Rede De Segredos
20 Capítulo 18
Notas iniciais
Obrigada a todas que comentaram! Mesmo! Significa muito para mim saber o que vocês estão achando!
Enfim, não enrolarei muito!
Boa leitura!
ps: AVISO, no fim do capítulo!
Tudo ao redor do federal pareceu estar em câmera lenta, os ponteiros do relógio parando por um par de segundos. Emmett, Isabella, o motoqueiro.
Um tiro.
A arma portava um dispositivo silenciliador, mas aquele foi o maior ruído de toda a vida do agente. O prenuncio de algo inevitável, que ele jamais poderia impedir. Estava longe demais.
– NÃO – Edward gritou aterrorizado – ISABELLA!
Ele sentiu o baque em sua própria carne, o projétil lhe atingido através de um poderoso soco no estômago. A bile subiu, a garganta secou, os olhos arregalaram-se, as mãos se fecharam raivosamente em punho. Ele não podia fazer nada para evitar.
Isabella caiu de joelhos no asfalto fazendo com que as pernas do federal pendessem para frente, um estímulo natural de seu corpo para ir até ela. Nada mais existia além da figura da mulher caída e o sangue que, morbidamente, salpicava o asfalto.
O coração do agente começou a bombear em um ritmo alucinado, seu sistema liberando as endorfinas necessárias, a adrenalina correndo por suas veias. Outros tiros, mas dessa vez eram aliados, Emmett disparava várias vezes contra o motoqueiro que agora fazia sua rota de fuga.
Edward livrou-se das mãos que o retinham — mãos de sua irmã, mas que, naquele momento, nada mais eram que amarras o impedindo de salvar Isabella. Correu o mais rápido que pode, o medo crescente era alimentado a cada novo passo. Finalmente chegou até ela, ajoelhando-se a sua frente. Os azuis estavam fechados, as mãos delicadas, excetuando os eventuais calos de escrita e manuseio de armas, largadas em cima da calça, sujas de sangue.
– Isabella! – Edward chamou e não reconheceu a própria voz. Estava estranha, rouca e parecia um sussurrar de desespero. Levou as mãos até os ombros dela fazendo com que assim ela abrisse os olhos. Mas sua Isabella não estava ali. Os orbes estavam opacos e sem vida, mirando algo muito além dele.
O federal tentou focar no que era importante: Achar o ferimento. Seus olhos hábeis percorreram o corpo feminino e ele percebeu que o tiro atingira a perna esquerda dela, porém, graças a escassa iluminação e a calça de lavagem escura, Edward não pode definir em que local exatamente.
Por favor que não seja a artéria femoral. Que não seja a artéria femoral. – Ele rogou, inconscientemente, em seus pensamentos.
– Por que? – ouviu a mulher murmurar e percebeu que ela estava em um tipo de transe. O rosto pálido elevou a preocupação do agente em níveis inimagináveis.
– Isabella? – Edward mais uma vez chamou, e outra vez foi ignorado. Sem alternativas, o federal levou as mãos até a perna vitimada dela, tentando fazer uma ideia da dimensão dos danos.
A dor lacerante na perna esquerda trouxe Isabella de volta para a realidade. Por um breve momento, piscou os olhos, confusa. Depois conseguiu processar que a dor era por causa das mãos do federal que, com cuidado, começava a examina-la.
Isabella mordeu o lábio fortemente, tentando conter o grito que sairia dali, mas não foi forte o bastante para aplacar o gemido agoniado que saiu de seu peito. Os olhos esmeraldinos voltaram-se para ela na mesma hora, preocupados, esquecendo momentaneamente do que faziam e deixando a perna de Isabella livre.
– Não me toque. – a mafiosa grunhiu, arfando. Seu peito subindo e descendo em um ritmo descompassado. Tentou engatinhar para trás, para longe das mãos do homem que a lembrava do que tinha feito essa noite. Da traição da máfia. Mas Isabella não foi muito longe, surpresa com a dor forte que se abateu nela, assim que tentou movimentar a perna. Caiu sentada no chão.
– Não, Bella... Não se mexa assim. – Edward praticamente implorou, se aproximando dela.
– Eu... estou bem, Agente Masen. – Isabella retrucou.
