Red Web

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Se a Menushun não me der WIN eu vou matar ela.

* 15 de Novembro de 1980 — Bowery,New York
Heather Moore era uma das mais competentes detetives do departamento de polícia de New York,apesar da pouca idade. A aparência doce e juvenil era justamente o que a tornava uma ótima detetive,misturando-se à grande massa de trabalhadores que caminhavam diariamente pela cidade.

Heather se encontrava no Bowery,local que certamente parecia intimidador demais para alguém que parecia trabalhar na Vogue ou ser estudante de arte nas mais refinadas universidades do país, porém a jovem conhecia muito bem a cidade em que nascera e muitos dos seus habitantes,esses que,ironicamente, a conheciam por vários nomes e identidades falsas. Mary,Lisa,Giovanna...ela teria tido mais vidas que as multidões que passavam diariamente pelos metrôs da cidade.
Encarando o apartamento 302 de mais um dos demais prédios em situações deploráveis que se mesclavam na silhueta da periferia, Heather encarava distraidamente uma barata fazer seu caminho até uma caixa de pizza jogada no corredor,enquanto esperava que atendessem a porta. Após o que provavelmente foram 5 minutos de pura diversão e empanturramento do inseto,uma voz rouca atravessava a porta de madeira que mal se sabia como ainda estava de pé:
— O que é que você quer,inferno? São 1 hora da tarde de um SÁBADO. — disse a voz,que reforçava o fato de ser sábado provavelmente porque o tom rouco sugeria que uma longa noite regada à tudo o que se tem direito havia se passado na madrugada passada.
— Danielle Sanchez? Sou Patricia Miller,do departamento de polícia de New York — disse Heather,empunhando seu distintivo verdadeiro para sua falsa alegação.
Um olhar desconfiado se apoiava sobre a brecha da porta,estranhando o tom agudo da voz.
— Não quero seus biscoitos,vagabunda,sai daqui.
Danielle,porém,conhecia muito bem o som de uma pistola sendo carregada.
— CALMA,CARALHO,CALMA! VOU ABRIR ESSA MERDA!
— Abre logo,filha da puta. — disse a voz infantil de Meghan,tentando soar ameaçadora.


Danielle era definitivamente mais alta que Heather,mesmo com a jovem detetive usando saltos,e Danielle estar descalça. Cabelo curto bagunçado,jogado de forma a lembrar um moicano,e corpo visivelmente coberto de tatuagens,por Danielle apenas estar usando um sutiã e calças jeans,ela era definitivamente o tipo de gente com quem Heather tinha que lidar em um âmbito diário. Ladrões,assassinos,membros de gangues e vagabundos,em geral, sempre tinham um perfil parecido.
Por volta de seus 27 ou 28 anos,Danielle tinha uma alma jovem,embora era claro as marcas de quem já passou por poucas e boas em seu rosto,envelhecendo-a muito mais. Ela deu de ombros,fazendo um cumprimento claramente irônico,como se indicasse para a detetive ficar à vontade,dando meia volta e mostrando os ganchos longo na entrada,com um sinal de cabeça,claramente para que Heather tirasse seu sobretudo e cachecol.
O apartamento chegava até a ser um pouco melhor do que Heather previa,provavelmente tinha menos garrafas,calcinhas e pedaços mofados de comida jogados no chão do que em outros que ela já havia entrado,sendo visível até um pacote aberto de preservativos no chão,o que era um bom sinal,já que raramente ela via alguém naquele lado da cidade que de fato sabia o que era uma camisinha.
Se recostando numa poltrona velha,com o estufado claramente saindo do acolchoado,e botando seus recém colocados coturnos sobre a mesa de café,Danielle fez um sinal para que Heather se sentasse no sofá ao lado,enquanto acendia um cigarro Malboro.
— Seria bom se você começasse logo a falar sua ladainha,porque eu tenho um compromisso ás...
— Até onde eu sei você não tem nenhum cliente hoje.
Danielle levantou uma sobrancelha,quase que agravando mais ainda suas fundas olheiras.
— Você está querendo dizer que eu sou uma prostituta?
— Não,prostitutas não usam uma marca de preservativos como esta. — disse Heather,apontando para a embalagem mencionada anteriormente — Essas são de segunda mão,não sei nem se podem ser chamadas de látex. O ponto é...eu sei que você é uma tatuadora.
Sanchez deixou escapar um riso de desdém,levantando as mãos,como se fingisse ter sido pêga em flagrante.
— Uau,parece que alguém tem olhos! Vai ter que me prender agora?
— Eu poderia,mas você provavelmente sabe que eu não estou aqui por isso,e eu realmente não dou a mínima. Você já ouviu sobre o Red Web?
Danielle fez uma careta,eventualmente negando.
— Nunca ouvi falar.
— Tem literalmente o Times de hoje na sua mesa de jantar,e é a matéria da capa.
A tatuadora olhou para trás de sua cabeça,quase que surpresa com o nível de observação da tira,que reparou em sua velha mesa de jantar que tentava dividir os ambientes da cozinha e da sala de jantar do cubículo que ela chamava de lar.
— Não sei como foi para ali.
Heather virou os olhos.
— Caso você não esteja lembrada... — ela tirou seu tempo para tentar tossir ironicamente,mas realmente de forma irônica,saiu mais fofo do que ela esperava — Red Web é como a mídia está chamando esse novo serial killer.
— Que nome tosco. E eu pensando que o Zodíaco já era ridículo demais. — Danielle tentava acender um novo cigarro,enquanto a detetive procurava algo em sua bolsa.
Heather jogou diversas fotos sobre a mesa de café,tendo um conteúdo que surpreenderia até a tatuadora.
— Doentio...
As fotos mostravam diferentes cenas de crimes,uma pior e mais sangrenta que a outra. A primeira retratava um homem em uma banheira,tendo um claro espaço separando seu torço de suas pernas,tendo entre as partes um peixe morto. A segunda foto era uma mulher deitada em uma cama de casal cheia de pétalas,com os caules de diversas flores trançados em sua pele. A terceira foto retratava um homem sentado em um sofá,com o que parecia ser seus próprios dedos costurados à sua cabeça,como que simulando uma coroa. Por fim,a quarta foto mostrava uma mulher recostada em uma parede,com grandes manchas de sangue atrás dela,pintadas como se fossem as asas de um anjo. Embora altamente diferentes,todas as cenas possuíam algo em comum: várias linhas de lã vermelha tinham sido erguidas nas cenas,formando literalmente uma espécie de teia vermelha.
— Eu quero literalmente vomitar.
Heather tirou mais 4 fotos de sua bolsa,botando cada uma especificamente sobre uma das outras 4 fotos. Agora eram retratos mais claros de cada uma das vítimas.
— Reconhece alguém?
— Não...nunca vi nenhum deles na minha vida.
Novamente,a detetive voltou a tirar outras 4 fotos de sua bolsa e colocá-las sobre as outras. Na verdade,não eram fotos,mas desenhos.

