Rede De Segredos
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Olá minhas queridas leitoras, como estão?
Queria agradecer imensamente as meninas que comentaram o último capítulo!
Fique MUITO feliz porque RDS chegou a 100 COMENTÁRIOS!!!! Muito obrigada gente, é por vocês que eu posto aqui! Capítulo dedicado a todas que comentaram, perguntaram, prospectaram desde o primeiro capítulo! Mil vezes obrigada!
Além disso, fiquei AINDA mais feliz, porque recebi duas RECOMENDAÇÕES LINDAS!. Uma da ELOISA (muito obrigada mesmo, já entrei em contato com você e disse como me senti com a recomendação! :)))) ) e a outra da JUH (Você dispensa comentários, sua linda! Sabe o quanto eu fiquei emotiva! Muito obrigada mesmo!!!!)
Bom, é isso! Nos vemos nas notas finais!
Isabella nunca entendera porque uma pessoa precisava de aulas para saber andar. Aquilo era uma característica que todo ser humano saudável eventualmente desenvolveria. Quando sua vó começou a ministrar lições de como ela deveria andar e se portar, aos 14 anos, Isabella achou enfadonho e extremamente irrelevante.
Até agora.
Enquanto caminhava para a porta da frente do galpão, já sendo observada por dois seguranças, Isabella teve que se concentrar para manter os passos alinhados. Edward Masen se encontrava logo atrás dela, pronto para assistir o que ela iria fazer ali.
E na cabeça de Isabella não existia uma realidade na qual aquilo acabaria bem. Mas, mesmo assim, lá estava ela, convidando-o para entrar em seu mundo. Dando-lhe mais uma vez, um meio de destruí-la. A Swan percebeu a contra gosto que estava com o orgulho ferido. Mas, não compreendia como o agente Masen conseguia a perturbar daquela maneira.
Aproximando-se da entrada Isabella vislumbrou o segurança mais jovem, e imediatamente sabia que era novo por ali. Estava acompanhado de Sam, que já era velho de casa. Isabella logo constatou que o garoto estava adquirindo experiência.
– Boa noite senhorita Swan! – Sam saudou, respeitosamente, abaixando a cabeça quase como em uma reverência. Gesto esse que não passou despercebido aos olhos atentos de Edward Masen.
– Boa noite, senhorita. – O mais jovem repetiu tenso, visivelmente querendo que Isabella não estivesse ali, ou pelo menos, que ela não aparecesse justamente durante o seu turno.
Isabella escrutinou a figura do jovem a sua frente, não deveria ter mais do que 18 anos e ainda cheirava a fraldas. No entanto, não a surpreendia que ele já estivesse encarregado da vigilância, visto que Paul era um tremendo de um incompetente. Por mais que tentasse, ela nunca entenderia como Jacob confiara tanto poder ao Lahote. Eram irmãos, Isabella bem sabia, o que não era uma desculpa para o fato. Alec também era seu parente e nem por isso ela lhe confiaria um cargo de importância se o mesmo não tivesse competência para isso.
O que de fato, não possuía.
– É novo? – Quando falou Isabella dirigia-se estritamente a Sam.
– Sim – Ele respondeu prontamente, mudando o fuzil de lado – Está sobre supervisão. E já deveria ter começado com as perguntas, não é mesmo Seth?
– Oh sim, sim. – o jovem engoliu em seco pensando em quais das perguntas de segurança caberiam a Swan. Não poderia simplesmente perguntar para a sobrinha de Charles Swan se ela trazia alguma arma, muito menos revistá-la. Contorceu-se com a última ideia. Ela era bonita demais. Tanto, que parecia pecado tocar em sua pele.
– Ele está com a senhorita? – Seth perguntou, agradecendo por alguma coisa ter saído pela sua boca.
– Sim... – Isabella respondeu devagar como se falasse com alguém com problemas mentais.
– Ele... faz parte da or.. da organização?
Edward quase soltou uma gargalhada estrondosa, mas conteve-se, preocupado que o gesto, de fato, o denunciasse.