– Não, linda. Você não está. Fique quietinha, Bella... por favor.
A mafiosa crispou os lábios, sem esforços para conter a sua irritabilidade. Ele estava a chamando de Bella e ainda a tratava como um maldito bebê.
– Nós temos que te levar para um hospital.
Ela levantou rapidamente os azuis em fúria.
– O inferno que tem!
Edward balançou a cabeça várias vezes, a expressão atormentada, quase como se sentisse dor.
– Você está sangrando muito... Eu não sei onde o tiro pegou e nós temos que remover a bala. – O federal tentou explicar pacientemente, mas ele mesmo não se entendia. Por que Isabella tinha que ser tão absurdamente teimosa?
– Não há bala para ser removida, Masen – ela disse, para a completa confusão do homem – Foi um tiro de raspão.
Edward olhou para ela, sua tez pálida, sua perna sangrando e manchando o asfalto de vermelho vivo.
– Você nem viu o ferimento ainda, Isabella! – retrucou raivosamente. Como ela poderia negligenciar a própria vida daquela maneira?
– Pode procurar no chão, Agente Masen! Pode procurar a porra da bala no chão! Eu sei do que estou falando – Edward negou com a cabeça, tentando tocar nela novamente – Não encoste em mim! Inferno!
– Edward... – a cabeça de Emmett apareceu no raio de visão de Isabella, ela quase tinha se esquecido dele – Eu posso dar uma olhada se quiser.
– Além de adivinho agora é médico, Agente? – Isabella rolou os olhos, concentrando-se em movimentar a perna machucada.
– Fui paramédico antes de entrar para o FBI, Isabella. – Emmett disse não escondendo o seu contentamento diante da feição afetada da criminosa.
Edward olhou incerto do amigo para Isabella, logo depois meneando um sim com a cabeça, sua expressão relevando a confusão que vivia internamente.
– Vamos leva-la para a calçada. – Edward finalmente falou, e apesar da utilização do plural, ele não deixou espaço para que o outro homem ajudasse. Pegou a mafiosa com cuidado em seu colo.
– Me coloque no chão! Eu posso muito bem andar! – Isabella vociferou, mas Edward nem sequer lhe dirigiu a atenção. Estava preocupado demais com a quantidade de sangue que via.
– Vou precisar de algo para rasgar a calça dela. – Emmett disse, já se ajoelhando ao lado do corpo de Isabella que estava na calçada.
Um instrumento que serviria para o feito estava disponível dentro do Impala, um canivete. Emmett começou o serviço com cuidado para não ferir ainda mais a perna da mulher. Logo a coxa estava exposta, porém, suja de sangue em demasiado para que qualquer coisa fosse inspecionada. Sabendo que aquele era um procedimento errado, mas sem outra alternativa, usou a flanela no carro para limpar em volta do que aparentava ser o ferimento. Tomou cuidado para que o tecido sem esterilização não tocasse a área em carne viva.
O Federal andava de um lado para o outro, apreensivo com o silêncio do parceiro de trabalho. Como fazia diversas vezes quando estava nervoso, levou a mão em direção aos fios acobreados, entretanto, não chegou a toca-los. Assim que passou a mão pela altura do rosto percebeu que essa estava suja de sangue. O sangue de Isabella.
Os olhos verdes miraram a figura da mulher deitada na calçada sendo examinada pelo amigo. Ela mantinha os olhos e a boca cerrados. Estaria sentindo dor? Edward balançou a cabeça desnorteadamente, a preocupação desnecessária crescendo novamente. Ele não poderia perde-la. Não assim.
– Ela tem razão, Edward – a voz de Emmett fez com que ele acordasse de seus pensamentos e se aproximasse tomando coragem para analisar o ferimento – Foi de raspão.
O coração do federal finalmente voltou a bater regularmente, um peso sendo tirado de suas costas. Ele finalmente poderia respirar.
– Tem certeza? – perguntou, mantendo a precaução – Tem certeza que não atingiu a artéria femoral?
Emmett riu diante da preocupação descabida do amigo.
– Edward, se de alguma forma desconhecida para mim, um tiro de raspão conseguisse atingir a artéria femoral, Isabella já teria tido um choque hipovolêmico*, perdido metade de seu sangue e agora estaria inconsciente.
