Rede De Segredos
24 Capítulo 22
Notas iniciais
Chegou a hora de apagar as velinhas... Vamos cantar aquela musiquinha... Parabéns para você, Parabéns para você... Oli é o seu aniversário! hahaha
14/09 chegou. Aqui estou com mais um capítulo de RDS.
O capítulo de hoje é dedicado para a Adriana Oliveira, que recomendou RDS! MUITO obrigada MESMO!
Gente, que saudade que eu estava de vocês!
“- Eu não quero ver você olhar para ela duas vezes.
Charles revirou os olhos, tentava negar, mas estava ansioso para descobrir quem era a tal mulher que arrebatara daquele modo o coração sempre duro do irmão. Charles jurava que ele se casaria por conveniências, mas ali estava o irmão apaixonado por uma civil comum que ainda não sabia muito bem de onde a renda da família Swan provinha.
– Eu falo sério, Charles. Só estou te apresentando porque ela insistiu muito. Não venha com suas brincadeirinhas para cima dela, não a olhe de um modo diferente. Ela não é como as outras que já dividimos. Se por um momento eu achar que você está pensando na minha menina de maneira errada eu juro pelo o que você quiser que arranco a sua cabeça e a coloco em um espeto. Fui claro?
– Cristalino, irmãozinho! – Charles disse ironicamente com um sorriso rasgando a face. Divertia-se imensamente com a cara emburrada do irmão que por apenas alguns minutos era o mais velho.
Charlie permaneceu algum tempo sondando o rosto idêntico ao seu, até que por fim decidiu abrir a porta da sala de espera onde Renée se encontrava.
– Ela não é para você. Renée me pertence – Charlie disse, um pouco antes de abrir, o sorriso irônico brincando em seus lábios.
Assim que a moça entrou no campo de vista dos irmãos, Charles perdeu o fôlego. Ela estava com um vestido azul que vinha até os joelhos, os cabelos levemente avermelhados reluziam juntamente com sua pele leitosa, onde os raios de sol acariciavam levemente. Ela olhava pela janela, impossibilitando assim que Charles visse sua face.
– Renée? – Charlie a chamou, fazendo com que a mulher saísse dos seus pensamentos e encarasse as duas figuras presentes. Sua boca abriu-se em um perfeito “o” e ela estendeu a mão, um tanto incerta, para Charlie, que logo aceitou e a puxou para ele, abraçando-a protetoramente pela cintura e depositando um beijo no canto dos lábios.
Porém, Charles estava muito concentrado para processar o gesto de afeto. Assim que Renée virou-se para eles o mais novo viu-se preso pelos profundos olhos achocolatados.
– Charly – ela murmurou para Charlie, mas Charles conseguia escuta-la perfeitamente – Você disse que eram parecidos, não iguais!
Charlie fechou a cara para aquela afirmação enquanto Charles sorriu.
– Renée, este é o meu irmão Charles. – disse o mais velho, apresentando formalmente.
Ela mordeu os lábios com incerteza, gesto que não passou despercebido por Charles. Renée inclinou-se na sua direção e uma essência de morangos invadiu suas narinas.
– Olá, Charles. – ela estendeu a mão, sorrindo abertamente – Estava ansiosa para conhecê-lo.
Se fosse com qualquer outra namorada do irmão, Charles levaria a mão estendida até os seus lábios e ali depositaria um beijo, olhando provocadoramente para Charlie. Mas, como o próprio irmão disse, Renée era diferente. Era só olhar para os dois, e Charles podia afirmar que Charlie a amava. Foi esse pensamento que o fez pegar a mão da bela mulher a sua frente, em um aperto de mão sem segundas intenções.
Ou era o que ele pensava. A pele dela era macia e quente, tornando-se assim, extremamente convidativa, arrependeu-se instantaneamente de não ter a levado aos lábios para descobrir como seria o gosto dela.
Sentiu o irmão tencionando, e largou a mão da mulher olhando para o casal.
– Olá, Renée. É um prazer finalmente conhecer a mulher que conseguiu fisgar o Charlie.
E para o completo desespero de Charles, a mulher lhe sorriu abertamente, as bochechas assumindo um tom rosado, duas lindas covinhas se formando.
