Notas iniciais
Aqui estou eu com mais um capítulo de RDS! hahaha

Muito obrigada por todos os comentários meninas! E pela compreensão!

E ah, se lembrem: "Na vida as vezes temos que dar um passo atrás, para dar dois passos a frente"

Ela estava demorando muito, mais do que a paciência de Edward era capaz de aguentar. Ele perdera as contas de quantas vezes chegou a conferir a hora. Com o passar dos minutos até aquilo se tornara automático. O federal olhava para o relógio, mas não via realmente as horas. A única coisa que se passava pela cabeça dele agora era que Isabella estava demorando e não atendia o celular.

Algo ruim acontecera?

Ele sabia... Sabia que aquela saída dela não era nada de bom! Só de pensar nas possibilidades de coisas que poderiam ter acontecido... Ela não estava recuperada do ferimento na perna ainda. O que deu em Isabella?

Para o seu alívio, ouviu a porta se abrir. E sorrindo olhou para a figura que passava por ela. Tinha chegado em casa finalmente.

Foi uma questão de segundos até o sorriso morrer nos lábios do Masen.

– Isabella? O que é isso? – ela se assustou, não esperava vê-lo ali ainda. Na verdade, a mafiosa contava que ele estivesse fora de casa para se preparar psicologicamente para a cena que faria.

– Isabella? – Edward perguntou novamente, em uma mistura de preocupação e impaciência.

Olhando mais uma vez para o corpo da mulher, Edward não soube classificar muito bem o que sentiu. O pescoço branco dela estava marcado por dedos. Tinha sido visivelmente enforcada. A face também estava com uma coloração avermelhada que não lhe era característica. O lindo vestido azul que ficava ainda mais bonito em Isabella, estava rasgado na barra da saia.

A raiva alcançou Edward, subindo pelo seu corpo e estufando seu peito. Quem ousara tocar em Isabella daquela forma? Aproximou-se a fim de olhá-la mais de perto, porém a mafiosa levantou a mão, contendo-o no lugar.

– Não se aproxime. – aquele era um pré-requisito de Isabella. Afinal, ela sabia que se o homem chegasse muito perto, ou a tocasse, seu plano corria o risco de ir água a baixo.

Edward franziu o cenho com a ordem e, então, juntou os fatos. Ela saíra, se recusou a dizer aonde iria, voltara machucada e daquele jeito estranho. Charles. O maldito tio. O que Isabella fora fazer por lá?

– Foi ele, não foi? – Edward perguntou entre dentes – Charles fez isso com você, Isabella?

Viu a mulher revirar os olhos e voltar-se para ele, sem se aproximar qualquer milímetro.

– Não te interessa, Agente Masen.

– O inferno que não me interessa! Deixe-me ver isso, Isabella.

A mafiosa deu um passo para trás.

– Fique onde está! – advertiu. – Eu estou bem.

Edward riu sarcasticamente.

– Sim. Estou vendo o quanto você está bem. Agora, deixe de besteira e venha aqui.

– Não. – Isabella recusou com a cabeça – Eu quero falar com você sobre algo. Algo sério.

Edward achou aquilo extremamente esquisito. Ela estava séria demais.

Isabella tomou fôlego, sabendo que a cena começaria agora.

– Você precisa voltar para o FBI.

Edward aliviou-se um pouco. Esse era o assunto sério que ela queria conversar? Sério para ele eram as marcas avermelhadas em seu pescoço, só de imaginar em alguém a tocando...

– Sim. Já está nos planos, Isabella. Conversei justamente com Emmett sobre isso hoje.

A mafiosa balançou a cabeça, incerta.

– E nós dois vamos ter que pensar em como conciliaremos a investigação aos russos com os nossos outros trabalhos.

Isabella riu, agora sim, de fato, a encenação começava. Aquilo era preciso.

– Isso não é problema seu.

Edward bufou.

– Já disse que você não vai conseguir me tirar disso, Isabella!

A mafiosa prontamente ignorou.

– Não existe nós, Agente Masen. Existe eu. Existe você. E cada um tem seus próprios problemas. Acho que você não entendeu bem. Quando eu disse que você deveria voltar para o FBI me referia a voltar para a sua vida antiga. Está na hora de reassumirmos nossas vidas. E elas não coexistem, Masen.

