Rede De Segredos

29 Capítulo 26 - PARTE II


Notas iniciais
Olá, eu voltei agora para ficar! hahaha Considerem esse capítulo como meu presente de natal - atrasado - para vocês Hohohohoh Capítulo mais do que dedicado também as lindas das: Letícia Maciel, milla andrade, little bee e SaraCullen, pelas lindas recomendações que me deixaram mais do que feliz! Muito obrigada meninas!

Charles cambaleou e caiu ao chão surpreso e tomado pela força do golpe. Por um instante, ficou desnorteado, porém não poderia dizer se pelo golpe ou se por quem o ministrava.

Cego pelo ódio, pela raiva que todos os dias crescia silenciosa, Edward partiu mais uma vez para cima dele. Seu alvo eram as costelas do mafioso, contudo seus dois braços foram agarrados e o federal contido no lugar. Pela visão embaçada, via os vultos dos seguranças de Charles Swan se aproximarem com as armas baixas, mas em punho, preparados para serem utilizadas se fosse necessário.

Mas aquilo não importava para Edward, contando que ele pudesse esmagar o crânio de Charles Swan no asfalto estaria tudo bem.

– Me soltem! – bradou o federal enquanto era contido por Jasper e Emmett – Eu vou matá-lo!

O mafioso foi levantando-se lentamente, dispensando a ajuda dos seguranças, bateu as mãos no paletó do terno, retirando eventuais amassados e a poeira da rua. Em seus lábios crescia um sorriso doentio e inesperado combinando com seus olhos azuis frios que faiscavam sobriamente como dois faróis em dia de neblina.

– Ora se não é o famoso Agente Masen – Charles levantou um dedo, alertando seus homens de que estava tudo bem. Os seguranças se colocaram lado a lado um pouco atrás do Swan.

A risada escarninha do Swan só serviu para tirar o federal ainda mais dos eixos. Edward se debateu, tentando ir até ele, e dando uma cotovelava em Jasper, que por um instante abaixou a guarda, fazendo com que Emmett tivesse que usar toda a sua força para segurar o Masen.

– Por que partir para a ignorância, meu caro? Nós somos homens civilizados, não somos?

– Eu vou acabar com você, seu desgraçado!

Charles Swan tombou a rosto para o lado, um sorriso tímido e sardônico brincava em seus lábios. A expressão, já assustadora por si só, tinha sua estranheza multiplicada pelo filete de sangue que escorria pela bochecha do Swan.

– Muitos tentaram acabar comigo, Agente Masen... Nenhum deles está vivo para compartilhar a experiência.

Um arrepio trespassou os homens da máfia, Emmett e Jasper, como se a ameaça velada naquelas palavras deixasse de ser clichê na voz de Charles Swan. O único em que aquela frase não fez o efeito esperado foi o próprio Agente Masen, que, com os olhos injetados de pura fúria, não temeria a mais ameaçadora das feras. Categoria essa que certamente englobava o Swan.

– Devo crer que esse soco teve algum propósito, sim? Propósito esse que eu totalmente desconheço, mas estou inclinado e curioso para descobrir o porquê. O que me diz, Agente Masen, consegue ser o menino bem criado da dona Esme Masen?

A menção do nome de sua mãe na boca suja do Swan causou náuseas no federal. E apesar de toda a raiva que sentia, pode perceber que a menção de um membro de sua família foi proposital. Um alerta do Swan para que Edward recordasse que o mafioso sabia muito bem quem ele era. Ou, para que Edward se recordasse de quem o Swan era. Não importava o modo como fosse entendida... as duas premissas resultavam sempre na mesma conclusão.

Charles apontou para uma ruela estreita que se estendia alguns passos àfrente.

– Se temos questões a serem resolvidas, é melhor que isso se faça longe dos olhos curiosos – Charles apontou para o bar onde o federal, Emmett e Jasper estavam a pouco. Algumas pessoas lá de dentro já começavam a olhar furtivamente para a cena que eles protagonizavam – Por sorte minha agenda está livre o resto da noite... o que me diz, Agente Masen?

Edward balançou a cabeça, respirando fundo e concentrando-se como podia. Não era muito inteligente de sua parte conversar sozinho com um mafioso... Mas seu juízo não era o que falava mais alto essa noite. E além do mais, ele sabia muito bem se virar.

Talvez conseguisse arrancar do Swan o que ele dissera para Isabella naquela noite em que ela o expulsou de sua vida. Movido pela vontade de saber mais, qualquer coisas que fosse sobre sua mafiosa, o federal concordou com a cabeça a contragosto.

Charles Swan riu, balançando a cabeça furtivamente, como se aprovasse o gesto de Edward e voltou sua carranca de desprezo para os seguranças.

– Esperem aqui – olhou para Emmett e Jasper dessa vez – Vocês também.

Jasper não fazia ideia do que se passava na cabeça de Edward para aceitar aquela proposta absurda, mas soltou o federal. Já Emmett continuou com a mão no braço do amigo, levantou uma sobrancelha para o Swan, em um desafio rápido e mudo.

– Se não percebeu, Senhor Swan, nós não somos seus capachos para receber ordens – Emmett declarou, munido pela raiva que também guardava do Swan pelo que acontecera a Rosalie.

Charles estranhamente não respondeu ao comentário. Por um momento, algo no olhar do Agente McCarty lhe causou um estranho reconhecimento que o mafioso preferiu afastar para longe. Não trazia boas lembranças.

– Emmett – o federal chamou – Por favor.

– Nós estaremos aqui te esperando, Edward. – O McCarty declarou.

O poderoso Swan entrou no beco, andando a passos rápidos, certo de que Edward o seguia. Parou quando achou que estavam a uma distância considerável de seus seguranças e dos agentes federais.

Edward também parou, evitando cruzar o olhar com a figura do homem a sua frente, porque se o fizesse não poderia responder por si mesmo. Fechou os punhos fortemente, tentando relaxar seu maxilar para finalmente falar.

– O que você fez para Isabella?

Charles levantou as sobrancelhas, apreciando o modo como o federal fora direto ao assunto.

