Red Skies

1 I. O encontro


Notas iniciais
Oi, pessoal! resolvi voltar a escrever aventuras pokémons! sempre quis fazer isso mas nunca encontro motivação suficiente ai sempre abandono.
Tentar ao máximo não fazer isso! espero que gostem desse pequeno universo alternativo que eu criei, por que eu me diverti muito.

Era o dia da abertura dos classificatórios para o campeonato Pokémon. Várias pessoas de cidades vizinhas já estavam se hospedando e vagando por aqui, quando se mora em uma cidade pequena é fácil distinguir os Pokémon que são daqui. Olhei para um Medichan que eu nunca tinha visto na vida enquanto cruzava a movimentada rua, não estou de brincadeira quando digo que em épocas assim nós vemos de tudo por aqui.

Bem, eu poderia ter todos os motivos possíveis para estar animada com isso, mas não estou, eu somente trabalho na decoração do estádio, nada mais. Por mais que meu sonho seja me tornar treinadora Pokémon, minha mãe nunca concordaria.

Eu já tentei argumentar e contra argumentar com ela, contundo nada faz sua ideia mudar. Ela acredita que Pokémon nós machucam e por isso devemos evitar nós aproximar. Foi uma conversa gigantesca para ela deixar eu ter os que tenho hoje, e ela não pode nem imaginar que tenho mais de dois, por que eu não minto quando digo que ela surtaria.

Como eu consegui capturar eles? Bem, mesmo que minha mãe não goste, ela é uma pessoa muita ocupada, meu avô é o prefeito da cidade e ela trabalha no gabinete. Enquanto isso eu tenho várias tardes e as vezes dias livres para fazer o que eu bem entender. Então sempre que posso eu vou com grupos caçar ou só treinar em cidades vizinhas. Muitas vezes eu só sou conhecida pelo meu nome de “rua”: Fox Face. As pessoas nem imaginam a vida dupla que eu tenho que viver.

Devagar coloquei uma das caixas em uma das mesas perto do ginásio, e meu Lucario que me seguia fez o mesmo. Esse é meu companheiro de longas datas, foi presente do meu avô quando finalmente consegui convencer minha mãe que eu poderia ter somente um Pokémon. Ele era um Riolu minúsculo e magricelo, tenho certeza que alguém deve ter simplesmente se livrado dele. Eu de fato não me importo como e o porquê de ele ter chegado até mim, já que foi amor à primeira vista. Posso dizer com certeza que minha vida mudou bastante depois que o Lucario chegou. Viramos mais que amigos, era como se tivéssemos uma conexão que ninguém pudesse explicar. Algo que eu queria que minha mãe entendesse.

Depois de muitos anos foi a vez do meu segundo Pokémon chegar, um Torchic que eu mesma capturei nas minhas escapadas, minha mãe acabou sabendo dele só quando ele chegou na sua forma de Blaziken, e acreditem que eu digo, ela não ficou feliz com isso. Eu acho que falar para ela antes teria sido uma ideia muito melhor, por que descobrir que eu tinha ele escondido durante muito tempo foi o que fez o circo pegar fogo.

Porém, como eu nunca aprendo, eu capturei um outro ano passado, e ainda estou tentando arrumar coragem para dizer a ela sobre minha decisão. Indiretas já mandei várias! Só ando com 3 pokébolas, tenho três tigelas para pokémons em casa, mas ela deve estar em negação e tá se fazendo de cega.

O fato de ela negar tanto minhas escolhas realmente não as muda, não posso que mentir que gostaria de ter mais apoio, essas pequenas lutas que nós temos atrapalham muito a nossa relação.

Bem, mesmo que ela não apoie minha vida de treinadora eu ainda posso assistir as lutas, não é?

— Vem, Lucario, tá na hora do nosso almoço. — Sorri mostrando para ele um par de entradas para o ginásio. Minha mãe não precisa saber o que eu fiz depois que meu turno acabou, e mais, é uma atração quase turística.

Deixamos as caixas de lado e seguimos para a entrada. Estava bem movimentando, muitas pessoas pareciam estar ali pela competição, julgo isso pelo tipo de pokémon e a expressão em seus rostos. Não posso mentir que também conheço muita gente, então sei bem as pessoas que vão estar por aqui hoje. Pelo que tinha ouvido falar as inscrições eram feitas na hora, como ainda era a fase inicial, e se algum participante quisesse desafiar o treinador finalista era totalmente possível, o que era muito raro de acontecer. Já que geralmente as pessoas que entram nessas competições são extremamente poderosas, afinal a última fase do campeonato é a liga.