Instantaneamente Charles soube, ele se apaixonara a primeira vista pela futura esposa do irmão.”
Quando sentiu Isabella desfalecendo em seus braços, o Swan parou de enforcá-la. A imagem de sua menina tornando-se manipulável e frágil aos seus olhos.
Ele jamais a perderia! Não importava o que tivesse que fazer.
Isabella era dele, e de mais ninguém.
~-~
– Minha filha, graças a Deus! – Esme desceu a escada curvilínea apressadamente, agarrava-se ao longo robe de seda, transpassando-o ao redor do corpo magro, os nós dos dedos ficaram brancos devido a força utilizada. A antiga tristeza ilustrada nos olhos cor de mel dava lugar agora para a preocupação que a assomara nos últimos dois dias.
Rosalie lembrou-se instantaneamente das palavras cruéis que saíram pela boca da mulher que descia apressada a escada de mármore. Sem nem mesmo perceber, agarrou-se ao peito do irmão, apertando a mão que ele a cedera.
Edward, estimulado pelo ato da moça, levou seus lábios até o topo da cabeça loira, tentando com um mínimo, porém significativo gesto, passar a segurança que a pequena nunca deveria ter sentido falta. Prometeu a si mesmo que enquanto ele estivesse vivo, sua irmã caçula nada mais temeria. Ele a defenderia de qualquer coisa que atravessasse o seu caminho.
– Está tudo bem, pequena. – Edward sussurrou, os olhos repreensores prendendo-se na figura da mulher que o criara – Emmett, pode me esperar lá fora? Tenho que conversar algumas coisas com a minha mãe.
Emmett lançou seu olhar para Rose justamente quando essa, brevemente, o encarava. Mas, assim que os olhos se encontraram a adolescente rapidamente desviou suas esmeraldas, que adquiriram uma opacidade devido aos últimos acontecimentos, para o chão.
O agente suspirou tristemente. Aquele afastamento dela o matando. E o pior era que ele não fazia a menor ideia de como recuperar uma coisa que nem mesmo tinha certeza que possuíam.
– Te vejo amanhã, Rose. Tudo bem? – Emmett perguntou, baixo e incerto. Edward pedira que ele arrumasse um esquema de segurança eficiente para a sua família. E é claro, no que se tratava de Rosalie, o próprio Emmett se colocaria como segurança. Quando não estivesse no FBI, não existia outro lugar em que quisesse estar, a não ser ao lado dela.
A menina balançou a cabeça lentamente. Um sinal claro de que entendera e que, de certa forma, concordava. Com a aceitação por parte dela, Emmett fez seu caminho de volta, não sem antes cumprimentar Esme Masen com um rápido aceno de cabeça.
– O que aconteceu, Rose? – Esme perguntou, a voz injetada de carinho e preocupação, levou a mão ao rosto da filha que continuava agarrada a Edward — Por que ficou com seu irmão durante esses dois dias? Eu fiquei tão preocupada.
Edward soltou um bufar escarninho, que nada mais era que um triste som metaforizado em forma de sorriso.
– Preocupada porque ela estava comigo, ou com o que disse para ela antes do baile?
Esme voltou seus olhos, agora alarmados, para o filho.
– Como pôde dizer o que disse para Rosalie, mãe? Como teve a coragem e o sangue frio para isso?
– Ed... – Rose tentou conter seu irmão, não queria brigar, não queria discutir... Não estava com espírito para isso, nunca esteve e nem nunca estaria.
– Rose, minha menina – Esme voltou-se para sua caçula com os olhos lamuriosos – Eu sinto muito, filha. Eu... Eu não sei o que aconteceu comigo.
Edward revirou os olhos.
– Já sei dos remédios, mãe. Rose me contou.
Esme mordeu o lábio inferior e abaixou a cabeça. Olhou para os dedos das mãos que travavam círculos sem fim em sua pele. Estava envergonhada por si própria, por sua fraqueza.
– Eu... quando acordei naquele dia o baile estava quase acabando... Não entendi por que você não tinha me chamado... e foi então que – Esme fechou os olhos duramente – foi então que percebi que o que eu disse para você não tinha sido um sonho.
