinando o corredor e posteriormente as escadas, mas o prédio todo dormia, o silêncio sendo quebrado apenas pelo som de uma goteira que ecoava pelo corredor vazio. Não havia ninguém ali.

Ele entrou novamente, abaixando-se e pegando o envelope pardo entre os dedos. Talvez estivesse ali há horas, poderia ter sido entregue até mesmo na noite anterior, quando estavam no quarto proibido, ou um pouco mais tarde, quando se encontravam na cama de Isabella.

Edward suspirou audivelmente, lutando para não rasgá-lo. Claro que não o faria, e nem cogitara realmente fazê-lo. Mas odiava o fato de que dentro daquele envelope certamente haveria informações devastadoras para sua Isabella.

Odiava ainda mais que alguém brincasse dessa forma com ela.

Resignado, o federal caminhou até o quarto, parando à porta. Mostrar para ela tinha sido seu reflexo imediato, mas agora, vendo o corpo enrolado aos lençóis, a respiração calma fazendo o peito subir e descer lentamente, ele decidiu que a esperaria acordar à procura do café da manhã. Mais alguns minutos de paz. O que era muita coisa, para quem tinha tão pouco.

O Masen já se virava quando a voz feminina levemente enrouquecida pelo sono o pegou de surpresa.

— O que há, Federal? Quer sair e não consegue se lembrar do código do alarme? – a mafiosa alfinetou, remexendo-se nos lençóis – Que belo agente é você que não consegue se lembrar de alguns poucos números!

Um sorriso nasceu nos lábios de Edward com a mafiosa de língua ferina que despertava, mas não permaneceu por muito tempo. Os olhos de Isabella estavam nos seus e, então, vidrados no envelope em sua mão.

— Acabei de encontrar. Deixaram debaixo da porta, como o anterior.

A mafiosa engoliu em seco, sentando-se instantaneamente na cama e estendendo a mão na direção do Masen.

Edward suspirou uma última vez, temendo o que aconteceria, temendo as informações que teriam ali. Temendo o peso delas sobre a mulher que ressonava tranquilamente minutos atrás.

Deu o primeiro passo em direção a ela, até que se sentou na cama, entregando-lhe o envelope, mantendo uma distância quase respeitosa para que ela tivesse privacidade.

Assistiu com um aperto no peito a mafiosa rasgar a barra do envelope quase ferozmente, pegando a única folha ali dentro nas mãos.

Isabella trocou um último olhar com o federal antes de os olhos azuis finalmente se decaírem sobre o papel.

Era um novo fragmento do diário de sua mãe.

Eu nem sei por onde começar a escrever.

Talvez seja vergonha... Não sei. Por mais engraçado que seja ter vergonha de escrever em um pedaço de papel que ninguém além de mim vai ler.

Então talvez seja vergonha de mim mesma.

Ou... seja simplesmente o fato de que eu deveria ter vergonha. Eu deveria. E o fato de que talvez não tenha faz com que eu me sinta pior.

Charlie me bateu.

Depois de todos esses anos, ele levantou a mão para mim.

Doeu... é claro. Eu estou cheia de marcas, Bella as viu. Como explicar para uma criança de três anos o que são aqueles machucados roxos que nunca antes estiveram ali?

Será que quando ela crescer... vai se lembrar e saber da verdade? Saber que foi o pai dela o causador dos machucados?

Eu espero que não. Eu sei que não. Os hematomas vão sumir e tenho certeza que Charlie nunca mais vai me tocar daquele jeito. O modo como ele agiu depois de alguns dias me diz isso...

Mas eu tive tanto... tanto medo. Como se de repente não fosse meu marido ali. Só o mafioso restara.

Eu ainda estou com medo. Mas não porque eu acho que ele poderia me bater daquela maneira de novo, e sim... pelo que eu fiz depois disso.

Mas voltando ao incidente, bom... Charlie estava bêbado. Não totalmente bêbado, mas visivelmente alterado. A máfia russa vem testando todos os limites dele.

Mesmo assim... naquele momento, mesmo sabendo que ele estava fora de si pela bebida e pelos problemas, houve uma voz dentro de mim, bem lá no fundo, que não se calou diante daquilo.

Como ele pôde me bater? Como? Era eu ali! Renée! A mulher que ele ama! Como.... Como pôde fazê-lo?

Charlie me bateu porque me acusou de ter um caso com Charles. Meu cunhado. E, é claro, por eu ter negado veementemente. Mas não importava o quanto eu gritasse em negação. Ele simplesmente... não me ouviu. Porque sim. Talvez eu esteja mesmo apaixonada. Talvez eu tenha me apaixonado, por mais difícil e confuso que seja admitir isso. Eu não consigo pensar! Eu não consigo! Mas eu não tenho um caso com Charles!

Ou... não tinha.”

— Meu pai bateu nela... bateu nela depois de acusá-la de ter um caso com o meu tio.

— Eu sinto muito.

Isabella estreitou os olhos.

— Eu me lembro... das marcas.

O queixo do federal travou, e ele engoliu em seco. Ela era só uma criança, uma criança inocente, presenciando tudo aquilo.

— Foi só... uma vez. Só uma vez – ela afirmou, balançando a cabeça. Os olhos perdidos. – Ela nunca teve marcas depois disso.

Edward meneou a cabeça de volta, sabendo que a mafiosa tentava se agarrar àquele fato. Para ele, tanto vazia. O pai dela havia batido na mãe uma vez e era o que importava. Além do mais, eles não tiveram muito tempo depois daquilo para saber se a ação voltaria ou não a se repetir.

