Rede De Segredos
23 Capítulo 21
Notas iniciais
Perdoe a demora, vários fatores me impediram de postar antes!
Esse capítulo é dedicado a Ísis Kane, pessoa linda que recomendou RDS! Obrigada, mil vezes obrigada!
Quanto aos comentários: Muito obrigada por eles. Responderei todos os atrasados ainda HOJE! hahaha
Aviso triste no final do capítulo. Não deixem de lê-lo!
Boa leitura!
Depois de terem alcançado o ápice por duas vezes, federal e mafiosa ficaram calados por um longo tempo... Edward tentava se convencer de que aquilo que a mulher disse era verdade enquanto Isabella tentava convencer-se justamente do contrário.
Ela não poderia ter falado aquilo. Por que diabos, falara? Não deveria confiar nele, não deveria abrir-se para ele daquele jeito... Não fora educada para aquilo. Ela era uma mafiosa, uma criminosa, uma assassina. O que passou pela sua cabeça, quando decidiu chamar um policial para vivenciar o seu dia-a-dia?
Sentiu-se estranhamente sem chão, como se houvesse sido dragada para uma outra realidade, totalmente diferente da sua, e só se desse conta agora.
Como? Como ela conseguiu falar que confiava nele?
Quer dizer, ela poderia mesmo confiar nele? Deveria?
- Eu estou preocupado, Isabella – a mafiosa ouviu a voz masculina, mas não se moveu um centímetro sequer – Eu não entendo porque aquele maldito motoqueiro erraria um tiro propositalmente... O que ele quis dizer com isso? E que relação existe entre ele e nossos perseguidores?
Isabella prontamente ignorou as indagações, deixando que morressem como se fossem perguntas retóricas. Ela estava abalada demais no momento para pensar em qualquer coisa que não fosse a burrice que acabara de cometer.
Apesar de ter seu corpo nu ao lado do de Masen, o que de fato incomodava a mafiosa era a nudez que sua alma parecia ter adotado. Ele sabia sobre o estupro e para completar ela falara audivelmente que confiava nele.
Fez uma careta, torcendo para que aqueles últimos fatos fossem um pesadelo, aquele sentimento de invasão se esvairia assim que ela abrisse os olhos novamente. Mesmo que tentasse acreditar na hipótese, sabia que não era verdade. Aquilo tinha acontecido e ela nunca esteve tão confusa, nunca se sentiu tão incapaz para ler os seus próprios pensamentos.
Impelida pela vontade de tampar-se novamente, vontade de delimitar uma distância do que se passava dentro dela, para o que ela deixava vir a tona, Isabella resolveu se levantar daquela cama. Foi quando, em decorrência de uma pontada na perna, ela soltou um gemido de dor, trazendo automaticamente toda a atenção do federal para ela.
- O que foi, linda?
Isabella mordeu o interior das bochechas, prendendo um novo gemido. Aparentemente tinha abusado demais com as atividades dessa noite. Seu sangue molhava a gaze tão cuidadosamente posta por Alice.
O federal levantou da cama, encarando o curativo pintado pelo vermelho.
- Merda, eu deveria ter sido mais cuidadoso! Que porra eu estava pensando! Eu vou cuidar disso, Isabella.
E agora, enquanto ele fazia um novo curativo, se desculpava incontáveis vezes.
- Perdão, linda... – O federal sussurrou mais uma vez, terminando de limpar o sangue que voltava a sair lentamente.
- Eu juro que se você não calar a boca vai ter que arranjar outro lugar para dormir, Agente Masen.
Edward, que começava a enrolar a coxa dela com gaze limpa, lançou o poder do verde esmeraldino para as feições duras que a mulher adotara.
- Eu tenho que me desculpar, não vê? Seu ferimento estava praticamente cicatrizado!
Isabella soltou um gemido raivoso.
- Pare de me tratar como se eu fosse feita de papel, Agente Masen! – ela capturou os olhos dele com os seus, para depois afirmar pausadamente – Eu. Não. Sou. Frágil.
Edward rapidamente sentou-se na cama e capturou o rosto dela entre as suas mãos.