Só o simples levantamento da hipótese fazia com que o federal suasse frio, mas finalmente a preocupação cedeu lugar para a indignação, e posteriormente a raiva.
– O que deu em você para se colocar na linha de tiro, Isabella? Enlouqueceu? – Edward indagou entre os dentes, olhando furiosamente para a mafiosa.
– Ela provavelmente deve ter achado que era a mulher titânio do David Guetta. – Emmett falou antes que Isabella pudesse elaborar qualquer resposta malcriada para o federal. O comentário atraiu dois olhares confusos e desacreditados para o grandão.
– “I'm bulletproof, nothing to lose… Fire away, fire away”*? – Emmett cantou a musica, em tom de interrogação, para elucidar seus interlocutores, mas só recebeu olhares piores para si. *Sou a prova de balas, não tenho nada a perder. Atire, Atire.*
– Agora não, Emmett! – Edward rosnou, tentando controlar a fúria que de repente o acometia.
– Eu só tentei deixar o clima mais leve! – Emmett balançou a cabeça, e decidiu por ignorar os olhares de ódio que as duas pessoas trocavam – Okay, agora eu preciso estancar esse sangue. Vou precisar de alguma coisa que sirva de atadura...
Edward rapidamente tirou a blusa social, rasgando-a em uma tira longa e grossa.
– Uhm... Vai servir. – Emmett disse, contendo um comentário jocoso. – Agora, Edward, faça pressão acima do ferimento, perto da virilha de Isabella.
– O que? – a mafiosa abriu os olhos que mantinha fechados novamente – Não! Eu mesma posso fazer isso.
Isabella tentou se sentar, mas seu tronco foi empurrado para baixo por Emmett.
– Não. Você não pode. Tenho que manter a sua perna acima do nível do coração e com você sentada isso vai ser difícil! Edward?
O federal assentiu, ajoelhando-se do outro lado do corpo de Isabella, e fazendo pressão na área apontada por Emmett.
Logo o ferimento estava comprimido pela atadura improvisada, e Emmett alertou que depois deveria ser devidamente limpo e enfaixado.
– Ótimo! – Disse Isabella querendo se levantar, mas foi impedida por Emmett.
– Você precisa ficar uns dez minutos com a perna suspendida para que o sangramento acabe.
Isabella rosnou.
– Mas eu não posso...
– Você vai. – A voz máscula do homem que se encontrava ao seu lado soou acima dela. O tom não deixava chance para rebatimentos.
– O engraçado é que – Emmett começou dando voz aos seus pensamentos – o motoqueiro errou o tiro.
Isabella balançou a cabeça, batendo-a no chão.
– Ele não errou, é por isso que eu...
– Como assim não errou, Isabella? – Edward a interrompeu.
– Será que você pode me deixar acabar uma única maldita frase, Agente Masen? – soltou intempestiva – Foi muito rápido, mas eu vi. Ele mirrou no meu peito. No momento que apertou o gatilho desviou para a minha perna.
– Por que? – Edward perguntou, confuso.
– Foi o que eu me perguntei. Por isso preciso olhar a cena do crime! E você agente McCarty pode fazer isso por mim! Quero que abra a porta do carro e me diga o que vê.
E assim Emmett o fez. Abriu a porta do carro e encarou surpreso a cena.
– O que vê? – Isabella inquiriu impacientemente. Edward também encarava o amigo, enquanto sustentava a perna de Isabella suspendida.
– Ele... – Emmett pigarreou – Ele atirou no “documento” de um deles.
Os olhos de Isabella cerraram.
– Em qual deles?
– Do negro. – Emmett respondeu.
Isabella bateu a cabeça novamente no chão, trincando os dentes.
– Vingança.
– O que? – Edward perguntou.
– Vingança, federal. Ele viu o que aconteceu com Rosalie.
Os olhos verdes se arregalaram, e não estavam sozinhos, um par de olhos chocolates também estava atento ao que a mulher falava.
– Como assim? Você disse que tinha chegado a tempo. – Edward perguntou, raivosamente, e lançou um olhar de preocupação para a irmã que deveria estar encolhida dentro do carro.
