Notas iniciais
Oi gente! Como vão? :D Depois de dias sumido do Nyah! cá estou eu, com história nova que venho planejando há tempos. Mas sem enrolação, só venho dizer que os dois capítulos restantes podem demorar para sair. Beijos e enjoy! ♥

Red

Sometimes, the past come back to you.

Imbecil.

Era tudo o que eu pensava enquanto ria, segurando o celular e esboçando o sorriso mais amplo. Não só pela circunstâncias que envolviam aquela conversa, mas também por Lucca me lembrar de tudo aquilo.

O moreno me lembrava do nono ano do fundamental, onde convivíamos na mesma sala, mas nunca havíamos desenvolvido uma amizade. Ele brincava com as circunstâncias e me fazia rir do quão óbvias eram suas palavras.

Infelizmente, eu e o garoto nunca mais havíamos nos visto desde o fim do fundamental. Ele estava em algum lugar de São Paulo (capital), e eu do oposto de São Paulo (capital) em comparação da onde ele estava.

Fui até a cozinha pegar um pedaço de bolo. Depois desses cinco anos terem se passado, continuei o mesmo. Ainda era o mesmo gordo, feliz e com uma autoestima elevada até demais; infelizmente em comparação à dois anos atrás, eu tive que melhorar minha alimentação, para não ficar com a saúde comprometida, mas não cheguei a emagrecer e quando não o fiz, agradeci aos céus, eu não queria ser magro. Peguei o celular e tirei foto do bolo, entrei no Instagram, apliquei alguns filtros e postei – sim, eu era uma daquelas pessoas que postavam só fotos de comida, ou de si mesmas, eu fazia os dois.

Eu escutava alguma música, que no momento não me vinha à cabeça, mas eu sabia ser pop-eletrônica, até Lucca enviar mais uma mensagem e eu olhar para a tela do celular, terminando de comer o delicioso pedaço de bolo de chocolate.

"Mas mesmo assim, naquela época fui um cara meio babaca... Eu podia ter sido melhor." — L.

"Começa que não dá para alterar o passado, somente melhorar o presente. E meio?" — J, eu.

"Kkkkkk. Fica quieto." — L.

"Eu to. Eu to comendo, não dá pra falar muito comendo." — J, eu.

"Engraçadinho..." — L.

Dei a última mordida no bolo, sorrindo para a última mensagem do garoto, enquanto ia para meu quarto, um quarto cheio de livros, de diversos temas, mas em preferência em fantasia, com uma cama medianamente grande e uma TV que somente funcionava para DVDs de umas trinta e duas polegadas. O quarto era pintado em branco, menos uma parede, que era amarela forte. Eu sorri, ao olhar para o mural de fotos dos seus amigos, deitando na cama, após fechar a janela que entrava o sol forte, mas não irritante, acendendo o abajur ao lado, apoiado no criado-mudo de madeira.

"Como eu to com preguiça de digitar, eu estou mandando áudio mesmo. Só quero saber o que vai fazer hoje." — J, eu. Áudio.

Esperei o áudio de quinze segundo carregar, enquanto olhava para um canto do quarto sem objetivo algum, deixando os pensamentos fluírem e o olhar pesar. Os pensamentos, que mal começaram, foram interrompidos pela mensagem de resposta do outro.

"Olha, eu não tenho ideia. Provavelmente dormir e comer, porque hoje o dá pra fazer nada, é domingo. Mas mais tarde vou para a academia." — L. Áudio.

"Legal, eu só vou dormir mesmo, por sinal, vou fazer isso agora, sinto que estou fechando os olhos involuntariamente." — J, eu. Áudio.

Ele me respondeu com um joia, e eu pôde relaxar, sentindo os olhos pesarem. Respirei fundo, suspirando e pensando no sorriso branco de Lucca, antes de apagar por completo com a música de Closer de Chainsmokers ft. Halsey.

***

Acordei assustado, sem pesadelos ou algum sonho, mas assustado de possivelmente ter perdido a hora para encontrar minha mãe na casa do meu avô. Corri para o chuveiro e me lavei rápido, me arrumando em seguida, com uma camiseta laranja fluorescente, uma calça jeans azul escura e um all-star vinho. Peguei o celular e vi três mensagens de Lucca e uma ligação da minha mãe, eu estava atrasado uns cinco minutos, mas nada que me preocupasse, a casa do meu avô era do outro lado da avenida, era só eu sair da minha rua e atravessar a mesma, então subir a rua do meu avô e virar na segunda esquina, e então ali estava a casa. Peguei o celular e a chave de casa, indo para a sala, saindo.