– Não. Ele é um agente do FBI que eu deveria ter matado, mas ao contrário disso resolvi trazê-lo para conhecer o mundo dos serviços informais.
Seth arregalou os olhos com traços orientais para Isabella, sem saber o que fazer. Edward engoliu ruidosamente. Isabella tinha mesmo contato toda a verdade sobre a camuflagem de uma ironia?
– Essa é a hora que você aponta a arma e atira, criança.- Isabella continuou, olhando sugestivamente para Seth que empunhou a arma nervosamente em direção a Edward Masen. Isabella então, com um movimento rápido, abaixou o fuzil pelo cano, voltando-o para a posição inicial.
– Você é um imbecil? – ela perguntou friamente – Acha mesmo que eu traria um policial para um galpão com drogas e armas?
Seth abaixou a cabeça se sentindo um completo idiota e Sam tinha uma expressão de extremo divertimento. Para Edward coube a nota mental de que jogar poker com aquela mulher deveria ser um inferno. Ela contava a verdade e blefava com a mesma eloquência.
Certamente passaria por qualquer polígrafo.
– Olhe para mim quando eu lhe dirigir a palavra, garoto. – Os olhos temerosos de Seth se voltaram para Isabella – Mais uma dessas e dê adeus ao seu empreguinho...
Sam deu mais uma risada, antes de se virar para analisar a figura do agente Masen. Torceu o nariz brevemente e voltou-se para Isabella.
– É necessário revistá-lo, senhorita?
Isabella o encarou com os olhos gélidos.
– Ele está comigo, Sam. Qual parte da frase você não entendeu?
Sam balançou a cabeça brevemente, abrindo a porta e cedendo passagem para os visitantes. Não passou despercebido a Edward o olhar que Seth lançou para o corpo da criminosa assim que ela lhe deu as costas. Mas antes que ele próprio o “repreende-se”, Isabella girou a cabeça para trás.
– Tem ideia do que vai acontecer com você se algum dia eu desconfiar que está me olhando desse jeito de novo?
Seth gaguejou.
– Vou perder o meu emprego... – por fim disse, em um fio de voz.
A criminosa repuxou o lábio em um sorriso diabólico.
– Você perderá algo sim, garoto. Sua estimada vidinha. – Isabella virou-se para Sam – Quando eu sair não vou querer sentir o cheiro dele, estamos entendidos?
– Sim senhorita.
– Bom... Me siga, – Isabella olhou para os olhos verdes de Edward – Cullen.
Mas nem a menção do sobrenome pode tirar Edward do bom humor que repentinamente tinha entrado.
– Pensei que ia fazer o garoto chorar, Isabella.
A mulher bufou, andando rapidamente pelo galpão cheio de caixas.
– Não me diga que isso é...
Mas, Edward não pode terminar a frase, em um canto do galpão, cerca de cinco homens, todos armados, se reuniam em pé ao redor de uma mesa. Imediatamente a atenção foi voltada para o casal que chegava. A maioria abaixou a cabeça brevemente, no mesmo tipo de reverência que Edward viu por parte de Sam alguns minutos antes. Era um gesto de respeito, que todos ali obviamente mostravam, com exceção do único homem sentado na cadeira, os pés calçados com botas gastas em cima da mesa.
Mas o calçado usado não era o único adereço que pairava sobre a madeira. Ali em cima também se encontravam maços de dinheiro, munição e um pacote com pó branco. Cocaína. Todos os sentidos de Edward entraram em alerta, como um caçador quando vê a presa encurralada, pedindo pela captura. Porém, naquele momento, o papel de predador cabia a mulher ao seu lado e ele se sentia malditamente incapaz por ter que simplesmente fazer vista grossa.
O homem finalmente tirou os pés da mesa com lentidão exagerada, lançando um sorriso debochado para a direção deles, mas precisamente, para Isabella. Edward cerrou os punhos, algo no semblante do traficante fez com que o agente o odiasse instantaneamente.
– Tire essa expressão de policial da cara, Masen. – Isabella sussurrou, girando a cabeça para o lado, para que só ele ouvisse. O problema é que, Edward não sabia como fazer aquilo.