– Eu cheguei, eu cheguei... — Isabella murmurou contra a vontade, perdida em suas próprias considerações.
– Então o que diabos você quer dizer com isso?
A mafiosa bufou.
– Você quer a porra dos detalhes, tem certeza, Agente Masen? Pois então, quando eu cheguei Laurent estava com o membro exposto! É isso o que quero dizer! E agora, quer mais detalhes? Características da anatomia dele, talvez?
– Isabella... – Edward censurou.
– Agente McCarty, mais alguma coisa? – Isabella perguntou, esperando que houvesse qualquer coisa que pudesse ajuda-la a elucidar o que acontecera.
Emmett franziu as sobrancelhas.
– Uma rosa vermelha.
Isabella levantou o torso, sentando-se rapidamente, antes que Edward pudesse impedir.
– Uma rosa vermelha? – repetiu sôfrega.
Edward a empurrou para baixo com as mãos.
– Não... Não pode ser.
– Isabella? – Edward a chamou, preocupado com a reação dela. – O que isso significa?
– Nas antigas guerras de máfias, existiam algumas senhas, assinaturas, para que se soubesse quem fez o serviço. Eram jogos de orgulho, e era interessante para quem fazia o serviço ser reconhecido. A rosa vermelha deixada na cena do crime era uma marca registrada, mas já extinta, da máfia russa.
Os dois homens calaram-se, perplexos por um instante.
– Isso não pode estar acontecendo! Merda! Malditos russos!
Isabella se levantou em um rompante, ignorando a dor na perna.
– Isabella, o que? – Edward a pegou pelo braço.
– Eu... Eu tenho que encontrar esse motoqueiro. Tenho que...
– Você tem que limpar o seu ferimento e descansar. – Edward afirmou, não deixando margem para contestação – Ele já está muito longe daqui uma hora dessas.
– Malditos Russos! Malditos! – Isabella praguejou, puxando os cabelos negros. Edward estranhou, porque os russos a afetavam tanto?
A mafiosa tentou colocar os pensamentos em ordem, mancando até o carro que servia de cena do crime. Vasculhou os bolsos dos homens, pegando os celulares. A última chamada de Laurent foi para Charles. Ele já sabia que ela interferira. Respirou profundamente, tentando se acalmar. Vasculhou os compartimentos com qualquer coisa que pudesse comprometer a máfia italiana, achou um arquivo com informações de Rosalie, e mais nada importante. Provavelmente aquele assassinato seria dado como uma rixa de gangues.
– Tudo bem, tudo bem... – ela murmurou olhando para os dois homens e apontou para Emmett – Você, dê um jeito de sumir com o carro de Rosalie daqui.
Sacou seu celular e suspirou profundamente antes de mandar a mensagem:
Alec,
Um membro da máfia russa acaba de matar dois de nossos homens.
Avise Tio Charles,
Isabella.
Sentiu-se fraca de repente e atribuiu aquilo a perda de sangue, mas logo Edward estava do lado dela apoiando-a em seu braço. Ela deixou que ele fizesse afinal, sabia que não conseguiria ir até o Impala daquele jeito.
– Vamos levar Rosalie para o apartamento – murmurou, e o federal assentiu trocando um aceno de cabeça com Emmett que já entrava no carro de Rosalie.
– Você... está bem? – Isabella ouviu a menina perguntar, assim que entraram no carro, ela estava encolhida, e haviam mais lágrimas em suas bochechas. A mafiosa simplesmente meneou a cabeça.
– Você vai ficar com a gente hoje, Rose. – Edward informou, com a voz baixa e carinhosa.
A loirinha assentiu, caindo em um choro baixinho novamente.
Isabella vislumbrou o olhar de sofrimento e preocupação que o federal lançou pelo retrovisor, e novamente pegou o celular.
– Com quem você está falando? – Edward perguntou.
Isabella suspirou, cansada.
– Vou ligar para Alice.
– Por que?
A mafiosa lançou um olhar para o banco traseiro.
– Ela precisa de alguém que saiba o que dizer.
Edward franziu as sobrancelhas.
– Alice sempre sabe o que fazer, Agente Masen... Ela tem essa coisa de intuição. – deu de ombros, como se para ela aquilo fosse uma bobagem. Uma bobagem que as vezes funcionava, mas mesmo assim, uma bobagem.