- Você, Isabella, é a mulher de mais fibra que conheci em toda a minha vida. – O hálito dele acordava sensações em seu baixo ventre. O desejo que ela julgava saciado por essa noite, despertando violentamente – O que não quer dizer que você não mereça ser cuidada, que não possa ter seus momentos de fraqueza.
Isabella engoliu em seco, tentou controlar o temperamento intempestivo que por ventura apareceria. Ele tinha dito momentos de fraqueza. Mas o Agente Masen não sabia de nada, não entendia.
Ele não fora criado como ela, não conhecia quais são os códigos de conduta dentro de uma máfia, não saberia o quanto ela deveria ser boa para um dia estar no comando da instituição. Isabella não poderia fraquejar. Mas era o que estava acontecendo, desde que Edward Masen Cullen entrara em sua vida.
- Você vai terminar esse curativo ou terei que fazer eu mesma?
Edward sorriu tristemente, balançando a cabeça, constatando que ela se esquivara de sua assertiva.
- Você é um ser humano, Isabella. Não uma maldita máquina. Não tem que ser forte e estar certa o tempo todo.
Sabendo que não arrancaria nada da mulher a respeito daquele assunto, Edward deu um beijo demorado em sua bochecha, voltando finalmente para o seu trabalho com o curativo.
O quarto ficou em um silêncio desagradável tanto para o federal quanto para a mafiosa, ambos presos aos seus pensamentos. Mas, por mais que fosse incômodo, os dois prefeririam mil vezes o silêncio instalado ao que ouviram no momento em que Edward finalmente terminava o curativo.
Gritos. Vindos da sala.
Rosalie.
O federal se pôs de pé em um rompante, trocando um olhar significativo com a mafiosa. Vestiu a calça de moletom cinza e saiu do quarto apressado. Isabella levantou-se o mais rápido que pode da cama para não destruir o curativo recém-colocado. Fisgando o robe negro, procurou pela arma no móvel ao lado da cama, afinal, não poderia saber o que estava acontecendo na sala.
Foi com grande alívio, ao chegar ao cômodo, que percebeu que não havia ninguém que não deveria estar ali. Mas a sensação a abandou tão rapidamente quanto chegou. Edward encontrava-se agachado, abraçando apertado uma Rosalie que chorava copiosamente.
Isabella procurou os olhos de Alice.
- O que aconteceu? – praticamente sussurrou. A morena a encarou com os olhos castanhos brilhando em preocupação.
- Acho que ela sonhou, com... você sabe. – Sussurrou de volta.
Isabella assentiu. Era de se esperar, ela também passara por aquilo. Encostou seu corpo na parede, mantendo uma distância saudável da cena que se desenrolava a sua frente.
- Foi horrível, Ed... Foi horrível... Eles estavam lá... – Rosalie murmurava incoerente – Eles me pegaram... me pegaram...
- Shii, pequena. – Edward acariciou os cabelos dela – foi só um sonho ruim.
Rosalie balançou a cabeça atormentada.
- Não... Não foi... Isabella... – Edward olhou para a mulher no canto da sala, suplicando com os olhos que ela fizesse alguma coisa. Rose parecia ter ficado tão melhor depois da conversa das duas – Onde está a... Isabella, Ed?
A mafiosa respirou fundo, não acreditando que ela própria se colocara naquela situação. Alice também lhe suplicava com os olhos para que fizesse alguma coisa. Bufou antes de dar um passo a frente. Se dissesse que não sentia nada vendo a menina daquele jeito, estaria mentindo, mas justamente o medo de sentir cada vez mais trabalhava para mantê-la afastada dela.
- Estou aqui, Rosalie. – Disse vencida. O rosto coberto de lágrimas rapidamente se levantou em direção a ela.
- Eu não sou como você, Isabella. Eu nunca vou superar isso. Foi horrível...
A mafiosa deu mais um passo para frente.
- Não diga isso, Rosalie. Lembra-se da nossa conversa? Você tem que querer.
- Mas... mas, eu sonhei... – repetiu, agarrando-se ao colo de Edward que agora estava sentado ao seu lado no sofá.