– Isabella, cada vez mais Bella. – Paul Lahote deliciou-se mais uma vez com a figura da mulher a sua frente, ela era a protagonista da maioria de seus sonhos e adorava o fato de que pelo menos em suas fantasias, aquela metidinha do nariz em pé, se submetia a ele. E ela não poderia fazer nada a respeito.
– Não me venha com galanteios de quinta, Lahote. Não tenho tempo a perder nesse fim de mundo, e mesmo se tivesse certamente não o gastaria com você.
Paul avançou alguns passos, observando a mulher.
– Perdoe-me madame, se os aposentos não são do seu agrado.
Isabella engoliu uma vez. Péssimo dia para Paul bancar o engraçadinho.
– Já deve fazer uma ideia do porque estou aqui, não é mesmo?
Com a menção das palavras o semblante de Paul se fechou, o maxilar tenso.
– Tão cedo? – Arqueou a sobrancelha – Eu disse que estava cuidado disso.
Isabella revirou os belos olhos, dando um passo firme a frente. De imediato um Edward de feições fechadas a acompanhou, ficando apenas alguns centímetros atrás dela.
– Agilidade não é o seu forte. – Os azuis decaíram sobre a figura dos homens armados logo atrás – Qual deles é seu suspeito favorito?
– Isabella... Eu ainda não sei.
O traficante encarou a figura feminina, tenso por ela estar ali para resolver aquele determinado assunto.
– Você é patético, Paul. Não consegue lidar nem com o que passa diante dos seus olhos!
O moreno bufou.
– Não é tão simples quanto a princesinha pensa!
– Oh não? – Isabella ironizou – Alguém entre esses cinco homens espancou uma civil, que foi deixada a beira da estrada para morrer...
O reconhecimento abateu sobre Edward, e ele tentou controlar seu espanto, escrutinando o rosto da mulher. Ele teve conhecimento daquele caso, a vítima tinha escoriações, os dentes da frente estavam quebrados, e apresentava traumatismo craniano, devido a consequentes pancadas na cabeça. Era uma adolescente, intercambista da América do Sul, e o caso de seu homicídio estava em aberto na delegacia, sem suspeitos.
– ... Um dos seus homens de confiança, e você simplesmente não sabe quem ele é?
Paul coçou a cabeça, mandando um sorriso incerto.
– Não é grande coisa, Isabella. Ela parecia uma das nossas prostitutas... Foi um engano...
A risada sarcástica da mulher ecoou por todo o estabelecimento. Edward poderia jurar que cada membro presente sentiu um calafrio subindo pela espinha.
– Eu pensei que soubesse as nossas regras claramente, Paul. Não estou aqui porque uma garotinha morreu. Mesmo que fosse uma das prostitutas, a regra é clara, elas podem ser repreendidas sim, mas jamais espancadas dessa forma. Não é permitido que se faça nada que deixe marcas permanentes, quem dirá, que leve a morte.
Paul riu nervosamente.
– Essas são as suas regras. Não as nossas.
– Oh, deixe-me lhe contar um pequeno segredo – Isabella inclinou-se levemente para frente – Você estão submetidos a nós.
– Eu estou submetido apenas ao meu irmão, Senhorita Swan. – Paul disse sorrindo, aproximando-se um pouco mais de Isabella, por instinto Edward deu mais um passo a frente, ficando agora na mesma linha em que a mafiosa se encontrava.
– E Jacob Black está submetido à máfia, e consequentemente a mim. – Isabella falou, como se explicasse algo para um incapacitado.
– A máfia, sim. Agora, submetido a você Isabella? Seu tio, simplesmente no intuito de agradar o novo “sócio”, proporcionou para o meu irmão uma boa foda com você. – O sangue de Isabella fervia, e Paul inclinou-se para frente também, os olhos tomados pelo desejo. Molhou os lábios passando a língua por eles lentamente, e voltou a falar – Para dizer a verdade, ter comido você, é a única coisa que ele conseguiu que eu invejo.