– Isabella – Edward chamou, e a criminosa olhou para ele – Você está bem?
Ela pensou um pouco sobre aquela pergunta, alguma vez na vida ela esteve bem? Virou o rosto para a janela, as construções precárias passando por seus olhos.
– Apenas dirija, Agente Masen.
~.~
Alice ajudou Isabella a limpar e enfaixar devidamente o ferimento, achando a sempre tão fechada mulher ainda mais quieta e calada. Não perguntou intuindo que ela não queria ser posta na parede depois de levar um tiro. Logo as duas estavam de volta a sala novamente. Presenciando uma cena que fez Alice dar um sorriso. Edward estava ajoelhado na frente do sofá, e acariciava os cabelos da irmã que se encontrava deitada.
– Agente Masen, podemos conversar? – Isabella perguntou, pigarreando.
Edward estava surpreso, afinal pensou que iria ter que praticamente implorar para que ela o deixasse chegar perto. Estava tão arredia desde o acontecido no beco. Meneou a cabeça em um sim.
– Pode ir, Edward. Eu cuido da Rosalie. – Alice disse com um sorriso e Edward virou-se para Rose.
– Só um segundo, pequena. – O federal acariciou a bochecha da irmã e beijou a sua testa, levantando-se.
Isabella caminhou em direção ao seu quarto com certa dificuldade, mas certa de que Edward a seguia, esperou que ele passasse pela porta para em seguida fecha-la.
– Isabella eu queria me des...
– Você já ouviu falar sobre uma tal de máfia? – ela o cortou eficientemente. Não queria ouvir qualquer pedido de desculpas por parte do homem agora – Penso que sim, você sabe, já que ela quer te ver morto e tudo mais...
Edward suspirou fundo, olhando nos olhos duros da mulher.
– Aonde quer chegar, Isabella? – Ela se aproximou o melhor que pode, tomando cuidado para não mancar durante seus passos pequenos.
– A máfia destrói atacando os pontos fracos – chegou ainda mais perto dando a Edward um vislumbre da raiva que pairava em seus olhos. – Nós atacamos a família, Agente.
Edward, por um minuto estacou em seu lugar. O pronome usado pela mulher mexendo de um jeito estranho com ele.
– Nós?
– Nós. A máfia. – Isabella repetiu, com segurança.
É claro que a mulher deve ter usado aquela palavra para descrever ela e seu relacionamento com a máfia italiana diversas vezes. Mas mesmo assim aquilo, naquele momento, incomodou o agente.
– Você fala como se fizesse parte disso! – Ele apontou enfurecido na direção da sala, onde Rosalie se encontrava.
Isabella suspirou longamente, e o federal se deu conta do quanto ela parecia cansada.
– O fato de estar aqui com você, Agente Masen, vivendo temporariamente na mesma casa, ou o fato de ter salvado a sua irmã essa noite, não deleta quem eu sou. Sou Isabella, filha de Charlie Swan, nascida e criada na máfia. Eu sou uma criminosa, uma mafiosa, uma assassina, e sempre vou ser. A máfia faz parte de quem eu sou, é a minha essência, não é como se eu pudesse me livrar dela!
– Não... – Edward negou com a cabeça, com um sorriso desacreditado, lembrando-se da foto que Alice tinha lhe dado – Isso não é verdade, Bella...
Levou a mão para toca-la, mas a mulher se afastou, rejeitando a caricia.
– Essa discussão não é o que está em jogo agora, Agente Masen – ela o repreendeu – Nó... A máfia não ia titubear se tivesse conseguido pegar a sua irmã. Você pode imaginar o que fariam com ela?
O homem andou em volta do cômodo, passando as mãos nervosamente pelos fios acobreados.
– Ela seria humilhada, amordaçada, passaria fome, frio. Seria repetitivamente estuprada, por homens diferentes – Isabella começou, não se importando com a feição de sofrimento do federal, ele precisava ouvir aquilo que para que jamais descuidasse da segurança da irmã – Mas, acredite, há coisas piores que o estupro. Afinal, você pode se recuperar dele, pode demorar, mas sempre há a chance. Agora, e quando eles começassem a tortura-la psicologicamente, Masen? Cortassem o cabelo tão bonito dela talvez... E quando, para garantir para você que ela ainda esta viva, começassem a mandar membros do corpo como malditos souvenirs? Uma orelha, um dedo...
