Red lines

3 Capítulo 3


Christian aumentou a velocidade da esteira mais uma vez e mesmo assim aquele exercício era incapaz de absorver seus pensamentos, a música poderia ditar o ritmo da marcha mas era incapaz de tranquilizá-lo. Novamente seus dedos tocaram o painel aumentando a velocidade e tudo se repetia em sua mente, ele se sentia frustrado por seus instintos terem o enganado em relação a Aya, ver o stripclube o fez lembrar de coisas que ele havia esquecido, sua adolescência conturbada, seus amigos lhe enganando, a raiva crescia em seu peito e ele aumentou a velocidade mais uma vez. Por um segundo ele se lembrou dos olhares de Aya na empresa, a forma que ela se comportava, ele se sentia como se tivesse sido enganado por ela, tantas atitudes tímidas e submissas e depois revelando sua patética vida de mãe e esposa exemplar. Christian sentiu vontade de estapeá-la por seu comportamento, por sua ousadia em confundí-lo. Por outro lado ele se lembrou de Anastasia atendendo o telefone e seu comportamento reticente, lembrou das palavras, da forma que falou, não lhe responder as mensagens, Anastasia estava se tornando muito diferente. Ela havia despertado coisas que ele jamais imaginara que fosse capaz de sentir, mas ela sabia das suas necessidades, seu interior gritava, ele queria castigar Anastasia por não atender ao seu telefonema como ele esperava, por recusar seu convite para jantar, por trabalhar naquela editora idiota, por ter que receber e ajudar escritores... Deus, por que ela precisava daquele emprego? Ele poderia lhe comprar o que ela quisesse, viver em Paris, Roma, Milão... Christian aumentou novamente a velocidade da esteira, ele precisava correr mais rápido para fazer aquele sentimento desaparecer antes que Anastasia chegasse, pois ele queria castigá-la mas não descontar suas frustrações pessoais em seu corpo, isso não é admissível para um dominador.

Correu por algum tempo e tão rápido que suas pernas tremeram por um segundo em um espasmo e ele pulou da esteira antes que se machucasse seriamente. Enxugou o suor do rosto e arrancou os fones de ouvido e jogou o smartphone em cima da mesa, abriu a geladeira e agarrou a garrafa de isotônico que ele bebeu em um único gole.

–O que aconteceu? Por que estou tão irritado? – Christian murmurou tentando entender suas atitudes, desamarrou os tênis e tirou as meias, observou seus dedos dos pés avermelhados e os mexeu, aquela dor, embora incomôda era bem vinda ele se ajoelhou e flexionou os dedos dos pés fazendo flexões, fez uma série e sentiu seus dedos dos pés formigarem, repetiu a série novamente e, mais uma vez, aquela dor o acalmara, a dor aplacara sua raiva, por um segundo ele fechou os olhos se sentindo aliviado e agradeceu pela dor, retomando o controle, respirou e mexeu os ombros, fez um alongamento e andou tranquilamente até a esteira, desligou o aparelho, pendurou os fones no suporte, pegou a tolha que ele havia jogado no chão, os tênis e as meias, guardou os tênis. Tirou os shorts e andou nú até a lavanderia, jogando o que carregava no cesto de roupas sujas, foi até o banheiro e abriu o registro e temperou a água, molhou os braços e enfiou a cabeça debaixo da água, fez alguns movimentos circulares, tocou seu pescoço, apoiou as mãos na parede e deixou que a água o relaxasse, lavou os cabelos e esfregou sua pele, sentindo seu corpo relaxando com o banho, saiu da ducha e se enxugou enrolando uma toalha em volta da cintura. Sua visão periférica captou seu reflexo no espelho e ele se aproximou, puxou a toalha do suporte e enxugou os cabelos grosseiramente, ajeitando-os com os dedos, seus dedos apertaram seu pescoço e seus ombros, ainda havia um pouco de dor, mas o banho o havia relaxado. Jogou as toalhas no cesto e foi para o quarto, puxou uma box de seda da gaveta e a vestiu lentamente, sentindo seu tecido macio acariciando seu corpo atlético, colocou uma calça e vestiu uma camisa social, se olhou no espelho e sorriu, sua pele se destacava contra o tecido negro, abotoou a camisa e andou até o quarto vermelho. Seus dedos passearam pelos acessórios e agarraram um chicote de couro com longas tiras e depois um chicote com espátula, golpeou o ar e a palma da mão. Limpou cuidadosamente os chicotes e os separou guardando-os em uma gaveta, puxou uma mordaça em couro e a limpou guardando-a na gaveta, pegou uma venda almofadada e a guardou no bolso da calça, verificou os lençóis da cama, passou os dedos pela cabeceira e puxou uma tira de seda e a amarrou na cabeceira, saiu do quarto e andou até seu escritório. Leu o noticiário, verificou seus e-mails, respondeu alguns, verificou sua agenda para o dia seguinte. Navegou por páginas desconhecidas, leu sobre a vida de americanos e outros povos que viviam no Japão, curiosidades, peculiaridades, leu sobre as práticas de sadismo praticadas no Japão, seu lado masoquista se divertiu, complexos e liberais, rígidos e adeptos à coisas pouco comuns no ocidente, queria conhecer mais, talvez encontrasse algum dominador que conhecesse algum fórum, seria interessante, trocar experiência pensou por alguns segundos. Sua atenção foi roubada quando ouviu o barulho das chaves, passava das nove e meia quando Anastasia chegou, deixou sacolas na cozinha, passou pelo escritório, minutos depois abriu a ducha. Christian desligou o laptop, fechou os olhos e se concentrou nos sons que ouvia, a água escorrendo, o barulho do ar condicionado, o som dos passos de Anastasia, mais passos, ela fechou a porta do quarto e andou pelo corredor, entrou no quarto vermelho e esperou.

