Notas iniciais
Oi minhas lindas! Queria agradecer imensamente a "Amigas Fanfics" pela análise em forma de recomendação. Capítulo dedicado a Jurema, mirsihpascoal e Aylla di angelo, as LINDAS que recomendaram RDS! Muito obrigada MESMO meninas! Ainda não respondi todos os comentários do último capítulo, mas terminarei essa semana ainda! Muito obrigada por eles! Já me adianto pedindo desculpas pelos erros que o capítulo pode conter. Ele não foi betado... Mas será, assim que possível. Boaaaaa leitura!

O federal uniu os lábios, e ambos soltaram um gemido de reconhecimento. Naquele momento não existia certo e errado, crime e lei. Eram apenas duas pessoas, mesmo sendo eles federal e mafiosa, entregando-se a um beijo saudosista, sôfrego e apaixonado.

“Something always brings me back to you.
It never takes too long.” —
Gravity, Sara Bereilles.

– Isabella... – O federal murmurou, em reconhecimento por entre os lábios dela, uma de suas mãos puxou o cabelo feminino, enquanto a outra tateou pelas costas da mafiosa, apertando-lhe a carne, para que se assegurasse de que ela era real, de que estava realmente ali, com ele.

Isabella deixou que um pequeno gemido escapasse por seus lábios, cada célula de seu corpo parecia ter se regozijado com os toques dele. Sua mão, levemente trêmula, invadiu o tecido da camisa masculina, entrando em contato com a pele das costas do federal, unhando levemente a medida que subia suas mãos.

Edward cessou o beijo e começou a distribuir leves mordidas por toda a extensão da mandíbula feminina, descendo pelo pescoço fino, sentindo a maciez e a textura... Ele prendeu a pele da mulher entre os lábios, sorvendo de seu gosto.

Tudo perfeito... tudo como ele se lembrava... tudo o que ele precisava.

Isabella arfou, sôfrega pelos beijos e por ter os lábios do federal em contato com a sua pele novamente. Parecia que fazia anos, ao mesmo tempo em que ela poderia se lembrar da última vez que trocaram carícias como se fosse ontem.

Uma mão feminina abandonou as costas masculinas para infiltrar-se nos cabelos sedosos do homem, maltratando os fios. Edward sorriu contra a pele da mafiosa... Como ele sentira falta daquilo! Voltou seus lábios para os de Isabella, sugando e tomando a boca feminina de uma maneira apaixonada.

Isabella sentiu o corpo tremer, e quando deu por si, já subia no colo de Edward, sentando-se nas coxas masculinas e respondendo ao beijo exigente com todas as forças restantes em seu corpo. Sentiu a mão masculina infiltrando-se em sua própria blusa, brincando com o fecho do seu sutiã e mordeu os lábios de Edward em expectativa. A mão dele em contato com a sua pele...

Sem conseguir se conter, a mafiosa rebolou levemente em cima do colo do federal.

– Isabella... – Edward murmurou como um gemido que fica engasgado na garganta, colando sua testa à dela, tentando controlar sua respiração alterada. – Linda, nós... nós precisamos conversar.

Mas sua mão continuava em contato com a pele macia das costas dela... Dizer aquilo, informar aquilo, demandou todo o autocontrole que o federal dispunha naquela situação. Pois a coisa que ele mais queria era continuar com aqueles beijos, com aquelas carícias e fazer Isabella dele, mais uma vez.

– Não... – Isabella engoliu em seco, e suas duas mãos estavam no rosto masculino – Não... agora não – ela prendeu o lábio dele entre os dentes, mordendo-o lentamente – Agora não federal... depois.

Isabella impôs seu beijo, puxando o cabelo do homem e rebolando mais no colo de Edward, acordando totalmente o membro do dele, que como todo o corpo masculino, estava com saudades, saudades de estar dentro dela.

– Eu prometo, Federal... – ela distribuiu beijos pelo rosto masculino, chegando ao ouvido esquerdo, mordendo o lóbulo – Nós conversamos depois... amanhã... eu prometo – sussurrou – Não agora.

Não agora... Nunca duas palavras pareceram tão boas aos ouvidos de Edward. Ele puxou os cabelos da mafiosa, prendendo-os em punho, e olhou profundamente nos olhos dela escurecidos pelo desejo.

– E o que você quer fazer agora, Isabella?

Os olhos azuis fecharam-se por alguns instantes, e Isabella voltou a rebolar.

– Eu quero você.

Edward sorriu maliciosamente. Ela conseguia fazer melhor do que aquilo.

– Eu estou aqui.

Isabella soltou um gemido lamurioso, aquela não era a hora para ele torturá-la... ele queria a sua resposta, e aquilo no momento pouco importava a Isabella. Ela não tinha cabeça para jogos, ou ânimo para medir forças. Ela sabia muito bem o que queria, e no momento, não via problema algum em pedir.

Seus olhos abriram-se, encarando os orbes verde esmeralda a sua frente.

– Eu quero que me faça sua, Federal. Quero sentir você... dentro de mim.

Edward grunhiu, tomando a boca da mafiosa com lasciva. Ela não precisava dizer mais nada... ela teria o que queria, e ele também.

As mãos hábeis masculinas livraram o corpo da mafiosa de sua blusa, e em seguida do sutiã. O Agente Masen admirou por um par de segundos os seios lindos que Isabella tinha, os mamilos durinhos e róseos apontados para ele... impossíveis de resistir. Levou uma mão, fechando-a sobre o seio esquerdo, apertando-o levemente, e soltou um gemido de apreciação, ouvindo o gemido da própria Isabella, que inclinava mais seu corpo para ele.

Edward rapidamente a deitou, seus lábios passando pelo pescoço, pelas clavículas e chegando onde mais queria. Ele fechou seus lábios sobre o bico intumescido, sugando-o e passando a língua por ele.

