Notas iniciais
Primeira oneshot de Arrow. Nunca escrevi nada sobre a série, é a primeira vez também.

O dia já amanhecera lá fora. Mas, dentro do quarto, ainda era noite. Thea dormia como um anjo. Mas, Roy não pregara o olho.

Sentado na cama, pousou a cabeça nas duas mãos, apoiando-se nas coxas. O coração estava acelerado, a cabeça à milhão. O corpo estava pesado, dolorido. Caminhar até o banheiro era um esforço a mais ao corpo machucado. Interior, exterior... Tudo.

Desceu à cozinha, e colocou café na xícara. Não sentia fome, nem sede. Mas, forçou a bebida garganta a baixo.

O dia chegou, afinal. Tentou aproveitar o último mês o máximo que pôde. Era incapaz de decidir o que mais gostou de ter feito. Se foi ir ao parque, passar o dia comendo burritos ou se foi as noites que passou acordado, vendo filmes, com ela.

Tentou esquecer todos os dias. Precisava estar forte, precisava de toda a força que conseguisse. Terminou de beber a última gota do café, e pousou-a na mesa. Eram 6:15. Faltavam 12 horas.

Manteve a expressão feliz que ostentava durante o último mês – desde que recebera a notícia – e voltou para o quarto. Sentou-se na cama, como se ainda fosse um dia qualquer, e esperou até o momento que ela abrisse os olhos. Quando, finalmente, aconteceu ele estava sorrindo para ela.

_Roy... – ela gemeu, rouca e espreguiçando-se.

_Bom dia, Queen .

_Que horas são?

_6:30, acho. – respondeu, de bom grado, dando-lhe beijos pela bochecha e pescoço.

_E o que faz acordado a essa hora? Eu estou morta de cansaço – comentou, virando-se para deitar no peito do namorado.

Roy sentiu o peito ardendo em chamas, mas não podia dizer nada. Isso o machucava mais por dentro, e doía tanto não poder deixar a dor transparecer. Era uma tortura.

_Seu irmão me pediu ajuda hoje. Vou cedo pra lá – mentiu, levantando-se da cama. Roy, sempre que mentia, afastava-se de Thea. Era uma dor imensa mentir para ela, mas não queria machuca-la. Não queria que ela soubesse. – Imaginei que quisesse ir também.

_Claro, aconteceu alguma coisa? Com Felicity? – perguntou, levantando-se também. Tudo que tratava de Felicity ou do bebê, era de grande importância para Thea.

_Não, eles estão bem. Nós só vamos lá.

Roy abria o guarda-roupa, atrás de uma roupa decente, quando Thea o abraçou. Com o coração apertado, retribuiu-lhe. Quando beijou o topo de sua cabeça, sentiu o cheiro do seu cabelo, Roy sentiu a pontada no peito aumentar. A língua se debatia entre os dentes, querendo soltar o que estava acontecendo, mas não podia.

Thea soltou-se, e com um sorriso discreto, afastou-se. Roy ouviu o banheiro do chuveiro sendo ligado, e tomou a deixa.

Desceu à sala, pegou caneta e papel e olhando fixamente para a janela, decidiu o que iria fazer. Não poderia deixar Thea impedi-lo. Mas, poderia avisá-la.

Rabiscou 1, 2, 3 papéis. Até conseguir escrever uma boa. Achou que ficou parecido demais com um bilhete, e caprichou no final. “Eu amo muito você, Thea. Sempre amarei”.

Guardou a carta no bolso, dobrada, e subiu novamente. Thea já se secava no quarto, nua. Roy não pode deixar de sorrir. Sentiria tanta falta dela...

_Vou preparar o café – ficando na ponta dos pés, deu um beijo nos lábios do namorado, e saiu, deixando Roy mais uma vez sozinho.

Estava com tudo pronto para a noite. Quando a hora chegasse, estaria pronto, com tudo no seu devido lugar.

Prometera a si mesmo que era a última vez que faria.