Depois de passar meu cartão na catraca que dividia a entrada, eu dei de cara com várias barracas de souvenirs e comida, como eu disse, esse campeonato é quase uma atração turística, sorri de leve e andei junto com o Lucario até uma das barracas que vendia cachorro-quente. Nós éramos tão parecidos que o nosso favorito era o mesmo, cachorro quente com o dobro de ketchup, não havia coisa melhor no mundo, percebi que os olhos dele brilhavam olhando para mim, e foi nessa hora que nosso estômago roncou em sintonia.

Fiz o pedido rapidamente, e enquanto esperávamos sair pude escutar um sonoro “Fox Face!” ecoar pelo saguão, não é exagero dizer que todos os pelos do meu corpo se arrepiaram, eu virei com o rosto todo vermelho para encontrar com meu olhar uma menina de cabelos castanhos curtos.

— Serena, como é bom te ver. — disse da maneira mais forçada possível, olhando para os lados para ter certeza que minha mãe não estava ali.

— Eu te reconheci de longe! E quando eu vi o Lucario ficou bem na cara. — Ela falou com um sorriso supersimpático e deu umas tapinhas no ombro do meu pokémon. — Você vai competir?

— Não. — disse de maneira firme e cocei a garganta. — Quer dizer, não você sabe, eu quero ter mais pokémons antes de entrar nessa doidice de competições.

— Ah, mas te acho incrível, já. — Ela riu. — Se você esperar demais vai ficar muito velha para isso.

— Acho que você está certa.

— Olha, eu estou com meus amigos sentada na arquibancada, você pode sentar com a gente, vai ser divertido. — Essa menina era muito simpática, é impossível dizer não para ela.

— Claro, eu vou pegar minha comida e vou para lá, qual seção vocês estão sentados?

— A 11! — sorriu e começou a andar de volta para seu lugar, provavelmente. — Vou estar te esperando!

Ri de maneira um tanto forçada, e virei de novo para o Lucario que ainda estava com seus olhos vidrados no cozinheiro que preparava nossa comida. Essa minha vida dupla está ficando cada vez mais difícil, só espero que o dia acabe bem, é meu único desejo para hoje.

Não demorou muito para termos nosso pedido em mãos, e me vendo sem opção comecei a rumar em direção a arquibancada A. Era possível escutar a vibração da torcida já, e pelo horário já era de se esperar que eu tivesse perdido algumas lutas, porém pelo menos assistiria os finalistas, acho que já era suficiente para o meu dia se realizar, se tiver sorte eu posso acompanha-los pela televisão, mas sabendo que já os conheci antes.

Avistei Serena e seu chapéu rosa e me aproximei com um sorriso leve no meu rosto, quando entrei em seu campo de visão ela levantou animada e acenou para mim. Percebi que ela estava sentada com mais pessoas ao seu redor e alguns deles tinham seus próprios pokémons consigo.

— Pessoal, essa é aqui é a Fox face que eu falei para vocês! — ela exclamou e todos viraram para me cumprimentar, confesso que fiquei um pouco envergonhada.

— Espera! Você é a Fox Face? Cadê seu Blaziken? Eu posso ver? — uma menina de cabelos loiros disse animada. Desde quando eu fiquei tão famosa?

— Ah, ele tá na Pokebolá, eu-

— Bonnie, por favor. Assim você assusta ela. — Um garoto de cabelos loiros e óculos redondo disse, deduzi que era seu irmão pela similaridade. — Meu nome é Clemmont. — Apertei sua mão.

— Ah, eu sou Ash, já escutei falar de você por aqui. — Sorri de volta para ele, é bom saber que meu nome é falado para coisas boas.

Acomodei-me perto deles junto com o Lucario, e se eu não o conhecesse bem diria que estava enciumado por todos só perguntarem do Blaziken, contudo, no fundo sabia que a cara fechada dele era só fome. Segurando esse cachorro quente por tanto tempo sem puder dar nem uma mordida era uma tortura e tanto.