– De que episódio estamos falando mais detalhadamente?

Edward cerrou os olhos e deu um passo a frente.

– Não se faça de idiota. Sabe muito bem ao que me refiro. O dia em que Isabella voltou para casa mudada e...

– Te deixou? – Charles provocou, sorrindo – Não... Essa não é a denominação certa. Ela nunca esteve com você para que pudesse, de fato, deixá-lo.

Edward chegou mais perto, os homens quase nivelavam-se na altura, mas o federal ainda era o maior ali. E aquela diferença, que parecia ser quase insignificante, ficava muito evidente com as duas figuras tão perto uma da outra.

– O que você falou para a Isabella? – o federal sibilou – Eu sei que ela esteve com você aquele dia.

O mafioso ficou calado por um tempo, os olhos azuis frios encarando os verdes vermelhos de raiva, tentando descobrir todas as fraquezas do Masen só em olhá-lo.

– Sim, você está certo. Isabella esteve comigo aquela dia – Charles finalmente respondeu – E eu só abri os olhos da minha bambina para uma porção de verdades. Coisas que mais cedo ou mais tarde iriam acontecer. Ela é uma excelente aluna, agente Masen. Aplicada. Aprende muito rápido.

Edward bufou, impaciente.

– Tudo o que você certamente disse para ela foi uma MENTIRA! – O federal gritou, e respirou fundo, recomeçando mais baixo – Eu aposto que isso é só o que você faz, Charles Swan. Mentir para Isabella!

– Eu não vejo por esse ângulo... tampouco Isabella.

– O que você disse para ela? O que fez a ela? Onde ela está?

Charles sorriu.

– Tantas perguntas... Minha menina te pegou de jeito, não é mesmo? Eu não o culpo, é o que ela faz de melhor. Isabella tem algo diferente, algo irresistível... Não é apenas sobre beleza. É como se ela fosse a única luz existente e todo o resto dos mortais, meros vagalumes. Essa áurea misteriosa dela atrai, quando deveria repelir... É quase como se ela fosse divina.

Edward engoliu em seco, vendo a verdade naquelas palavras do Swan. Mas algo no modo que ele falava fez uma nova fúria subir pelo seu peito. Era como se o Swan fosse totalmente obcecado – e apaixonado – por Isabella.

– Cale a boca! Eu perguntei onde ela está!

Charles sorriu debilmente.

– Onde ela está? Deve estar fazendo o trabalho dela muito bem, como sempre o fez. Torturando alguém, matando – Charles fez uma pausa, sabendo que a próxima coisa que diria afetaria diretamente o federal – Talvez aquecendo a cama de alguém que mereça ser agradado... Você deve saber, ela faz isso melhor do que ninguém.

O soco veio instantaneamente, acertando em cheio o supercílio de Charles. Em seguida, o federal deu um chute bem na boca do estômago do homem, fazendo com que Charles desse alguns passos para trás, cambaleante. O federal não deu chances para que o homem atingisse o chão, pegando-o pela garganta e socando-o contra a parede mais próxima.

– Como consegue falar dela dessa maneira? Como pôde deixar que ela fosse... – Edward parou diante da palavra, não conseguindo sequer pronunciá-la. Balançou o rosto com os olhos fechados, ouvindo novamente os gritos que sua Isabella provavelmente havia bradado na noite em que fora...

– Estuprada? – Charles Swan complementou, o semblante, pela primeira vez durante a noite, apresentava seriedade – Foi preciso. Eu só faço o melhor para a minha bambina.

Edward encarou a figura do mafioso, os orbes verdes dragados por uma mistura de ódio e tristeza. Sua expressão transmitia toda a incredulidade que sentira.

– O melhor...

– Falando no assunto estupro – Charles o interrompeu, ávido por comandar a discussão. Não gostava de lembrar da noite em que James fez o que fez com Isabella – Como vai nossa Rose?

As narinas do federal inflaram-se e com o antebraço prendeu a garganta do Swan contra ele e a parede. Quase sufocando-o.

– Não... toque no nome da minha irmã.

– A doce e linda menina Rosalie – Charles praticamente recitou, sua língua passando pelo lábio inferior, os olhos domados por uma loucura que ficava a maior parte do tempo contida – Sabe, Agente Masen, sua irmãzinha não seria capaz de mover um músculo da cintura para baixo depois que eu terminasse com ela.

Tomado pelo ódio e nojo, Edward bateu a cabeça do Swan contra a parede, três vezes e com demasiada força, fazendo o mafioso ouvir um titilar de sinos ecoando pelos ouvidos...

– DESGRAÇADO – o federal urrou e Charles riu em resposta.

Aquela calma do mafioso simplesmente tirava o federal do sério, ele se comportava como se nada de mais tivesse acontecido. Sequer se divertia.

A verdade era que Charles estava se divertindo. Era interessante ver toda a fúria do homem à frente despertada, e ele estava disposto a provocá-lo ainda mais. Porém, essa era a vez de Edward, que também tinha algumas cartas na manga.

– E graças a quem minha irmã escapou das suas mãos, Charles Swan? Graças a quem? – o comentário trouxe um arrepio gélido que transpassou a coluna vertebral do Swan – Graças a Isabella.

Edward sorriu minimamente, satisfeito por ter deixado o mafioso momentaneamente sem fala, e por ter visto um rápido brilho nos olhos azuis. Um brilho que indicava que sua fala tinha o afetado.

– Você fala como se Isabella fosse propriedade sua... Como se vivesse para saciar os seus desejos. Mas, a sua bambina, passou por cima de uma ordem sua para salvar a minha irmã.

Edward se afastou um pouco, nunca dando as costas para o mafioso, e sorveu um pouco do ar frio da noite, encantado com a sua própria consideração. Como pôde ignorar aquilo por quase dois meses? Isabella traíra a máfia por sua causa. Vendo as coisas por esse ângulo, estava mais do que claro que havia algo por trás da separação deles.

Que Isabella disse todo tipo de coisas para afastá-lo.