Thea preparou um café da manhã digno de rei. Roy agradeceu à ela, elogiando cada mordida e cada gole que dava. Ela apenas ria.

Vestira uma calça jeans e uma camiseta, pegando um casaco vermelho por cima. Eram 10 em ponto quando saíram de casa, decididos a passar em uma loja de artigos infantis, e levar algo para o sobrinho. Thea se empolgava quando o assunto era o futuro bebê do irmão, e a cada semana, comprava algo novo.

Demorava a escolher, babando em cima de cada roupinha, de cada brinquedo, de cada móvel... Mas pela insistência de Roy, levou um ursinho hipoalergênico, que ela vira assim que entrou na loja.

Roy não ligou o rádio na ida até a casa de Oliver. Thea não percebera que o namorado estava mais triste, desligado hoje. Apenas tagarelava como o habitual, e Roy respondia o mínimo.

Felicity estava sentada, numa espreguiçadeira, no jardim. Oliver estava sentado ao seu lado, contando alguma história engraçada – a mulher estava rindo.

Thea e Roy entraram, sem prévio aviso, e Felicity levantou-se com dificuldade para recebê-los assim que percebeu a chegada.

_Estamos construindo uma casa a mais pro bebê, Thea. Quem sabe assim haverá espaço para guardar todos os seus presentes – Oliver anunciou, quando viu a embalagem na mão da irmã.

_Não seja chato, Oliver. Aposto que o bebê está amando ser mimado – ralhou Felicity, dando um abraço breve na cunhada.

Roy cumprimentou Oliver. Os olhos do homem estavam focados nos de Roy, e a mão que segurava a sua, apertava muito forte.

Ouviu a voz de Thea se afastando, e a risada de Felicity ficando cada vez mais baixa. A porta bateu com um baque. Estavam sozinhos no jardim.

_Roy... – começou Oliver, mas o jovem o interrompeu.

_Sim, estou indo. Eu preciso ir.

_É suicídio.

necessário – sibilou, olhando nos olhos do cunhado.

_Thea sabe? – Oliver perguntou, após algum tempo.

_Não... Eu vou avisá-la hoje à noite.

_Roy isso é loucura! Estupidez. Você não é mais aquele que era antes. Antes de Thea. Aonde está escrito que você é obrigado a fazer isso?

Roy virou a cara. Estava cansado de receber ordens e conselhos do cunhado. Eram obrigações tudo o que Oliver dizia. Ele não entenderia se fosse explicado. Roy tinha de ir e ponto.

_Tudo bem... – Oliver começou, com um grande suspiro – Mas eu não vou permitir que você magoe a minha irmã.

Felicity, mesmo com uma barriga enorme de 6 meses, ainda fazia tudo o que tinha direito de fazer em casa. O almoço fora preparado com todo o zelo por ela, e Thea foi impedida de ajudar em qualquer coisa.

_Não quero me sentir incapaz –argumentava Felicity.

_Até quem não está grávida precisa de ajuda, por favor...

Mas ela sempre negava.

Eram 3 da tarde. Thea e Felicity estavam discutindo sobre a cor do quarto do bebê – que os pais insistiram em descobrir apenas no parto. Permaneci o tempo todo sentado no sofá da sala, fingindo rir das piadas e concordar com o que diziam.

Elas subiram para o quarto – futuro quarto do bebê – e Oliver ficou a me olhar, apreensivo. A atmosfera me prendia àquele olhar, desesperador.

_Oliver – pedi, olhando-o de volta.

_Eu vou com você. – concluiu, como se viesse pensando nisso há tempo.

_Não! Ficou louco? – Roy exclamou, levantando do sofá – Você vai ser pai daqui a pouco tempo...

Os olhos de Oliver eram fixos no cunhado, sério. Roy argumentou por minutos, enquanto o homem à sua frente mantinha o silêncio.

Roy tirou do bolso a carta. Olhou-a por alguns segundos, até entrega-la.

_Entregue isso à Thea, assim que bater 18 hrs. Por favor – pediu, agitado.