Lucca estava me perguntando se eu iria para a casa do meu avô ainda, já que eu estava online por ter dormido com o celular na tela do Whats dele. Respondi que sim e corri pela rua, chegando na avenida e atravessando. Subindo a rua cheia de árvores do meu avô, parando em frente à casa do mesmo. Abri o pequeno portão e entrei, indo em direção à porta principal da casa.

—CHEGUEI! — Gritei, recebendo um 'oi' de volta. Fechei a porta e desci as escadas, vendo meu avô e minha mãe sentados lado-a-lado no sofá laranja. — Desculpem o atraso, acabei dormindo a tarde.

—Sem problema. — Minha mãe falou, levantando e me abraçando. Dei um beijo no rosto do meu avô e escutei a conversa deles, algo sobre política atual, participando vez ou outra. Hoje iríamos passar o dia com meu vô, para amanhã voltarmos à rotina: eu na faculdade de Letras sendo depenado, minha mãe voltando para o trabalho de professora com crianças e meu pai tomando conta da empresa de produtos para limpeza; enquanto meu vô se preparava para mais uma viajem dele – dessa vez para a Espanha.

(...)

No dia seguinte...

Entrei na faculdade correndo, eu não estava atrasado ou algo assim, mas eu preferia chegar sempre um pouco mais cedo por conta dos lugares e para eu poder me acalmar para a aula. Acalmar, corresponde à me planejar. Coloquei as minhas duas pastas sobre minha mesa, pegando em seguida as matérias recentes e minhas anotações, estudando um pouco mais. Após alguns minutos, fui interrompido por Lucca, que me desejava boa aula, desejei de volta, mandando um coração no final da frase. Ri olhando o beijo que ele mandava em foto, revirando os olhos. Voltei às anotações e papeis, fazendo mais anotações em um dos cadernos.

Conforme o tempo passava, a faculdade ia enchendo, então logo guardei tudo e me direcionei à sala, me preparando para as aulas todas que viriam.

Respirei fundo, sorrindo, procurando meus amigos. Já me preparando que agora sim, eu já não teria mais tempo para nada, novamente.

***

Cheguei em casa, jogando minhas coisas sobre a mesa grande do computador, indo para a cozinha, descontar a minha raiva de um modo produtivo e que relaxa-se minha cabeça. Era incrível como tinha tantos merdas até em uma área onde as pessoas eram incentivadas a respeitarem e acolherem o próximo. Olhei apara a geladeira antes de abri-la, sentindo a raiva querer se transformar em choro, mas me contive, se tinha algo que eu não faria, era isso. Abri a geladeira e peguei os ovos e leite, junto da margarina, me dirigindo ao balcão. Era tão triste essa ideia que todos carregavam que na faculdade toda a hierarquia que o ensino médio e fundamental carregavam não afetaria a faculdade, pois ainda afetava, e muito.

Não tinham mais hierarquias, mas havia ainda muita gente separada em como 'populares', ou escrotos. Todos na faculdade sabiam de mim abertamente e eu pouco me importava, dava patada em quem tentava falar alguma merda. Agora, quando vem falar de você e ofendem seus amigos – Thalia e Thiago –, esperam o que? Que eu fique quieto?!

É o seguinte: achei meus amigos e ficamos conversando, depois de algumas aulas tivemos uma vaga, já que o professor faltou e então começaram as agressões verbais. Xingaram-nos de 'estranhos' e 'bichinhas', até aí, sem problemas, não nos ofendia mesmo; mas para então começar a especular sobre nossas vidas e começar a xingar nossas mães por que não respondíamos?! Quem eles pensam que são?!

—---- (Flashback) -----

—Devem ir todos para a Augusta dar gostoso por dinheiro. — Bento disse, me fazendo sorrir irritado e sádico, esperando o próximo comentário, o coração já à mil. — Ou quem sabe, as mães são putas para pagar a faculdade deles.

—João, calma. — Thiago falou baixo, segurando meu braço.

—Eu to bem, eles é que não vão ficar. — Falei, sorrindo, preparando minha carga de raiva para explodir.

—Ui, ele tá putinho. — Giovanna disse, olhando para mim. — O gordo acha que com a gordura deles nos ameaça.

—Por que você não cala a sua boca, sua filha da puta?! — Thalia deu um passo para frente, os olhos azuis tempestades brilhando e a pose superior mudando para agressividade.