E tudo aconteceu rápido demais para que qualquer espectador da cena se desse conta. No primeiro momento, Paul estava de pé ultrajando Isabella, no segundo seguinte ele estava no chão, a mão apertando firmemente o nariz que sangrava.
Os ‘capangas’ de Lahote apontaram as armas em direção ao casal, mas não tiveram outra escolha a não ser abaixa-las novamente quando Isabella ergueu a mão, e eles se lembraram de quem ela era.
Uhm, quem mandava em alguma porra mesmo? Pensou Isabella vitoriosa. Então, lentamente virou-se para o lado para observar a expressão de fúria no rosto do federal.
Edward Masen tinha socado Paul Lahote. E Isabella tinha que admitir, ele tinha uma bela de uma direita!
– Um cão de guarda, Isabella? O mundo precisa de proteção contra você, linda. Não o contrário. – Paul falou, o nariz já não sangrava como antes, o que certamente evidenciava que Edward não tinha conseguido o quebrar.
Masen tentou entrar na sua frente novamente, mas Isabella lhe impediu com o olhar.
– Pare com isso... – Ela sussurrou e Edward lentamente voltou a ficar ao seu lado. Momentaneamente satisfeita pelo federal ter a obedecido, Isabella voltou os seus olhos para Paul – Bom, já fiz o que tinha pra fazer aqui.
Paul soltou uma gargalhada.
– Pensei que seu objetivo aqui fosse descobrir quem matou a garota.
– E era. Sei quem a matou. – Paul arregalou os olhos levemente – Assim como você também.
Isabella avançou um passo.
– Aquele não é seu primo Embry? – Isabella apontou para um moreno no galpão que mantinha a cabeça baixa e os olhos temerosos, Paul a encarou incrédulo – Qual outro motivo você teria para encobrir quem fez isso, se não fosse esse alguém da sua familinha? Qualquer um dos outros rapazes você já teria entregado, Lahote. Não me subestime.
Embry caiu de joelhos, como se rezasse uma prece.
– Oh não, por favor senhora. Sim, sou eu. Mas perdoe-me, não vai acontecer novamente! Eu prometo.
Então, pela primeira vez na noite, Isabella e Paul tiveram a mesma expressão. Nojo.
– Vire homem, Embry! Caralho! – Paul exclamou – Ela não vai tocar em você, porque sabe que se fizer isso vai estar atacando diretamente o meu irmão.
Isabella travou o maxilar. Estava preparada para dizer que se alguma mínima infração que seja se repetisse, ela mandaria Jacob Black para o inferno! Não dava segundas chances. A criminosa chegou a abrir a boca para começar a falar quando um som fora do galpão gelou todos os seus ocupantes.
Sirene de polícia.
Isabella olhou rapidamente para Edward, será que ele teve a coragem de... Mas não foi necessário obter uma negação do homem. Um capanga de Paul levantou a arma contra a cabeça do último, engatilhando.
– Ninguém se mexe. Ou ele morre. – O sotaque do homem era fortíssimo, e Isabella imediatamente reconheceu qual era a sua língua materna. Russo.
Aquilo era uma cilada. Um infiltrado dentro do tráfico de Jacob Black para expor aquele galpão de drogas à policia.
Isabella nem gostaria de pensar no prejuízo que aquilo ia causar.
– Você está apontando a arma para a pessoa errada, idiota. Se alguém vale algo nesse galpão sou eu.
Edward sibilou o nome da mulher baixinho em repreensão. O que ela estava pensando? Queria virar um alvo? Era isso?
– E acha que eu não sei? A joinha de Charles Swan, de bandeja. Acho que vou levar você comigo, o chefe gostaria da sua espirituosa presença.
– Não mais que eu, acredite! – Isabella proferiu eloquentemente.
– Você – o russo falou, dirigindo-se a Paul – Vá para o lado dela, e você grandão – agora se referia a Edward – quero que se afaste.
– Não – O agente respondeu em retorno, recebendo um olhar raivoso de Isabella.
