Red Red BOOM!
1 Red Red BOOM!
Notas iniciais
Aproveitando para dar parabéns para a Kaline e para a Anne. Eu ia dar uma história para cada uma, mas houve alguns imprevistos, então a gente se segura aqui nessa vontade louca de shippar até que saia as outras histórias.
Não era somente as piadas que o incomodava. Não, mentira. Isso também o incomodava, e muito. Era toda aquela destruidora liberdade que não tinha limites. Era aquela falta de noção. Era aquela risadinha frouxa por debaixo da máscara, era o deboche, era a droga da maneira que ele conseguia tirá-lo do sério.
Tudo aquilo era Wade.
Peter estava certo de que a última vez que eles se confrontaram no meio da cidade de Nova Iorque, seria o estopim para o início de uma rivalidade digna de verdadeiros heróis e vilões das histórias em quadrinho. Como o Batman e o Coringa. Se Peter fosse um pouco mais velho, e muito rico, com certeza ele iria se identificar com o personagem fictício e um maluco correndo atrás dele pela cidade, mas em vez de morcegos, seriam aranhas.
Por falar em maluco. O Homem Aranha saltava pelo céu da cidade, perseguindo seu alvo que fugia de moto na Park Avenue, abarrotada de carros e pedestres.
Lá de cima ele via Deadpool espantar quem quer que fosse pela frente, usando uma buzina de sorveteiro instalada na motocicleta, até que ele seguiu em direção a Catedral St. Patrick. Entrou de moto e tudo no Rockefeller Plaza.
Peter rangeu os dentes, não tinha outra opção, senão correr atrás daquele babaca.
— Saiam todos, saiam todos. — Peter gritava, enquanto as pessoas corriam para todos os lados, fugindo da moto.
A moto deslizou pelo piso, derrapando em direção a fonte, seguido de um YHÁÁÁ. A polícia cercou o local, pelo autor falante, o capitão tentava controlar a situação, orientando que todos esvaziassem o prédio com cautela, e em segurança.
Peter ajudou um grupo de adolescentes a sair pela porta de emergência. Ele então pediu ao capitão que desse alguns minutos para tentar contornar a situação. Iria distrair Deadpool para que as pessoas pudessem abandonar o prédio.
— Como posso deixar isso nas suas mãos, se da última vez vocês destruíram um quarteirão inteiro enquanto lutavam? Sinto muito, filho, dessa vez nós temos que agir. — O capitão disse.
— Eu prometo que não vai se repetir. — O Homem Aranha tentou argumentar.
— Eu te dou alguns minutos, pelo menos até a gente chamar alguém que consiga dar um jeito nisso. — O capitão virou-se, falando com seus homens. — Cada dia mais eu fico cansado desses lunáticos de máscaras.
Peter tinha certeza de que a pessoa que iriam chamar para dar um jeito nisso, viria em uma armadura de metal.
Ele então decidiu aproveitar os minutos que teria para encontrar Deadpool e tentar convencer o capitão de que não haveria explosões nem nada do tipo.
Fácil, muito fácil falar.
Não foi difícil encontrar Wade. Ao contrário, ele estava em frente a loja de brinquedos, segurando uma variedade de balões coloridos. Havia também uma faixa pichada com spray um “Feliz aniversário”.
— Hoje não é meu aniversário. — Peter falou, sentando em cima de um poste de luz. — E hoje eu também não estou de bom humor.
— O que? — Deadpool soou como se estivesse ofendido, levando a mão até o peito. — Você não se lembra de que dia é hoje?
— Não. — Peter respondeu. — E não me interessa.
— Mas você recebeu meu bilhete, não recebeu? — Deadpool caminhou em direção ao poste, soltando os balões de ar que flutuaram para cima. Ainda parecendo ofendido com o esquecimento do Aranha.
— Qual? Aquele cara amarrado no pé da minha escada, escrito na camisa dele que era para eu te encontrar aqui e vir sozinho?
— Esse mesmo.
— Você é um babaca. — Peter saltou até o chão. — Se era para eu vir aqui sozinho, então me diz porque você chamou a atenção da cidade toda?
— Eu não chamei. — Wade estava de máscara, era verdade, mas Peter poderia imaginar o cinismo em sua expressão. — Não seja grosseiro, eu estou tentando criar um clima aqui para a gente comemorar nossa data.
— Me fala logo qual é a palhaçada dessa vez. — O Aranha afastou-se, quando Wade chegou próximo demais. — Logo mais teremos companhia, e você tá devendo uma para o Stark, não vai querer ver ele chegar aqui para te... — Peter olhou para Wade. — Como é? Nosso aniversário?
Deadpool ergueu o dedo, pedindo um segundo para que ele pudesse pegar alguma coisa na barraquinha de algodão doce que estava em frente a loja de brinquedos.
— Hoje faz um ano que nós dois nos emaranhamos na sua teia e caímos de um prédio de trinta andares. — Wade entregou um algodão doce para Peter. — E mais ou menos quarenta e duas horas desde a nossa última disputa.
— Você está comemorando as datas que nós lutamos? — Peter segurava o palito com algodão doce, enquanto Wade subir no cavalinho do Carrossel que a loja de brinquedos promovia. — Não me diga que você anota em um calendário todas as nossas brigas.
— O que tem de mais em ser um pouco saudosista. Vem, sobe aqui. — O carrossel começou a girar, tocando sua típica música de parque. — Weeee.
Peter ouvia o helicóptero e o burburinho da multidão do lado de fora. Que coisa mais bizarra era aquela. E ele não acreditava que estava subindo mesmo no carrossel com Wade. Peter balançou a cabeça, sentado em cima de um cavalo vermelho, com pisca pisca no rabo, em frente ao cavalo rosa que Wade estava sentado.
— Ah! Spider, tem mais uma coisa. — Deadpool saltou do carrossel. Peter olhou para o rabo do cavalo, ele estava piscando cada vez mais rápido, até que. Boom!
Peter chegou em casa, depois de passar alguns dias de molho na ala médica da torre Stark. Ele jogou a mochila no sofá rasgado de dois lugares, e sentou, relaxando os ombros. Ainda sentia um incomodo cada vez que movia o braço. A explosão do cavalo vermelho poderia ter sido pior, ou melhor, ela foi bem ruim. Mas Peter conseguiu saltar na hora certa.
O problema era aquele zunido no ouvido.
Ele conseguiu juntar forças para se levantar e tomar um banho. Quando entrou no banheiro, encontrou um bilhete escrito com batom no espelho. Peter encostou na porta do banheiro, sentindo aquela dor no ombro.
Te encontro no Central Park, vá sozinho ;*
Notas finais
Beijocas.
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