Isabella meneou a cabeça.
- Isso não quer dizer nada. – Garantiu, laçando o poder de seu olhar sobre a menina assustada. Mas aquilo ainda não foi o suficiente para ela.
- Você... Você sonhou... também?
Isabella estava muito consciente do olhar de Edward que queimava sobre a sua pele, esperando a sua resposta, analisando suas mínimas expressões. Não se deixou olhar para ele, focando sua atenção em Rosalie. Teve que raspar a garganta antes de finalmente admitir.
— Sim, sonhei...
Rosalie balançou a cabeça mais uma vez, agora mais tranquila. Se Isabella tinha conseguido, talvez ela também conseguisse. Voltou seus olhos vermelhos para o irmão.
- Eu tenho medo que me achem de novo, Ed.
Edward a trouxe ainda mais para perto, guardando-a em seus braços como se eles fossem a proteção que ela tanto ansiava.
- Não, meu amor. – Isabella assistiu, aterrorizada, as lágrimas que saiam dos olhos do federal. Ele era o puro sofrimento — Ninguém encostará em você daquele jeito novamente, pequena. Eu jamais permitiria.
Isabella parou de respirar por um breve momento, sentindo o peso da cena se abater sobre ela. O espaço da caixa torácica ficou, de repente, muito pequeno para comportar as batidas de seu coração. Será que o federal sabia que aquela era uma promessa que não poderia cumprir? Ele era um alvo para a máfia italiana, e Charles não desistia assim tão facilmente.
Sentia-se mal a cada minuto que passava olhando aquela cena. Agora, o federal e a Rosalie encontravam-se abraçados, os dois chorando. Ela nunca havia visto o federal chorar antes e se sentia desconfortável diante daquilo.
O homem levantou os olhos para ela, e a dor que passava por eles era demais para Isabella suportar. Sentiu que Alice colocou a mão em seu ombro, fazendo vários círculos com o dedo indicador, como se a tranquilizasse.
Mas não era ela quem precisava de conforto era?
Por que se sentia daquele jeito? Por que doía ver o federal assim? Isabella fechou os olhos rapidamente, aspirando o ar com força.
- Nada vai lhe fazer mal, pequena. Eu prometo. – Edward murmurou.
Algo subiu até a garganta de Isabella, asfixiando-a. Ela levou sua mão até o pescoço, tentando arrancar a sensação a todo custo, mas não adiantaria. Saiu apressada da sala, correndo como podia até seu quarto, trancando-se no banheiro.
Apoiou-se na pia, negando seu reflexo no espelho. Apenas respirou fundo e tentou dissipar a ânsia de vômito que de repente a acometera. O que diabos estava acontecendo com ela?
- Bella, você está bem? – a voz de Alice surgiu do outro lado da porta, mas Isabella a ignorou. Tão perdida em seus próprios pensamentos como estava, não saberia dizer se realmente ouviu o que a mais nova perguntara.
O federal ainda sofreria muito nas mãos de Charles. Dessa vez foi a irmã, da próxima poderia ser a mãe, os amigos... E quem garantia que o Swan não tentaria mais alguma coisa contra Rosalie? Ela o conhecia bem, seu tio não era homem de desistir.
Por que ela não podia conviver com isso? Com a ideia de que o sofrimento dele estava apenas começando?
- Bambola, Per l'amore di Dio. Abra essa porta! Deixe-me vê-la!
Isabella socou a bancada de granito.
- Eu estou bem! Me deixe em paz! – a mafiosa levantou um pouco a voz para que Alice escutasse do outro lado da porta.
Ela estava bem, tudo ficaria bem. A única que poderia impedir que alguma coisa acontecesse era ela. E Isabella sabia o que tinha que fazer.
Ela tinha que ir até Charles. Iria encará-lo depois de ter traído a máfia.
~-~
As quatro pessoas dentro do apartamento encontravam-se na cozinha, tinham acabado de almoçar naquele exato momento. Edward e Alice conversavam, com a participação contida de uma tímida Rose. Mas Isabella permaneceu toda a refeição calada.