– Se afaste de mim, Cullen. – ela pediu, por mais que soasse como uma ameaça. Mas Edward viu um relampejo em seus olhos, como se ela pudesse se comunicar com ele. Parecia que ela tinha um... plano.
Lentamente, e contra sua vontade, ele afastou-se alguns passos da mulher.
Então, o russo pôs sua mira sobre Isabella. Mas conseguiria atingir facilmente Paul se o mesmo tentasse alguma gracinha.
– Quanto a vocês, tranquem-se no banheiro, e passem a chave por debaixo da porta.
Assim os outros homens fizeram. O russo então aproximou-se alguns passos de Isabella.
– Serei muito bem recompensado em levar você para a sede russa, italianinha! Mãos no alto, por favor.
Isabella soltou um riso irônico.
– Eu não pediria isso se fosse você.
– MÃOS PARA O ALTO AGORA!
– Okay. Não diga que eu não lhe avisei.
Isabella levantou as mãos para o alto, tendo assim a posição inicial necessária para desarma-lo. Como já tinha feito com milhões daquele tipinho antes.
Com movimentos rápidos Isabella golpeou a parte interna do cotovelo do russo, causando-lhe dor e desviando a trajetória da bala que fora disparada como reflexo do dedo do homem que se encontrava no gatilho. Logo após Isabella torceu o pulso masculino fazendo com que a mão dele soltasse a arma para cair justamente na posse dela.
Isabella apontou a arma para ele, com um sorrisinho sardônico nos lábios. Mas os olhos espantados do russo logo a entediaram.
– Não me olhe como se eu tivesse acabado de fazer uma mágica, ou coisa parecida. Esse movimento só foi possível porque você faz parte de um grupo de idiotas que só porque sabem mirar e apertar um gatilho, pressupõe que são atiradores. Mas, é preciso muito mais que isso para empunhar uma arma!
Edward tentou não sorrir enquanto caminhava para perto de Isabella, passando por ela, e imobilizando um Paul perplexo. A mulher era boa no que fazia, e aquilo, de alguma maneira, o deixava orgulhoso.
– AQUI É A POLÍCIA, SAIA COM AS MÃOS ONDE POSSAMOS VER. – Isabella sabia que era questão de segundos até os policiais decidirem arrombar as portas da frente. Mas, depois desses segundos, as travas das provas lhes dariam algum tempo para fugir. Abençoou a hora que decidiu estacionar aos fundos do galpão.
Ela tinha que acabar com aquilo agora.
– Isabella, pode mandar seu cão me soltar?
Isabella olhou para o lado de Paul pela primeira vez desde que tomara a arma. Deu um breve aceno de cabeça para Edward, como se o parabenizasse por ter feito a coisa certa, e seus olhos voltaram-se para Paul.
– Não, Paul Lahote. – Ditas as palavras, Isabella deu um forte golpe com a arma na cabeça de Paul, que caiu desacordado no chão.
– Agora você. Não temos tempo para um interrogatório, não é? – Isabella falou – Acho que só vou ter que matá-lo.
– Isabella... – Edward murmurou.
– Tampe os olhos se não aguenta cenas fortes, Federal.
Edward suspirou ruidosamente, mas quando seus olhos encontraram os de Isabella eles eram resolutos.
– Faça o que tenha que fazer.
Ela balançou a cabeça uma vez, atirando logo em seguida no meio da testa do russo que ainda esboçava a feição surpresa.
Edward ficou alguns segundos observando aquilo. O dia em que ele matara sua primeira pessoa veio de novo em sua mente, imagem a qual ele tentou afastar. Foi acordado pela voz de Isabella.
– Então, Agente Masen. Vai ficar ai plantado esperando os seus amigos policiais, mesmo que eu ache um pouco complicado você explicar para eles a sua presença no galpão, ou vai me acompanhar até a porta dos fundos?
Então Edward finalmente mexeu suas pernas, passando a frente da mulher, já avistando a porta dos fundos. Isabella lhe seguiu de perto. Mas, assim que abriu a porta, Edward estacou de surpresa.
– Agente Edward Masen? O que o senhor está fazendo aqui?