Edward sentiu um frio na barriga conforme entendia aquelas palavras. Isabella estava... estava acabando com a “convivência” deles?

– Como é que é? – o agente inquiriu incerto.

– Isso mesmo que você entendeu – a mafiosa retrucou impaciente – Já chega, Masen. Está na hora disso acabar.

Edward encarou os olhos azuis, lendo a verdade neles. Não. Eles não poderiam se distanciar. Não agora que ele descobrira que estava apaixonado por ela.

– O que Charles disse para você? – proferiu desconfiado.

– Eu não estive com ele! – Isabella soltou em um ímpeto. Mentindo.

Edward a olhou com os olhos verdes esmeraldinos em fendas.

– Isabella...

– Que tipo de agente federal é você? Eu sou uma criminosa, se a ficha ainda não caiu, Edward Masen. Você já me viu roubando, utilizando armas sem porte, me viu em um galpão cheio de drogas discutindo sobre o assassino de uma intercambista... – Isabella falou em disparado, atentando também para a impossibilidade daquilo – Eu matei mais de uma pessoa na sua frente, Thomas e aquele maledetto russo... Eu... Eu tentei te matar!

Edward segurou a mulher pelos pulsos, mesmo que ela se debatesse.

– Isabella, me escute – A voz soou imperativa, um plano formando-se em sua cabeça – Você não é assim, Linda. Você foi condicionada a ser assim. E eu estou te dizendo agora que você não tem que obedecer ninguém, ou fazer algo que não queira. Você consegue se desvincular da máfia, deixar de ser uma marionete nas mãos do seu tio... Eu posso te ajudar.

Isabella olhou descrente para o homem, então era isso que ele pensava? Que ela não passava de uma marionete? Com certeza achava também que ela jamais serviria como chefia... Quão era o quadro que Edward Masen pintara dela afinal?

– Eu quero te ajudar. Por favor, Isabella. Por favor... Deixe-me fazer isso...

A mafiosa puxou seu braço com brusquidão, libertando-se da mão que o segurava.

– E quem foi que disse que eu preciso ser ajudada? E por que você se põe todo disposto ao sacrifício, Masen? Por quê?

Então algo passou rapidamente pela cabeça de Isabella, e ela franziu as sobrancelhas chamando a atenção do federal para sua confusão interior, impossibilitando uma réplica por parte do homem.

Ele está só te usando, Isabella... Edward Masen Cullen vem te usando esse tempo todo e você caiu feito um patinho!”

As palavras de Charles retumbaram como se a figura do tio estivesse ali, participando da conversa.

– O que você ganha com a minha saída da criminalidade, Masen? Talvez um depoimento contra a máfia? Uma delação? – A criminosa jogou.

– Não vou negar que isso me agradaria, Isabella. – Edward respondeu, usando de sua sinceridade – Mas, ao contrário do seu tio, eu jamais te forçaria a fazer alguma coisa.

Arresto*... Pare de falar em Charles! – Isabella praticamente gritou, levando as mãos às têmporas. Precisava seguir com o plano. – Para a sua informação, eu jamais entregaria minha família, Masen. A máfia é a coisa mais importante para mim, e não me importo com o que eu me tornei contando que um dia possa presidi-la!

*Pare.

– A máfia é a coisa mais importante para você? — Edward inquiriu com um falso tom desacreditado — E quanto a Rosalie? Você foi contra uma ordem da sua querida máfia para salvar minha irmã, Isabella. Ou já se esqueceu disso?

– Um erro — A criminosa proferiu firme. Estava decidida a convencê-lo. Precisava.

– Um erro? — Edward repetiu debilmente, negando-se a acreditar. Cruzou os braços na altura do peito e chegou mais perto da mulher — Se você pudesse voltar ao passado não a salvaria?

Isabella tratou de sustentar o olhar na feição desafiadora do Masen. Sem titubear, escondeu, por detrás de seu olhar gélido, a efervescência de sentimentos desconhecidos que despontavam em seu peito.

– Não.

– Você mente, Isabella. – Edward a fulminou com os olhos verdes em fendas – Fodidamente bem. Mas, mente.

A vontade que Isabella tinha era virar de costas, recuperar o fôlego, se ver livre do olhar dele que a escrutinava e parecia conhecer tão bem cada gesto seu, por mais precipitado e estranho que aquilo fosse. Tinha que ser convincente. Ele estaria a salvo e tudo... tudo ficaria... bem.