– Chega, Isabella! – a voz máscula soou forte, o homem parando a centímetros dela.
A mulher olhou para cima, para os olhos dele, empinando o nariz em um gesto prepotente.
– Eu conheço cada método de tortura, Agente Masen – o brilho nos olhos azuis asseguravam Edward que ela falava sério – Aquela menina frágil sentada em meu sofá não suportaria nenhum deles!
– E porque você se preocupa com isso? – a pergunta pegou a mafiosa desprevenida, e só vez a raiva que sentia aumentar. – Desde quando você liga para pessoas inocentes?
– Você não vê? – Isabella deu um soco no peito forte, como se quisesse acordar o homem para a realidade – Ela é o seu ponto fraco! Eles fariam tudo isso para atingi-lo! Você se sentiria terrivelmente culpado por qualquer coisa que acontecesse com ela.
Para a surpresa da mulher o federal abriu um sorriso depois daquela frase.
– Você não está preocupada com o que a minha irmã passaria. Você está preocupada é comigo.
Isabella engoliu em seco, absorvendo as palavras.
– Eu só... só estou tentando alerta-lo! – Ela retrucou, tentando acreditar nas próprias palavras, e virou-se de costas, não querendo mais encarar o brilho alegre que o verde esmeralda adquiriu.
– E porque está se incomodando em me alertar? – sentiu o federal sussurrar perto de sua orelha — Porque você ficou preocupada comigo, Isabella. Em como eu ficaria. Você não queria que eu sofresse.
Ela se virou perante aquela afirmação, não queria que aquilo fosse verdade, e o convenceria disso.
–Não. Como uma mulher sem sentimentos, como você mesmo disse, conseguiria se preocupar com alguém?
A pergunta retórica pegou o homem de guarda baixa. A culpa do modo como a tratara voltando instantaneamente.
– Eu estava fora de mim quando disse aquilo! Não pensei no que estava falando – ele tentou contratacar mas só despertou um sorriso debochado da criminosa.
– O fato de você estar fora de si quando disse, não altera a veracidade das palavras. Para mim, é justamente o contrário, confirma. Quando não pensamos no que falamos é que estamos falando o que, justamente, pensamos!
– Não me venha com essa filosofia, Isabella. Eu não penso isso de você, eu só queria lhe atingir, só queria que me deixasse passar. Eu estava furioso!
Isabella revirou os olhos.
– Dane-se quais eram suas intenções dizendo aquilo federal. O que realmente importa, é que você estava certo. Eu sou mesmo essa mulher sem sentimentos, gélida, egoís...
– Não. Você não é. – Edward a pegou pelos ombros, encarando a mafiosa querendo passar toda a sinceridade pelo seu olhar – Eu e você sabemos que eu estava errado. Você se preocupou comigo, foi contra essa instituição que diz ser tão importante para você... Essa noite, Isabella, essa noite prova que você não é nada do que eu disse.
– Eu... – ela abaixou os olhos, finalmente derrotada – eu não quero mais falar sobre isso.
– Apenas admita, linda. Admita que morreu de preocupação. Preocupação por mim.
Isabella voltou os olhos decididos para ele, e Edward percebeu que ela não faria o que ele pedia.
– Você deveria voltar para sala e ficar com Rosalie e Alice, Agente Masen. Sua irmã deve estar assustada e precisando de você.
Edward balançou a cabeça uma vez, intuindo que, aquela batalha estava perdida, mas não a guerra.
– Eu vou, Isabella – ela também balançou a cabeça em concordância, porém quando tentou se afastar, foi agarrada pela nuca, sua boca ficando a centímetros da do federal. O corpo traiçoeiro, reagiu imediatamente ao toque masculino, pequenos choques despontando em sua nuca e migrando para a coluna. E quando ele finalmente falou, os lábios se roçaram, encontrando-se em uma leve, porém quente, carícia. – Mas antes, eu tenho que fazer uma coisa.