Aquele era Billy, um policial que Edward conhecia desde a época em que entrara para o FBI. Era claro que a força policial mandaria alguém checar alguma saída nos fundos. Como ele não pensara nisso? E agora, o que faria? Em que merda ele fora se meter!
Isabella, que estava logo atrás, escutou a voz do outro lado da porta, e pensando na possibilidade de ser um policial, só teve uma alternativa. Encostou o cano da arma na nuca de Edward Masen, forçando-a para frente, como se dissesse para ele continuar andando.
O federal fechou os olhos um instante em reconhecimento, e agradecendo o pensamento rápido de Isabella, deu mais alguns passos para a frente, até que a mulher fosse revelada.
Billy imediatamente sacou sua arma e apontou para Isabella.
– Largue a arma e afaste-se do agente com as mãos onde eu possa ver!
Isabella levantou uma sobrancelha, em desafio. Colocando força na arma na nuca de Edward, o empurrando mais para frente.
– Você está na minha mira moça. Largue a arma, eu não vou avisa-la novamente.
– Você pode atirar em mim, mas antes vai ver a cabeça do agentizinho aqui se espatifar em mil pedacinhos.
Edward levantou as mãos para o policial, como se pedisse por calma da parte dele.
– Billy, ela fala sério. Ela é boa. Antes que você consiga atirar eu já estarei morto. Por favor, faça o que ela pede.
Isabella se assustou quando o homem disse que ela era boa. Então ele admitia? Teve vontade de lançar alguma piadinha irônica, mas não poderia sair do disfarce.
– Largue a sua arma, e vire-se de costas policial. – Isabella instruiu. Billy ainda lançou um último olhar para Edward, que acenou brevemente com a cabeça. O policial abaixou-se cuidadosamente, colocando a arma no chão, e chutando-a para a direção de Isabella, que a pegou com o pé.
– Agora vire-se. – Isabella repetiu, e Billy o fez, girando lentamente cento e oitenta graus em seu próprio eixo. Permaneceu com a cabeça altiva, no entanto. Jamais se curvaria daquela maneira para uma criminosa.
Com movimentos silenciosos Isabella foi até as costas do policial, e do mesmo modo que fez com Paul Lahote, lhe deu uma coronhada. Dentro do galpão já era possível ouvir a policia tentando invadir.
Edward se aproximou, virando o corpo de Billy e acomodando a cabeça do policial cuidadosamente no chão, enquanto Isabella observava a cena.
– Vai ficar desacordado por algumas horas. – Edward disse, uma pitada de tristeza na voz.
– Oh sim. E com isso vai ficar desacordado para sempre – Disse Isabella apontando a arma na direção do policial.
– O que pensa que está fazendo? – Edward se levantou, ficando entre Isabella e Billy.
– O que acha que eu vou fazer? Ninguém pode saber que estamos aqui, e ele nos viu! Ele tem que morrer.
– Não, Isabella. – Edward avisou, se aproximando dela.
– Eu ainda tive a consideração de desmaia-lo antes de matá-lo, Federal. Por favor, não me venha com sentimentalismos.
Edward se aproximou mais, incrédulo. Agarrou firmemente os dois braços da criminosa.
– Eu o conheço, Isabella. Ele é um pai de família, um bom policial. Tem uma menininha. Ele não merece morrer, e a família dele não merece passar por isso. É cruel!
Isabella arqueou as sobrancelhas bem talhadas.
– Uma atualização para você, Agente Masen. A vida não é justa.
– Exatamente, Isabella – Edward respondeu, encarando os olhos da mulher – A vida já é assim naturalmente, não cabe a você deixa-la ainda mais injusta.
Isabella devolveu o olhar para os orbes verdes que a encaravam tão intensamente.
– Você é inacreditável – Ela murmurou – Quando ele acordar você será dado como sequestrado, por mim, Edward Cullen!
– Ele não sabe quem você é, Isabella. E não seria a primeira vez que um agente do FBI é sequestrado por alguém. Arranjo uma desculpa de como escapei de você depois, mas você não vai mata-lo.