– Pense o que quiser! – levantou o queixo com bravura, o desafiando – A única coisa que estou pedindo é que saia da minha vida de uma vez por todas.

– Isabella...

Edward tentou interrompê-la. O medo irracional de perdê-la já tomando conta de seu interior.

– Não vê a impossibilidade dessa... – Isabella apontou dela para ele com eloquência, mordendo os lábios brevemente quando não soube definir o que tinham – dessa coisa?! Acorde, Agente Masen! Você é um policial. Um policial que está se envolvendo com uma criminosa. Você traiu a porcaria do seu país! Você trai o seu país agora mesmo, estando aqui discutindo isso!

Edward calou-se, olhou para baixo, o maxilar trincado. Evitara ao máximo pensar daquela forma todo o tempo em que estivera com Isabella, justamente, porque aquele fato o corroía. Falhara sim com seu país, com sua profissão... E sentia-se um imprestável por isso.

Isabella percebeu que começara a tocar na ferida.

Agora, só tenho que ir mais fundo. — Ela pensou, com desgosto. Engoliu a bile que subiu para sua garganta.

– Por que? Qual Agente em sã consciência se envolveria com uma mulher como eu? Só se... – Isabella fechou os olhos, dando a entender que estava pensando, mas, na verdade, ela estava criando coragem para a reação do federal a sua próxima fala... Lembrou-se de uma discussão que eles protagonizaram sobre o mesmo assunto – Só se Charles estiver certo e...

Isabella olhou para ele ressentida. O gesto não passava, é claro, de encenação.

– Você está investigando a máfia atravéz de mim? – Pela primeira vez a mafiosa conheceu o verdadeiro significado de um queixo caído, tentou não encarar os olhos arregalados de Edward e continuou, adotando agora o tom afirmativo – Você está juntando provas que me encriminam... Que podem desmantelar a máfia.

Edward olhou para ela com descrença, abrindo a boca várias e várias vezes, como se tivesse algo para falar. Os braços fortes penderam-se para o lado do corpo masculino. Ele olhou para o teto, passando a lingua pelos lábios, completamente incredúlo e raivoso. Fechou os olhos com força. A expressão quase sofrida apertou o coração de Isabella.

– Quantas vezes – começou, pronunciando cada sílaba. Abriu os olhos verdes encarando a criminosa de esguelha, as mãos em punho – Eu vou ter que dizer que não estou fazendo isso?! Eu não juntaria provas contra você, Isabella.

A mulher empertigou-se para a frente.

– Essa é a unica resposta para você estar comigo, Masen! Todas as outras não fazem o menor sentido.

A atitude dele foi totalmente inesperada para ela. Dando um rápido e longo passo para frente, Edward praticamente juntou seus corpos. Isabella bem que tentou se afastar, pois sabia que não poderia deixar que ele a tocasse. Se ele a tocasse... Se a beijasse... Tudo estaria perdido. Ela não conseguiria.

Edward não estaria a salvo.

No entanto, o federal inviabilizou sua rota de fuga, agarrando-a pela nuca e fazendo com que olhasse para ele.

– Você quer saber, não quer? Quer saber o porquê? – Isabella mordeu o interior das bochechas, tensa. Não esperava por essa pergunta. Pensava que, assim como ela, o federal não sabia o porquê. Mas lá estava ele, cheio de segurança, indagando-a a pergunta de um milhão de dólares.

– Responda! – Ele a balançou, recebendo um olhar raivoso em troca.

– Sim, diabos! Não é isso que eu estou perguntando? – Isabella gritou, encarnando sua personagem. Não poderia vacilar. Não agora.

Edward deu um sorriso zombeteiro. Quase triste. Gostaria sim de admitir aquilo algum dia para ela. Mas não daquele jeito. Não naquela situação.

– Porque eu gosto de você, Isabella. Gosto mais do que deveria.

Mesmo que quisesse, a mafiosa não poderia ter fingido indiferença às palavras do federal. Ela havia pensado em todas as possíveis coisas que ele diria, e idealizado seu comportamento perante todas elas... Mas, o que ele acabara de falar... Aquilo Isabella jamais poderia ter previsto.