– Oh... federal! – Isabella gemeu, revirando os olhos por baixo das pálpebras. Tão bom... tão divinamente bom! Já sentia todo o desejo acumulado em seu baixo ventre, o incomodo era insuportável, ela precisava dele dentro dela, e não aguentaria por muito mais tempo.

A mafiosa sentiu os dentes de Edward rasparem por seu seio, e gemeu alto mais uma vez. Como sentira falta daquilo, sentira falta de puramente sentir... as sensações que ele despertava em seu corpo, que só ele despertava.

Edward beijou a extensão de pele de Isabella, tomando o outro seio nos lábios, e com o polegar e o indicador, começou a estimular o outro, deliciando-se com os gemidos advindos dela. Seu membro duro pulsava dentro das calças, implorando por liberação.

Desceu seu caminho de beijos pela barriga reta da mafiosa, e sentiu as mãos dela puxando sua camisa, livrando-o dela. Edward chegou ao cós da calça jeans e abriu o botão apressadamente, juntamente com o zíper, puxando a calça e a calcinha de renda pelas pernas torneadas de Isabella. Sorriu com a visão e distribuiu beijos pela extensão das coxas roliças, abrindo mais as pernas de Isabella.

Isabella gemeu, sentindo o hálito quente dele tão perto do lugar que mais ansiava...

– Federal... por fa...

Mas ela não teve que acabar de pedir, Edward beijou o sexo exposto, prendendo os lábios ao redor do clitóris de Isabella, estimulando-o com movimentos de língua, ora lentos, ora rápidos e mais fortes.

– Oh... Dio... – Isabella arfou, gemendo e rebolando, sem conseguir se conter.

– Deliciosa, Isabella... – o federal sussurrou roucamente, sobre o sexo dela – Extremamente deliciosa... e só eu tenho esse prazer – circundou a língua na entrada dela, fazendo a respiração feminina falhar – Porque você só fica molhada assim para mim. Só para mim.

Nada o fazia mais feliz. Ser o primeiro e único homem capaz de despertar prazer nela.

Penetrou a entrada quente e estreita com a língua, e as costas de Isabella deixaram o chão, arqueando-se e soltando um gemido alto, enquanto sentia o polegar de Edward acariciar seu clitóris ao passo que ele trabalhava com a língua em sua entrada.

Isabella queimava de dentro para fora.

Edward sentiu seu membro latejando dentro da calça jeans, ansioso por substituir sua língua, ansioso por ser comprimido pelas paredes molhadas e estreitas daquela maneira peculiar que apenas Isabella sabia fazer.

– Eu... não vou aguentar muito mais, linda.

Oh, ela o entendia... Com muito custo, puxou a cabeça de Edward para cima. Era difícil se concentrar quando os dedos dele trabalhavam tão deliciosamente em sua intimidade pulsante.

Unhando e tateando o peitoral definido, Isabella desceu as mãos até o cós da calça masculina, livrando Edward dela, e da cueca, ato ajudado por ele. Isabella circundou o membro rijo entre sua mão.

– Bella... – Edward gemeu demoradamente, ocupando os lábios femininos com os seus em um beijo sôfrego. Como consequência aumentou o ritmo dos movimentos no clitóris feminino, do mesmo modo que Isabella começava a movimentar sua mão pela extensão de seu membro dolorido.

A mão do federal que não trabalhava na intimidade feminina foi até uma das coxas, apertando-a e puxando-a para o lado de modo rápido e forte, fazendo com que Isabella se abrisse mais para ele.

A mafiosa arfou entre o beijo, o ar ficando escasso. Ela apoiou as plantas dos pés no carpete, dobrando seus joelhos, e dando o ângulo perfeito para que o federal a penetrasse sem reservas. Com a mão, Isabella levou o membro dele até sua intimidade, revirou os olhos, gemendo alto quando sentiu a glande do pênis em contato com sua entrada.

– Isabella – Edward grunhiu, e definitivamente percebeu que não aguentaria mais um minuto sequer fora dela. Retirou a mão da mafiosa que se encontrava em seu membro e colocou mais um dedo na entrada escorregadia, estocando ali como faria em breve.

– Oh... Edwar... por favor. – Isabella praticamente gritou, em seus gemidos tão característicos.

Edward... o federal sorriu. Ela usou o Edward. Afastou sua boca da de Isabella pairando sobre o corpo dela. A mão masculina deixou a intimidade e, imitando o gesto da outra, agarrou a coxa feminina. Edward afastou seu membro da entrada de Isabella e então, segundos mais tarde, ele puxou o quadril feminino contra ele, ao mesmo tempo que estocou em Isabella, rápido e forte, entrando nela com toda a sua extensão de uma única vez, até os testículos.

Edward parou, sentindo as paredes dela englobarem todo o seu comprimento. O gemido alto dos dois preenchendo a sala.

O Federal gargalhou.

Gargalhou, uma risada rouca e entrecortada. Ele simplesmente não se continha de felicidade. Ali, dentro de Isabella, abrigado pelas suas paredes estreitas e quentes era o único lugar em que ele queria estar. Era o lugar em que morreria para estar.

Apesar dos últimos meses, naquele instante, Edward poderia ser considerado o homem mais feliz do mundo.

Ele estava em casa.

Abriu lentamente os olhos verdes, ainda imóvel dentro dela, para vislumbrar as feições de Isabella. Ela se encontrava totalmente rendida, Edward constatou. Ele movimentou-se, saindo até a metade e arremeteu-se forte dentro dela novamente, arrancando um gemido alto de prazer da mulher.

O federal sentia-se completo.

E foi então que Edward viu algo que o alarmou, uma lágrima escorrendo solitária pelo canto de um olho da mafiosa.

– Isabella? – chamou roucamente – O que há?

Edward não entendia... as feições dela, o corpo dela, tudo estava rendido e correspondia a ele. Por que ela estava chorando? Ele nunca... nunca vira algo parecido com aquilo nela.