Isabella girou o pescoço, gerando estalos. Ela estava obviamente tencionada.
– E quanto mais tempo passarmos aqui discutindo sobre esse assunto, maior a chance de outros policiais aparecerem. Você seria capaz de desmaiar uma patrulha inteira?
– Não duvide! – Isabella fez uma careta, e se livrou das mãos de Edward, por mais que inconscientemente, seu corpo protestasse por isso. Passou a passos firmes ao lado do desacordado Billy, e encaminhou-se para o carro, sendo seguida por Edward. Antes de ligar a ignição eles ouviram o barulho da porta sendo arrombada. Isabella girou a chave e deu a partida, mas antes de pisar no acelerador murmurou enraivecida:
– Tenho certeza que vou me arrepender disso.
–
– Oh merda, merda, merda! – Isabella praguejou repetidas vezes.
– O que foi agora? – Edward perguntou, preocupado. A mafiosa estava visivelmente tensa.
Um momento de silêncio se fez antes que ela o respondesse.
– Estão nos seguindo.
– Quem? – Edward perguntou, olhando pelo retrovisor e franzindo o cenho – A polícia?
– Não. Ainda não. – agora a tensão se transformara em pura fúria – Mas, isso não vai demorar muito, é só aquele policialzinho, que deveria estar morto, abrir a boca!
– Relaxe, Isabella... – Edward disse, controlando a vontade de passar a mão pela perna dela, em um gesto tranquilizador – Ele vai demorar a despertar ainda.
– Oh, é mesmo? Adivinhe Agente Masen, se ele estivesse morto nunca falaria!
Isabella fez uma curva brusca acelerando o carro ainda mais, sendo acompanhada pelo carro escuro logo atrás dela.
– Quem está nos perseguindo, então?
– Eu não sei... Não é a máfia ainda, está muito cedo para isso.
Edward encarou a figura feminina com as mãos firmes no volante.
– A máfia? A sua máfia?
Isabella cerrou os olhos brevemente para ele enquanto ultrapassava um sinal vermelho, passando justamente entre a traseira de um caminhão e um carro comercial, que circulavam pela avenida que ela cruzara. Olhou para o retrovisor brevemente antes de se concentrar no volante novamente. Não tinha os despistado ainda.
– O que foi, Federal? – finalmente voltou a falar – Achou que ninguém iria atrás de você para terminar o serviço que eu comecei? Será a primeira ordem de Charles quando ele descobrir.
Já estavam saindo da área urbana quando um tiro pegou a lataria do carro.
– Merda! – Isabella praguejou mais uma vez, mudando a marcha e acelerando ainda mais a máquina. – Se eu fosse você Federal, preferiria estar morto... Charles não é piedoso com quem dá trabalho.
Edward a ignorou, passando para o banco de trás, fazendo com que a mulher o olhasse interrogativamente. Os olhos de Isabella se arregalaram mais quando Edward começou a bater no vidro traseiro com a arma que ela havia o emprestado.
– O que pensa que está fazendo com o meu carro?
– Temos que despistá-los. – Edward esclareceu.
– Sério? – Isabella ironizou – O que acha que eu estou tentando fazer?
Edward colocou seu rosto entre as poltronas, trazendo o corpo para frente, a coluna em cima do freio de mão. Com uma mão segurou o suporte ao lado da janela do passageiro, e fez a mesma coisa com a janela do motorista, aproximando-se de Isabella para sussurrar perto do ouvido da mulher:
– Obviamente, não está fazendo um bom trabalho.
A mulher se arrepiou inteiramente e Edward pode sentir isso, como se estivessem conectados. Então o jogo se invertera. De repente ela estava perto demais, seus lábios chamativos demais, e ele não queria fazer outra coisa que não fosse beija-la.
– Sei que é difícil, Isabella... – murmurou, convencido – mas preste atenção na estrada.
Ao término das palavras, Edward se aproximou ainda mais da criminosa, sustentado pelas suas mãos que ainda agarravam os suportes, avançou no lábio inferior da mulher, que arfou e fechou os olhos brevemente, antes de lembrar que deveria mantê-los abertos já que estava dirigindo.