Como ela estaria o encarando? Com os olhos arregalados? Sem expressão? Gastou segundos para se recuperar. Mas, para ela, pareceu uma eternidade. Aquela... frase, de alguma forma mexeu com Isabella. Algo em seu peito contorceu... ela não conhecia aquela sensação até então.

Poderia, e seu corpo e mente pediam para que ela ficasse ali, o encarando, tentando absorver o que ele acabara de falar... Quando foi que alguém disse que gostava dela? Tirando Alice, é claro. Sua mãe talvez. Muito. Muito tempo.

Contudo, apesar da letargia que ela queria assumir, a sinapse se fez rápida. Isabella piscou, tentando ignorar o turbilhão de pensamentos e emoções que caiam sobre ela. Aquela frase era tudo o que ela precisava. A oportunidade perfeita para afastá-lo... de vez.

– Eu não – Ela precisou de um autocontrole gigantesco para continuar encarando Edward depois daquilo, para continuar mantendo seus olhos azuis como duas pedras de gelo.

Edward a soltou imediatamente. As esmeraldas perturbadas.

– Eu jamais poderia gostar de você, Federal – falou com desprezo, não permitindo-se pensar se aquilo era verdade ou não. Quem se importava? Desde que ele estivesse seguro, tudo estaria bem – Não se sinta particularmente ofendido, apesar de não simpatizar com o seu ganha pão, não é só por ele que digo isso. Eu não sou capaz de gostar de ninguém assim. E nunca vou ser.

Edward estreitou os olhos, tentando parecer forte. A declaração, de fato, o abalara.

– Quem disse isso para você? Seu querido titio? – Isabella tentou interrompê-lo, mas o federal não deixou que fizesse – Eu não estou pedindo nada em troca, Isabella. Eu simplesmente estou esclarecendo o porquê. E não finja que eu não mexo com você! Não se atreva! Ou se esqueceu de todas as coisas que já disse para mim, naquela porcaria de quarto?

Isabella forçou um riso sardônico para fora. Pensou que não conseguiria, com a garganta intalada do jeito que estava. Mas, felizmente, ouviu o som saindo de sua boca.

– Que sou sua? – começou com desdém – Que meu corpo pertence a você? Poupe-me federal. Como você me subestima! Eu era uma mulher sendo praticamente torturada! Eu falaria qualquer coisa para que você me desse o que eu queria!

– Não minta! – Edward gritou, nervoso. O dedo indicador em riste.

– O que você quer? Que eu jure em cima da bíblia? Que eu resgistre essa fala em cartório?

– O que Charles fez para você hoje, Isabella? O que ele falou para você? – Isabella simplesmente o encarou de volta. Aquilo nunca iria acabar? Por que ele simplesmente não desistia de ter aquela conversa?

– Eu já disse que não estive com ele hoje, Agente Masen! – ela bufou, mentindo novamente.

O federal passava nervosamente as mãos pelos cabelos, todos os seus músculos tencionados.

– Eu não sei o que ele fez, Isabella – Os olhos verdes se focalizaram nela de novo, a barra do vestido rasgada, as marcas de mão em seu pescoço alvo – Mas eu juro, eu juro que vou matar aquele desgraçado!

Isabella queria correr, sair dali... Faria qualquer coisa para que aquela tortura acabasse. Não aguentava mais. Simplesmente não aguentava.

– Pare de postergar uma coisa que deveria ser fácil, Agente Masen! Nós dois sabíamos que essa “convivência” tinha um prazo de validade, que a propósito, já expirou há muito tempo. Eu já tive tudo de você que poderia ter, está mais do que na hora de retornarmos a nossas respectivas vidas.

Edward a encarou incrédulo e afetado. Estava diante da verdadeira face de Isabella, ou diante da mentirosa extremamente habilidosa? Já não poderia dizer. A veia saltava em sua testa, seus dentes trincavam com a força exercida por seu maxilar. A fúria tomava seu corpo e ele nem ao menos sabia a quem era dirigida. A ele próprio? A Isabella? A Charles?

Cada palavra dita por ela o machucava. E mesmo assim ele não conseguia deixar de se preocupar com ela. Com o que acontecera. Por quê? Porque fora se apaixonar pelo demônio de mulher que era Isabella Swan?