O primeiro,relacionado ao homem na banheira,era uma espécie de sereia.

A que se relacionaria à mulher das pétalas,era uma rosa estilizada.

O do homem do sofá,era não supreendentemente uma coroa,

enquanto a da última mulher,asas de anjo.

Danielle pareceu bem mais abalada pelos desenhos do que pelas cenas do crime.
— Reconhece algum desses desenhos? Todos esses eram tatuagens que as vítimas possuíam,e que estranhamente foram...- Heather engoliu em seco -...esfolados das vítimas,e pendurados nas linhas vermelhas das cenas do crime.
— Eu...e-eu reconheço esses desenhos,sim. Todos eles estão na minha cartela de designs.
— Foi você quem os fez?
— Não,não...o meu estúdio era originalmente do meu pai, ele comprava designs de estudantes de arte para fazer tatuagens,já que não se considerava muito criativo. Depois que ele...- Danielle fez uma pequena pausa — não voltou do Vietnã,eu decidi seguir o negócio dele,então manti as artes.
Danielle passou as suas mãos por seus cachos de cabelo,e tentou desviar um pouco o tom pesado da conversa,ela odiava tocar no assunto de seu pai.
— Foi você quem refez os desenhos?
Heather concordou com a cabeça,mostrando um pequeno sorriso,mas logo tomou um tom mais forte em sua voz.
— Senhorita Sanchez,por quê você acharia que o assassino mataria justamente pessoas que têm as suas tatuagens?
— Eu não faço a menor ideia! Não fui eu quem fiz nenhuma dessas tatuagens. É bastante comum que alguns tatuadores roubem designs de outros,já que não é legalizado,então não há para quem reclamar...
— De fato,isso é o que eu pude comprovar... — disse Heather,descruzando as pernas e agora apoiando seus braços nas mesmas. — Mas você é a única que possui todos esses designs. E pelo que você disse,todos eles são originais de você.
Danielle começou claramente a ficar mais agitada,mudando sua posição na poltrona que outra hora parecia bastante confortável para ela.
— E-eu não faço a MENOR ideia de como isso pode ter acontecido. Eu juro que NUNCA faria algo do gênero.
Heather agora se reconfortava no sofá,com sua mão direita acariciando sua própria boca.
— Ontem,dia 14 de Novembro de 1980,o que você fez a partir das 18 horas?
Danielle,nervosa,moveu sua cabeça bruscamente na direção de Heather,após passar um longo tempo encarando as fotos.
— Eu estava...na casa de uma amiga. De madrugada eu decidi voltar para a casa,eu peguei um táxi...
— Qual o endereço da sua amiga?
— É que tipo...eu não sei exaaatamente aonde é o local,eu sei que é no Brooklyn,sei como que o prédio se parece,mas não sei te dizer o endereço.
Apenas erguendo uma sobrancelha,Heather tirou um pequeno bloco de notas e começou a escrever rapidamente. Adentrando seus pensamentos, Danielle teve um pensamento aleatório de que a detetive seria uma ótima tatuadora. Mãos firmes e rápidas,mas ainda delicadas,daria uma verdadeira artista.
— Você fez algo antes disso? — perguntou Heather,diversas vezes,até que Danielle saísse de seus pensamentos e voltasse para a vida real.
— Acho que não,eu estava trabalhando o resto do dia,então estava bem cansada,só queria cutir com a minha amiga.
Heather passou sua mão direita por seu rabo de cavalo,olhando com extrema descrença para a interrogada,e começou a ajustar suas luvas enquanto começava uma nova pergunta:
— Sua memória está boa hoje,senhorita Sanchez?
— Melhor do que nunca,senhorita Miller.
A detetive novamente colocou sua mão dentro de sua bolsa e voltou a jogar outras fotos sobre a mesa,só que dessa vez sem ter o cuidado de botar sobre as outras,ela literalmente apenas jogou.
— Das 14 às 17,você estava trabalhando numa barbearia aqui do Bowery,alguns quarteirões abaixo da sua casa. Logo após isso,você saiu para um bar,e ficou lá até por volta de umas 21 horas. Você claramente estava um pouco mais... — Heather tirou alguns segundos para liberar um pequeno riso — alterada,vamos dizer isso. Então...
Atônita com as fotos,Danielle jogou o corpo para trás,suspirando em ódio,e interrompendo a detetive:
— INFERNO! Eu me meti na merda de uma briga de bar,ok? Um bartender me fez uma proposta,achando que eu realmente era — Danielle definitivamente encarou Heather com mais intensidade — uma prostituta. Eu,sendo a pessoa gentil que sou,apenas dei um soco na fuça dele. Ele me acusou de estar roubando do bar e alguns amigos meus entraram na briga...bom,você deve saber como é. Todo mundo me conhece por aqui,então seria muito fácil pra ele me denunciar como tatuadora.