—Olha, a asquerosa indecisa acha que pode falar alguma coisa. Que foi, estranho? — Giovanne, o gêmeo de Giovanna disse, se dirigindo à Thiago após de Thalia.

—Por que vocês não calam a boca? Sério, vocês são tão bosta. Eu sou gordo, obrigado Giovanna por constatar fatos, 'querida'. Eu e meus amigos, diferente de vocês, tivemos que conseguir bolsas, afinal, nossos papais não podem pagar, nós conseguimos por mérito e não porque dinheiro compra tudo. A Thalia não é indecisa, ela é bissexual, o que consisti em gostar de dois gêneros. E sim, somos todos estranhos, não-normais, mas graças à Deus, porque eu iria querer ser hétero, machão e bosta como vocês? Vocês são tecnicamente os únicos da faculdade toda que se acham, que acham que ainda estamos na porra do Ensino Médio, acham que aqui existe popularidade. Minha mãe não é puta, assim como a deles também não, mas e se ela fosse? Ela estaria trabalhando nisso por opção dela e eu apoiaria, afinal, o que vocês tem a ver com isso? E se eu desse por dinheiro? Vocês estão interessados? Meu preço pra cuzões é muito alto. Estão cursando Letras por quê? Acham que é o "mais fácil"? Me poupem, se poupem e nos poupe. — Eu quase berrava irritado, atraindo a atenção de metade do pessoal que estava ali fora. Virei para Thalia e para Thiago, pegando-os pela mão e virando meu rosto, para mandar um beijinho para eles, antes que eu pudesse puxar meus amigos, rindo, para outro lugar. A cara deles era a melhor, de quem não sabia o que falar ou fazer, chocados com a realidade das palavras.

—---- (Flashback) -----

Eu não costumava perder assim minha paciência, eu tentava de todos os modos melhorar a situação, mas eles estavam procurando, isso já há um certo tempo. Então, acabei por explodir.

Eu amassava a massa do pão, que eu nem percebera estar quase pronto, com tanta raiva e descontando tudo que sentia ali. Era um pão que iria para o lixo, já que o único propósito fora espancar a massa, se eu comesse aquilo, ou desse para alguém, passaríamos mal, afinal, tantos sentimentos negativos e descontados ali, não faria bem. Assim que senti meus ombros mais leves, peguei a massa e joguei na lixeira, indo lavar as mãos e escutando meu celular tremer e notificar-me que havia mensagem. Sequei as mãos e fui verificar, respondendo e logo sendo visualizado pelo que me enviara, Lucca.

"Oi. Como foi seu dia? Tenho uma novidade." — L.

"Foi meio merda, depois explico melhor por áudio, assim que minha cabeça relaxar mais. Mas fala aí, que novidade?" — J, eu.

"Assim..." — L.

"Fala logo!" — J, eu.

"Eu consegui um emprego aí perto, na Vila Sônia! ♥" — L, com emoticon de coração.

"AMÉM! Depois de tanto tempo, finalmente vamos nos ver! ♥" — J, eu.

"Nisso, estou de mudança, partindo de amanhã. Estou empacotando as coisas. Ia te contar ontem, mas de noite eu fui notificado e tu tava na casa do seu avô. Vou morar até que perto do seu apê, assim, perto perto, não é, mas ainda sim, não é longe." — L.

" :3 " — J, eu.

"É perto da Praça Vinicíus de Morais, sabe?!" — L.

"Não..." — J, eu.

"Sim..." — L.

Sorri e fiquei ali parado, igual um idiota sem saber o que fazer, ou melhor, sem pensar em outra coisa senão ele. É, talvez eu não tivesse esquecido ele por completo, afinal. Mas... Como poderia?! Foi o primeiro cara que eu realmente me atraí além de fisicamente, cheguei até a sentir ciúmes de uma amiga. Ah Deus, me ajude.

Notas finais
A essência de capítulo por capítulo pode mudar. Esse é mais narrativo como se fosse no momento, pela vista, o próximo é mais numa pegada de diário e o terceiro ainda não foi definido. ;) Gostaria muito que tivesse algum comentário, alguma dica... Beijos ♥ Ps.: Assim que cada capítulo estiver pronto, ou melhor, assim que a fanfic estiver completa eu edito o primeiro capítulo e coloco os dois ultimos capítulos, porque o ser aqui por engano apertou o botão de terminada. Portanto, quem comentar, não fique triste se eu demorar, é só porque estou tentando acabar tudo para daí informar vocês pelos comentários que o próximo capítulo saiu. ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!