Os amigos da Serena eram bastante amigáveis, descobri que o tal de Ash foi classificado para a próxima fase dos torneios e os outros estavam só acompanhando e que eles encontrariam uma tal de Iris para acompanhar o festival. Isso era uma ideia realmente boa, e deve ser muito bom estar em uma aventura com seus amigos fazendo aquilo que gosta, infelizmente não posso me dar esse luxo. Suspirei profundamente, olhando a batalha que acabará de se iniciar.

Eu adorava assistir batalha pokémons, uma adrenalina tomava conta de mim e eu vibrava como se eu estivesse ali dentro. Imagino como deve ser para quem realmente está batalhando, ter que pensar em cada movimento, e ser assistido a cada segundo. Acho que isso é que faz tudo tão mais interessante.

— Então você é a famosa Fox Face? Talvez a gente devesse batalhar algum dia. — O garoto de boné virou para mim. — Seria uma honra.

— Olha que eu não fujo de uma batalha, tem certeza disso? — ri e virei para conversar com ele.

— É claro! Estou me preparando para o festival, todo mundo que está dentro é muito bom, quero ter certeza que vou estar à altura.

— Você deve ser bom, eu acredito. — Olhei para o Pikachu dele e estendi a mão para acaricia-lo. — Você batalha a muito tempo?

— Pode-se dizer que sim, esse é meu sonho, me tornar o maior treinador Pokémon de todos os tempos.

— O meu também, mas você sabe como é, as coisas nem sempre vão do jeito que a gente quer. — Sorri fraco e voltei a observar a luta que se desdobrava.

Algumas lutas se prosseguiram depois dessa, e claro que depois de tomar um litrão de refrigerante eu precisava ir no banheiro. Sinalizei para o Lucario me esperar e comecei a descer as escadas procurando o banheiro.

Quanto mais eu chegava perto da arena, mais aquele som ensurdecedor vibrava, era uma música alta para deixar as batalhas mais ambientes. Haviam vários Loudreds perto das caixas de som para ajudar deixar tudo aquilo mais alto, era uma bagunça. Já não bastava a gritaria da arquibancada, os competidores ainda tinham que aturar essa música infernal.

Andava meio bamba pelos corredores ainda procurando o símbolo do banheiro, e encontrei um grupo de pessoas familiares, uma gangue com quem batalhava. Vieram até mim segurando várias latinhas de redbull e rindo alto, pareciam muito felizes por me ver, mas eu não conseguia escutar nada, nem meus próprios pensamentos. O mais alto, Richard, veio até mim e chacoalhou meu ombro, exclamando algo que eu não entendia. Minha cabeça pulsava enquanto tentava olhar para a boca dos três que tinham se aproximado para conversar.

Spike, um garoto magro de moicano também começou a falar, eu só conseguia concordar com minha cabeça e eles se entreolharam com um sorriso animado, dando tapas um no outro. Não conseguia entender mais nada. Grunhidos de Pokémon de um lado, a música alta de outro e risadas de pessoas por todos os lados, estava ficando sem ar.

Por fim balancei a cabeça novamente para alguma pergunta que fizeram, e eles pareciam ter ganhado na loteria, pude perceber como a feição em seus rostos mudaram, pareciam ter levado um choque de animação. George até amassou a lata de Redbull em sua própria testa e gritou feito um animal. Em desgosto me afastei um pouco, mas não demorou muito para eles começarem a me puxar para um dos corredores.

— Para onde a gente tá indo? — eu gritei, mas nenhum dos três parecia me escutar, saímos dos corredores escuro para o claro novamente, a música ficou ainda mais alta. — Eu preciso ir no banheiro. —

— Vai ser fácil, você vai ver. Vamos mostrar para eles quem manda nessa porra aqui! — comemoraram e acenaram para o resto do grupo que estava em uma das arquibancadas perto da entrada da arena. A gritaria do ginásio ficou ainda mais alta, eu não sabia nem o que estava acontecendo.

Meus pés andavam, porém aonde estava indo não sabia dizer, eles me puxavam, e gritavam de volta para as pessoas que estavam sentadas, eu olhava ao redor tentando achar meu Lucario, mas provavelmente estava muito distante da arquibancada “A” para eles me verem.

Pisquei, e quando pude perceber estava dentro da arena.

Eu estava dentro da arena.

Sim, eu estava dentro da arena

Fazendo o que?