– Isabella... linda – testou mais uma vez, e não obtendo resposta, preparou-se para utilizar seu autocontrole, ou o que restava dele, para sair de dentro dela. Porém seu gesto foi brecado pelas pernas grossas, que engancharam-se no quadril masculino, prendendo-o ela.

– Não... ouse... fazer... isso – Ela retrucou com dificuldade.

Isabella deixara uma única lágrima cair. Ela chorava, sobretudo, de contentamento. Mas também, por se considerar burra e ingênua diante da verdade iminente que experimentava.

Não havia melhor sensação que aquela. E sentindo-a novamente, Isabella soube que ela não teria conseguido se manter longe dele por muito mais tempo, nem que se esforçasse muito...

Porque era ali, nos braços do federal, com ele dentro dela, o único lugar que ela se sentia... bem.

– Então me diga o que está acontecendo, Linda! – Edward desceu seus rosto até o de Isabella, limpando a lágrima que escorria pela têmpora feminina com os lábios – Inferno, diga!

A mafiosa afastou seu quadril, para depois leva-lo de encontro ao do federal novamente, fazendo com que ambos gemessem pelo contato.

– Porque... porque eu descobri – rebolou, sentindo o membro mexendo-se dentro de si, Edward recomeçando os movimentos de quadril, ainda que mais contidamente. Ela precisava daquilo, ela sequer raciocinava mais. – que não há outro lugar que eu... eu queria estar... agora.

O federal arregalou os olhos momentaneamente, e então seu rosto abriu-se em um sorriso de lado. Ela tinha medo daquilo? Ela deveria ter... por isso a lágrima? Mas, agora que o Agente Masen entendia, nada parecia melhor para ele.

Era simplesmente a melhor coisa que Isabella poderia ter lhe dito.

– C-continue... – Isabella implorou, sôfrega.

Edward estocou forte dentro dela mais uma vez, levando uma mão até o seio feminino, e os lábios até o ouvido da mafiosa.

– Não há melhor lugar para mim também, linda. – Edward a beijou, como uma veneração, enquanto suas mãos estimulavam de modo carinhoso e prazeroso os seios de Isabella.

E então a sala encheu-se novamente de gemidos e do som de atrito proveniente dos sexos deles. Enquanto entregavam-se mais uma vez a dança mais antiga do mundo, Edward e Isabella sabiam que aquele era um marco. O começo de algo novo para os dois. Algo sem volta. Algo grandioso. Mesmo que não soubessem o que aquilo significava, nem como colocar o que se passava em palavras.

Daqui algum tempo, federal e mafiosa descobriram que aquela foi a primeira vez que fizeram amor.

~-~

Carlisle Cullen analisava atentamente os documentos a sua frente. A pilha de folhas com mais números que letras tratava-se de uma contabilidade trivial sobre recentes gastos e investimentos da máfia russa, e o homem já tirava de letra aquele tipo de serviço, entretanto matinha seus olhos atentos a qualquer vírgula e algarismo minimamente duvidoso.

Aprendera com sua experiência que contadores nem sempre são confiáveis e a sua função dentro da máfia russa era, de certa forma, não deixar nada de errado passar. Cargo estimado por muitos, e enaltecido por seus “chefes”. Mas Carlisle não se enganava... Seu cargo era apenas o do famoso “faz tudo” e se as coisas ficassem sujas e fedessem era ele que sempre teria que limpá-las.

O Cullen estava tão cansado daquilo tudo. E o estado de espírito o perseguia há anos, mas, como toda rotina, Carlisle acostumou-se com aquilo. Acostumou-se a se sentir fatigado. E então, como toda pessoa atrelada a uma zona de conforto, ele estacou. Mesmo que, a “zona” em que o Cullen se encontrava não fosse de longe confortável.

O problema de fato era que: Ele não tinha uma opção. Ele não possuía o poder de mudar o destino traçado para ele e a única maneira de se ver livre daquele inferno pessoal diário seria dando um fim a própria vida. E Carlisle não chegara a esse extremo, ainda, mesmo que por vezes fantasiasse o dia que se veria livre de tudo aquilo. O dia em que a morte finalmente o agraciasse.

Já havia pensando na possibilidade de tornar-se descuidado, de morrer enquanto executava alguma tarefa referente aos seus serviços na máfia. Mas sabia que, até da possibilidade de tirar a própria vida, ele havia sido privado. Eles pegariam Edward, talvez a sua menininha Rose, ou mesmo acabariam com toda a sua família em um banho de sangue, por pura e incompreensível vingança. E isso Carlisle jamais permitiria. Ele não conseguiria dar cabo a própria vida sabendo das consequências que aquilo traria para as pessoas que amava.

Suspirou ruidosamente percebendo que sua mente o afastara do trabalho, e voltou os olhos verde-esmeralda para as folhas da contabilidade. Mal conseguiu se concentrar de novo, e foi interrompido pelo som do celular. Olhou o visor e deixou seus ombros caírem, cansado daquilo também. Há dois meses ele havia posto um de seus homens para vigiar as casas de Isabella Swan, tanto o esconderijo que ela dividira com seu filho, tanto o duplex bem localizado que ela possuía com Alice Brandon.

Mas, desde o dia em que Carlisle entregou o envelope e viu seu filho saindo do apartamento que compartilhara com a mafiosa, Isabella não voltou a nenhum dos dois lugares. Ela permaneceu na mansão Swan em North End, um bairro italiano de Boston e Carlisle revirava os olhos sempre que pensava no quanto aquilo era piegas até mesmo para Charles Swan.

O Cullen viu a chamada ser encerrada e uma nova iniciada. Franziu as grossas sobrancelhas. Reed, o homem que ele deixara a paisana nos imóveis de Isabella, não costumava ser tão insistente para reportar que “nada de anormal” havia acontecido. Mesmo assim, Carlisle quase o ignorou. As notícias eram as mesmas por todo aquele tempo e ele estava seriamente considerando retirar Reed de uma vez por todas daquela espionagem infundada. Mesmo assim, no último chamado ele atendeu o aparelho.