–Você é tão interessante – Christian sorriu e elogiou a visão de Anastasia ajoelhada ao lado da cama, seus braços apoiados e sua cabeça afundada no lençol.

–Christian por favor... – Anastasia implorou por Christian.

–Não – Christian riu e se aproximou levando sua mão pela fenda da saia e seus dedos acariciaram a langerie de Anastasia que abrira as pernas mostrando o quanto estava excitada – não...

–Christian – Anastasia murmurou sem fôlego enquanto seus dedos deslizavam a langerie para o lado atiçando a libido, fazendo-a contorcer quando seus dedos lhe penetraram com movimentos intensos até que ela estremecesse.

–Ainda não... – Christian murmurou dessa vez segurando a cintura de Anastasia e arranhando suas coxas deixando-a trêmula, apoiou os braços dela no chão, flexionou seu pescoço e o lambeu enquanto batia em suas nádegas, a levando às lágrimas e ao orgasmo simultaneamente.

–Christian o que foi isso? – Ana perguntou assim que se recuperou – por que me vestiu assim?

–Quer mesmo saber? – Christian sorriu e a encarou sentando-se em uma das laterais da cama – Tive essa fantasia com a acompanhante do Sr. Usui, desde nosso encontro pensei em fodê-la, por isso pedi que se vestisse com essas roupas – Christian murmurou observando as reações de Anastasia.

Christian – Anastacia balbuciou e Christian se aproximou segurando o chicote de tiras, erguendo-o e prendendo as mãos dela contra o tapete enquanto despia sua saia e lhe aplicava algumas chibatadas.

–Você me prometeu – Anastasia protestou enquanto ele se livrava da sua langerie com a mão que estava livre deslizando-a sutilmente por suas pernas.

–Sim... – Christian balbuciou soltando suas mãos, as dele agarrando seu pescoço enquanto sua língua lambia o lóbulo da sua orelha, sua boca assoprava seu pescoço, fazendo-a arrepiar diante de seu hálito, em uma sequência de lambidas e mordidas que foram espalhadas pelo seu corpo, enquanto ele a mantinha imobilizada pelo pescoço – prometi mas não quero cumprir – Christian riu prendendo seu corpo contra o dela, afastando suas pernas e deslizando para dentro dela em um movimento rápido e vigoroso, por alguns minutos, manteve um ritmo cadenciado com seus batimentos cardíacos que a fazia contorcer contra o tapete, suas mãos voltaram a imobilizar seu pescoço e sua língua provocava arrepios quando tocavam seus seios que foram despidos com violência, Anastasia batia suas mãos inutilmente contra o tórax de Christian que mantinha sua força controlada, ela estava presa à ele e incapaz de escapar de suas investidas. Christian sentia sua pele arder, a libido tomava conta do corpo de Anastasia enquanto ele intensificava os movimentos contra seus quadris, a fazendo arquejar, fechar os olhos e gemer contra seus lábios até que seu corpo perdeu o controle e um espasmo surgisse, lhe fazendo apertar os ombros de Christian, entre beijos e mordidas em seu tórax.

