Notas iniciais
Espero que gostem desse tanto quanto o outro, ou mais! ♥
Enfim, aqui se passaram uma semana, quase duas. ;)
Bom proveito.
Red — Sometimes the past is hot for you.
Cuzão.
Nossa como ele era cuzão!
Espera, vamos começar direito... Explicando que eu estou na casa do Lucca.
É o seguinte: Ele se mudou tem alguns dias. E eu finalmente pude visitar ele, sem a faculdade atrapalhar, meus amigos me zoarem brincando como crianças, ou tarefas em geral. Após conseguir o endereço, pegar o ônibus e estar em frente da porta do seu apartamento, eu respirei várias vezes até ter coragem para apertar o botão da campainha. Eis o problema: como ele estava mais gostoso (Jesus como isso era possível?!) e o pior, após me receber com um abraço grande e fechar a porta ele me derrubou no sofá e ficou fazendo cócegas. Certo, aqui é onde estamos e foi isso que influenciou o xingamento do começo do capítulo.
—VOCÊ PODE PELO AMOR DE DEUS PARAR COM ISSO? — Perguntei, aos berros, vendo que ele não ficara envergonhado de reencontrar o ex-colega de sala, recente amigo. Percebe-se que a vergonha que eu teria ao reencontrá-lo já não existia, certo?
—Não. — Ele continuou com as cócegas, me fazendo contorcer-me, pois é o seguinte: eu não sinto cócegas na barriga, porque dói e incomoda e ele sabe disso, ele está fazendo de propósito. Otário.
—CHEGA! — Eu berrei, tentando tirar ele de cima de mim, mas não conseguindo, afinal, o cara era maior que eu, e força física, minha irmã caçula tinha herdado tudo do gene familiar. Ele continuou, mas mais fraco, até cessar por completo. Olhei bem para a cara dele. — Você é muito cuzão, sabia?
—Ah, obrigado. — Ele foi sarcástico, rindo. Me fazendo sorrir, tentando recuperar o fôlego e fazer a dor passar. — Você está lindo.
—Ah, eu sempre estou. Mas obrigado. Você também. — Eu disse, muito modesto.
—Quer algo pra comer, ou beber? — Ele perguntou, enquanto eu pegava meu prendedor e puxava meus cabelos, para prender o mesmo, cujo estava muito grande, descia o pescoço e chegava um pouco abaixo da nuca. Sempre fui confundido com garota, eu ria e agradecia sempre.
—Qual o menu? — Perguntei em um sotaque forçado francês. Vendo-o rir, ele foi pra cozinha, eu o acompanhei, tentando isolar a timidez que tentava voltar. E Deus, eu ainda não acreditava que aquele garoto moreno da pele bronzeada branca e das medalhas de tenis havia se tornado aquele homem que estava de costas para mim, olhando algo na geladeira. Os ombros de eram largos, os olhos castanhos com pintinhas verdes brilhavam no sol, ele tinha uma barba muito bem cuidada para alguém que mal sequer tinha vinte anos, e Deuses! Aquele sorriso ao abrir a porta para mim, na hora eu arrepiei. E ele estava alto, com pelo menos mais de um e oitenta. Eu aqui continuava com pelo menos um e setenta e três — na última vez que medi. A boca dele, por Deus, vermelha, mas não em excesso. Certo, João Paulo, para de escrever sobre ele, foca na história.
—Temos guaraná, bolo de limão e torta de chocolate. Gosta? — Ele perguntou, colocando na mesa, olhando em meus olhos que agora deviam brilhar.
—Meu amor, você está perguntando se eu gosto? Mas é claro que sim! — Eu ri, percebendo o que havia feito. O chamei de 'meu amor', apesar de ser meu modo normal de falar, mas dizer pra ele tinha um significado diferente. Ele era diferente pra mim. E eu repetia mil vezes que nunca iria acontecer algo entre nós, mas era difícil não pensar quando o outro me encarava nos olhos. Corei, vendo-o rir, aparentemente não notando meu desconforto. Ele sentou na minha frente, colocou dois copos, pratos e pegou uma faca, na mesa. E assim se seguiu nossa tarde.
(...)
Alguns dias depois...
Acordei na cama de hóspedes do apê de Lucca, lembrando que tinha passado mais uma noite ali, afinal, ele não me deixava voltar sozinho pra casa. Dias haviam se passado desde que nos vimos depois de muito tempo pela primeira vez, acho que algumas semanas. De vez em quando eu ia para lá e ficávamos conversando ou vendo Netflix até tarde. Mas impressionantemente eu havia dito que se dormisse mais um dia ali, eu passaria a semana com ele, já que era uma semana sem aula – pra mim. Ele riu e concordou, me mandando para o quarto ao lado dele. Naquela hora, que ele falou 'vá para o quarto ao lado do meu.' Eu quase morri. Voltando.