– Cullen.

Senhor – o homem começou do outro lado, e Carlisle notou que a voz dele estava de algum modo diferente – Ela apareceu.

Por um momento o Cullen pode jurar que todo o seu sistema circulatório parou. Isabella Swan aparecera. Mas... em qual imóvel? Se fosse no apartamento de origem duvidosa ela estaria agora mesmo encarando as páginas de diário e o ultrassom que ele a enviara. A premissa fez Carlisle sorrir levemente, seria hoje o começo da queda de Charles Swan?

– Em qual local?

Roxbury, senhor.

O Cullen praguejou. Era onde ficava o duplex que a mafiosa mantinha com Alice. Então, ela ainda não obtivera conhecimento do envelope endereçado à ela.

– O homem da fotografia que o senhor me deu, também está lá. Ele chegou um pouco depois que ela e os dois já estão dentro do apartamento a mais de uma hora.

O corpo de Carlisle congelou. O homem da fotografia. Ele havia dado uma foto de Edward para Reed, por segurança, caso ele e a mafiosa voltassem a se encontrar.

E eles voltaram.

Sua mão livre bateu no tampo da mesa com força exacerbada. Aquilo não poderia estar acontecendo! Não poderia! Seu menino estava perto daquela mulher outra vez, ele não estava... seguro.

– Me mantenha – Carlisle fez uma força sobre humana para articular as palavras – informado.

Encerrou a chamada e precisou de um longo momento para se conter. A coisa que mais queria fazer era jogar o aparelho contra a parede, mas ao contrário disso, o Cullen o pousou com força sobre a mesa em que trabalhava, os dedos longos de suas mãos encontrando as mexas loiras em sua cabeça, maltratando-as.

– Malditos Swan. – resmungou, sentindo a glote fechar-se, e então esmurrou a mesa com as duas mãos – MALDITOS!

A sensação que Carlisle tinha era de total incompetência. Sua família estava em perigo há dezessete anos e ele conseguiu dar um jeito nisso, reverter a situação. Ele se afastou por eles e cuidou deles à surdina por todos esses anos.

E agora eles estavam em perigo. Outra vez.

Contudo, assim como na primeira, Carlisle não admitiria nada que maculasse sua família. Não mais do que ela já fora maculada.

Eles mereciam ser felizes, e Carlisle merecia, pelo menos, um pouco de paz de espírito. Felicidade era algo que o Cullen almejava apenas para Esme e seus filhos. Ele nunca poderia gozar daquilo. Nunca poderia ser feliz... não depois de ter sido arrancado de sua família, de ver seus filhos crescerem longe dele, de ser privado de todos os almoços de domingo, dos passeios ao parque, de acordar todos os dias ao lado da mulher que amava.

Como ele poderia ser feliz tendo vislumbrado por todos esses anos a vida que lhe fora roubada?

Esme, Edward e Rosalie... eles eram a família do Cullen, mas a recíproca não era verdadeira. Ele era apenas uma sombra na vida das três pessoas que mais amava no mundo, e ter total consciência disso tornava sua existência ainda mais triste, seu fardo ainda mais pesado.

O homem remexeu-se na cadeira reclinável fechando os olhos com força, a face voltada para o teto. Ele teria que agir ainda mais rápido do que planejara. Daria apenas um tempo para que a mafiosa encontrasse o envelope e sua relação com Charles Swan começasse a ruir, e então... ele agiria. Charles provaria do próprio veneno e de quebra o Cullen descobriria o que os Swan podem querer com o seu filho.

Seu Edward... Seu menino, um homem... feito.

Uma lágrima solitária desceu pelo canto dos olhos.

– Por quê? – Carlisle se fez a mesma pergunta que vinha fazendo durante anos – Por quê?

– Ei... – Carlisle chamou, beijando a nuca de uma Esme que ainda dormia. Com a mão espalmada na barriga da mulher ele colou ainda mais os corpos – Você está ficando muito preguiçosa, Senhora Cullen.

Esme sorriu, ainda sonolenta, aconchegando-se ao marido.

– Ainda é cedo, Carl.

O Cullen retirou os cabelos loiros sedosos de seu caminho, tento melhor acesso ao pescoço. Afundou o rosto na pele delicada sorvendo do cheiro da mulher.

– Seria cedo... mas você tem que organizar as coisas para o jantar hoje à noite – Carlisle sorriu e rumou para a orelha de Esme.

– E, falando nele, — mordeu o lóbulo da mulher demoradamente – Feliz ‘10 anos’, minha querida.

Esme sorriu abertamente e virou-se na cama para contemplar as feições já despertas do marido.

– Feliz ‘10 anos’, meu amor. – A mulher retrucou e, sem conseguir se conter, Carlisle inclinou-se até ela, roubando um beijo casto, mas demorado.

– Eu fiz para nós dois... – ele declarou depois de um tempo que passou apenas olhando nos olhos dela, e mostrou a bandeja ao pé da cama.

– Uhm... – Esme murmurou em apreciação – Já começo a me arrepender do jantar de logo mais... Não podemos ficar o dia inteiro, só nós dois, bem aqui?

Carlisle sorriu malicioso e começou a distribuir beijos e leves mordidas pelo maxilar delicado de Esme.

– Acredite em mim, Senhora Cullen, essa é a coisa que eu mais apreciaria. – Carlisle começou, puxando a bandeja para mais perto deles – Mas, em 10 anos de casados essa é a primeira vez que damos algo para os amigos, você estava tão animada para isso. É a nossa primeira década amor!

– A primeira de muitas – Esme completou e imediatamente Carlisle aquiesceu, sorrindo feliz.

– De muitas. – decretou, por fim.