–Anastasia – Christian murmurou eroticamente fazendo seu corpo tremer debaixo do dele, diante da dor, do alívio de poder respirar novamente e do orgasmo que ainda pulsava pelo seu corpo impulsionando a letargia que deixava seus olhos febris e seu corpo relaxado o suficiente para Christian dominá-la mais uma vez. Dessa vez, colocou a venda almofadada em seus olhos, a amarrou na cama usando a faixa de seda e a deixou sozinha por alguns minutos. Quando ele voltou ao quarto usou o chicote com espátula contra suas nádegas, passou a espátula pelos grandes lábios, separando-os expondo seu clítoris inchado, e encostou algo gelado contra ele, fazendo Anastasia se contorcer, ela estava excitada novamente, seus fluidos encharcavam os lençóis, Christian acariciou seu clítoris com o chicote e ela ergueu os quadris, se oferecendo, implorando por mais... Christian se afastou e a deixou procurar inutilmente por ele.

–Ana... – Christian murmurou com a voz rouca de prazer, se aproximou e colocou a mordaça em sua boca – quero ver você se rastejar por mim, disse e soltou suas mãos se afastando rapidamente enquanto Anastasia tentava ouvir os passos de Christian. Movimentou a cabeça procurando captar algum som e esticou suas mãos pela cama, desceu e passou a se rastejar de quatro pelo quarto, procurando por Christian que observava sua exibição. Seu belo corpo, seus traços encobertos pela máscara e a amordaça só aumentavam a atração que Anastasia exercia sobre Christian que se excitava diante daquela mulher exuberante se rastejando pelo quarto à procura dele, seus olhos poderiam deixá-la rastejar por horas, seus instintos se deliciavam observando seu corpo se arrepiando, mas seu coração fora tocado por ela, vê-la rastejar daquela maneira despertava algo protetor queria ele carregá-la em seus braços, levá-la para a cama. Se aproximou vagarosamente, Anastacia tocou seus pés com os dedos e os acariciou, ficou esperando que ele tomasse a iniciativa.

Christian continuou imóvel, então ela se ajoelhou e sentou sobre os calcanhares como os orientais, colocou as mãos sobre as coxas e esperou por Christian, talvez fosse isso que ele desejava dela, imaginou. Christian flexionou os joelhos e observou Ana totalmente pacífica naquela posição. Por um momento ele se deliciou observando sua escrava, sua amante. Mas era mais que isso, ele sabia, ela era mais do que isso, ela havia rompido a barreira, ela fazia parte de sua vida. Christian segurou as mãos de Anastasia, tirou a mordaça, a venda e a beijou, apaixonadamente.

–Você está tremendo – Christian assoprou sobre seus lábios a fazendo arrepiar de desejo e frio – tão insano, sentir seu desejo explodir dessa maneira, queria que um dia você entendesse quando digo que você se transforma em uma deusa.

–Deusa? – Anastasia segurou a mão de Christian e a enfiou entre suas pernas gemendo enquanto os dedos dele se enfiavam entre suas pernas – Você é tão talentoso... Só você consegue me fazer... – parou de falar mordendo seus dedos e o puxou, deitando na mesa, jogando suas pernas os ombros dele – Oh Christian, por favor...

–Quero fazer você chorar de dor e prazer... Quero que você prove que me ama – Christian murmurou entre suas pernas fazendo Anastasia abrir os olhos e vê-lo sugar seu clitóris o que faria ela gritar se ele não segurasse sua boca com a mão, Ana socou a mesa enquanto lágrimas queimavam seus olhos e ela sentia sua língua, seus lábios, seus dentes, sua boca, seu corpo convulsionou e ele passou a sugar seus fluídos ruidosamente, Anastasia fechou os olhos e se entregou àquela sensação única, vagarosamente ele soltou a boca de Ana e passou a segurar seus quadris, Anastasia abriu os olhos e tentou ver o que acontecia. Christian estava com a cabeça enterrada entre suas pernas e parecia determinado a não deixar aquela posição, ele ergueu os olhos e parou de sugar enquanto ela movimentava os quadris que estavam suspensos contra a cabeça dele mostrando o ritmo que ela desejava, ele acariciou seus dedos dos pés que estavam flexionados na beirada da mesa com as mãos e lambeu sua virilha fazendo-a sentar na beirada da mesa enquanto ele se encaixava entre suas pernas e a levava para o banheiro.