Rosalie olhava para a mãe atentamente, lutando contra a umidade que começava a se fazer presente em seus olhos.
– Depois que eu percebi o que disse, Rose – Esme deu uma longa fungada, as sobrancelhas se uniram, o choro a tomando com força – Eu pedi que Maria jogasse todos os comprimidos no vaso... eu...
Esme tombou para frente, e foi amparada pelo braço livre do filho que levou as duas mulheres para o sofá. Esme estava com as mãos na cabeça, o rosto tampado pelos fios acobreados.
– Eu não tomei mais nenhum comprimido desde então... mas... mas é difícil... ficar sem. – Edward olhou para a sua mãe, procurando na figura frágil que Esme se tornara os sinais da abstinência. De fato, a mãe tremia um pouco, e estava mais pálida que o normal.
O federal balançou a cabeça tristemente.
– Você precisa de um acompanhamento mãe. Está em abstinência.
Esme virou seus olhos para o primogênito.
– Eu não sou nenhuma drogada, ou viciada, Edward Masen Cullen!
O federal suspirou fundo, tentando se controlar. Primeiro, porque sua mãe era tão cega que não via a situação que ela própria entrara. Segundo, porque Esme o chamara pelo nome inteiro. E Edward não gostava nem um pouco de ser chamado de Cullen.
– Remédios são uma das piores drogas existentes, dona Esme. E o que você está sentindo é fruto de uma dependência... Como isso foi acontecer, mãe? Por que eu tive que ficar sabendo disso por Rosalie? – Edward bufou, de repente sentindo-se estafado – Tudo isso é culpa do Carlisle.
Esme arregalou os olhos, voltando-se para o filho com ar pedinte.
– Não fale do seu pai assim...
Edward fechou os olhos, tentando ao máximo manter a calma. Ele sabia a verdade. Ou achava que sabia. Mas, para o Masen, era fato que seu pai havia abandonado o lar. Virado um fantasma por comodidade. Para não ser procurado, encontrado e, principalmente, incomodado. O motivo não era claro para Edward, no entanto, esse também não importava.
A suposta morte de Carlisle deveria ser um fechamento. Um final de um ciclo. Algo para superar e mover em frente. Mas não. Ela apenas destruiu a estrutura familiar dos Masen-Cullen.
Edward nunca tinha se aprofundado no assunto, até o dia em que Isabella, na primeira conversa que protagonizaram, jogou com a informação e concluiu que ele só tinha se tornado policial por causa de seu pai.
“– Então eu pensei, essa sua pose de bom federal... Tudo isso é pelo seu pai não é, Agente Cullen? – ela continuou referindo-se ao sobrenome de Carlisle – Você tinha que provar para ele que poderia fazer melhor que ele... Mas, porque então você refere-se a si próprio como Agente Masen? O sobrenome da sua mãe, que deve ter ficado horrorizada com isso, certamente.
...
Quando foi que você decidiu ser o que é? Foi quando o seu pai abandonou você, mamãe e irmãzinha, ou foi quando ele morreu em circunstâncias suspeitas?”
E aquilo era verdade, Edward sabia. O que o federal não entendia bem era o motivo inconsciente que o levara aquela decisão. O que queria? Assemelhar-se a figura que só trouxe infortúnios? Que abandonou a família? Ou provar que ele poderia ser melhor que ele, como Isabella propusera?
Carlisle era a base das relações que ali se desenvolviam. Uma Esme fraca fora criada, afundando-se na dor de perder o marido, a mulher esquecera-se de ser uma mãe para Rosalie. Graças a isso a menina cresceu insegura, frágil... O federal acariciou a bochecha da irmã que olhava dele para a mãe, como uma interessada telespectadora de uma partida de ping pong.
Edward constatou que há muito tempo ele, a mãe e Rose, não eram uma família. Mesmo que amasse as duas mulheres mais do que a ele mesmo.
