Red Soil
1 Chapter One
Notas iniciais
Enjoy it.
“É a separação. Kaoru está sofrendo com a separação”, dissera seu psicólogo a seus pais, “Não há uma forma de priva-lo desses conflitos?”
Kaoru conseguia perfeitamente ouvir a conversa de seus pais com o psicólogo dentro do consultório. Que tipo de consultório de psicólogo tem uma parede de papel dessas?
O garoto jogou a cabeça para trás, encostando-se à parede. Estava sentado naquela sala de espera há uma hora e meia, desde que seus pais entraram. A secretária do psicólogo o olhava preocupada.
-Hey, Kaoru-kun, quer alguma coisa? Um salgadinho, um doce...?
-Iie, arigatou, Michiko-san. – o garoto sorriu fraco.
-Tem certeza? – ela não se convencera.
-...- Kaoru riu fraco.- Tenho sim.
“Ela se preocupa mais comigo do que minha própria mãe.”
O adolescente se concentrou para ouvir mais da conversa.
“Ele é um garoto forte, ele entende nosso lado da separação. Não é possível que ele esteja assim...Agindo...Anormalmente, ficando com outros garotos... Por nossa causa, sempre demos tudo a ele! Nunca negamos nada!”, era a voz de sua mãe. Kaoru não sabia se sentia bem por sua mãe achar que ele era forte ou se sentia mal por ela não conhecer seu próprio filho.
Kaoru era fraco.
Kaoru era sensível.
Kaoru sentia.
O garoto de cabelo descolorido esfregou os olhos, tentando impedir as lágrimas. Se seus pais o vissem daquele jeito, o que pensariam?
Se decepcionariam. Cadê o filho forte que eles –supostamente- criaram?
A verdade é que mimaram o filho desde antes dele nascer, o quarto do garoto já estava pronto no quinto mês de gestação da mãe. Tudo o que fizeram foi mimar. Mimaram até não poder mais, e quando Kaoru sentiu falta das coisas depois que seu pai mudara de emprego, seus pais o taxaram de mimado metido a rico.
Depois de mais alguns minutos, seus pais saíram da sala, com a expressão mais feia do que quando entraram. Kaoru tremeu.
-Vamos, Kaoru. – seu pai disse, um sorriso forçado se fez presente em seus lábios.
O garoto levantou, secando as mãos suadas na calça sarja. Antes de ir embora, se despediu de Michiko. Estava tão carente de atenção que por ele ficaria a tarde toda no consultório sendo bajulado pela secretária.
Caminhou cabisbaixo até o carro, esperando os pais começarem o falatório. “Afinal o que diabos você disse para o psicólogo?! Nos fez parecer monstros!”, era o que o garoto esperava que a mãe falasse, mas nada daquilo veio, pelo contrário.
-Filho, estávamos pensando...Faz tanto tempo que você não vai a Mie ver seus tios. – sua mãe começou. O adolescente tremeu. ‘Mie?’
-Que tal uma viagem, Kaoru? Está de férias mesmo. – seu pai completou enquanto manobrava o carro.
-Ah, legal. Quando vamos? – Kaoru soltou um meio sorriso no banco de trás. Não gostava muito de Mie, mas só a possibilidade de viajar com seus pais, como uma família feliz, o deixava animado.
Seu pai soltou um riso fraco, talvez triste.
— “Vamos”, não, Ka-chan, você vai. Eu e sua mãe temos coisas a resolver aqui. – seu pai disse. Podia não parecer, mas Niikura-san estava aflito.
-C-como assim? Vão me deixar viajar sozinho? – Kaoru disse. Tinha quinze anos, dali a duas semanas faria dezesseis e nem ir até o centro de Hyogo para comprar cd’s sozinho seus pais deixavam e agora queriam manda-lo para Mie? – NEM PRA PORRA DA LOJA DE CD’S DO CENTRO VOCÊS ME DEIXAM IR SOZINHO E AGORA QUEREM ME MANDAR PR’AQUELE LUGAR COM AQUELE IDIOTA DO DAISUKE E SUA FAMÍLIA PERFEITA?! – o garoto berrou dentro do carro, batendo as mãos nos bancos, revoltado, chorando.
Daisuke era seu primo.
Não se lembrava exatamente o por quê, mas não gostava dele. Embora fossem melhores amigos até os seis anos.
Mais do que não gostar, morria de inveja de Daisuke. Todas as reuniões de família que tinham, ele se encontrava com Daisuke e seus pais perfeitos, seus tios. Praticamente não brigavam, não xingavam o filho e muito menos o ignoravam.
Kaoru gostava de seus tios, os adorava. O problema era o filho chato e intrometido deles.
-K-kaoru, vai ser — —
-NÃO VAI SER MELHOR PARA MIM, LARGA DE SER HIPÓCRITA! – o garoto voltou a berrar.
Aí o silêncio prevaleceu, apenas sendo cortado pelos soluços e gemidos de Kaoru.
Quando chegaram em casa, Kaoru desceu do carro, correndo para seu quarto. Se trancou durante um dia todo. Nem comer se prestara a fazer.
Viajaria dali a dois dias.
Decidira ir sozinho à estação de trem. Seus pais já haviam avisado os tios que iriam busca-lo na estação de Mie.
Ficaria uma semana lá. Estava com uma mochila nas costas e uma pequena bagagem de mão, esperando o trem, que logo chegou. Sentara na janela e ficou acordado durante aproximadamente duas horas, observando a paisagem, antes de cair no sono e só acordar no destino final.
Desceu sonolento do trem, caminhando pela plataforma. Cambaleava levemente pelo peso da mochila que fora realçado pelo sono do garoto. Já era dez da noite, apenas queria chegar na casa de seus tios e dormir o sono dos justos.
-Ka-chaan! Aqui! – ouviu ser chamado, se virando.
Seu tio balançava os braços ao lado da esposa, que sorria.
O garoto não resistiu e sorriu também. Estava disposto a relaxar naquela viagem, mesmo com o primo idiota junto.
Notas finais
É, quando ela era adolescente, ele descoloriu o cabelo e disse pros pais que foi o cloro da piscina. Mas como ele não sabe nadar...q
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