–Você é tão insano – murmurou em seus ouvidos.

–Você ficou tão excitada que praticamente fez tudo sozinha – Christian disse entre beijos.

–Não sabia que me daria tanto prazer – Anastasia disse acariciando seus lábios.

–O quanto você me ama? – Christian perguntou com um sorriso malicioso.

–Hum – Anastasia murmurou jogando a cabeça para trás fingindo pensar na pergunta – o suficiente para enlouquecer.

–Enlouquecer? – Christian começou a rir e a colocou de pé no chão, permitindo que ela se preparasse para o banho.

–Eu me surpreendo com essas suas atitudes – Ana balançou a cabeça enquanto abria a ducha – você sabe que fiz um exame ginecológico hoje?

–O médico tocou seu clítoris muitas vezes? – Christian deu um sorriso indecente.

–Por quê me mordeu daquele jeito? – perguntou erguendo as sobrancelhas.

–Queria ver você sentir algo diferente – Christian acariciou seus ombros – Anastasia, nunca esqueça que você é minha... Você me pertence.

–Você quer provar isso me fazendo sofrer daquele jeito? – Anastasia murmurou rindo.

–Sofreu? Sentiu tanto prazer como dor, não foi um bom resultado? – Christian perguntou acariciando seus quadris e dando um tapa em sua nádega.

–Eu não tenho uma resposta sobre isso... – Anastasia murmurou cabisbaixa.

–Doeu? – Christian perguntou rindo.

–Não da maneira que você está sugerindo – Ana respondeu olhando para ele.

–Mas fez você jorrar tudo de dentro de você na minha boca – Christian fechou os olhos e encostou a cabeça na parede e abriu os lábios sensualmente, passando a língua por eles – você me deixa sedento, ainda consigo sentir o seu gosto e meu desejo volta a pulsar dentro de mim. -Pulsar? – Ana franziu as sobrancelhas – o que quer dizer? -É uma sensação única – Christian respondeu com um sorriso enquanto estalava a língua – parece que essa vontade nunca acaba, por isso é bom proporcionar isso à você, seu corpo se liberta e cada vez sinto isso mais intenso, como se pudesse sempre me sentir dentro de você, estou viciado e não consigo ficar sem essa sensação maravilhosa.

–Sentir dentro de mim? – Ana disse rindo enquanto se molhavam embaixo da ducha.

–É sexual e ao mesmo tempo tão peculiar, não falo do ato, falo do momento em si, quando sinto você satisfazer seus instintos e eu estou ali com você, eu contemplo seu corpo se libertar, tenho vontade de nunca parar de satisfazê-la.

–Estranho... – Anastasia balbuciou ensaboando suas costas com a esponja.

–Eu queria que um dia aceitasse um ménage. – Christian murmurou esfregando as costas de Anastacia com a esponja.

–Eu nunca... – Ana tentou balbuciar enquanto Christian prendia seus lábios com os dedos.

–Desculpe... Ainda é cedo para conversarmos sobre isso. – Christian segurou sua bochecha e riu – me torno um pervertido, esqueça isso por enquanto, não vamos correr o risco de assustá-la com minhas taras e fantasias.

Saíram do banheiro, se vestiram, jantaram tomando um vinho branco gelado e se abraçaram assistindo tv enquanto Ana comentava alguns fatos sobre o seu trabalho. Acabaram adormecendo no sofá e quando o alarme do smartphone soou Christian pulou do sofá e foi tomar banho, estava atrasado cerca de dez minutos e agora teria que correr para chegar na empresa à tempo da reunião com os japoneses.

Notas finais
Christian chegará atrasado para a reunião? Sr. Usui não gostará nada disso... Será que Christian realmente deseja um Ménage?