Olhei para o painel gigantesco e minha imagem estava ali, sendo transmitida, para todo mundo ver. Eu conseguia ler as letras em cima “Desafiando pelo título”. Gelei, eu não conseguia me mexer. Era como se alguém tivesse cortado minha língua fora.

Não sentia meus braços, minhas pernas, nada.

Respirei fundo, e foi quando finalmente as coisas começaram a fazer sentido em minha cabeça, eu concordei com algo que não queria, e agora estava aqui, de frente ao líder das batalhas, desafiando-o, e eu devo dizer, que em seu rosto eu conseguia ver a expressão de raiva. Ao seu lado um Bedrill em sua mega evolução, extremamente agitado por conta da música alta, ele voava inquietamente e batia seus ferrões.

— Será que a nossa desafiante não vai se defender? Bedrill não parece muito desposto a esperar, é bom ela pensar em uma solução rápido.

Senti todos os pelos do meu corpo se eriçarem como se alguém tivesse soprado em meu pescoço, bati nos meus bolsos e percebi que não tinha nenhuma pokébola em mim. O desespero tomou conta de mim, os olhos vermelhos e brilhosos se encontraram com os meus.

Em questão de segundos corri na direção decrescente das arquibancadas, e mesmo que aquele som vibrasse, me tirando de qualquer sensação eu sabia que aquele pokémon estava atrás de mim. Era como ser perseguido, não precisava olhar para trás para saber disso. As grades não pareciam ter fins, e eu não conseguia encontrar um rosto familiar, me sentia presa atrás da proteção que separava a arena do resto do ginásio.

Um momento mudou tudo, minhas pernas falharam, e antes que pudesse perceber fui ao chão, rolei e virei rapidamente para encarar os olhos vermelhos novamente. Era isso, minha vida estava acabada. Fechei os olhos esperando ser atacada, todavia a arquibancada vibrou, e quando eu digo vibrou digo muito.

“Charizard! Charizard! Charizard!

Charizard? Eu não tenho nenhum, o que está acontecendo aqui?

Abri meus olhos rapidamente e olhei aquele enorme dragão na minha frente, era gigante, forte, como se já treinasse faz muito tempo, algo que chamou minha atenção foi a tatuagem vermelha em seu ombro. Tinha um olhar autoritário em seu rosto, e olhou de lado para mim como se esperasse um comando.

A única coisa que eu queria saber era, de quem diabos era esse Charizard pelo amor de deus!

Eu não tinha tempo para questionamentos, o Bedrill levantou-se capengando, provavelmente tinha sido jogado contra cerca. Comecei a pescar em minha mente todos os movimentos do tipo fogo que eu conhecia. Toda aquela pressão não fazia bem ao meu cérebro, nada funcionava.

— Usa Lança Chamas! — as palavras escaparam da minha boca.

Ele olhou para mim como se confirmasse e em um impulso saiu voando junto com o oponente, o brilho do sol ofuscava os dois, que no ar travavam uma batalha. O Bedrill foi rápido em tentar usar um de seus ferrões, mas aquele Charizard não era iniciante, o afastou com sua cauda, e logo em seguida acertou em cheio o pokémon com a fúria do seu lança chamas.

O dragão soltou um rugido alto no ar, e enquanto o nosso inimigo caia em queda livre, ele o acertou em cheio novamente fazendo que uma cratera se abrisse do chão com o impacto.

Houve um silêncio ensurdecedor por todo o ginásio, até o próprio DJ parou sua própria música. Ninguém acreditava que aquela luta havia acabado em dois movimentos.

Isso vai soar muito como minha mãe, mas pela primeira vez eu sinto medo de um Pokémon. Eu observei de perto enquanto ele pousava perto de mim e pousava como se fosse meu, todos ainda em choque.

— Ehr, alguém vai desafiar o nosso, quer dizer, a nossa atual vencedora? — nenhum ruído ainda. — Então eu acho que temos uma vencedora, Fox Face passa para a segunda fase das eliminatórias.

Como?

Outra vez as pessoas começaram a vibrar sem parar, e eu podia escutar meu nome ser gritado por todos do estádio, parecia até um coro. Meu olhar encontrou com o daquele Charizard e eu gelei. Não conseguia nem aproveitar o momento da minha vitória, por que na verdade isso não era mérito meu, esse pokémon nem me pertence.

Eu só queria entender o que estava acontecendo aqui.