Graças a sua profissão, sua mente gritava para achar um culpado para aquilo, e tudo o que ele pensava era... Carlisle. No fundo, o federal sabia que estava sendo injusto. As relações humanas e as personalidades adquiridas não poderiam ser produto de um só reagente. Mas é mais fácil e menos doloroso jogar a culpa naquele que foi o mais errado. Ou que, pelo menos, parece ter sido o mais errado.
Voltando-se para a realidade, Edward percebeu que ainda devia uma réplica a Esme.
– Sim, mãe. Eu falo dele desse modo porque é a mais pura verdade! Graças a ele nós estamos tendo essa conversa agora. Graças a ele você se tornou viciada em remédios e disse todas aquelas coisas sem sentido para Rosalie – Edward sentiu a irmã estremecer em seus braços – Quando foi a última vez que você se preocupou com alguma coisa na nossa vida? Que quis saber o que estava acontecendo? Que deu conselhos de mãe? Que se portou como uma mãe?
Edward arrependeu-se das últimas palavras assim que viu sua mãe recomeçar o choro sofrido. Mas não poderia fraquejar. Não agora.
– Eu sinto falta da minha mãe, Esme. Não vê o que está acontecendo com a gente? Com a nossa família? Você está tão mergulhada nesse luto de décadas que não percebe que existe vida a sua volta. Que eu e Rosalie precisamos de você.
Esme balançou a cabeça sorvendo as palavras do filho. Nunca se imaginara prestando aquele papel. De repente, era como se acordasse depois de muito tempo. Edward estava tremendamente certo... Ela se esquecera de suas obrigações, da sua vida, por causa do Carlisle.
– Eu o amava demais... – Esme murmurou, externando aquilo que estava em seu coração. Sentiu suas mãos serem tomadas pelas do filho.
– Eu sei mãe, eu sei. Mas nós somos seus filhos e nós precisamos de você. Também precisamos de amor.
A mulher olhou para Edward a sua frente. Sempre fora um menininho adorável e não era surpresa para Esme o belo homem que tinha se tornado. Tanto por dentro quanto por fora. Observando os olhos verdes do filho, Esme lembrou-se instantaneamente de Carlisle. Não porque eram da mesma tonalidade, mas sim, porque eles passavam o mesmo brilho vivo.
Sua atenção caiu na figura da filha sentada atrás do irmão. Sua Rosalie. Parecia um anjo, embora o olhar doce que sempre via nela estivesse um pouco apagado. E Esme não sabia o por que daquilo. Seria uma consequência de suas palavras? Martirizou-se. Ela não sabia de nada que se passava com os filhos. Seus medos. Suas angústias. Suas vontades. Nada.
Falhara como mãe. Mas faria de tudo o que pudesse para que aquela fosse a última vez.
– Rose – Esme chamou – Você me perdoa filha? Eu não penso aquilo de você, meu anjo. Você jamais seria culpada de uma coisa dessas. É a pessoa mais doce que eu conheço, filha. Por favor, me perdoe! Eu...
Rosalie limpou uma lágrima que se aventurava pela sua bochecha, trocando um olhar silencioso com Edward. Mordeu os lábios antes de dar vazão aos seus pensamentos.
– Eu perdoou mamãe – Rosalie começou, trazendo surpresa e alegria para o olhar de Esme – Mas você tem que prometer que vai procurar ajuda. E que não vai mais tomar esses remédios.
O peito da mais velha subiu com um profundo suspiro. Ela desviou os olhos de seus filhos e, olhando para o chão, levou as mãos até o seu pescoço. Primeiro retirou o escapulário de ouro e o observou longamente.
– É para você, Rose. – Esme estendeu-lhe o objeto, sob o olhar interrogativo de seus dois filhos. Aquele escapulário pertencera a Carlisle. Esme uma vez havia lhe dado. A peça, que ele nunca tirava do corpo, foi “descuidosamente” deixada para trás no dia do acidente.
Rosalie aceitou o escapulário com as sobrancelhas franzidas.
– Um dia você vai amar um homem tanto quanto eu amei o seu pai e o dará para ele. – Esme esclareceu, agora que verbalizava achou seus atos precipitados e desmedidos. Sentia-se confusa... Será que aquilo era devido a... abstinência?