E que talvez, apenas talvez, ela nutrisse por ele um pouco do sentimento que ele possui por ela.

– Isabella está mudada, e você não é um imbecil para ter ignorado isso – Edward recomeçou, quase feliz – Como você explica isso, Charles? Ela ter traído a máfia, ela ter traído você, por mim.

O Swan precisou de um momento para se recuperar, é claro que ele sabia que aquilo eraverdade. Isabella estar afetada pelo federal não era uma novidade e por isso mesmo Charles resolvera que deveria separá-los a qualquer custo.

Agora, restava ao mafioso tirar toda essa certeza que aparentemente o federal tinha que Isabella fora mudada por ele. Coisa que certamente acontecera.

– Foi um momento de fraqueza de Isabella. Momento que já passou – Charles Swan alertou, fazendo o federal gargalhar.

– É essa a explicação que você tem para me dar, Swan?

Charles arqueou uma sobrancelha, remanejando o rumo da discussão em sua mente.

– Sim. É exatamente essa, Agente Masen. Isabella está de volta para mim. Inteiramente de volta. Se não estivesse, como você explicaria o fato de que, quando ela voltou para casa, permitiu que a trancasse em um porão por sete dias?

O sorriso morreu nos lábios de Edward e uma pequena tontura o atingiu.

– Como é que é?

O Swan deu um passo para frente, para mais perto do federal.

– É como eu disse. Trancada em um porão por sete dias, a pão e água, sem luz. Como castigo pelas ações que ela cometeu esse tempo em que viveu com você. Já mencionei o pânico que ela tem desse local? Parece uma garotinha assustada... Talvez essa culpa seja minha — O sorriso no rosto do Swan aumentou vendo a fúria crescente do federal – Afinal, ela não tem boas lembranças daquele local.

O federal pegou o Swan pelo colarinho, totalmente rendido pela informação de que Isabella, a sua Bella, tinha sofrido nas mãos do carrasco do tio enquanto estavam separados. E ele nada pôde fazer para ajudá-la. Ele nem sequer sabia que ela precisava de ajuda.

– Ela é sua própria sobrinha, seu verme!

Charles Swan riu.

– Não. Ela é muito mais do que isso, Agente Masen – alertou o Swan e colocou um sorriso malicioso no rosto, sabendo que o próximo comentário colocaria caraminholas na cabeça do federal e o enlouqueceria de vez – Isabella é minha. Minha de todas as maneiras que eu desejar.

O federal viu tudo vermelho, partindo para cima de Charles. Primeiro socou o espaço entre as costelas, fazendo o homem pender para frente, momentaneamente sem ar. Em seguida, Edward dobrou o braço em uma cotovelada que atingiu o nariz do Swan. Como aprendera na academia de polícia, usar partes pequenas, como o cotovelo para desferir um golpe, potencializava a força aplicada em muitos níveis.

Charles ficou zonzo pelo último golpe, caindo ao chão. O federal então chutou as costelas do mafioso, e logo após a boca do estômago.

Edward levou as mãos na cabeça, andando de um lado para o outro, enquanto o Swan resmungava baixinho no chão.

– Ela o pegou de jeito, não foi? – O Swan falou novamente, e equilibrando-se em uma mão, levantou-se devagar.

– Isabella não pertence a você. Ela não é uma mercadoria sua. – Edward pontuou.

O Swan cuspiu uma generosa quantidade de sangue no chão, e abriu um sorriso grandioso, os olhos azuis faiscando.

– É a pura verdade, Agente Masen. E nada que você fizer vai mudar isso.

Edward fechou os olhos, tentando pensar claramente.

– Esse tempo, Swan... Esse tempo que Isabella passou comigo, longe de você, esse tempo serve para alertá-lo... Para mostrar que, apesar de todos os seus esforços para mantê-la perto de você, todos os jogos e manipulações que você faz com ela... Todos os seus esforços não serão suficientes para manter Isabella domada e sempre ao seu lado.

O Swan engoliu ruidosamente, o sorriso escarninho sumindo enquanto ele absorviaas palavras do federal. E o pior, vendo que elas faziam sentido.

– Isabella vai acordar um dia, Swan. Vai perceber tudo o que você faz com ela, tudo o que fez. Eu sei que existem muitas mentiras, muitos segredos, por trás do passado dela. Eu sinto isso simplesmente olhando para você. Eu vou descobrir o que você disse para ela que a fez se afastar de mim, Charles. Eu vou. E quando isso acontecer...

Edward riu, percebendo que talvez pudesse ter sua Isabella novamente.

– Ela vai preferir ficar com você? Com alguém que só a cobra, manipula, e possuiu um amor doentio por ela? Não parece algo inteligente a se fazer. E nós dois sabemos que Isabella é muito inteligente.

– Cale a boca! – O Swan o cortou, baixo e mordaz, mas Edward não arrefeceu.

– Eu vou tirar Isabella das suas garras, Swan. Pode demorar o que for, mas eu sei que vou.

Finalmente o federal conseguiu queimar o pavio longo de Charles Swan, que agora era uma fera em erupção, partindo para a luta corpo a corpo. O primeiro soco pegou no olho do Masen, que tomado pela surpresa, não conseguiu desviar. O segundo golpe, que seria um soco em seu diafragma, foi desviado agilmente pelo federal que torceu o braço do Swan em resposta, dando um chute em seu abdômen.

Com a mão livre, Charles acertou o cantoda boca do federal, e em resposta Edward torceu ainda mais o braço do Swan, não demorou muito mais para o federal conseguir imobilizá-lo.

No calor do conforto, os dois homens não viam que outros quatro homens já estavam quase chegando a eles... A briga foi separada, novamente, como no começo da noite. É claro que Emmett, Jasper e os seguranças do Swan, ficariam de olho a espera da explosão iminente.

Charles, já mais contido e dentro novamente de sua pose, olhou gelidamente para o federal.

– Não se aproxime de Isabella, Agente Masen. Nunca mais. Lembre-se do que eu já tentei fazer e do que eu posso vir a fazer.