— Eu ainda não acabei.
Danielle definitivamente mostrou uma face surpresa.
— Você de fato voltou para a casa depois de sair do bar,mas logo após,você saiu novamente. Você foi para a parte mais a leste do Lower East Side,entrou em um prédio e ficou lá por algum tempo,aí sim você voltou pra casa.
Danielle engoliu em seco.
— Sim,eu tinha um...ah,foda-se,eu queria transar com um cara lá. Mais cedo ele tinha ido fazer uma tatuagem comigo e me convidou pra passar na casa dele mais tarde. Por acaso você também tem fotos da gente fazendo sexo?
— Não,tenho uma coisa melhor.
Heather novamente jogou uma foto.
— Reconhece agora?
A tatuadora tampou a boca,esbugalhando os olhos.
— O QUE ACONTECEU COM O BRANDON?
A foto mostrava um homem deitado em um carpete cinza, com uma tatuagem recém feita de um símbolo tribal pendurada logo na altura de sua cara,só que por todo o corpo do homem,o símbolo tinha sido cravado em sua pele,repetidas vezes.
— Após você ter voltado pra casa,eu retornei ao prédio que você foi. Estranhamente,ninguém me respondeu quando eu bati na porta. Depois de arrombar ela,não foi difícil encontrar a cena.
Danielle passou alguns segundos com a cabeça entre as mãos,em negação. Heather,impaciente, decidiu ir ao ponto.
— Por quê você está agindo surpresa?
Bruscamente,Danielle se levantou da poltrona e começou a gritar.
— VOCÊ VEM NA MINHA CASA, INSINUA QUE EU MATEI A PORCARIA DE 4 PESSOAS QUE EU NUNCA VI NA VIDA E AGORA FICA ME ATIÇANDO QUANDO VOCÊ SABE QUE MEU NAMORADO MORREU?
— Eu estou perguntando isso porque se você é observadora demais para lembrar do meu sobrenome,como você não foi capaz de lembrar da capa do Times que saiu hoje de manhã, e está bem em cima da sua mesa de jantar,com a foto,nome e endereço do seu namorado,inclusive?
Danielle passou alguns segundos calada,passando seus olhos por todos os cantos do cubículo que chamava de casa e lacrimejando,só que ao parecer de Heather,mais de raiva do que de pena ou arrependimento.
— Você não pode me culpar por isso...você não tem provas! EU NÃO FIZ NADA CONTRA NINGUÉM!
Heather,agora muito mais fria e dura do que no começo da conversa,se levantou,pegando todas as fotos da mesa e as colocando novamente dentro da bolsa.
— Eu só cumpro ordens aqui,e tenho ordens para te levar para a delegacia.
Danielle começou a se distanciar da poltrona,caminhando em círculos pelo apartamento com as mãos em seus olhos.
— EU NÃO VOU! EU TINHA MEDO DO QUE PODIA ACONTECER COMIGO, QUE ESSE ASSASSINO PODIA IR ATRÁS DE MIM! EU TINHA MEDO DE QUE ALGUÉM PODIA ESTAR ME SEGUINDO...
Após pronunciar a última palavra,Danielle novamente voltou a ficar em silêncio.
— Por favor,senhorita Sanchez,facilite o meu trabalho e apenas venha comigo para a delegac-... — Heather ia completar a frase quando foi subtamente interrompida por Danielle.
— Alguém podia estar me seguindo...eu tinha essa sensação. E de fato,VOCÊ estava me seguindo. Você tem todas essas fotos de aonde eu estava, entrando e saindo e prédios, e você foi exatamente à todos os lugares DEPOIS que eu fui.
— Eu realmente não entendo qual é o ponto que você quer che...
Do nada,uma expressão de choque tomou o rosto de Heather.
— ABAIXE AGORA MESMO ESSA ARMA!
— O que?
Danielle,parada no corredor,encarava a detetive,que já empunhava seu revólver em suas mãos. Ao mesmo tempo,Danielle tentava enxergar os arredores ,tentando entender o que estaria se passando. Ao se dar conta da situação,Danielle tentou pensar em como escapar. A escada de incêncio estava totalmente apodrecida,e até chegar a cozinha,para poder pegar uma faca,ela já teria sido atingida pela assassina.
— ABAIXE ESSA ARMA!
Danielle começou a chorar,desesperada. Ela mal teve tempo de conseguir ligar todas as provas,mas agora ela sabia que já era tarde demais.
— VOCÊ NÃO VAI ME MAT-...
A tatuadora não teve tempo de terminar a sua frase,antes que três balas perfurassem seu peito,em seguida. Danielle caiu no chão,sentindo um enorme peso sobre seu corpo e com a visão embaçada. Ela não teve a menor ideia do que se passou,e em poucos minutos estava sem vida,deitada no chão.