Meu coração pesou naquele momento, as pessoas falavam comigo, comemoravam, mas eu só estava em choque. Recebia todas aquelas instruções com um sorriso murcho, por que a única coisa que me importava era aquela câmera apontada para mim. Eu sabia que minha mãe havia visto tudo aquilo ao vivo e em cores.

Era um sentimento estranho, eu sempre fugi e batalhei com gangues e fui em pequenas aventuras escondido, mas sabendo que ela tinha descoberto tudo aquilo da pior maneira partia meu coração, era quase como uma traição. Eu traí a mulher que me amou sua vida toda, que brigou com o mundo por causa de mim. Não consigo expressar em palavras o quanto meu coração pesava.

Pousei para uma última foto perto daquele Charizard, e eu não conseguia para de o olhar com medo. Será que ele vai me seguir até em casa? Será que ele só vai embora e minha vida vai continuar? Eu sai da área dos campeões meio bamba, tentando encontrar algum sentindo naquele momento.

Foisó um poucomaisnafrente que encontrei meu Lucario, estavaempéperto da Serena com umaexpressãotãoconfusaquanto a minha. Sei que issopode soar um poucoestranho, mas euapenascorri para seusbraços e o afagueiperto de mim. Finalmentepuderespirarfundo, tinha um ombro amigo para descarregartodo o medo e insegurança que eusentianaquelemomento.

Por sua vez ele retribuiu o gesto sem pestanejar, acho que ele consegue entender muito bem o que eu estou sentindo. Nunca eu trocaria meus Pokémons só por uma vitória, eles eram tudo que eu construí ao longo desses anos.

— Fox Face! Isso foi incrível, eu não sabia que seu terceiro Pokémon era um Charizard! — a pequena exclamou com os olhos brilhando para mim.

— É nem eu. — Sussurrei em meio a um sorriso, e olhei de relance para aquele dragão enorme atrás de mim.

— Então isso quer dizer que você vai para a próxima fase das batalhas, que nem eu! Talvez você pudesse vir com a gente, seria bem divertido. — Ash disse animado e recebeu algumas palavras de animação de seu Pikachu.

— Eu não sei, na verdade nem estava esperando isso. — Cocei a garganta — Mas eu gostei do convite, quando vocês partem?

— Daqui há alguns dias, vamos ao lago treinar amanhã.

— Você poderia vir. — Serena disse. — Assim a gente se conhece melhor!

— Obrigada pelo convite. — Sorri sem jeito. — Vou aparecer lá com certeza amanhã, agora vou atrás da minha mãe para compartilhar minha grande vitória. — Dei um sorriso falso. Minha mãe uma hora dessas deve estar dura no chão.

Nos despedimos com alegriapor parte deles e segui meu caminho em silêncio. Por onde eu passava as pessoas da cidade comemoravam e me davam os parabéns. Eles eram os únicos a estarem animados, por que eu mesma não estava. Nem o meu Lucario, ele o Charizard se entreolhavam sem muita intenção de amizade.

Já mencionei como aquele dragão era gigantesco? As pessoas paravam para as crianças tirarem foto com ele, claro que ele estava adorando muito aquilo. Mas eu não conseguia juntar as peças do quebra cabeça para entender aquele Pokémon que me acompanhava. Por que ao mesmo tempo que era extremamente poderoso em batalhas, era bem amigável com pessoas, que não fossem eu, isso já tirava a hipótese de ele ser um Pokémon selvagem, com certeza pertencia a alguém.

Depois de mais uma foto entramos na rua que dava para minha casa, e da distância eu já conseguia ver minha mãe parada, bem na porta com uma cara nada feliz. Minha sentença de morte já estava assinada desde o momento que pisei naquela Arena.

O que eu poderia dizer em um momento que nem aquele? Desculpa? Aquilo não ajudaria em nada, nenhum discurso que criaria poderia diminuir a frustração que minha mãe estava sentindo naquele momento, não pelo fato de eu ter batalhado, porém pelo fato de eu ter mentido para ela. E uma mentira vindo de um filho deve ser a coisa mais dolorosa do mundo, por que você criou aquele ser, e ele ainda consegue te trair da pior maneira possível, era demais.

Meus passos pareciam muito curtos, e demorou uma eternidade para eu chegar até a porta da minha casa, minha respiração estava tão rápida que eu pensei que meu coração pularia da minha boca a qualquer momento.