Emmett cerrou os olhos, junto com um Edward que começava a respirar normalmente. Charles Swan estava ameaçando Rosalie novamente?

– Você está mais do que avisado.

E dizendo isso, o Swan deu as costas, sendo acompanhado pelos seus seguranças. Edward desvencilhou-se dos braços dos amigos, e colocou firmemente os dedos nas têmporas. Aquela merda de mafioso ameaçara novamente sua família, e Edward apenas tinha que permanecer longe de Isabella para que ficassem seguros.

Mas ele não podia. Não podia ficar longe de Isabella por mais muito tempo.

Edward finalmente percebeu que a segurança da mafiosa era tão importante para ele quanto a de Rosalie e da sua mãe. A percepção o assustou, mas também o iluminou.

Agora tinha que descobrir o que fez a mafiosa se afastar dele, e pensar no melhor jeito de se aproximar dela novamente. Alguns dias era o tempo que Edward se dava para arquitetar sua reaproximação.

Já dentro do carro, a caminho de casa, Charles queimava em sua própria fúria. Edward Masen, com toda a certeza não era um problema eliminado, mas precisava ser, e com urgência.

A presença dele era perigosa para Isabella, para seus planos com ela, para ele próprio... e, pelo modo como Edward se comportou naquele confronto, Charles sabia, ele não ficaria sossegado em seu canto.

Era preciso tomar medidas para se resguardar, medidas definitivas. E quanto a Isabella... Um sorriso torto nasceu no rosto do Swan, essa noite ele faria uma proposta para sua menina. Uma que ela não poderia recusar.

~-~

O dente foi arrancado e jogado em cima da mesa que se encontrava no centro da sala escura. Acompanhando-o vinha uma grande quantidade de sangue, que sujava a blusa do homem que era interrogado por Isabella Swan.

– Qual parte do seu corpo vamos arrancar agora... Talvez as unhas? – Isabella voltou a falar, falsamente divagando – Eu vou deixar a língua para o final, não se preocupe, só vou cortá-la quando estiver certa que você não falará mais nada.

Isabella puxou um canivete de dentro da bota, abrindo-o abruptamente perto do rosto do homem, assustando ele e Alec que se encontrava um pouco afastado, e só assistia, com um nó no estomago, o desenrolar da cena.

– Me disseram que é uma lâmina afiadíssima... Amolada o bastante para arrancar um globo ocular... Bom, acho que podemos testar isso...

Como a Swan previu o homem finalmente se desestabilizou.

– Não... por favor, não!

Isabella sentou-se a mesa, na frente do traidor.

– Abra a boca, Guiliano... É só falar e vai ter sua merda de vida assegurada de volta.

Alec olhou para a prima surpreso, eles não deveriam matá-lo? De qualquer modo, não poderia parar o que Isabella fazia para questioná-la sobre isso.

– Não sei de nenhuma polícia...

A mafiosa socou a face direita do homem, fazendo a cadeira dele tombar-se levemente antes de encontrar o equilíbrio.

– E eu achava que estávamos tendo algum progresso aqui – murmurou Isabella com falso pesar antes de pegar mais uma vez a lâmina afiada que clamava por uma função.

– Eu juro! – Guiliano gritou – Eu só conheço um cara... Ele da as informações para a polícia... Eu juro... É tudo o que eu sei.

Isabella, como boa leitora que era, percebeu a verdade nas palavras do homem moreno a sua frente.

– E o futuro cadáver tem um nome?

Guiliano fechou os olhos, aterrorizado e cansado.

– Eu o chamo de John, mas esse não é o verdadeiro nome dele. Ele é... russo.

Isabella soltou uma risada escarninha antes de voltar sua fúria para a figura amarrada.

– Você nos traiu para a escória da máfia russa? Foi mais baixo do que eu pensava, Guiliano. – Isabella trouxe a lâmina para a carótida do rapaz, exercendo uma leve pressão, a informação a irritou em níveis inimagináveis. Ela teria que obter a aprovação de Charles para matar um russo – Onde eu encontro esse John?

O homem balançou a cabeça, engasgando-se em sua própria saliva.

– Tínhamos um encontro daqui uma semana... No meu celular está escrito o endereço e a hora... É tudo o que eu sei senhorita Swan, eu juro.

Isabella sorriu, olhando para Alec sobre o ombro e fazendo um gesto para que saíssem da sala. No corredor estava um Fabrizio displicente, que tentou conter um sorriso com a volta da sua “chefe”.

– Acabou, Senhorita?

Isabella estreitou os olhos.

– E você acha que eu teria saído de lá caso contrário? – A Swan bufou, vendo o funcionário endurecer a postura – Tirei dele tudo o que precisava, já pode finalizá-lo.

Alec arregalou os olhos para a prima, mesmo que essa não visse sua expressão. Ela não tinha prometido para Guiliano sua vida de volta?

Fabrizio rasgou o rosto em um sorriso.

– Posso me divertir primeiro?

Isabella rolou os olhos.

– Pode fazer o que quiser, contando que ele não viva para ver o nascer do sol.

– Obrigado, Senhorita. – Fabrizio reverenciou, andando para a porta que Isabella e Alec tinham saído.

– Não. Pare onde está – A ordem partiu de Alec, assustando os dois presentes.

Isabella olhou para o primo com fúria comedida. O que diabos ele pensava que estava fazendo?

– Senhorita Swan? – Fabrizio relanceou seu olhar para a mulher, esperando pela ordem dada diretamente dela e evidenciando que, apesar da filiação de Alec, era a sobrinha do Swan que claramente mandava.

– Posso falar com você? – Alec inquiriu para Isabella. A mafiosa o pegou pelo braço, levando-o alguns passos a frente para que Fabrizio não se inteirasse do teor da conversa.

– O que pensa que está fazendo? – sibilou.

Alec balançou a cabeça.

– Você prometeu que iria poupar a vida dele.

Isabella conteve a gargalhada que queria sair depois do absurdo que ouvira.

– Promessas são vazias quando se trata de um traidor, Alec. Lição número um para você: Ninguém trai a máfia e sai vivo.