A criminosa encarou a figura do homem que agora parecia um cavaleiro de uma causa perdida. Causa essa que, no caso, atendia por seu nome, Isabella. Pela primeira vez, desde que o conheceu, pensou que ele era demais para ela. Não que tivessem algo realmente. Não que ela gostasse dele. Mas, Edward era demais. Bom demais.

E o que ela fez? Só o impregnou com as sombras de seu mundo. Ameaçou sua segurança, sua irmã... Era uma boa coisa que aquilo estivesse acontecendo. Que finalmente botassem um ponto final. Quanto mais aquela “relação” atípica se estendesse, mais complicada ficaria. Mais embrenhado o federal estaria em sua vida.

E, sua vida, não era um lugar saudável para se mergulhar.

Era hora da cartada final. Isabella sabia. Talvez as palavras que mais o machucariam... Ela não tinha uma escolha.

É a segurança dele. A segurança de Rosalie. Não poderia fraquejar agora. Não tão perto.

Isabella virou-se de costas, porque já não mais suportava ver a decepção misturada com a fúria que os olhos esmeraldinos a encaravam. Todo o seu corpo doía... Sua respiração estava desregulada. Fechou os olhos fortemente. Não acreditando em si mesma. Não acreditando que falaria aquilo.

– Acorde, Cullen. Eu sei que você não gosta da sua profissão, talvez por isso tenha sido um agente tão medíocre, que não cumpre com os seus deveres... Continue bancando o policial para provar alguma merda para o seu papai meio morto-vivo, aliás, não sei porque você se dá ao trabalho, já que ele não poderia se importar menos com você ou com a sua família. O fato é que eu não vou continuar nessa sua brincadeirinha de cão e gato. Por favor, saia da minha casa.

O silêncio que veio em seguida era sepulcral, Isabella podia nitidamente escutar seu coração. Ele batia rapidamente sem se prender a qualquer compasso. Podia também escutar a respiração pesada do federal atrás de si. Mas não se viraria para ele, só a feição que sua imaginação criara já estava acabando com ela.

– Vou pegar as minhas coisas.

A voz dele foi cortante. Um chicote atravessando o corpo de Isabella. A mulher viu pela sua visão periférica quando ele passou pelo corredor, indo direto para o quarto. Ela puxou um golfada de ar, pendendo levemente para frente e apoiando-se no aparador.

Estava tudo bem. Ela tinha conseguido. Edward provavelmente a odiava e se manteria longe dela, graças a isso ele estaria seguro.

Isabella não soube precisar quanto tempo ele demorou para voltar do quarto, mas quando deu por si já escutava o pigarro de Edward.

– Pode abrir a porta, Swan?

Swan.

Isabella fechou os olhos brevemente. Deu-se conta que sentiria a falta do “linda”.

Levantou-se e digitou o código rapidamente, parando ao lado da porta. Percebeu que Edward a olhava e, não resistindo, voltou sua atenção uma última vez para ele.

Arrependeu-se de imediato.

O federal tinha os olhos injetados de sangue, o rosto vermelho, as veias da testa saltavam para fora. Ele estava visivelmente com muita raiva e ódio dela. Mas, essa não foi a parte que incomodou Isabella. Por trás da fachada raivosa, tudo o que ela via era sofrimento. Os olhos verdes dele estavam embaçados, como se ele fosse chorar.

– Eu vou descobrir o que houve.

Isabella rolou os olhos teatralmente.

– Não há nada para descobrir além do meu bom senso, Agente Masen.

Edward riu ironicamente.

– Não pense que me engana, Isabella. Nem por um minuto.

Dizendo isso o federal a puxou para perto dele, depositando um longo beijo no topo de sua cabeça. Isabella deixou que os lábios dele permanecem lá por todo aquele tempo, empurrando-o somente no final. Iria sentir falta disso também.

– Eu tenho certeza que vamos voltar a nos ver.

O íntimo de Isabella gritava para que ele fosse embora, ela não sabia como se suportava em pé mais.

– Eu não contaria com isso, Agente Masen. Porque eu não quero vê-lo mais. – E com o resto de sua força pontuou – Nunca mais.

Viu de relance os ombros do homem caírem em uma profunda respiração. E depois ele passava pela porta, sem nem olhar para trás.

