Red Line

1 Capítulo 1 - Paginas em Branco


Capitulo 1

As pilhas de caixas se espalhavam pela casa em uma enorme bagunça organizada, fazia dois dias que a mudança terminara e apenas a cozinha foi o único cômodo totalmente arrumado, perto da pia uma mulher loira cantarolava enquanto prendia o cabelo em um coque e preparava o café, um barulho estridente do despertador lhe chamou a atenção, vinha do andar de cima, ela sorriu olhando pro teto ao escutar algo caindo.. No andar de cima três cômodos dividiam o espaço, no maior deles um pequeno despertador lilás vibrava e tocava sem parar no chão, uma jovem de cabelos negros ondulados se espreguiçava na imensa cama, ela estava envolvida pelo pesado edredom e olhava sonolenta em volta, a cama estava repleta de bichos de pelúcias de vários tamanhos, ela se desenrolou do edredom e caminhou ate o banheiro ajeitando as ataduras em volta do pescoço.

“– É melhor levantar logo...” – Olhou para a estante de mogno com um console de game e suspirou ao se lembrar da promessa feita ao irmão “– Vamos antes que desista...”

A mulher sorriu ao escutar os passos mais rápidos, sabia que ela logo desceria as escadas, alguns minutos a escutou descer as escadas e se virou sorrindo

– Bom di... Você vai assim?

A jovem vestia uma calça jeans, tênis all star e uma blusa de banda em corte canoa, por baixo uma blusa de gola alta preta, ela trazia em uma das mãos a bolsa repleta de zíperes de metal, a jovem a olhou espantada e em seguida olhou em volta tentando descobrir por que tamanho espanto.

– O que foi Elise, ta sujo?

Elise revirou os olhos, era bem dela mesmo e não adiantava falar nada a conhecia bem, se virou suspirando pegando uma garrafa de suco.

– Bem vamos comer... – Ao se virar a viu apegando uma maça, prendendo-a na boca antes enquanto acenava se despedindo. – Mas... Cris. – Antes que pudesse falar algo à porta foi fechada, em cima da mesa apenas um pequeno bilhete.

“ Faz carne assada???”

Ela sorriu e desviando os olhos para a janela que dava pro quintal, viu-a pegando a bicicleta, retirando a blusa e a guardado na bolsa depois indo em direção ao parque em frente à rua, mas antes parou para ajeitar a gola suspendendo mais ate a curva do rosto, escondendo todo o pescoço, em um movimento impensado Elise tocou o frio vidro da janela com uma expressão de visível preocupação e tristeza.

O brisa fria da manha que tocava-lhe face e levava as folhas e flores juntamente com o silencio do parque lhe dava uma sensação de paz, que tudo ia dar certo, ela se permitiu um leve sorriso enquanto pedalava pra a saída do parque. Olhou a rua, não havia um movimento muito grande de pessoas, olhou em frente para o imenso muro branco que cercava a escola que fora transferida, antes de seguir pela rua ela olhou para o parque, que foi a maior influencia para a escolha da casa e da escola, os Ypes, as fontes e o vasto tapete verde lhe lembravam a casa principal da fazenda onde passou parte da sua vida. Na entrada uma placa em dourado mostrava o nome da escola, “Instituto de Educação Claude M.”; seu irmão insistia tanto naquela escola que a deixara curiosa, um imenso pátio arborizado se estendia ate o prédio principal havia um bicicletario na entrada, ela caminhou olhando desconfiada enquanto tirava blusa da bolsa, o pátio devia estar repleto de alunos mas não havia ninguém, nem vozes...

– Cadê todo mundo?

Havia varias bicicletas presas, ela passou a corrente e quando ia por o cadeado sentiu a presença de alguém, “– Acalme-se...” – pensou respirando fundo e rapidamente se levantou virando o corpo elevando o cotovelo, mas sentiu o pé prender em algo e perdeu o equilíbrio se chocando com alguém indo para direto no chão levantando poeira, tossiu sentindo o rosto queimar de vergonha e olhou pra o pé, o cadarço do tênis estava desamarrado e enrolado em ambos os pés, “– Aff...”, ergueu o olhar ao ver uma sombra se aproximar, um rapaz de cabelos loiros repicados com as mãos nos bolsos da calça jeans rasgada nos joelhos, a encarava com imensos olhos verdes.

– Oi...

Ela lhe estendeu a mão, mas o rapaz se virou seguindo seu caminho. Sentiu o rosto queimar, um misto de raiva e vergonha e em ato explosivo ela cerrou os punhos e arremessou a camisa na cabeça do rapaz.

– Ei ô cosplay de Dave Mustaine!!

Ele se virou olhando-a, vestia uma camisa de uma banda grunge por baixo de uma camisa de manga longa xadrez preta e cinza, arqueou uma das sobrancelhas quando falou em tom de irritação:

– Como?

– Não vai me ajudar?

Ele a encarava desacreditando no que ela falara e na peça em sua cabeça, se aproximou arrancando a blusa da cabeça com raiva, ela notou que o brilho de raiva nos seus olhos mudou subitamente ao observar a blusa em suas mãos, a jovem suspirou abaixando a cabeça conformada que não teria ajuda e ficou balançando o pé com o cadarço pendurado.

– Droga...

– Anda menina insolente.

A voz rouca extremamente próxima a fez levantar a cabeça, ele estava a sua frente, com os olhos nela e a mão estendida, antes que ele mudasse de idéia ela agarrou a mão levantando.

- Obrigada...

Balbuciou limpando a calça, olhou rapidamente pra ele e o viu com os braços cruzado encarando-a com um discreto sorriso, quando terminou de se limpar estendeu a mão pedindo a blusa de volta, mas notou que agora a encarava de baixo a cima, ela sentiu o rosto queimar e quando pensou em ter que arrancar a blusa das suas mãos ele a jogou falando em um tom de voz baixo:

– Pelo menos tem bom gosto.

– Hã? – Ela o olhou e o viu fazendo um sinal apontando a blusa – Você também mesmo que não seja o meu estilo preferido, são muito bons... Mas dar um tiro na própria cabeça aos 27 anos é meio dramático – disse apontando pra camisa dele, que parecia surpreso ou impressionado com o que ela falara.

– Qual seu nome? – Ele lhe sorria ao perguntar

– Cristina!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.