– Mas, você vai deixar aquele cara torturá-lo ainda mais... ao menos... ao menos dê uma morte digna para ele!

Isabella fechou os olhos, o rosto voltado ao céu.

– Inferno... você realmente conseguiu me irritar.

A mafiosa deu meia volta, encarando seu subordinado.

– Fabrizio, você não vai matar Guiliano.... – E então, a mulher sorriu diabolicamente, estendendo sua arma para o filho de seu tio – Meu primo Alec anseia por isso.

Uma troca de olhares foi feita enquanto o Swan mais novo suava frio. Ele nunca havia matado alguém antes, mas entendeu que aquela era a condição de Isabella para que Guiliano não fosse mais torturado.

Dando um passo a frente, agarrou a arma, não querendo que Isabella percebesse que ele tremia.

Novamente, os dois Swans adentraram o cômodo em que o traidor se encontrava, Isabella com olhos de águia, avaliava a postura do primo.

– Q-Quem está ai? – Guiliano perguntou, tentando se virar, mas as amarras o impediam do ato.

Alec olhou para a mulher, engolindo ruidosamente a própria saliva. Isabella simplesmente bateu o indicador duas vezes na cabeça e apontou, com um arquear de sobrancelha, a figura do homem moreno.

O menino mirou, tremendo. Vários segundos se passaram até que suas mãos desfaleceram, caindo. Ele não conseguiria.

Isabella bufou irritada, e caminhou apressadamente até Alec, arrancando a arma das mãos dele.

– Dê adeus a sua vidinha, Guiliano – a mafiosa disse, aproximando-se e encostando a arma engatilhada na nuca do homem.

– NÃO, NÃO! POR FAV – Mas os gritos acabaram com o barulho da arma ecoando sobriamente no ar.

Isabella fechou os olhos, recuperando-se. Assim que soube estar de volta, lançou o olhar frio para Alec.

– Vamos embora.

~-~

Alec respirou o ar frio da noite pela janela do carro, tentando digerir a cena que assistiu há pouco tempo.

– Seria a minha primeira morte, Isabella... É difícil.

Tomada por um rompante de ira, Isabella curvou cantando pneuse ultrapassando alguns carros ilegalmente.

– Você não sabe a sorte que tem, Alec. – retorquiu, irritada – As coisas são sempre muito fáceis para você, mas tudo o que sabe fazer é reclamar. Sim! Era a primeira pessoa que você mataria. Um completo desconhecido, uma vítima fácil!

Isabella balançou a cabeça, apertando o volante fortemente, enfurecida por ter que competir com Alec um dia pela liderança da máfia italiana. As coisas chegam para ele tão facilmente...

– Você não sabe a maldita sorte que tem – Isabella declarou novamente, perdida em seus próprios pensamentos – Se soubesse quem eu tive que matar...

Alec arregalou os olhos, surpreso pela mulher estar fazendo algo próximo de uma conversa.

– Quem foi?

Um longo tempo passou sem que nenhum dos dois dissessem algo. Quando o adolescente já ia desistir a voz de Isabella soou seca pelo carro:

– Casandra Bertonelli.

– Você a conhecia? O que foi que ela fez?

Isabella riu sem humor.

– Ela trabalhava auxiliando a cozinheira depois que o verdadeiro trabalho dela terminou.

Alec sentou-se melhor na poltrona, ansioso para ouvir tudo o que Isabella pudesse contar.

– E qual era o verdadeiro trabalho dela?

Isabella respirou fundo, e lançou um sorriso escarninho para o primo.

– Casandra era a minha babá.

“ – Isabella? – A menina retirou sua atenção do exemplar de “O Retrado de Dorian Grey”, leitura recomendada por seu professor particular de literatura e voltou os olhos atentos para a figura do homem que se encontrava na porta do quarto.

– Sim, Tio Charles? – Isabella perguntou, rezando internamente para que o homem não estivesse ali para chamá-la para um novo treinamento. Ainda se encontrava demasiadamente dolorida pelo último.

– Temos um traidor dentro de casa, bambina.

A menina sentou-se rapidamente na cama, fechando o livro sem se importar com o marca páginas.

– Um traidor, Tio Charles?

O homem finalmente adentrou o quarto, sentando-se ao pé da cama, seus olhos faiscando, seu tom tornando-se baixo e envolvente.

– Sim. Alguém que tem passado informações para os nossos inimigos, bambina.

– E o senhor desconfia de alguém. – Isabella afirmou, tentando descobrir porque estava sendo informada disso.

– Sim... Eu sei quem é. – Charles fez uma pausa – Preciso lhe fazer uma pergunta.

A Swan mais nova deu de ombros, cruzando as pernas em cima da cama, e olhando para o tio. A cabeça um pouco abaixada, em um gesto de respeito inconsciente.

Charles Swan umidificou os lábios, arquitetando o plano em sua mente.

– O que pensa sobre uma traição à máfia, Isabella? Como você acha que deve ser punido o indivíduo que ousou fazer uma coisa dessas?

Isabella tomou fôlego e começou a falar como se aquelas respostas fizessem parte de uma lição que ela sabia de cor.

– Tudo o que prejudique a máfia deve ser punido com extremo rigor, Tio Charles. O traidor deve morrer.

O mafioso abriu um sorriso imenso e vitorioso. Os olhos azuis brilhando de admiração pelo vislumbre da personalidade por ele moldada. Mas, esse não era o fim do treinamento de sua Isabella. É na prática, no dia-a-dia, que os ensinamentos de verdade eram obtidos e sua menina estava quase pronta para vivenciá-los.

– Sim, minha bambina. E eu lhe darei o direito de punir esse traidor.

Os olhos azuis de Isabella brilharam. Por excitação, mas também por medo. Vendo aquela pequena centelha de hesitação, o Swan tratou logo de assegurar:

– Você está pronta, Isabella. Já é hora de saber como é tirar a vida de alguém.

A menina olhou para as duas mãos, de repente estava indecisa e nervosa. Não sabia bem o que pensar e como se sentir sobre o novo desafio imposto.