Oliver recolheu a carta, e girou na mão, olhando cada pedaço. Assentiu um tempo depois, guardando-a em seu bolso.

Quando o relógio atingiu a marca de 17 hrs, Roy soube que era hora. Saiu da casa sem se despedir de Oliver, Felicity ou até mesmo Thea.

Tirou o carro da garagem, e saiu, olhando repetidas vezes para trás, para a casa, mas ninguém saiu para ver. Não tinham ouvido, e isso era bom.

Passou em casa e pegou a bolsa onde guardara tudo, uma semana antes. O grande dia chegou. Seu peito inflou, a cabeça doía. Seus joelhos cederam, e os olhos não suportaram as lágrimas que o inundaram.

Reunindo as forças que lhe restavam, pegou a bolsa, e dirigiu-se à esquina da rua.

O carro passou, a porta se abriu. A única coisa que Roy viu foi o sorriso podre malicioso que o convidava a entrar. E ele obedeceu.

_Oliver – Thea desceu às escadas, correndo. – onde está o R...

A sala estava vazia. Na cozinha não havia ninguém. Thea caminhou até o jardim, sentindo o medo encher-lhe o peito. Vazio.

Voltou à sala, onde encontrou dois pedações de papel. Duas cartas.

Sentada, começou a ler a primeira, que estava mais amassada. A letra era de Roy. Thea se agoniou.

Thea

Imagino o ódio que você vai sentir de mim ao terminar de ler essa carta. Desde já, quero me desculpar. Eu precisava fazer isso. Fui contatado há um mês, avisado desse dia, e eu não poderia recusar. Se eu recusasse, tirariam você de mim. Estou indo, na esperança de voltar, mas lembre-se: se eu não voltar, quero que recrie sua vida, reescreva sua história, e apague tudo o que me lembrar da sua memória. É suicídio? Talvez. Há anos atrás eu entrei nisso, e não podia sair novamente. Não é um caminho que se entre e se pode voltar, quando quiser. Me desculpe.

Eu amo muito você, Thea. Sempre amarei.

Roy

Os olhos estavam inundados, as lágrimas que escorriam por seu rosto, deixavam pingos sobre a carta. Ela puxou a outra, o coração mais apertado ainda quando leu a letra de Oliver.

Anos atrás, quando encontrei Roy, sabia o futuro que ele teria. Quando Thea se apaixonou por ele, então, percebi que eu estava incumbido de protegê-lo. E é o que faço até hoje. Ou, pelo menos, tento. Se eu conseguir fazer com que ele mude de ideia, voltarei para casa com ele ainda hoje. Se não, peço desculpas. Sempre amei vocês duas. E nunca vou deixar de amar. Estou indo com ele agora, mas sempre estarei com vocês. Onde quer que eu esteja, que Roy esteja, estaremos levando vocês conosco. Lembrem-se de nós como nós sempre fomos.

Até

Oliver

Os gritos que irrompiam da garganta de Thea, não eram suficientes para exclamar a dor que ela sentia. Felicity desceu às escadas correndo, assustada. Sentiu o coração parar por dois segundos, ao ver Thea na situação que estava.

_Thea, onde está Oliver? – perguntou, começando a sentir o desespero tomando conta do seu ser.

A menina pousou a cabeça na mesa, entregando a carta à Felicity.

Talvez a dor tivesse sido maior, se Thea não soubesse que esse dia chegaria. Uma vez dentro, sempre dentro. A perda seria pior, o choro seria maior, mas o coração sabia. Não era pra ter sido, durado tanto tempo.

O sorriso de Roy se apagava em sua memória, sempre que ela pensava aonde ele pode estar naquele momento. Não o via armado há tanto tempo. Decidira parar ao morar junto de Thea. Quantas vezes Roy fugira e Thea o resgatara? Era a última vez, afinal. Última e única vez. Talvez nunca mais voltaria a vê-los de novo. Pensar isso, machucava. Por dentro, por fora. Lhe restava o medo, a solidão, a dor. E a força que a regia por dentro, sabia, vinha dos dois.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!