Depois daquele almoço, Edward levaria Rosalie de volta para a mansão Masen, e ela encararia seu tio. Não sabia o que esperar dele e estava, de fato, temerosa a respeito.
A campainha soou no apartamento acordando Isabella de seus pensamentos. Achando aquilo estranho ela pulou rapidamente da cadeira.
- Eu atendo. – se deu o trabalho de declarar quando deixava a cozinha.
Quando Isabella abriu a porta que separava seu apartamento do corredor, teve que piscar várias vezes para internalizar o que via.
- Bom dia senhorita fora da lei. – O homem repuxava levemente os lábios, em um prenuncio de um pequeno sorriso, expressão já suficiente para mostrar suas covinhas protuberantes. As grandes responsáveis pela permanência do ar infantil que sempre cercava a figura masculina.
- O que diabos você está fazendo aqui? – Isabella inquiriu, sussurrante. Fechou a porta corrediça atrás de si sem pensar duas vezes.
Emmett franziu as sobrancelhas não compreendendo o gesto da mafiosa.
- Eu vim ajudar o Edward... Vamos levar Rose para casa.
As bochechas bem definidas da mafiosa saltaram para cima, decorrência do riso sarcástico que agora figurava seus lábios.
- Que bom que veio, Agente. Afinal, Rosalie é um elefante de cinco toneladas que precisará ser içada até o carro. Pensando bem, não sei se você e o federal serão suficientes... Já considerou trazer toda a força policial de Boston para ajudá-los?
Emmett não pode conter a pequena gargalhada que se formava em sua garganta enquanto ouvia a mafiosa e seu extremo sarcasmo. Aquele artifício, que na maioria das vezes, era usado como uma espécie de barreira, um delimitador invisível, que repelia a aproximação de quem quer que fosse, surtia um efeito contrário em Emmett. O grandão achava aquelas frases muito espirituosas e engraçadas.
- Tudo bem... – ele levantou as mãos para o céu, rendendo-se – Eu queria ver a Rose.
Isabella cruzou os braços na altura do peito, franzindo levemente o nariz.
- Tudo estava muito recente quando você apareceu magicamente naquele beco, e eu não tive tempo para analisar o que sua presença realmente significava...
- Eu já lhe disse o que aconteceu... – Emmett a interrompeu, coçando os cabelos como um menino que tenta escapar de uma reprimenda, ou não quer ser pego praticando algum tipo de arte.
Isabella deu um passo firme a frente, quase feliz ao constatar que sua perna já estava melhor e não mancava. Lançou toda a frieza de seu olhar na figura do homem mais de uma cabeça maior do que ela.
- Se tem uma qualidade que eu aprecio, Agente McCarthy, é a de saber ouvir. Virtude que você, obviamente, não possui. Eu detesto ser interrompida no meio de um raciocínio, e por isso, peço que faça o esforço hercúleo de manter a sua língua grande dentro da boca quando eu estiver falando.
Emmett arregalou os olhos castanhos teatralmente, absorvendo o pedido que revestia a ameaça velada.
- Já te disseram que você parece uma poderosa chefona falando desse jeito? Ainda estou esperando a parte que manda me matar no melhor estilo “cortem as cabeças”.
Isabella estreitou ainda mais os olhos, fuzilando o homem com o seu olhar.
- É ai que você se engana, Agente. Não sou do tipo que ordena. Sou do tipo que executa. – Isabella tentou ignorar a última declaração dele. Aquela característica de fazer piada de absolutamente tudo parecia algo inerente a sua figura.
- Como eu dizia – a mafiosa retomou seu discurso ironicamente – sua aparição no beco é algo no mínimo... curioso. Rosalie já foi para o baile sabendo que só você estaria lá, não faz o menor sentindo ela, de repente, fugir e querer comprar bebida. O que me faz questionar o que teria acontecido para tomar essa decisão.
Emmett engoliu em seco, e tentou manter seu olhar firme no da mulher a sua frente. Ela tinha uma força incrível naquele azul. Parecia que literalmente lia sua mente enquanto divagava.