Charles soltou uma lufada de ar, irritado por ver naquela pequena hesitação uma grande fraqueza.

– O que você quer ser, Isabella... O que mais quer na vida? – Inquiriu a ela, já sabendo a resposta que obteria. O próprio Swan havia colocado o desejo dentro da cabeça de menina.

– Mafiosa. Uma grande mafiosa. – Isabella respondeu sem titubear, como era o esperado.

– Pois então, bambina – Charles recomeçou, a oferta em sua voz manipulando a mais nova. Era como uma aranha que prende o inseto a sua teia antes do golpe mortal – Uma mafiosa não fica brincando de atirar em bonecos por toda a vida.

Isabella abaixou a cabeça, compreendendo a veracidade daquelas palavras. Sentiu a mão do tio em seu queixo, suspendo o seu rosto para encará-lo.

– Eu sei que você está cansada dos treinamentos... Eu posso ver. Eles não te instigam como antes, não é?

A Swan balançou o rosto em afirmativo, aquilo era bem verdade.

– Pois então, Isabella. Tudo o que você tem que fazer é me provar que está pronta para conhecer o mundo real.

Isabella engoliu em seco. Ela estava não estava? Ela tinha que estar. Não decepcionaria o tio, não poderia voltar para os treinamentos. E se... e se Charles pensasse que ela não era capaz? Como seria o seu futuro? Como seria a sua vida sem a máfia? Não.

– Eu estou.

Charles sorriu abertamente e começou a deslizar o dedo indicador pelo rosto de Isabella, a testa, a têmpora, a bochecha bem esculpida, o contorno do canto dos lábios, e finalmente o queixo fino.

– Você vai adorar a sensação, bambina. Ser o algoz de alguém, tirar uma vida com suas próprias mãos... É como se a própria morte estivesse submetida a você. Poder, Isabella. Você vai conhecer o poder essa noite.

Isabella balançou a cabeça, rogando para que aquilo fosse verdade.

– E-e o senhor já sabe quem é o traidor?

O sorriso de Charles abriu-se ainda mais.

– Sim. A senhorita Bertonelli.

Os olhos de Isabella se arregalaram.

– Bertonelli? Casandra Bertonelli? – perguntou incrédula. Não... não poderia ser.

– Sim, bambina.

Isabella fechou os olhos, confusa. Seu tio estava pedindo para que ela desse cabo da vida de sua ex babá?

A menina mal teve tempo de engolir a informação, e já estava sendo puxada pelas mãos firmes de Charles. O tio parou em frente à porta da cozinha e, antes de abrir, depositou a arma nas mãos de Isabella, que quase tremia.

A porta da cozinha foi aberta, e Isabella arfou. Lá estava Casandra, amarrada contra uma cadeira, coberta de sangue, o vestido sempre bem alinhado não passava de farrapos.

Isabella sabia que teria corrido, se os seus pés não estivessem completamente presos ao chão. Sua mente voltando-se a uma cena do passado.

...

Uma Isabella de cinco anos entrava apressada no quarto, jogando-se na cama, as lágrimas contidas finalmente derramavam-se.

– Bella, minha pequena, o que houve? – ouviu a voz da babá e escondeu mais o rostinho no travesseiro.

Casandra fechou a porta, volvendo-se para Isabella novamente. Preocupada com o estado da menina, sentou-se na cama, perto da cabeceira e levou uma de suas mãos até a cabeça da criança.

– Pequena, fale comigo, por favor – as mãos da babá agora afagavam os cabelos sedosos, em um gesto caloroso.

Isabella levantou a cabeça um pouco do travesseiro, olhando para a mulher de cabelos loiros e olhos castanhos.

– Mataram Cornélia – a menina disse sentida, e recomeçou o choro com soluços.

Casandra franziu as sobrancelhas finas, não compreendendo.

– Mataram sua boneca?

Isabella negou com a cabeça, socando o travesseiro.

– Cornélia não era minha boneca! Ela era... minha... – Isabella abaixou o tom, temendo ser ouvida por alguém além das paredes do quarto – filha.

Casandra olhou tristemente para Isabella.

– O que foi que aconteceu com a sua filha, pequena?

Isabella fungou, rumando para o colo da mulher e depositando sua cabeça por cima das pernas dela.

– Tio... Charles, arrancou a cabecinha dela e jogou ela no lixo.

A babá arregalou os olhos, tentando não mostrar a sua surpresa para a garotinha.

– P-Por que ele fez isso, Bella?

Isabella sacudiu a cabeça.

– Porque eu tenho que ser durona, Sandra. Tenho que ser mafiosa.

Casandra mordeu os lábios sabendo que por mais que quisesse, não poderia interferir naquele território.

– Bela... Eu sinto muito pela Cornélia...

Isabella fungou mais, mesmo que tentasse parar o choro.

– Eu deveria cuidar dela, Sandra... Mamma uma vez me disse que eu tinha que cuidar dela.

Casandra puxou o rostinho de Isabella para que encarasse.

– Você fez o que pode meu amor... Era hora da Cornélia ir... Mas, sabe, você sempre vai poder cuidar de alguém.

Isabella arregalou os olhinhos azuis, prestando atenção no que a babá dizia.

– Mesmo? Quem?

Casandra riu.

– Eu. Você pode cuidar de mim, e eu sempre vou cuidar de você.

Isabella abriu um sorriso tímido.

– Sempre mesmo?

Casandra puxou a menininha para seus braços.

– Sempre minha pequena, a Sandra sempre estará aqui para você.

...

– Bella? – a mulher perguntou, cuspindo um pouco de sangue, os olhos febris encarando a figura da menina que praticamente criara.

Isabella deu um passo para trás, horrorizada, mas a mão de Charles pairou firme sobre o seu ombro, impedindo que se mexesse.

– Diga para Isabella o que você fez, Casandra.

A mulher arregalou os olhos.

– Bella... bella... eu não fiz nada! Eu juro! Por que está fazendo isso Senhor Swan? Por que?

– Calada! – O Swan bradou – Ou quer apanhar mais?

Casandra se calou, abaixando a cabeça, o choro recomeçando.