Esme serviu-se de um pouco de suco, mas não chegou a levá-lo a boca.

– Dez anos de casamento, Carl. E nós só temos o Edward. Eu me lembro que quando casamos você queria ter, ao menos, três filhos e...

– Amor... – Carlisle a cortou delicadamente – Não aconteceu. Eu fiquei envolvido demais com aqueles casos na polícia, você se dedicou a empresa do seu pai... Edward foi crescendo e nós não pensamos mais nisso. Por que está dizendo isso agora?

Esme mordeu o lábio inferior.

– Mas... você não gostaria de ter tido mais... filhos?

Carlisle revirou os olhos, achando a dúvida de Esme estapafúrdia.

– É claro que eu teria gostado, Esme Cullen. Eu teria amado ter um time de basquete com você. – Ele riu, fazendo a mulher sorrir também – Mas nós não tivemos e temos o Edward. E o nosso menino nos dá alegrias por dez.

Esme observou as feições alegres do marido e decidiu que aquela era a melhor hora de revelar o que descobrira recentemente.

– Carl... – a mulher tentou conter o sorriso, mas não conseguiu – o que você acha... o que acha de ter alegrias por vinte então?

Carlisle demorou um tempo para compreender a frase e, mesmo assim, ainda não acreditou. Franziu as grossas sobrancelhas, concentrado, tentando descobrir se realmente entendera aquilo do modo correto.

– V-você... você quer dizer que... – engasgou, e olhou profundamente nos olhos de Esme.

A senhora Cullen mordeu os lábios mais uma vez, e pegou a mão do marido, levando-a até seu ventre liso.

Carlisle sugou o ar com força, e um sorriso tomou-lhe os lábios.

– Você... está grávida, Esme? É... sério? Mesmo? – Ela apenas balançou a cabeça afirmativamente – Oh... amor!

Então Carlisle a puxou para ele, beijando toda a extensão do rosto e os lábios de Esme. Uma, duas, três... inúmeras vezes.

– Eu pensei... pensei que não poderia ser mais feliz ainda ao seu lado – O Cullen revelou, passando os dedos carinhosamente pelos cabelos de Esme, prestando atenção em cada detalhe do rosto feminino, como se ele já não houvesse o memorizado em sua cabeça – Mas, você continua me surpreendendo.

Esme sentiu os olhos queimarem.

– Eu amo você. – ela sussurrou, e uma lágrima caiu pelo seu rosto, uma lágrima de felicidade, e então Carlisle a limpou com os dedos, beijando os lábios de Esme novamente.

– Eu também amo você... Amo você, senhora Cullen e já amo nosso próximo filho. – Ele sorriu, tocando a barriga lisa de Esme novamente.

– O que você acha que vai ser? Menino ou menina?

Carlisle deu de ombros mordiscando o queixo de Esme.

– Eu não me importaria em ter outro menino...

– Mas... – Esme instigou.

– Mas... – Então Carlisle deu o maior sorriso da manhã enquanto visualizava o futuro – Nós temos o Edward e bom... eu amaria ter uma garotinha parecida com você andando pela casa.

Esme balançou a cabeça, incredulamente.

– Você babaria por uma menina.

Carlisle concordou.

– Eu serei um pai ainda mais babão e protetor. E me orgulho imensamente disso. Porque isso é uma coisa que eu nunca vou deixar de fazer, Senhora Cullen – Carlisle deitou o corpo de Esme na cama, ficando sobre ela, as mãos masculinas encontrando a barra da camisola fina que a mulher usava – Eu cuido e protejo o que é meu.”

~-~

Victoria retirou os sapatos pretos de salto alto, jogando-os em qualquer canto da sala ampla do seu apartamento. Massageou a palma dos pés doloridos e jogou-se no sofá, respirando profundamente.

Mesmo que ela não fosse diretamente ligada a Ronald Curry, um agente do FBI morto, assassinado, mexia de certa forma com todos os agentes. Quase como se fosse pessoal, afinal, poderia ter acontecido com qualquer um.

Victoria sentiu um calafrio e passou as mãos pelos braços e depois pegou o controle remoto que controlava o aquecedor, aumentando-o.

Edward também fora vítima de um atentado. Um atentado diferente e não convencional, na opinião da agente Lewis. Por que tinham o mantido em cativeiro por tanto tempo... sem fazer perguntas, ou qualquer outra coisa? Por que eles tinham se dado ao trabalho de libertá-lo com vida e, sobretudo, quem eram “eles”?

Victoria fez uma careta, enrolando uma mecha dos cabelos ruivos com o indicador e polegar, gesto que sempre fazia, inconscientemente, quando estava criando hipóteses e tentando solucionar suas próprias perguntas.

Desde pequena Victoria era importunada pela curiosidade. Entretanto, no caso de Edward, ela se obrigaria a deixar aquilo de lado. Por enquanto.

Sorriu ao pensar no homem, e no beijo que trocaram. Tudo o que Victoria mais queria agora era retomar o relacionamento que ela e Edward possuíram anos atrás.

E era o que faria.

Esticou-se no sofá, espreguiçando-se. A morte de Ronald Curry serviria para alguma coisa. Era de mau tom falar dessa maneira, mas, a morte de um agente deixaria as missões mais lentas, em modo de espera, durante os próximos dias. Tempo de sobra para se dedicar a algumas questões pessoais.

Victoria não conteve o sorriso que escapou por seus lábios. Amanhã ela faria uma visitinha ao apartamento de Edward Masen.

~-~

Depois de chegarem ao clímax, federal e mafiosa ficaram em silêncio por vários minutos, apenas ouvindo a respiração sôfrega do outro, normalizando-se lentamente.

Edward foi o primeiro a quebrar o silêncio.

– Eu sei porque fez aquilo.

Não foi necessário especificar. Isabella entendeu perfeitamente que Edward se referia ao episódio em que ela o afastou.