- Você estava na festa exclusivamente para acompanhar Rose... Mas teve que rastrear o carro para encontrar o paradeiro dela. Todos esses fatos me levam a uma conclusão, Agente McCarthy, algum novo fator desestabilizou a menina aquela noite. E esse fator tem ligação direta a você!
Emmett balançou a cabeça em negação, o rosto assumindo uma pequena carranca.
- Você foi o responsável por ela ter saído daquela festa. Eu sei disso. O que foi que você fez?
- Eu jamais faria algo para machucá-la. – Emmett assegurou, irritado.
Isabella lhe lançou um olhar de desconfiança.
- Pois, ao que me parece, foi exatamente o que fez.
Emmett tentou agarrar a mulher pelos braços, mas ela se esquivou, sua expressão assumindo um tom indignado.
- Não ouse me tocar! – Isabella advertiu.
Emmett levou as mãos até o cabelo castanho avermelhado.
- Não vê? Eu não quero que ela sofra! Eu não quero que ela... – Parou tentando recuperar o fôlego e uma sequencia lógica de pensamentos – Se eu pudesse voltar até aquele dia...
E tudo então ficou muito obvio aos olhos de Isabella, ela lançou um sorriso escarninho.
- O federal sabe que você está se engraçando com a irmãzinha dele?
Os olhos marrom cor de chocolate se arregalaram, Emmett levantou o dedo para Isabella.
- Não coloque desse modo...
Emmett praticamente gritava e Isabella o interrompeu.
- Se quiser preservar esse dedo em sua mão, Agente McCarthy, é melhor tirá-lo da minha cara. – sibilou.
Não houve tempo para outras palavras, alguém saía pela porta corrediça, fechando-a logo em seguida.
- O que está acontecendo aqui? – Alice sussurrou – O prédio todo deve ter sido capaz de ouvir esse grito.
Isabella bufou, era só o que lhe faltava. Alice.
- Uhmm – a morena avaliou os dois participantes da conversa – Ninguém foi baleado ainda, acho que posso considerar isso como um bom sinal.
Seus olhos chocolates voltaram-se para os perturbados do homem.
- Eu não te conheço – pontuou, fazendo uma pequena careta – Sou Alice.
Emmett pegou a mão estendida dela, esboçou um sorriso.
- Emmett. Sou amigo do Edward.
Isabella riu chamando a atenção dos dois.
- Amigo? Agora chamam de amigo quem quer “se aproveitar” da irmã do outro. Interessante nomenclatura.
Alice soltou-se rapidamente do aperto de mão e olhou energicamente para o homem.
- Isso é verdade? O que você quer com a Rosalie?
Emmett soltou um gemido de frustração.
- Isso não é verdade, Isabella Swan! Eu já lhe disse! Eu jamais faria mal a Rosalie... Eu... Eu só quero o bem dela!
Isabella o encarou debilmente e Alice soltou um “o” sonoro. A baixinha olhou novamente para o semblante do agente que parecia profundamente entristecido.
- Você está errada, Bella. – O homem a olhou surpreso e a mafiosa concluiu que aquele definitivamente não era o seu dia.
- Você não vê, Bambola? – Alice continuou, colocou uma mão no ombro masculino em sinal inconsciente de suporte – Ele está apaixonado pela Rose.
Isabella fechou as mãos em punho, tentando controlar a vontade de pular no pescoço de Alice.
- E sabe disso como, Sherlock? Você acabou de conhecê-lo! Ele é o responsável por ela ter fugido na noite do baile.
- Co... Como sabe Alice? – Emmett perguntou.
A baixinha deu de ombros.
- Eu sou tão boa quanto você em ler pessoas, Isabella! Se não deixasse seu preconceito com sentimentos cegá-la, também veria isso. – ela voltou seus olhos para os do homem – É meio obvio que está, Emmett. Essa cara de cachorro sem dono é meio característica.
Isabella fechou os olhos, negando-se a acreditar no que estava presenciando.
- Apaixonadinho ou não. É melhor contar logo para o federal ou prefere que eu mesma o faça? – inquiriu, cruzando os braços – Vamos ver o que ele vai achar de um relacionamento entre vocês dois.