Balançou a cabeça. Por mais que soasse sem sentido, Esme pressentia que era a coisa certa a se fazer. Levou mais uma vez suas mãos até o pescoço, dessa vez demorou mais tempo para efetuar o que queria. Seus dedos estavam trêmulos e a abertura do colar era muito delicada.
Finalmente, tirou o pingente do pescoço. A água marinha circundada por pequenos diamantes cintilou com o balançar das mãos de Esme. Ela estendeu a peça delicada para Edward, que negou com a cabeça, reconhecendo o colar e não acreditando no que ela estava fazendo.
– É o colar que o Carlisle te deu, juntamente com o anel de noivado, mãe. – O federal continuou negando com a cabeça – Eu não posso aceitar isso.
Esme sorriu bobamente, e colocou a peça na altura dos olhos dos filhos.
– Encare isso como uma herança de família. Vale para você o que eu disse para Rose. Entregue para alguém especial na sua vida, filho... quando esse alguém aparecer. Não se sinta pressionado, meu bem, mas espero que algum dia meu anel de noivado vá também para a futura dona do pingente.
Edward suspirou pesadamente, sabendo da responsabilidade em aceitar aquele presente. Esme balançou mais uma vez o cordão a sua frente, o brilho azul da água marinha cintilando diante dos seus olhos e o lembrando instantaneamente de outras joias azuis.
Os olhos de Isabella.
Edward engoliu em seco, tentando afastar o último pensamento e, finalmente, aceitou o colar.
– Por que está fazendo isso, mãe? – Rose perguntou, incerta.
Esme sorriu mais uma vez.
– Acho que está na hora de seguir em frente. Desapegar-me de certas coisas... Acho que eu simplesmente tenho que fazer isso.
A fala da mãe despertou um sorriso nos dois herdeiros Masen.
Talvez não fosse tão tarde para reconstituir uma família afinal.
~-~
– Parece que a conversa foi proveitosa! – Emmett comentou dando a partida no carro.
Edward sacudiu a cabeça, concordando. Sentiu o colar contra seu peito, protegido pelo bolso interno do casaco. Sorriu.
– Eu realmente não queria estragar essa sua cara boa, Edward... Mas, eu tenho que dizer.
O federal instantaneamente colocou todos os seus sentidos para trabalharem, olhou para o amigo que dirigia com cautela em demasiado.
– O seu sequestro está ficando insustentável no FBI. – Emmett disse de uma só vez, olhando rapidamente para o parceiro – Não se fala de outra coisa naquele lugar, e eu sinto que o cerco está se fechando.
Edward suspirou pesadamente. Sabia que aquilo aconteceria, cedo ou tarde.
– Quanto mais tempo você ficar, teoricamente, sequestrado, pior será a sua volta. – Emmett continuou – Você tem que voltar antes que essa mentira não seja mais sustentável...
O Masen balançou a cabeça em concordância.
– Quanto mais tempo eu ficar ausente, mais perguntas eu terei que responder. E mais facilmente poderei me enrolar e ser desmascarado. – Edward soltou o ar que nem sabia que prendia. A volta no FBI não era o que de fato o importunava. Ele teria que conciliar o seu tempo na agência, com o tempo que ajudaria Isabella a descobrir mais sobre os seus perseguidores. Porque ela não se atreveria a afastá-lo daquilo! Não depois do motoqueiro misterioso que errou um tiro propositalmente.
Algo estranho subiu pelo peito do federal. Porém não se devia mais ao motoqueiro. Não se devia mais aquele incidente em específico. Era algo novo. Aquela sensação que por várias vezes sentia quando estava trabalhando.
– Não precisa ficar com essa cara, Edward. Eu, você e Jasper vamos dar um jeito da sua volta parecer real, como o sequestro. Aposto que Isabella também o ajudará...
– Não é isso – Edward o cortou rapidamente – Alguma coisa... Alguma coisa está errada.
Emmett reconheceu o que Edward sentia. Na verdade, fora o próprio federal que apresentara aquela sensação a ele.
– Tipo um pressentimento? – o grandão perguntou, apenas para receber um aceno de cabeça do amigo – Não se preocupe, Edward. Tudo vai sair bem.