Por um momento, a mafiosa pensou em desconversar, em externar seu cansaço quase puramente mental, mas que agora, depois do esforço físico e de seus músculos deliciosamente relaxados, era quase impossível de se ignorar. A coisa que Isabella mais queria era fechar os olhos. Contudo, sua curiosidade sobrepunha qualquer cansaço ou qualquer vontade de fugir do assunto.

– Como sabe?

Edward suspirou ruidosamente.

– Alice.

Isabella arregalou os olhos brevemente. Alice! Ela tinha que se meter em absolutamente tudo? Ela não tinha aquele direito. Isabella não queria que Edward tivesse conhecimento daquilo.

Agora... tudo fazia sentindo. O fato de Edward se encontrar ali significava que ele estava antes com Alice. A única pessoa que sabia para onde Isabella estava indo.

O federal sentiu quando o corpo de Isabella endureceu ao seu lado e a puxou mais para si, afagando a pele macia do braço feminino com a mão.

– Isabella... – Chamou, pronunciando o nome dela lentamente – não importa como eu descobri. O que importa é que eu sei. Foi... precipitado. Eu poderia lidar com qualquer coisa que o seu tio arquitetasse para mim.

A mafiosa soltou o ar com um chiado num som de claro deboche, mas também de pesar.

– Eu preciso refrescar sua memória do episódio envolvendo Rosalie, Agente Masen?

Edward fechou os olhos com força e, institivamente, apertou mais Isabella em seus braços.

– Não. Não precisa. – o fato de que Charles chegara tão perto de alguém que o federal amava o deixava colérico – Mas isso foi diferente, Isabella. Eu não estava esperando. Charles Swan não conseguiria fazer algo contra mim se eu estivesse esperando por isso, como estou agora.

Isabella balançou freneticamente a cabeça.

– Você, claramente, não sabe o que está dizendo.

Edward soltou uma risada incrédula, tirando seus olhos do cabelo negro de Isabella para encarar um ponto qualquer no teto da sala.

– Não sei? Eu dobrei a segurança da minha casa, Isabella. Além de ter colocado o próprio Emmett lá, nos horários em que ele não está trabalhando. Ele se prontificou a me ajudar com isso.

Isabella revirou os olhos, sabia muito bem porque o Agente McCarty tinha se prontificado àquilo.

– Não há meio de o seu tio tocar na minha irmã ou na minha mãe, Isabella.

E eu gostaria que você me deixasse tomar esses mesmos cuidados em relação a você. – Edward pensou, no entanto, não externou. Quando o assunto era Charles Swan, ele deveria ir com cuidado, mesmo que sua vontade fosse se assegurar de todos os modos possíveis que Isabella nunca mais o veria. Mas o homem sabia que, fazer aquilo, pelo menos agora, era impossível. Isabella teve sua primeira decepção com o tio, e Edward viu-se calculando quantas mais seriam necessárias até que todas as raízes que Charles plantou nela pudessem ser arrancadas.

– E quanto a você? – Isabella virou-se bruscamente, ficando de bruços para olhar diretamente nos olhos do federal, não escondendo o estado de irritação que subitamente se encontrava. Quem estava na mira do seu tio agora era ele, Edward Masen, e não a sua família devidamente protegida. – E quanto a você, Agente Masen? Quem está olhando pela sua segurança?

Edward passou algum tempo encarando as feições raivosas da mulher. Tão linda. Ele suspirou, levando uma mão até o cabelo negro, colocando uma mexa para trás da orelha. Sorriu de lado rapidamente.

– Ora, Isabella... Depois dos últimos acontecimentos, me arrisco a dizer, que essa seria você.

A mafiosa franziu as sobrancelhas, praticamente unindo-as, os olhos levemente arregalados.

– Eu... eu não...

– Você não se deu conta do que fez, linda? – Edward a interrompeu – Você se afastou de mim para a minha segurança. Posso considerar isso como uma demonstração de... afeto por mim, Isabella?

Isabella engasgou com a própria saliva enquanto resfolegava. Fechou os olhos brevemente, com força, tentando se desvincular da fala. Afeto? Ela balançou a cabeça, confusa e incrédula, e apoiou as duas mãos na superfície lisa do chão, pronta para se levantar dali. Isabella não sabia se aquilo era verdade... Quer dizer, ela fora programada para não se importar com ninguém e não saber se aquilo que o federal disse era ou não verdade, simplesmente esgotava as suas forças já arrefecidas.

Porém Edward a impediu, os dois braços fortes fechando-se ao redor das costas dela, uma mão firme no cóccix e a outra, agarrando a nuca feminina, trazendo-a para ele, prendendo-a em seu abraço. Os seios entraram em contato com o peitoral desnudo, sendo comprimidos e o Masen sorriu, adorava senti-la assim, junto a ele.

– Federal... – Isabella murmurou, um lamento com fundo repreensor.

Edward simplesmente fez um chiado com a boca, expressando que ele não queria que ela falasse mais nada, subiu uma mão pelas costas femininas, acariciando a pele macia e convidativa.

– Acalme-se Isabella. Eu só... estava brincado. – Não. Ele não estava e sabia bem disso, entretanto sorriu enquanto beijava o topo da cabeça da mafiosa porque ele também sabia que o que dissera era verdade. Mesmo que Isabella se recusasse a admitir aquilo, ou sequer cogitar. Ele sabia que ela se importava com ele. E isso bastava, por enquanto.

– Quanto a minha segurança, eu gostei do que fez... de um certo modo. Mas não quero que faça algo parecido novamente. Afinal de contas, eu já sou bem crescidinho.

Isabella soltou um grunhido, enquanto ajeitava-se novamente ao lado de Edward, saindo do abraço dele, mas não totalmente. Olhou furiosa para o rosto do homem.

– Você está tratando isso como uma brincadeira, Agente Masen. O que está longe de ser realidade! A única coisa que eu fiz foi tratar o assunto de um modo sério e racional e...