Heather finalmente desligou o gravador escondido dentro de sua blusa,e parecia respirar com mais tranquilidade,apesar da situação. Ela sempre se sentia mal em ter que matar pessoas,mas se sentia melhor em saber que não teria que desmembrar corpos ou espalhar aquelas malditas linhas vermelhas por todo o local. Heather estava feliz que aquela série incansável de tirar fotos e procurar alvos com tatuagens específicas finalmente estava acabada. Danielle Sanchez era a Red Web, e isso é tudo que a polícia e o povo de New York precisavam fazer.


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6 horas depois,Heather estava em uma cabine telefônica,falando diretamente com o editor chefe do The New York Times.
— A polícia apenas vai liberar para a imprensa que o Red Web morreu de manhã. Eu já mandei a versão editada da fita para os meus chefes,e acho que não vamos ter nenhum problema,o pessoal do escritório já estava bastante certo de que Sanchez era o assassino. — concluiu Heather.
— Brilhante! — exclamou o homem de terno e gravata que vivia de contar as desgraças dos outros. — Eu vou ser sincero,eu tive minhas dúvidas das minhas próprias fontes quando chegou a mim que você tentou estudar artes primeiro,sendo uma detetive tão competente como você é.
— Obrigada! — Heather estava genuinamente feliz de ser recompensada com algo além de uma alta quantia por esquartejar pessoas para notícias de primeira mão. — Eu tentei seguir o caminho,mas sabia que não era pra mim. Quando saí da universidade,vendi todos os meus esboços para um tatuador qualquer. — ela se interrompeu,com uma risa meio entre irônica e psicótica. — Acho que sabemos como isso terminou.
Do outro lado,o editor chefe soltou uma alta risada,parecendo realmente estar adorando tudo que via,ouvia e publicava. Para estar naquele ramo,você tem que ser um real amante de ver o circo pegando fogo. E para estar no lugar de Heather,digamos que era apenas ter estômago forte e ser inteligente o bastante para saber que apenas quem se corrompe chega a algum lugar.
— Mas então,minha querida,para o nosso próximo...ato... — disse o editor,tentando soar o mais elegante possível,apesar do conteúdo da conversa ser totalmente problemático — você já ouviu falar do Zodíaco?

Notas finais
Menushun,eu tô falando sério.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!