E as bocas se colaram de vez, o federal pedindo passagem com a sua língua por entre os lábios. A mafiosa, com os sentidos afetados, titubeou e cedeu ao beijo. As línguas se encontraram ferozmente, batalhando uma contra a outra em um beijo violento e luxurioso. Mas, daquela luta, nenhuma parte sairia machucada. Todos os movimentos eram sincronizados como uma sensual dança de amantes. Juntas, as duas partes se completavam.
Separaram-se sugando o ar com força. Os movimentos do peito descompassados, o coração acelerado. Paradoxalmente a violência do beijo, as mãos do homem repousaram no rosto da mulher de forma leve, cuidadosa, como se ela fosse feita da mais frágil matéria prima existente.
– Eu não sei o que teria feito se não fosse você hoje, e me sinto o pior dos homens pelo o que disse – o federal encostou as duas testas, embebedando-se do aroma único da mulher — Por favor, Isabella... Me perdoe.
Um pigarrear chamou a atenção do federal e mafiosa. Alice encarava a cena com um sorriso divertido no rosto, apesar de seus olhos estarem preocupados.
– Me desculpe interromper o que pretendiam fazer agora, mas... – ela suspirou, entrando no quarto – Eu não sei mais o que fazer. Ela mal fala, e quando fala são monossílabas, se recusa a ir tomar banho, e está abraçando o próprio corpo de maneira protetora no sofá. Eu estou preocupada.
Edward suspirou pesadamente, afastando-se da mafiosa.
– Eu vou conversar com ela.
Alice mordeu os lábios, incerta.
– Oh, isso seria bom... Mas, eu estava pensando em outra pessoa – e seus olhos rumaram para Isabella.
– Nem pense nisso. – a mafiosa alertou de maneira enfática.
– Isabella? – Edward perguntou confuso. Por que Alice pensara em Isabella para conversar com Rose?
A baixinha deu um mais um passo, aproximando-se da criminosa.
– Eu não sei por que você me chamou, Isabella... Não é de mim que ela precisa.
Isabella levantou as mãos, exasperada.
– Eu te chamei aqui porque você entende dessas coisas sentimentais, é...
– Bambola* – Alice a cortou delicadamente – a única pessoa que ela precisa conversar agora é você.
*boneca
– Alice, cale a boca. Eu, eu não sei o que dizer!
A baixinha abraçou uma Isabella estática.
– Você vai saber. Eu sei que vai. – Alice passou as mãos pelos cabelos negros da mafiosa – Só você pode impedir que ela fique traumatizada por isso.
Isabella engoliu em seco e, saindo do abraço de Alice, deu um passo até a porta. Edward cada vez entendia menos do acontecia a sua frente.
– Isso... é um erro. – Isabella disse, antes de sair. Alice suspirou contente, sabendo que tinha feito a coisa certa.
– Vamos dar privacidade para elas conversarem, Edward. – murmurou e fechou a porta do quarto.
– Alice? – Ele chamou.
– Sim?
– Por que – balançou a cabeça tentando clarear os pensamentos, a curiosidade crescente não deixando espaço para qualquer outra coisa – por que você acha que Isabella é a pessoa certa para conversar com a minha irmã?
– Isso é pessoal. – a baixinha disse sentando-se a cama de casal que ficava no meio do quarto, balançou os pés tal qual uma criança em um parquinho – Se bem que, eu acho que talvez seja a hora de você saber mais sobre o passado da Bambola.
O federal assentiu, aproximando-se.
– Bella foi estuprada, Edward. Quando tinha quatorze anos.
Notas finais
AVISO: Não me matem... Eu realmente não queria, mas necessito imensamente de umas férias. É para o bem de Rede de Segredos, para que quando eu voltar das férias possa postar toda a semana sem atrasos! O próximo semestre realmente vai ser difícil para mim! Enfim, não são férias muito longas. Eu só vou deixar de postar na próxima semana! As atualizações dos capítulos voltam no dia: 10/08
Mas, quem comentar o próximo capítulo, vai ganhar Spoiler! hahaha
E me adicionem no face também! Vou soltar spoilers por lá!
https://www.facebook.com/olivia.oliveira.31521
Muito obrigada,
e não se esqueçam!
COMENTEM!
beijos
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