Sim, o federal sabia que tudo ocorreria bem. Tanto que não era com isso que estava preocupado.
– Me leve para o apartamento da Isabella, Emmett.
– Pensei que iríamos encontrar com o Jasper. É bom começarmos a discutir sobre a sua volta, Edward...
– Amanhã – o Agente Masen declarou, sem deixar espaço para uma contestação – Agora me leve até o apartamento da Isabella.
As sobrancelhas do federal praticamente se uniram. Ele sabia ouvir seus instintos. Lembrou-se que Isabella saíra sem revelar aonde iria, e de repente aquilo pareceu... perigoso.
Alguma coisa estava errada. Edward sabia.
Alguma coisa que envolvia Bella.
~-~
– Você me traiu – a voz de Charles figurava o fundo da escuridão onde Isabella agora se encontrava, porém, outras vozes podiam ser ouvidas. Sua mãe. Sua mãe cantava alguma canção de ninar, mas Renée parecia tão longe, Isabella também não poderia enxergar naquela escuridão. Ouvia outros zumbidos... Alguém falava sem parar, era Alice?
Isabella não poderia dizer, porque começara a ouvir gritos. Os seus gritos. Seus gritos quando James... Não. O que estava acontecendo? Por que ela não conseguia se mexer?
Seus gritos se modificaram, ficando mais finos e sofridos. Não eram mais dela. E Isabella viu cabelos loiros se materializarem na escuridão. O corpo feminino caído.
A mafiosa correu, reconhecendo a figura de menina. Mas, assim que chegou, Rosalie não estava mais lá. Ela deu lugar a um homem ajoelhado, com a cabeça baixa, murmurando coisas desconexas.
Era Edward.
Os olhos verdes voltaram-se para cima, e Isabella sentiu a dor que passava por eles.
– Você – ele começou, e então a dor se transformou em ódio – A culpa é sua!
Isabella encarou aterrorizada a camisa branca do federal pintada de vermelho. Sangue.
– Ela está morta e a culpa é sua! Toda sua! Suma da minha vida! Eu odeio você, Isabella.
Tudo começou a girar, Edward sumiu, tudo o que Isabella ouvia agora era a voz de Charles.
– Como pôde, Isabella?
A mafiosa abriu as pálpebras lutando para se acostumar com a luz e com a respiração sôfrega. Era um sonho. Apenas um sonho.
E aquilo significava que ela definitivamente desmaiara.
Tentou puxar as suas mãos, mas sentiu uma dor nos pulsos instantaneamente. Piscou várias vezes, finalmente focalizando um Charles sentado confortavelmente em sua cadeira de couro. E ela, amarrada pelos pulsos em uma cadeira de madeira.
– Mas – pigarreou, a boca seca – mas o que é isso, Tio Charles?
O homem inclinou-se, apoiando os cotovelos na mesa, os olhos frios como gelo.
– Ainda estou ponderando se começo o seu castigo imediatamente, Isabella. A amarrei por via das dúvidas.
A mafiosa engoliu em seco, sabia que seria difícil aquela vinda a Charles.
– Eu não vim pedir o seu perdão... – suas palavras mal escolhidas despertaram surpresa e ira no homem. Cerrando os olhos, escrutinou a mulher.
– Não?
Isabella tentou dispersar a dor de cabeça que a deixava ainda mais confusa.
– Não. O que não significa que eu não o queira – Isabella consertou, rapidamente – Eu vim... Vim fazer um pedido.
Charles remexeu-se na cadeira, colocando sua melhor cara irônica ao encarar a única coisa que realmente lhe importava na vida.
– Claro. Você trai a máfia, você me trai, e depois vem pedir favores como se nada houvesse acontecido.
Isabella tentou se mexer, mas a corda em seus pulsos estava muito apertada.
– Eu gostaria de ser direta, se o senhor me permitir. – Isabella proferiu, o tom respeitoso.
Charles levantou-se de sua cadeira, circundando a mesa como um poderoso felino. Prostrou-se a frente de Isabella, e em um rápido movimento puxou a saia do vestido azul que ela usava mais para cima, rasgando um pouco da barra do tecido fino.