– Ela é a traidora, Isabella. O que você faz com um traidor?

A Swan balançou a cabeça, negando.

– Não.

Charles apertou o ombro da menina.

– Como é que é? Você tem que fazer isso, sabe que tem. Como quer ser uma mafiosa se não fizer isso?

Isabella engoliu em seco, encarando a figura de Casandra, toda machucada e ensanguentada. Ela não poderia fazer aquilo, poderia?

– Levante a arma e engatilhe, Isabella.

A Swan fechou os olhos, levantando a arma, era visível o tremor de sua mão e Charles em nada apreciava aquilo.

– Engatilhe.

Dessa vez ela não obedeceu, simplesmente ficou encarando a ex babá. Os olhos castanhos sempre cheios de vida, imploravam agora por piedade.

– Bella... – Casandra balbuciou.

– ENGATILHE, ISABELLA. – A menina praticamente deu um pulo no lugar, assustada com o grito. Trincando os dentes, ela finalmente obedeceu. O clique da arma fez Casandra chorar ainda mais.

– Mire na cabeça, e atire.

Não! Algo na cabeça de Bella gritava. Não poderia matá-la.

O celular de Charles vibrou, e a menina virou-se para ele, vendo tio ler o visor rapidamente. Logo, os olhos do Swan estavam na menina novamente.

– O que você está esperando? – o questionamento saiu entre os dentes, como um cão raivoso – Quer que eu a espanque na sua frente? Quer me ver fazer coisa pior para ela do que a morte?

– Não... – foi Casandra quem se manifestou, atraindo dois pares de olhos azuis para si – Eu não a-aguento m-mais. Por favor... só... acabe logo.

Os olhos quase mortos da mulher, alcançaram os da menina. Isabella quase não poderia mais reconhecê-la. O nariz estava quebrado, juntamente com alguns dentes, a pele ao redor dos olhos de Casandra estava vermelha devido aos socos que levara.

– Minha p-pequena – Casandra chamou, fracamente. Em seus olhos não havia nenhum tipo de raiva, havia compreensão – Tire a dor de mim, pequena, por f-favor, faça passar.

Isabella reprimiu um soluço.

– Sandra...

A loira balançou a cabeça, nunca deixando de olhar Isabella nos olhos.

– Eu perdoo você, p-pequena. Seja rápida, por favor.

– Perdonami.

Isabella fechou os olhos e apertou o gatilho. Um mínimo gesto de um indicador, era o necessário para mudar tudo. Não existia mais volta.

A Swan mais nova abriu os olhos, encontrando o rosto de Casandra caído. A mulher nunca mais contaria uma história, a acalentaria, ou sorriria. Casandra estava morta, e era graças a ela.

Doía.

Isabella cedeu em seus joelhos, contemplando o que acabara de fazer. Não se sentia como Charles falara. Não sentia o poder. Sentia apenas... apenas um vazio imenso.

– Muito bem, Bambina. – Charles praticamente cantou, com um sorriso imenso – Agora eu preciso sair para resolver alguns negócios.

Isabella arregalou os olhos.

– Mas... vai deixá-la aqui?

Charles mostrou o celular.

– Fui avisado de que o verdadeiro traidor não era ela, preciso resolver esse assunto primeiro.

Isabella arregalou os olhos... seu tio “fora avisado”. Balançou a cabeça, sentando direito no chão. Ele sabia que Casandra não era a traidora antes... antes que ela puxasse o gatilho.

– Mas o que é isso, Isabella? – Charles perguntou, incrédulo. Os olhos azuis prestando a atenção nos da menina que se encontravam marejados – Lágrimas?

Isabella negou com a cabeça, mas com o movimento, uma lágrima grossa e quente escorregou pela sua bochecha.

– Engula essas lágrimas, Isabella. Engula! – A menina tentou, fungando – Chorar é para os fracos, eu já te disse isso inúmeras vezes... continue com esse drama e eu faço você limpar esse sangue todo com a língua!

Isabella encolheu-se contra a parede, nem mesmo percebeu quando Charles finalmente deixou o aposento. Seus olhos não desgrudavam do corpo outrora cheio de vida, sustentado por uma corda amarrada em volta da cadeira, inerte.

Um vazio... um vazio imenso.”

– Eu sinto muito por Casandra, Isabella.– A voz de Alec trouxe a Swan de volta para a realidade. A mulher acelerou o carro, tentando concentrar-se no trânsito.

– Não faz diferença.

Alec bufou, olhando através da janela, incrédulo.

– Mas eu sinto muito, mesmo que a sua história não apague o que aconteceu hoje.

Isabella olhou para o primo de soslaio, ultrapassando um veículo.

– Como é?

– Você prometeu para aquele homem que não o mataria. Tudo bem, eu entendo que ele era um traidor e que realmente tinha que morrer, mas depois de prometer aquilo, você poderia ter dado uma morte surpresa e indolor para ele.

Isabella ergueu a sobrancelha em deboche.

– Ele teve uma morte indolor, eu imagino que um tiro na cabeça seja indolor Alec... E quanto ao elemento surpresa, você o tinha, mas preferiu desperdiçar com uma criancice.

Alec bufou.

– Você permitiu que ele fosse ainda mais torturado, Isabella. Se eu não tivesse pedido, ele seria! Apesar do que ele fez, ele continua sendo um ser humano. E ele disse o que você pediu. Se ele não tivesse dito eu entenderia... eu não ligaria que você quisesse arrancar a língua dele no melhor estilo “aqui se faz aqui se paga”... mas... ele falou, Bella!

Isabella batucou os dedos no volante, interessada em analisar um senso de justiça que ela nem sequer sabia que seu primo possuía.

– Eu não sei... – Alec recomeçou, perturbado – Tudo o que eu podia fazer antes desse primeiro dia na máfia com você foi rogar para que eu não te decepcionasse... Eu jamais imaginei que o contrário fosse acontecer. Você me... decepcionou.

Aquela frase, por algum motivo, incomodou a mafiosa, que ávida por não deixar aquilo transparecer retrucou apressadamente:

– Sua decepção não significa absolutamente nada para mim, Alec!