– E olha onde isso a levou – Edward a cortou – Não adiantou realmente, Charles mentiu para você. Eu nunca estive em segurança, Isabella.

Charles mentiu para você.

Isabella respirou profundamente, lembrar-se daquele fato era como sentir uma parte de seu corpo sendo separada dela.

– A sua atitude foi precipitada e errada... Isso tudo foi apenas uma manipulação do seu tio, Isabella, e você caiu, como sempre.

Ela foi tão burra por pensar que estava garantindo a segurança dele! Se tivesse continuado com aquilo ele poderia não estar ali, ele poderia não existir mais.

E ela nunca mais se sentiria completa daquela maneira.

– Chega, federal! – A mafiosa sibilou, e então levou as mãos até as têmporas, acariciando-as... A hipótese a deixava desnorteada, porque ela experimentara a sensação do mundo sem ele, por alguns poucos minutos... mas... experimentara. E o modo como reagiu a isso causava-lhe medo. Quando voltou a falar não se passava de um sussurro – Chega.

Edward deixou que um murmúrio cansado passasse por seus lábios. Cerrou os punhos e respirou profundamente, ele deveria ter deformado aquelas feições arrogantes... Porém agora, deveria se controlar, o que era extremamente difícil quando o assunto margeava Charles Swan. Mas ele tinha, porque Isabella não estava preparada para aquele confronto ainda. Em um mundo onde todas as pessoas preferiam arrancar um band aid de forma rápida, com Isabella, ele deveria ser arrancando lentamente, quase em doses homeopáticas.

– Desculpe. Não vamos falar disso agora, está bem?

Isabella nada disse, virando o rosto para o outro lado, e encarando a sala de um modo ausente por um longo tempo, antes de fechar os olhos levemente. Ela estava tão cansada! Ela não queria pensar, queria entregar-se ao sono ou mergulhar em sua banheira. Mas com o federal ali, acordado e atento, ela só poderia realizar a primeira hipótese.

Sentiu a mão masculina em seu cabelo, acariciando, como um cafuné. Ela se lembrava nitidamente da primeira vez que ele fizera aquilo, e de como o afastara. Foi na primeira vez que eles fizeram sexo. Hoje, no entanto, a mafiosa não tinha a menor intenção, ou força de vontade, de se afastar do toque.

– E então, linda, o que você vai fazer?

Isabella fez uma careta por ser desperta, mais uma vez, do torpor que lentamente englobava seu corpo.

– Eu estava pensando em dormir – ela começou, com a voz levemente rouca pelo sono – Mas você parece não querer calar a boca.

Edward riu, seu corpo forte tremendo sob o carpete do chão. Até do jeito ferino dela ele sentira falta.

– Eu não estou falando de agora, Isabella – Edward começou, o tom assumindo certa seriedade – Eu estou falando do que você vai fazer em relação a máfia russa, e o fato dela estar, aparentemente, perseguindo você, por um motivo ainda desconhecido.

Isabella bufou. Ela ainda tinha que se preocupar com os malditos russos!

– Eu vou voltar para o apartamento... – A mafiosa deu de ombros — e ver se Alice consegue algo mais.

Edward concordou, balançando a cabeça. Era a decisão mais certa a se tomar. E ele colocaria Jasper para ajudar Alice, Isabella gostando disso ou não.

– Mas é um beco sem saída, Federal. – A Swan continuou — Eu preciso de mais pistas, e para isso, eu vou ter que dar as caras, eventualmente...

Edward trincou a mandíbula forte e soltou um suspiro de desagrado, dessa parte ele definitivamente não gostara. Sabia que aquilo fazia sentindo, no entanto era como se o seu instinto fosse naturalmente contra colocar a mulher ao seu lado em um perigo premeditado e de proporções desconhecidas.

Por um momento teve medo das estratégias que Isabella adotaria e do que poderia passar por aquela cabeça complicada dela, cheia de suas próprias morais e princípios.

O federal soube que ele não possuiria um minuto de paz, fadado a sempre pensar naquilo, em como ela estaria planejando acabar com seu próprio bem estar. Só havia um único meio que deixaria Edward relativamente mais tranquilo, e ele já sabia o que fazer.

– Amanhã vamos passar no meu apartamento, Isabella. – declarou, a voz isenta de incertezas – Tenho que pegar algumas coisas.

Isabella virou o rosto para Edward, procurando os olhos verdes do homem. Uniu as sobrancelhas franzindo delicadamente a tez de alabastro da testa.

– Como? – perguntou, ligeiramente confusa.

O federal suspirou pesadamente.

– Eu vou ficar com você naquele apartamento – Isabella iria dizer algo, mas o federal não deixou que fizesse – Não adianta, eu já me decidi. Nós vamos passar no meu apartamento para pegar algumas coisas e depois vamos para lá.

– Federal... – A mafiosa começou, numa reprimenda.

– Não – Ele disse firme – Eu me decidi, já disse! Não há nada que você possa fazer para impedir isso – Edward beijou o alto da cabeça de Isabella, sorvendo do aroma característico com uma longa inspiração – E não é como se já não tivéssemos feito isso... antes.

Isabella fechou os olhos, soltando o ar com força, desistindo de argumentar. No final das contas, Edward Masen tinha razão. Eles já haviam feito isso antes.

Então, por que parecia ter um contexto diferente agora?

O federal olhou as feições da mulher, ainda gostaria de dizer algumas coisas, mas ela parecia tão esgotada... Ele se perguntou se aquilo era um efeito colateral do esgotamento mental que ela certamente se encontrava. Ele tinha que lembrar-se disso, tinha que ser cuidadoso. Alice disse certa vez uma coisa que agora Edward compreendia inteiramente agora, Isabella era a mais “quebrável” deles... Quebrável quando se tratava de Charles Swan, por tudo o que ele fez que ela acreditasse, pelo castelo de areia que ele construíra para ela.