– Primeiro, Isabella. – murmurou raivoso — Me explique o que é isso.
A mafiosa nem precisou olhar para saber ao que Charles se referia.
– O mesmo homem que deu cabo de Laurent e Jason, atirou em mim, Tio Charles.
Por um único segundo Isabella viu uma fúria descabida tomar conta do Swan. Mas tão rápido quanto a viu ela já tinha passado. Charles novamente a encarava daquele modo frio e calculista.
– Entendo... Eu dou permissão Isabella – a mafiosa sentiu a mão esquerda do tio, posicionar-se em sua coxa, bem em cima do seu ferimento – Dou permissão para que vá direto ao assunto.
Então, Charles apertou a área machucada, fazendo Isabella arfar de dor. Ele decidira por torturá-la?
– Fale, Isabella! – apertou com mais força – O que quer? O que veio fazer aqui?
– Eu vim...
Ela não conseguia falar. O tio apertava com ainda mais força seu ferimento, e mesmo mordendo os lábios Isabella não conseguiu conter o grito de dor. Sentiu a gaze se molhando. A ferida, mais uma vez, sendo aberta. Se continuasse daquele jeito teria que ir para o hospital olhar aquilo. E a cicatriz, que antes era improvável, agora era mais do que esperada por ela.
– Fale! Isabella! – com a mão livre, Charles prendeu a mandíbula dela – Estou esperando! Fale!
Felizmente, o aperto em sua coxa diminuiu, possibilitando que a criminosa prestasse atenção em outra coisa que não fosse a dor que sentia.
– Vim pedir que deixe Rosalie em paz. Que se esqueça da família do fede... do agente Edward Masen.
O choque foi tanto que Charles tirou suas mãos da mulher instantaneamente.
– Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto!
Isabella engoliu em seco.
– Charles. Ela é só uma menina.
– O QUE ESSE MALDITO CULLEN FEZ COM VOCÊ? – o Swan bradou, assustando Isabella. Ela não esperava essa reação dele, e Charles tinha acabado de chamar o federal de Cullen. Por quê?
– Não vê, Isabella? Escute o que você está me pedindo! Você... Você está preocupada com o maldito!
Isabella arregalou os orbes azuis.
– Não. – deu-se o trabalho de negar, constatando o quanto aquilo soava patético.
– Não. Não. – Charles repetiu, ironizando – Você criou um ponto fraco! Eu não acredito que você deixou aquele oportunista afetar você dessa maneira! Ele está só te usando, Isabella.
– Não – Isabella repetiu. Mas não sabia sobre o que se referia exatamente. – Edward não é meu ponto fraco, Charles! Eu não tenho fraquezas! E pode ficar tranquilo quanto a isso. Ele não está atrás de informações. Não nos entregará para a polícia, se é o que te preocupa!
Charles aproximou-se perigosamente dela, puxando seus cabelos para trás, levantando seu rosto e fazendo com que ela olhasse para ele.
– Eu não a criei assim. Não criei esse ser patético que eu vejo diante de mim. Não vai nos denunciar? Desde quando você virou uma idiota, Isabella? Você só me decepciona.
As palavras fizeram seu trabalho. O alerta no cérebro de Isabella piscando, informando que Alec estava ganhando para suceder Charles. Porém, essa não é a coisa que mais a incomodava agora.
Ela decepcionara Charles.
E preferia levar um tiro a sentir o que sentia.
Talvez... Talvez devesse voltar atrás.
“–Não, meu amor. – as lágrimas vertiam dos olhos do federal. Ele era o puro sofrimento — Ninguém encostará em você daquele jeito novamente, pequena. Eu jamais permitiria.
Ela nunca havia visto o federal chorar antes e se sentia desconfortável diante daquilo.
O homem levantou os olhos para ela, e a dor que passava por eles era demais para Isabella suportar.”
Edward...
Isabella teve vontade de gritar. Ela não sabia. Não sabia mais o que fazer.
– O que ele pode querer com você, Isabella? O que pensa que ele quer? Sim. Você é muito bonita... Mas policiais não se envolvem com criminosas apenas para ter uma boa transa, Isabella. Eles têm suas parceiras de trabalho, as prostitutas, o fetiche das cidadãs comuns e de bem para resolver esse problema. Eles não vão procurar uma mafiosa para isso, não importa o quão bonita ela seja.