– Sabe, as vezes parece que é o meu pai falando pela sua boca... Como se você fosse uma versão estendida dele. Você possui identidade? Alguma vontade própria? Quem é você afinal, Isabella!

A Swan freou bruscamente, recebendo buzinas dos carros que estavam atrás do dela, mas Isabella pouco se importava. Quem era ela? Já havia pensado algo assim quando salvara a irmã do federal. Não sabia... Deveria saber?

Ela era uma mafiosa. Uma criminosa. Nascera para isso.

Isabella volveu seus olhos para os do primo. Mesma tonalidade, mas mostravam emoções completamente distintas.

– Diga algo assim novamente e eu quebro todos os seus ossos. – Assegurou, mesmo que soubesse, de alguma maneira, que aquilo não era verdade.

~-~

Charles pegou seu copo de whisky, sentando com cuidado em sua cadeira de couro. Arfou enquanto se acostumava com a nova onda de dor que passava por seu abdômen graças as atividades nada agradáveis que participara naquela noite. Maldito agente Edward Masen.

Como hábito antigo, levou as mãos até a gaveta de sua escrivaninha, retirando do fundo falso, a foto de mulher.

Tão bonita... O Swan contemplou a face sorridente, quase sentindo o perfume da pessoa que amava novamente.

–Eu não vou perder Isabella, Renée. — Charles passou os dedos pelo rosto da mulher, eternizado pela foto, e desejou poder sentir a maciez daquela pele novamente.

– Não vou deixá-la escapar. Não vou perdê-la como perdi você... Não minha Isabella. — Os olhos azuis pregaram-se no sorriso estampando o rosto de boneca. Charles Swan daria o mundo para ouvir aquele som novamente, o som das gargalhadas de Renée... nem que fosse só mais uma vez.

– Por que fez isso comigo, Renée? Por quê?

– Tio Charles? – Isabella bateu a porta e homem guardou novamente a foto na gaveta. – Quer falar comigo?

A Swan mais nova finalmente entrou no escritório, e assim que seus olhos encontraram os de Charles, ela parou no lugar, estupefata.

– O que aconteceu? – Perguntou, analisando o rosto do tio. No nariz haviam resquícios de sangue, a boca estava cortada e a área ao redor dos olhos estava muito vermelha, no dia seguinte, certamente, estaria roxa.

– Não interessa – retrucou o Swan, a voz borbulhando de raiva ao se lembrar da figura do Agente Masen.

– Como não interessa? – Isabella inquiriu, indignada – Quem conseguiu fazer isso com o senhor? Me fale o nome do desgraçado e eu mesma vou matá-lo agora.

Charles gargalhou, sorvendo um gole generoso de whisky.

– Não me faça testar essa afirmação, Isabella... Você provavelmente me decepcionaria, como vem fazendo.

Isabella juntou as sobrancelhas, não entendendo.

– Ninguém poderia ter tocado desse jeito em você.

– CHEGA! – Charles bradou, fazendo com que a Swan mais nova se calasse – Não é para discutir a minha integridade física que a chamei aqui, Isabella. Tenho um pedido para fazer para você... Bom, não é bem um pedido.

Isabella sentou-se na cadeira da frente, esperando que o tio continuasse.

– É um assunto que já foi começado, mas nunca teve a chance de ser acertado... – Charles bebericou mais uma vez seu whisky, e olhou profundamente nos olhos de Isabella – Eu quero que você se case com Jacob Black.

A Swan arregalou os olhos, pega completamente de baixa guarda.

– Como é?

– Isso mesmo que ouviu, Isabella. Quero que você aceite se casar com o Black.

Isabella franziu o cenho. Por quê? Como o tio poderia querer uma coisa dessas? O casamento dela deveria ser lucrativo... E a “empresa” que Jacob possui não é nada comparado aos acordos que Charles Swan poderia arranjar. Era uma empresa sem valor comparada ao capital da máfia, e já se encontrava vinculada a instituição. Para que se casar com Jacob Black? Como esse enlace poderia ser vantajoso para a máfia?

– Tio Charles, eu não acho que essa seja uma união...

– Você está me contestando? – Charles a interrompeu – Que desgosto, Isabella!

– Tio Charles, eu não estou te contestando – Isabella balançou a cabeça, aturdida – É só que, entenda, Jacob é...

– Decepção, Isabella! Você só tem me decepcionado desde que... – Charles calou-se antes que pudesse proferir o nome, temendo que apenas o som, a menção do nome, pudesse contaminar ainda mais sua menina – Mas, eu sou bom, Isabella. Você me traiu, bambina e mesmo assim eu sou muito bom para você.

Isabella mudou de posição na cadeira, sentindo-se desconfortável.

– O que quer dizer, Tio Charles?

– Eu pensei que pedir esse casamento fosse demais para a sua falsa lealdade...

– Isso não é verdade! – Exclamou Isabella, surpresa.

– Calada. – Crispou Charles – Temo que seja verdade, diante dos últimos acontecimentos... Mas, como eu disse, eu já esperava por isso. Tenho uma proposta para te fazer, Isabella...

– Proposta? – a mafiosa retrucou com uma dose de incerteza.

– Sim – Charles, confirmou – Aceite isso e eu saio de cena, Isabella. Saio de cena e a deixo para você.

– Como?

O sorriso de Charles se abriu, mais maldoso do que nunca, o brilho doentio em seus olhos estava renovado. Sua menina jamais negaria aquilo e aceitando ficaria para sempre ao seu lado.

– Case-se com Jacob Black, Isabella – Charles arqueou a sobrancelha, já sentindo a vitória por vir – E a liderança da máfia italiana é sua.

Notas finais
hohoho Sem ameaças de morte, por favor, olha o espírito natalino! hahaha Ask da autora maluca: http://ask.fm/oliviavert Grupo de RDS no facebook: https://www.facebook.com/groups/492371880844037/ Não queria falar nada, mas a caixinha de comentários vai seduzir vocês em 3...2...1