— Eu não acredito que depois de tudo você tem coragem de aparecer por aqui! — ela rosnou de raiva, minha mãe era baixinha, e a ver com raiva poderia parecer engraçado, mas seu tom de voz era de matar um.

Ela se aproximou marchando com força, e com medo fechei os olhos, depois de algum tempo sem sentir qualquer toque em meu corpo virei para procurar para onde ela teria ido, e lá estava ela, puxando o Charizard pelo “chifre” e reclamando com ele tão rápido que eu não conseguia nem entender o que estava sendo dito.

Pendi a cabeça para o lado confusa, tentando desvendar aquela cena. Por que, afinal de contas, quem tinha mentindo para ela fui eu.

— Mãe, eu... — falei ainda um pouco aflita.

— Eu sabia, seu pai não respeita nenhuma vontade que eu tenho. Como ele ousa mandar o Charizard para cá depois de tanto tempo. É um cabeça dura que só faz o que quer, eu não consigo acreditar nele! Quer que a filha siga o mesmo caminho que ele. — Ela resmungava sem parar, e eu ainda não conseguia processar todas aquelas informações direito.

— O que meu pai tem a ver com tudo isso? Pensei que ele-

— Sim, ele sempre está muito ocupado para família dele, e eu disse que você não seguiria o mesmo caminho. Você seria uma pessoa normal! — soltou o Charizard e olhou para mim bufante. — E o que o seu pai faz? Manda essa coisa para cá e te qualifica em uma liga que você não tem mínima chance. Olha só para você, não sabe nem o que é a vida muito menos treinar pokémon. Fez isso só para me contrariar

Repentinamente toda aquela minha aflição desapareceu e tudo se tornou raiva, pude sentir o calor subir pelo meu corpo e tomar conta de mim. Aquelas palavras haviam me atingindo que nem pedras, como assim “Você não tem mínima chance?” e ainda vindo de alguém que eu considero tanto, agora eu sei o que é pior do que mentir.

— Claro que não, mãe! — tentei argumentar, gaguejando um pouco.

— E você vai defender ele? Você nem lembra dele, por que ele trocou a gente pelo status. Não crie ilusões achando que o mundo é fácil. — Ela se aproximou de mim. — Esse seu Riolu? Foi seu avô que te deu, sabe quais eram as chances de você conseguir um? Zero. O seu Torchic foi pura sorte, acorda para vida Gaia! Você não sabe o que é o mundo. Diga logo que não vai para essa competição idiota.

— Você não me conhece! Por que diria algo assim? — Eu cerrei meus punhos com raiva, fitando-a. — O Charizard pode até não ser meu, mas qualquer um dos meus Pokémons acabaria com aquele Bedrill idiota! Eu treino eles todos os dias, eu vou a luta, passo noites acordada estudando. Não sou mente fechada que nem você. — Um silêncio se estabeleceu entre nós e pude perceber que ela me olhava com um pouco de arrependimento, mas naquele momento eu não queria saber. Estava enfurecida, machucada. — E se você quer saber de uma coisa, eu vou sim! Vou ganhar essa porcaria de Liga e vou ser que nem o meu pai e ficar longe de você. E nem vou precisar desse Charizard idiota para isso.

Virei e corri para longe, não sabia muito certo para onde, porém só queria ficar longe dela naquele momento. Minha respiração estava ofegante, as lágrimas jorravam livremente dos meus olhos. Só queria parar de soluçar por que aquilo estava me deixando sem ar. Mas a tristeza que tomava conta de mim era sufocante.

Aquele dia estava sendo cheio de emoções, um momento eu estava aflita, e agora eu estava extremamente triste. Só queria poder arrancar meu coração fora e ter um intervalo de tantos sentimentos negativos. A única coisa que eu queria agora era fugir, principalmente dela.

Senti a brisa da floresta correr pelos meus cabelos, e eu sabia onde estava. Conhecia esse lugar com a palma da minha mão. Tentei recuperar o fôlego e virei à esquerda perto de uma árvore de casca grossa, o lugar que eu procurava era uma pequena gruta que ninguém se atrevia chegar perto. Ficar sozinha era a única coisa que eu queria.

Notas finais
Então, se você chegou até aqui muito obrigada! criticas e sugestões são sempre bem vindas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.