Isabella abaixou a cabeça. Não queria mais escutar aquele discurso.
– Ele está te usando. Edward Masen Cullen vem te usando esse tempo todo e você caiu feito um patinho!
Era verdade? Isabella mordeu os lábios. E se fosse? Do que importava? Por que aquilo doía? Por que ainda sim queria Rosalie em segurança?
– Eu sou a única pessoa que você pode confiar cegamente.
Isabella fechou os olhos. Pelo menos uma certeza.
– Eu sei – ela murmurou, cansada.
Mas, ainda sim, ela precisava daquilo.
– Eu faço o que quiser em troca, Tio Charles. Apenas os deixe em paz.
Abriu os olhos, deparando-se com a cara especulativa do Swan a poucos centímetros dela.
A mente bem dotada do número um da máfia trabalhava a todo vapor. É claro que estava possesso por Edward ter esse efeito sobre Isabella. Mas talvez, se ele soubesse se aproveitar da situação... Talvez reouvesse sua menina.
– Qualquer coisa? – repetiu, surpreendendo Isabella, que não esperava que Charles cedesse tão cedo.
Ela tentou conter a secura de sua boca com a própria saliva. Balançou a cabeça.
Charles sorriu maleficamente.
– Tudo bem.
Isabella arregalou os olhos.
– Tudo... bem?
– Sim, bambina. Você vai sair daqui, vai expulsar aquele vermezinho da sua vida. E vai voltar para cá. Você nunca mais falará com ele. Nunca mais o procurará. E vai tomar o cuidado para que ele também não te procure. Assim, eu deixo aquela merda de família em paz.
Charles deu um passo a frente, dobrando-se, e ficando da altura de Isabella. Os olhos idênticos conectados.
– Agora, se eu souber, ou melhor, se eu sonhar que você o viu... Nem que seja por acaso. Nem que seja a metros de distância. Eu juro, Isabella. Não sobrará um Masen vivo para contar a história.
A mafiosa sentiu o baque da afirmação caindo sobre si. Era pegar ou largar. E aquilo era bom... Charles tinha razão. Ela estava se abrindo demais para Edward Masen e aquilo era preocupante. E ele, Rose... eles estariam em segurança.
– Eles ficarão bem? – Isabella perguntou, incerta.
– Sim. Tem a minha palavra.
Um incômodo correu seu peito, mas mesmo assim, a mafiosa proferiu as palavras decisivas:
– Eu aceito.
Charles sorriu triunfante, e começou a desamarra-la. Teria sua menina de volta. A afastaria de Edward Masen, e ainda por cima, a manteria debaixo de suas assas. Seria impossível que qualquer correspondência de Carlisle chegasse a ela sem que fosse interceptada.
– Bem vinda de volta a máfia, bambina. Ao seu lugar.
Isabella quase sorriu, sabendo que talvez, Alec não estivesse tão a frente dela.
Charles olhou dentro dos olhos azuis e percebeu que Isabella estava mudada. Mas ele não se importava, porque se via ali dentro também. O Swan a reconhecia, como o dono que marca seu gado com ferro e fogo. A alma de Isabella estava ali, ainda nos moldes que ele impusera.
Não importava o quanto Isabella mudasse, sempre carregaria consigo tudo o que aprendera com ele. E sempre viveria um inferno toda vez que pensasse em lhe dar as costas. E por quê? Porque Isabella era dele. O subconsciente dela pertencia a Charles. E por onde quer que a mulher fosse, ela carregaria essas marcas. Ela sempre responderia a ele.
O pensamento fez Charles sorrir. Ele tinha feito um bom trabalho.
Notas finais
Beijos, meninas.
E comentem! Percebi que os comentários caíram no ultimo cap. Acho que é devido ao fato que momentaneamente vou postar com maiores intervalos de tempo. Mas poxa, pessoas... É só até o ENEM! :(
(é sério, amanhã respondo TODOS os atrasados! Não vou deixar comentários não respondidos de maneira nenhuma!)
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