Edward sugou o lábio carnudo e vermelho, como se o saboreasse. Mordiscando-o logo depois, com certa força. E viu-se obrigado a separar-se de Isabella. O que mais queria no momento era aprofundar o beijo e sentir o gosto daquela mulher. Mas isso não era possível no momento.
Se afastando e lançando um sorriso enviesado que foi respondido com um olhar de deboche por Isabella, Edward pegou impulso e batendo ambos pés no vidro traseiro, conseguiu que ele finalmente se desprendesse do carro.
Alguns disparos ocorreram e Edward permaneceu abaixado, enquanto Isabella ziguezagueava o carro para que não fossem atingidos. Assim que os tiros cessaram Edward se ajoelhou no banco traseiro, mirando no veículo que estava uns bons metros atrás.
– Atire no motorista! – Isabella disse.
Mas Edward negou com a cabeça.
– É blindado, Isabella. E, mesmo que não fosse... As rodas parecem bem mais atraentes, não concorda?
A mafiosa olhou pelo retrovisor e concluiu que definitivamente não. Os perseguidores se encontravam em linha reta, e acertar naquelas rodas do carro levemente rebaixado era praticamente impossível para ele.
– Não – ela discordou – Você não vai conseguir uma boa mira, Masen! Saia daí antes que receba um tiro de presente.
Edward simplesmente riu.
– Você sempre diz que eu a subestimo. Quem está subestimando quem agora?
E dizendo isso Edward mirou na roda dianteira da esquerda, respirou profundamente, enquanto os olhos verdes cravavam-se no material de borracha como uma flecha preste a atingir o alvo. Segundos depois disparou, acertando. O carro perdeu a direção e tendeu para a esquerda. Mais uma respiração profunda. Outro disparo. E a roda direita dianteira também foi atingida, fazendo com que o carro se desgovernasse e saísse da estrada, subindo pela canaleta e sendo parado bruscamente por uma árvore.
Isabella viu quando o motorista abriu a porta do carro, caindo ajoelhado no chão, já falando ao celular. Mas não pode ver seu rosto devidamente, primeiro porque estava já um pouco longe, segundo porque ela se encontrava surpresa demais por Edward ter conseguido aquilo.
Ela mesma se considerava uma excelente atiradora, e tinha certeza que o segundo tiro fora fácil... Mas, o primeiro disparo, Isabella não estava muito certa se, de fato, conseguiria.
Edward voltou para a poltrona do carona com um sorriso no rosto, girando a arma pelo gatilho e soprando a ponta, antes de guarda-la no cós da calça. Uma imitação barata de caubói do velho oeste que fez Isabella revirar os olhos... Mesmo que admitisse que, de certa forma, era engraçado.
– Algo a comentar? – Ele perguntou, seu sorriso de lado se abrindo.
– Cale a boca, Agente Masen. – Isabela retrucou, segundos depois o homem suspirou.
– Você viu que ele falava ao telefone quando saiu do carro? – Edward perguntou, recebendo um aceno de cabeça por parte de Isabella – Isso não acabou, devem estar nos esperando em todos os lugares, nas nossas casas, no trabalho...
– Temos que sair do radar por um tempo. – Isabella completou, acelerando o carro em resposta, continuando na estrada, já estavam relativamente longe de Boston, distância de uns quinze, vinte minutos para um carro que respeitasse as leis de velocidade.
– Soa como se você tivesse um plano – Edward comentou, escrutinando a figura da mulher.
– É porque tenho – Isabella sempre tinha “aquele” plano B, caso algo lhe acontecesse e precisasse desaparecer por um tempo. Mas havia uma variante que nunca antes entrara em seus cálculos, e se assustava por pensar que estava prestes a incluí-la:
Edward Masen.
Notas finais
E quanto ao próximo, quero adiantar que terá CENAS FORTES entre nosso casal (se é que me entendem, haha)
Bom restinho de domingo para vocês, e até a próxima!!! hahaha
NÃO SE ESQUEÇAM DE COMENTAR!!!
Super beijos!
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