No fundo, Edward sabia que Isabella pensava o mesmo. Preocupou-se encarando o semblante perdido e os olhos vazios, odiava com todas as forças vê-la daquela maneira.

— Isabella...

Ela voltou seus olhos para ele, mesmo que não o enxergasse completamente. As mãos que seguravam o papel cederam, repousando em suas coxas desnudas.

— Eu não quero ler isso – ela admitiu por fim, com o rosto impassível a despeito do que acontecia por dentro.

— Eu sei... – Edward revelou, cauteloso, sentando-se mais perto dela na cama. Ele sabia que talvez ela não se referisse mais apenas às possíveis agressões da mãe, mas sim, à existência, ou não, de um relacionamento entre a mãe e o tio. – Mas eu sei também que você precisa ler... Nós dois sabemos disso.

A mafiosa abaixou os olhos, olhando para a página xerocada do diário da mãe que suas mãos seguravam com mais força que o necessário.

Ele tinha razão. Mesmo que não se sentisse de certa forma preparada para ler aquilo, precisava.

Sua recusa a continuar era apenas porque já sabia o que estaria escrito nas próximas linhas, era óbvio e evidente demais. No entanto, enquanto não lesse, não era real.

Ela não queria lidar com a realidade. Não com aquela realidade.

Sentiu quando o federal chegou mais perto dela, acomodando-se praticamente atrás, as mãos fortes encontraram os ombros femininos em uma leve e quase imperceptível massagem, fazendo com que Isabella percebesse o quanto estava tensa naquela região. Tentou não relaxar, mas os ombros desceram imediatamente e, antes que pudesse evitar, o pescoço já pendia para um lado.

Era como se seu fardo tivesse ficado mais leve instantaneamente.

— O que... está fazendo? – perguntou mesmo assim, praticamente um sussurro que não deixava nenhuma emoção passar para a voz.

— Estou tocando você... – Edward respondeu, com um longo suspiro. – Estou só tocando você.

Não era verdade. Não era um simples toque despropositado e ambos sabiam disso. Enquanto o federal tinha clara a sua verdadeira intenção, Isabella não a via muito bem. Talvez justamente por não querer discernir. Não querer dar nome àquilo.

Porque se desse um nome àquele gesto teria que para-lo. E ela estava cansada demais para fazê-lo.

Além do mais, era estranhamente renovador ter aquele toque. Como se por um momento ela tivesse recebido uma recarga de energia para continuar.

A mafiosa voltou-se para a folha de papel mais uma vez, forçando seus olhos a continuarem a leitura.

“Uma coisa terrível aconteceu. Eu estava com raiva, eu estava... triste, magoada, decepcionada. Me sentindo... usada. Então... eu bebi. Eu bebi depois que Charlie saiu de casa voltando para Boston, completamente fora de si, dando-se conta do que tinha feito. Eu bebi. Não como ele, é claro, foram algumas taças de vinho... quase uma garrafa, talvez.

Mas eu nunca bebo. Não sou acostumada a beber.

E foi assim que Charles, meu cunhado, me encontrou quando voltou de onde estivera. Estranhou Charlie não estar ali. Contei a ele o que o meu marido havia sugerido. Não contei sobre a surra, a princípio, porque sabia que Charles não ficaria sem fazer nada, e a última coisa que eu queria era um confronto entre eles.

E foi assim que começou. Foi assim que palavras... que atos levaram à mudança de... tudo.

Charles, ao contrário do que eu imaginava, disse que não era tão absurda a suposição... Não se nós olhássemos pelo lado de que ele sim, ele, Charles, estava apaixonado por mim. Por mim!

Como eu acho que estou por ele...

Foi demais para mim. Eu fui fraca. Fui sim. Quando vi... Já estávamos nos beijando. Ele descobriu os hematomas que minha blusa escondia e quase foi atrás de Charlie. Mas não foi.

Não foi porque, naquela noite, eu e Charles, eu e o meu próprio cunhado... Nós fizemos amor.

E a parte mais assustadora, a parte que mais me atormenta é que se eu pudesse voltar ao tempo para impedir o que aconteceu... Eu não impediria. Porque por mais vergonho que seja, eu não me arrependo.

Eu não me arrependo, mesmo que devesse.

Talvez fosse a bebida, ou meu estado de espírito, até mesmo uma combinação dos dois, mas o que eu sei é que, apesar de tudo, aquela foi a noite mais linda de toda a minha vida. Um sonho. E, por um momento, tudo o que eu consegui pensar foi que queria sonhar para sempre.

Como eu poderia me arrepender de algo assim?

Foi uma única noite, é claro. E vai permanecer assim, porque não posso fazer isso. Não posso fazer isso com o meu marido. Eu não sou assim.

Foi uma única noite.

Mas uma noite que eu jamais vou poder ou querer esquecer.

Tudo ao redor de Isabella pareceu parar por um minuto inteiro.

Era verdade.

Como... Como ela pôde?

— Ela fez, Federal. Minha mãe traiu o meu pai... Com o tio Charles.

E dizer aquilo em voz alto tornou tudo ainda mais real. E doloroso.

Notas finais
E aí? O que será que nossa mafiosa está achando disso? Ela vai saber lidar com traição da mãe e do titio Charles querido? hahahaha Cenas do próximo capítulo! Ei... estão vendo essa caixinha logo abaixo? Pois é. Uma sedutora de mão cheia essa danadinha. Não adiantar tentar fugir, ela vai pegar vocês! HAHAHAHA Mil beijos, suas lindas! E até o próximo! ;)