Isabella respirava com extrema dificuldade, arfava ruidosa e ritmadamente, mas o ar não parecia chegar aos seus pulmões. Ela estava sentada no chão frio, seu corpo cedeu para o chão assim que Edward fechou a porta. Assim que ele fora embora da sua vida, permanentemente.

Tudo a sua volta estava embaçado, fazendo com que ela não enxergasse direito. Algo quente começou a escorrer por sua bochecha. A mafiosa, incerta, levou os dedos até lá, constatando que eles ficaram molhados por um liquido transparente e salgado.

Ela estava chorando. Como? Não pode ser... Não pode. Isabella já nem sabia precisar a última vez que chorara.

O que estava acontecendo com ela? Que ‘merda’ era aquela?

O coração da mafiosa queria sair para fora de seu peito, ou explodir a qualquer momento, possibilidade que Isabella chegou a considerar seriamente.

Um grande vazio instalou-se em seu estômago e ela se curvou contra o chão de mármore.

Estava tudo bem. Ela tinha feito o certo. Edward e sua família estavam em segurança. Agora, ela reconquistaria a confiança de Charles e ascenderia para o maior cargo da máfia italiana.

Tudo o que ela sempre desejou. Tudo para o qual fora criada.

Então, por que nada parecia estar no lugar certo?

~-~

Edward não foi muito longe. Decidiu desfazer a sua postura quando estava no segundo vão de escadas. Chutou a primeira coisa que viu pela frente, no caso, a mala preta que continha suas coisas. Caiu sentado no degrau, os cotovelos nos joelhos, as mãos no rosto.

Jamais pensaria que aquilo pudesse doer tanto quanto doía agora. Cada palavra dela, cada olhar, cada mísero gesto de Isabella foram como golpes certeiros em seu coração. Se não soubesse que estava apaixonado por ela, com toda a certeza, naquele momento descobriria.

Ela tornara-se importante para ele, era evidente. A única vez que Edward se sentira assim foi quando o seu pai sumiu e foi dado como morto dias depois.

Ele queria odiá-la. Aquele diabo de mulher! Quem ela pensa que é? O que ela pensa que está fazendo? As lágrimas banhavam o rosto e as mãos. Queria odiá-la, mas não coseguia. No lugar disso chorava como uma maldita menininha nas escadas.

Apertou os olhos com os dedos, o cenho franzido, o rosto vermelho.

Sentia medo. Medo por Isabella. Medo do que aqueles russos poderiam sigificar... do que poderiam fazer com ela. Um medo irracional, levando-se em conta quem ela era. Mas a atadura na perna feminina servia para lembrá-lo que ela não era de ferro. Não era imbatível.

E ele se sentia um maldito ser impossibilitado diante daquela situação.

Queria acreditar que algo acontecera à mulher hoje. Algo que a fizera se afastar dele daquela maneira. No entando, não fazia ideia do que poderia ser. E agora, já se perguntava se essa intuição não era algo fabricado pela sua emoção. Um escape para o que acontecera. Talvez Isabella não gostasse mesmo dele, e nunca viesse a gostar.

Deveria tentar esquecê-la. Ele sabia. Mas sabia também que jamais conseguiria. O que iria fazer? Por que tinha que ter conhecido aquela mulher? Por que tinha sido escalado para aquela maldita missão?

As mãos passaram por seus cabelos, deixando-os ainda mais rebeldes. As lágrimas agora caiam calmamente. Silenciosas... Edward sentiu um vazio em seu peito que o consumia, como se algum órgão vital tivesse sido arrancado.

Ele estava apaixonado por Isabella Swan e a perdeu sem que ao menos a possuísse de verdade. Ele não poderia, e nem sabia se queria, reavê-la. Seu orgulho estava ferido como há muito tempo não se encontrava. Ela fez uma festa com seus sentimentos... Ela disse que confiava nele, que era dele... Tudo não passara de uma mentira?

As palavras dela ressonaram em seu ouvido, circularam em sua mente. Como queria odiá-la! Como queria nunca ter a conhecido!

Esmurrou a parede da escada, logo depois encostou-se a ela, as lágrimas vertendo novamente de seus olhos verdes.

Queria apagar Isabella Swan de sua mente. E de seu coração.

Notas finais
Meu coração está doendo!!! Sério...

Mas, para mim, não poderia estar mais claro de que lado Isabella decidiu ficar... e é do lado de Edward!

Comentem meus amores! Mil beijos!!!