Dessa vez foi Alice quem deu um passo a frente, sua expressão implorativa.
- Você não pode fazer isso, Isabella! Você acabaria com tudo! Tem que deixar Emmett conquistar Rosalie primeiro.
A boca de Isabella levemente se abriu e fechou-se novamente em uma linha dura. As sobrancelhas quase se juntaram.
- Como é que é?
Alice mordeu os lábios, olhando incerta.
- Edward vai pensar a mesma coisa que você se contar a ele agora. Rosalie e Emmett precisam de tempo para descobrir o que sentem, Bambola.
Isabella levou as mãos até os cabelos negros, ficando a milímetros de Alice.
- Você é inacreditável, Alice... Simplesmente... – a mafiosa balançou a cabeça enraivecida e não aguentando mais aquela coversa, adentrou novamente a sala. Os olhos de Edward imediatamente foram até ela.
- Isabella? – ele disse, incerto. A mulher parou um instante.
- Dê boas vindas ao seu amiguinho, Federal – ela disse com um sorriso zombeteiro, mas seus olhos não deixavam Edward se enganar. Ela estava com raiva – Afinal, eu adoro receber policiais em minha casa!
Dizendo as palavras, Isabella seguiu apressadamente para o seu quarto, adentrando o closet na missão de achar alguma roupa bonita, talvez um vestido que escondesse seu ferimento, já que calças apertavam demais a área vitimada.
Ela iria ver Charles. Hoje.
Mesmo os passos sendo silenciosos e cautelosos, tal qual os de um militar, Isabella ouviu quando Edward adentrou o cômodo. Sentiu quando ele se posicionou alguns centímetros atrás dela.
- Isabella – chamou roucamente e ela odiou seu corpo por responder aquela voz, arrepiando-se e fraquejando diante dele. — Olhe para mim, linda.
Ela o fez, girando o corpo cento e oitenta graus, agarrada ao vestido azul marinho que tinha escolhido.
- Eu disse para que ele não viesse, eu sei o que você pensa a esse respeito – Edward levou uma mão, afastando uma mecha do cabelo negro que caia diante do olho azul – Eu jamais desrespeitaria isso, Isabella. Você acredita em mim?
A mulher fechou os olhos, lutando para não apreciar o toque dele em sua bochecha. Tentou ignorar sua pele que queimava.
- Do que isso importa agora, federal? Ele já está aqui, não está? Provavelmente criando raízes na sala de estar!
Isabella desviou-se do corpo do homem, rumando para o quarto, jogou seu vestido na cama, e quando tentou voltar para procurar um sapato adequado seu braço foi brecado por Edward.
- Importa para mim, Isabella. Importa para mim que acredite. Que saiba que eu não traí sua confiança.
Isabella estreitou os olhos, sabendo que aquela palavra fora usada propositalmente.
- Solte o meu braço, Federal. – Isabella sibilou.
Edward fez justamente o contrário, abraçando-a pelas costas, a mão espalmada em sua coluna. Isabella tentou distanciar o tronco dele o máximo que podia, o que não era muito.
- Você acordou arredia hoje, linda. – o federal expos – Não tem problema, uma das coisas que eu mais gosto de fazer é te domar.
O queixo de Isabella caiu enquanto ela digeria a ousadia que ele acabara de proferir.
- Como ousa? – ela bateu com os punhos fechados no peito do homem, tentando livrar-se de seus braços.
- Isso gatinha brava, esperneie... – Edward riu, trazendo a mão que antes segurava o braço de Isabella para a nuca dela, o corpo da mafiosa estava inflado pelo ódio.
- Eu te odeio, Fede...
Mas ela foi incapacitada de terminar sua fala, seus lábios sendo imprensados pelos do homem. Isabella bem que tentou afastá-lo, chegando a morder fortemente o lábio inferior dele, mas Edward jamais desistiria.
O federal puxou os cabelos negros com força fazendo Isabella arfar, dando-lhe a oportunidade perfeita para invadir a sua boca. Isabella logo correspondeu, e o beijo se deu violento, revindicativo. Ambos os lados recusando a se dobrar. No entanto, Isabella já tinha sua mão agarrada ao colarinho de Edward, puxando-o cada vez mais para ela, mesmo que não se desse conta do ato...