Me dirigi para o banheiro da suíte, peguei a escova comprada por ele – sim, ele comprou uma escova pra mim. Escovei os dentes antes de entrar no chuveiro para tomar um banho rápido. Eu odiava escovar no box, afinal, eu esquecia sempre. Assim que saí coloquei uma cueca boxer e um "camisetão", esse que eu tinha desde meus dezesseis. Perceba que o nível de intimidade chegada ali foi grande.
Fui para a cozinha, sentindo cheiro de café e ao entrar no local, vi Lucca de cueca boxer virado para o fogão. Respirei fundo e sentei. Eu não tinha chance com ele, João Paulo, supera. Agora, não era por não ter chance que eu não ia admirar.
—Bom dia. — Eu disse e ele virou-se, me fazendo respirar fundo de novo. Retribui o cumprimento e abri a geladeira ainda sentado, pegando o refrigerante e colocando no copo dele à minha frente. E bebi.
—Ainda é muito estranho conversar com você de manhã sem ser pelo celular. — Falei, olhando-o me encarando. Ele sorriu, e puta merda, meu dia melhorou só por aquilo. Ai João Paulo, agora você ultrapassou os limites. Diminui essa velocidade.
—Sim, eu lembro dos bons dias de manhã e uma foto de café com pedaço de alguma coisa que você tinha cozinhado. — Ele falou e eu sorri pesaroso, pensando em como aquele sentimento dentro de mim era péssimo. DESDE O FUNDAMENTAL COM ISSO NO PEITO, POR QUÊ?!
—Ou as suas fotos respondendo a minha, e assim ia. — Falei, já querendo mudar o assunto. O fazendo em seguida. — Mas e então, o que está fazendo aí?
—Bacon e salsicha. Vai querer? ´- Acenei com a mão dispensando, mas agradecendo. Meu celular tocou, e eu o peguei, vendo ser um número muito bem conhecido, de um rosto que eu já não via tinha alguns meses.
—Leonardo, sua vaca! — Berrei com meu amigo pelo celular. Pedindo licença para Lucca, que somente sorriu. Fui para 'meu' quarto. — Leo, cara, que saudades. Soube que viu a Flora, como a ruiva tá?
—CARALHO VIADO! Quanto tempo, vi sim ela, ela tá ainda mais linda. Mas enfim, como tu tá? — Ele perguntou e eu ri.
—To ótimo, mas e você?
—Incrível. A faculdade de moda está muito maravilhosa. Conheci um mar de gente. Esse mar é legal. — Ele disse e eu ri da piada infame. — Estou com saudades, viada.
—Eu também.
—Mas e aí, o que andou fazendo da vida? — Ele perguntou e eu ri.
—Estou agora na casa do Lucca. — Escutei um 'que Lucca?!' E ri. — Aquele mesmo. Acabei que mantemos contato após o fundamental. E hoje muito amigos. Mas enfim, tem a facul, que não é um mar de rosas, mas ainda sim é incrível. Minha ansiedade e stress diminuíram, agora consigo controlar as crises. Na verdade acaba que nem fico mais nervoso com as coisas, o que facilita. Minha irmã está pra enfrentar o ensino médio e o pessoal está bem. Mamis voltou ao trabalho. E eu ainda sou virgem, o que foi motivo de zoação, de várias pessoas e minha própria. Mas enfim, e tu?
E então ele me contou. Apesar de eu odiar falar com o telefone colado na porra do ouvido, quando vi, já faziam pelo menos três horas que estávamos conversando, encerrando a conversa.
(...)
—Você ainda é virgem? — Lucca perguntou, assim que pisei na sala.
—Uhn, escutando atrás da porta?
—Nem foi preciso, estava entreaberta e você de costas. — Ele falou e eu levantei as mãos, como se fosse para a polícia. Ele sorriu da brincadeira.
—Sim, eu sou.
—E nunca pensou em confiar em alguém próximo?
—Querido, a maioria das pessoas que eu conheço ou são héteros, ou pessoas que eu não vou me atrair, simplesmente porque não é de mulher que gosto. — Falei e ele assentiu.
—E é muito difícil achar alguém que goste do que gosta? — Assenti. — E os Apps?
—Para mim são sem utilidade. Eu não consigo usar. Nunca consegui. Simplesmente tem muito cara que se mostra otário. Que não quer afeminado, gordo, asiático, insira aqui outros adjetivos. Tipo, vão se foder. — Falei, e ele sorriu.
—Vem aqui.
Me aproximei e sentei ao lado dele, onde ele pegou meu celular e baixou um aplicativo, o qual eu não sei o nome e nem lembrarei. Entrou na minha galeria e, ignorando a pasta tumblr (graças a Deus, ele sabia o que tinha ali) procurou uma foto minha. E achou. E então me pediu para escrever o que sentia vontade de escrever. Me deu um beijo na bochecha e se levantou, indo tomar banho.
—SE ARRUMA QUE VAMOS NA PRAÇA BARRA PARQUE! — Ele gritou e eu revirei os olhos, com preguiça de sair da casa. E assim, comecei a digitar.
Notas finais
Enfim, assim que estiver pronto o próximo, informe quem comentar. BEIJÕES! ♥
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