Edward fechou os olhos por um longo instante. Controlando-se, lembrando que ela estava ali agora, longe do tio. Que ela estava ao alcance de seu toque, e que ele lutaria com unhas e dentes para que permanecesse assim.

Sorriu, ajoelhando-se rapidamente e puxando o corpo de Isabella do chão, carregando-a em seus braços. Ela precisava descansar, e dormir no chão duro não era sinônimo de descanso para Edward.

– Onde fica o seu quarto, Linda?

Isabella levou um tempo para perceber o que estava acontecendo, e quando viu-se nos braços do federal, se assustou levemente.

– Última porta a esquerda no corredor – informou mecanicamente, e recomeçou a falar com traços de seu sarcasmo característico – Eu tenho duas pernas, Agente Masen. Elas servem para andar, caso não tenha percebido.

Edward sorriu, Isabella nunca havia sido verdadeiramente “cuidada”. Ele sabia que ela não entendia muito bem quando isso acontecia.

– Oh...- Edward murmurou teatralmente, e desviou seus olhos para as coxas macias e bem trabalhadas – Eu já tinha percebido Isabella... Só um cego não perceberia o lindo par de pernas que você tem – o federal olhou profundamente nas duas aguas marinhas que eram os olhos dela – O que não me impede de te carregar até o seu quarto, além do mais, eu gosto de ter suas coxas firmemente apoiadas em meus braços — Desviou sua atenção para as coxas leitosas e apertou a mão que segurava uma delas, apreciando mais uma vez a maciez daquela pele... Foi impossível conter os olhos, e o federal viu-se admirando a intimidade sem pelos de Isabella. Sugou o ar com força, ele tinha que se controlar. Ela estava cansada.

Logo ele chegou ao quarto dela, ligou o interruptor com a mão do braço que sustentava o tronco da mafiosa, e a acomodou no centro da cama. Por um momento, ele ficou ali, em pé, admirando a nudez dela. Ela era absurdamente linda e irresistível, as pernas torneadas, o quadril largo e a cintura fina que ele conseguia quase fechar em suas mãos, os seios duros e ainda assim macios... era como se eles implorassem para ser tocados.

O federal suspirou audivelmente e sentiu os olhos de Isabella em si. O que ele não sabia era que Isabella também fizera a mesma coisa que ele. Observara o corpo masculino enquanto ele observara o seu. E pensando que foram pegos no flagra, nenhum dos dois disse nada sobre aquilo.

Por um momento, Edward ficou indeciso. Eles já haviam quebrado aquela barreira, certo? Aquela barreira de dormir na mesma cama. Mas tanto tempo tinha se passado... e se... e se Isabella tivesse voltado a ser reticente quanto a isso?

– O que você está fazendo parado aí? – Isabella murmurou, cortando os pensamentos do homem enquanto desarrumava a cama, puxando o cobertor até a base da sua cintura – Apague as luzes, federal... Eu quero dormir.

Aquela era a deixa, não era? Aquele era o modo de Isabella informar que estava tudo bem que ele dormisse ali, não era? Edward fez o que ela mandou, apagou as luzes, e lentamente deitou-se na cama, cobrindo-se até os quadris. Isabella nada disse, nada reclamou. Feliz e sem poder se conter, o federal a puxou mais para ele, a cabeça dela ficando por cima do braço masculino e a mão angulosa e feminina descansou em cima do abdômen bem esculpido de Edward.

O Agente Edward Masen sorriu abertamente. Não havia melhor lugar que aquele.

Não havia melhor lugar que tê-la em seus braços e estar nos braços dela. Era quase como se aquilo fosse um pré-requisito existencial, uma necessidade básica, como respirar.

Eles eram dois corpos com órbitas distintas que, chocando-se, assumiram uma mesma rota. Edward Masen e Isabella Swan estavam de alguma forma conectados, como se algo conspirasse para uni-los. Que tipo de força era aquela, ambos não compreendiam. Não conseguiam explicar. Mas ela existia e estava lá, pairando sobre eles.

Em um gesto impensado, quase involuntário, Edward capturou entre os dedos a mão de Isabella que descansava em cima de seu abdômen. Ela não ofereceu resistência, permitindo aquele enlace. Conectando-os ainda mais.

Olhando para as mãos unidas, os dedos entrelaçados, o federal sentiu-se bem. Sorriu de lado, preguiçosamente, acariciando a pele macia da mão de Isabella com o polegar.

Os olhos da mafiosa também estavam cravados na singela união, e por mais incrível que parecesse, aquilo não a assustava, não a incomodava, muito pelo contrário, o toque, estranhamente, lhe trazia paz. Uma segurança há muito tempo não sentida.

Isabella aconchegou-se mais ao federal, acomodando sua cabeça confortavelmente entre o pescoço e os ombros largos. Em resposta, com o braço que prendia a mulher ao seu lado, Edward a puxou mais fortemente para ele, dando-se conta de que, ela tinha tomado o primeiro passo, ela tinha se aconchegado a ele, como já tinha feito antes, enquanto dormia. Dessa vez, entretanto, Isabella estava com os olhos bem abertos.

Ela se aconchegou a ele, talvez não conscientemente, mas mesmo assim, acordada. Como ele mesmo pensou que um dia ela faria. Aquilo, para o federal, era simplesmente... bom demais.

Naquele momento, mesmo que não soubessem, mafiosa e federal constataram a mesma coisa. Acima de “Victorias” e “Jacobs”, de Charles, acima da moral e das normas de conduta, da máfia e da própria lei... Aquilo parecia a coisa certa. Os dois juntos, como estavam agora, era o certo e, a partir daquele momento, tudo o que importava.

Notas finais
Análise de RDS: http://amigasfanfics.blogspot.com.br/2014/02/amigas-fanfics-recomenda-rede-de.html É isso meninas! Sintam-se seduzidas pelas caixinha de comentários!