- Do que você estava falando mesmo, Isabella? – Edward perguntou provocadoramente, sugando o lábio inferior carnudo dela.
Isabella precisou de um momento para equilibrar-se em suas próprias pernas.
- Vá a merda, Agente Masen! – ela praguejou, finalmente tendo seu corpo livre de Edward. Afinal, por mais que seu desejo por ela fosse latente, e totalmente despertado por um único beijo, o federal sabia que não poderiam continuar com aquilo agora. Não com sua irmã, Emmett e Alice, todos muito bem acordados, na sala de televisão.
Foi então que ele virou-se para a cama novamente, notando pela primeira vez o vestido que Isabella tinha escolhido.
- Você vai sair? – perguntou com estranheza, virando-se para a figura feminina e vendo que ela escolhia um sapato agora.
- Você vai levar sua irmã até a casa da sua mãe. Enquanto isso eu vou sair.
Edward deu dois passos até ela.
- Onde vai?
Isabella virou-se para ele.
- Resolver alguns problemas.
- Que problemas?
Isabella bufou, finalmente escolhendo seu sapato e levando-o para o lado da cama.
- Meus problemas, Federal. Problemas que não são da sua maldita conta.
Edward cruzou os braços na altura do peito, assumindo uma postura raivosa.
- Quem vai estar lá?
Isabella levou as mãos para a cabeça, buscando forças para continuar.
- Ninguém que te interessa, federal. Agora, eu preciso trocar de roupa, pode me dar licença?
Edward quase gargalhou.
- Não é como se eu já não houvesse decorado tudo o que está por debaixo desses panos, Isabella. – ele disse, referindo-se ao short e a blusa larga que ela usava.
A mulher aceitou o desafio.
- Tudo bem então, Agente Masen. Você quem sabe! — Isabella disse, começando a puxar a blusa para cima, revelando o sutiã vinho rendado que usava.
- Ficou doida mulher? – Edward foi até a porta do quarto fechando-a em um rompante – E se o Emmett aparece aqui?
Isabella riu ironicamente, perdida em sua piadinha particular. Não era bem o seu corpo que o agente McCarthy queria ver daquela forma. No entanto, não perderia a chance de irritar o federal.
- Então, talvez o desse a oportunidade de dar uma boa olhada e decorar minhas curvas, também. O que acha, Agente Masen? Não é justo que só você...
Em um instante Edward agarrava o queixo de Isabella, fazendo-a olhar em seus olhos.
- Não me provoque, Isabella. Não brinque comigo. – com a mão livre Edward prendeu a cintura da mulher firmemente – Não me faça querer lembrá-la a quem você pertence.
Isabella balançou a cabeça em uma negação.
- Não adianta, Isabella. Você já admitiu que é minha, não se lembra? Que seu corpo é meu! – Edward beijou o maxilar dela, trilhando um caminho até o ouvido feminino – Estou com vontade de fazê-la se lembrar, linda. De fazer você gemer meu nome alto, mesmo que todos na sala ouvissem isso.
A mulher engasgou e Edward riu por seu feito. Mas toda a graça passou quando o homem tornou-se consciente do corpo dela tão próximo ao seu. Olhou para baixo, vendo que os seus seios quase pulavam para fora do sutiã, graças à respiração descompassada que a mulher adotara.
Foi a vez do federal engolir em seco, e sabendo que não aguentaria começar uma coisa que não poderia terminar, afastou-se da mulher.
- Acho melhor eu te dar privacidade, Isabella – disse, caminhando em direção a porta. Um segundo antes de sair virou-se, e olhando para o vestido em cima da cama, completou: — Eu adoro essa cor em você.
~-~
Charles Swan massageou as têmporas com os longos dedos. Maquinava seu próximo passo. Carlisle Cullen não respondera aos seus telefonemas. O homem estava, tecnicamente, incomunicável. Charles evitaria ao máximo encontrá-lo por meio da máfia, mas já se via sem saídas. Não poderia permitir que tudo o que ele construiu ruísse. Jamais deixaria que alguém lhe arrancasse Isabella. Ela era seu mais valioso bem.
A porta do escritório se abriu e por um minuto Charles Swan pensou que era tarde demais. Estava tudo acabado. Era a sua Isabella e ela tinha descoberto absolutamente tudo. Ou pior, ela tinha se lembrado de tudo! Sua menina estava ali para destruir o que sobrava do seu coração.
Contudo, aquela tragédia montada em sua cabeça não durou muito tempo. Assim que mirou a expressão confusa de Isabella pela paralisação dele. Ela não sabia de nada. E se dependesse de Charles, continuaria assim.
- Tio Charles? – Isabella perguntou incerta, afinal, não sabia o que esperar dele depois do que ela fizera no beco.
Mas o Swan só enxergava uma coisa a sua frente. A alegria. A alegria de saber que a menina ainda o pertencia.
Em um gesto totalmente impensado para ele, e totalmente surpreendente para ela, Charles levantou-se em um átimo, alcançando a figura em pé de Isabella e a prendendo entre seus braços.
Isabella sequer se lembrava da última vez que o tio a abraçara. E depois de um instante de tremendo espanto, a mulher correspondeu, passando seus braços incertamente ao redor dele, espalmando as mãos em suas costas.
Era uma sensação boa, ponderou Isabella. Como se um vazio que ela nem sabia que existia estivesse sendo preenchido. Fechou os olhos para aproveitar mais do calor que sentia vindo do corpo do tio, e foi quando tudo se desfez.
Charles não a abraçava mais. Ele agarrava-a pelos braços com muita força.
- O que deu em você, Isabella? O que pensou que estava fazendo naquela maldita noite que você impediu o sequestro daquela garotinha dos Masen?
- Tio Charles, eu... – ela tentou falar alguma coisa, qualquer coisa. Mas foi interrompida por Charles.
Isabella visualizou bem a mão estendida do tio descendo certeira para sua face. Ela sabia o que aconteceria e fechou os olhos, resignada. O contato se fez, e tamanha fora a brusquidão do tapa, que ela caiu ao lado do sofá preto. Apoiou-se no sofá como pode, sua face ardia.
Charles agachou-se ao lado dela, e prendeu a mão direita em volta do pescoço feminino, Isabella via a raiva transbordando de todos os poros do tio. Tentou, ao máximo, não lutar contra, mas suas mãos foram de encontro a dele que apertava sua garganta, um ato reflexo, por já estar quase sufocando.
- Calada, Isabella. Só abra a boca se eu ordenar.
Isabella tentou, inutilmente, balançar a cabeça em concordância. Mas o aperto em seu pescoço era forte demais agora. Seus olhos já lagrimejavam e sua visão estava turva.
Isabella sabia. Ela iria desmaiar.
Notas finais
Sei que a maioria de vocês não sabem mas, estou prestando vestibular esse ano. O que vocês sabem é que (ou espero que saibam) o ENEM está se aproximando. A prova será realizada no fim de outubro.
Eu tento vestibular (esse é meu primeiro ano de cursinho) para Medicina. E cada vez mais meu tempo tem ficado escasso para fazer algo que me alivia das tensões do vest e que tanto gosto, que é escrever.
SE ACALMEM, NÃO VOU PARAR DE POSTAR RDS! hahaha
Não, não vou parar. Mas sei que tenho que me dedicar ainda mais até a prova do ENEM, então as postagem vão diminuir. :(
Para vocês não ficarem perdidas, ou acharem que não vou postar mais, eu fiz um cronograma. (e um calendário que estará disponível no grupo de Rede de Segredos no face)
Essa é última postagem de agosto.
Postagens de setembro:
14/09 (sab) - Capítulo 22 (e aniversário da autora! HAHAHA)
28/09 (sab) - Capítulo 23
Postagens de Outubro:
10/10 (quinta)- Capítulo 24
Só teremos uma postagem em outubro por ser, justamente, o mês do Enem.
Em novembro para compensar, postarei em vez de cinco vezes, como seria o correto, seis vezes!
Espero sinceramente que compreendam!
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