Red Lightning/The Flash
2 Capítulo 1 - Perdas.
Desde a primeira vez que nos encontramos, ele aparece sempre no dia 16 de abril, às seis horas da tarde, a data e hora do meu nascimento.
Isso aconteceu durante dez anos. Dez anos de puro tormento e sofrimento, e no meu aniversario de 15 anos eu sabia que ele viria novamente.
Ele sempre me disse para não falar nada para os meus pais pois ele os mataria se eles soubessem, porém, arrisquei e contei tudo. Já nao aguentava 10 anos de perseguição e paranóia e contei tudo.
Como eu sabia que eles não acreditariam só nas minhas palavras, pedi para que eles se escodessem no meu armário e olharem com seus próprios olhos. A princípio eles não concordaram mas falei que se eles ficassem pelo menos 10 minutos. Disse todos os problemas que aconteceram comigo seriam explicados.
Pedi que por tudo que fosse mais sagrado, que não importasse o que acontecesse comigo, para eles não sairem do guarda roupa.
Se passaram os 20 minutos e ele apareceu, dessa vez com seu corpo mais envolto de raios laranjas do que o habitual.
Ele parecia cansado e sussurrava coisas que eu não entendia, nem se quer parecia prestar atenção em mim. Olhei para o armario e vi pelas fresas do guarda roupa, o olhar de medo de meus pais. Balancei a cabeça sinalizando para que eles nao fizessem nada.
O homem de preto apenas me pegou pelo braço me levantando e dizendo:
— Hoje é seu último dia.
— Como assim? – perguntei confuso.
— Que pena, chegou muito rápido. Queria apreciar mais minha brincadeira antes de ter que matar você.
Nessa hora meu pai sairam do armário gritando.
— Solte meu filho agora, seu monstro!!!
O estranho homem olhou para eles e virou seus olhos para mim e disse:
— Eu falei para você que se você os avisasse, eu os mataria.
Nesse momento senti as lágrimas quentes rolando pelo meu rosto e implorei:
—P-por favor... Não... Não...
De repente, senti um forte estrondo e todas as luzes da casa se apagaram.
Lembro apenas que vi um raio vermelho entrando pela minha janela me tirando das mãos do Homem de preto e me levando para longe dali (3 quarteirões pra ser mais exato). Voltei correndo para casa me forçando a pensar que estaria tudo bem.
Chegando na minha casa, vi que ela estava pegando fogo, como não conseguia mais raciocinar e só pensava em como meus pais estavam, entrei pela janela nela sentindo o chão quente e pequenos cacos de vidro machucando meus pés.
Subi a escadas e quando cheguei no meu quarto, vi minha mãe morta e meu pai muito machucado encostado em uma parede. Fui até ele é disse:
— Pai, você vai ficar bem, vamos por favor! Pega a mamãe e vamos sair daqui.
Ele apenas me olhou e disse:
— Roan você ficara bem. Agora sai daqui, eu não vou durar muito. Saia antes que a casa desabe... Eu sei que você fara grandes coisas no futuro meu filho, nunca perca essa bondade no seu coração.
Dizendo isso, seus olhos se fecharam e sua mão caiu no chão. Não se ouvia mais nada além do som das chamas envolvendo a casa.
Acabei desmaiando do lado do meu pai e quando recobrei os sentidos, estava sendo carregado por um bombeiro para fora de casa.
Me lembro até hoje das chamas comendo a minha casa. Porém, quando olhei para a janela, a mesma que eu havia quebrado para entrar, lá estava o homem de preto me olhando. Mesmo enxergando apenas seus olhos, conseguia ver o desprezo neles.
Com raiva, descontrolei e gritei, tentei entrar novamente mas os policiais e bombeiros me impediram e me sedaram.
Quando acordei novamente, estava numa cama de hospital. Ao me ver acordado, a enfermeira chamou dois policias que entraram sem cerimônia. Me fizeram algumas perguntas e lhes contei toda a historia.
— Isso é tudo garoto? – perguntou o policial mais velho.
— Sim, é tudo. – Respondi friamente.
Ambos se olharam e o mais novo apontou em direção da porta.
Eles saíram e fecharam, porém deixaram uma pequena fresta aberta que me permitiu ouvir a conversa:
— Esse garoto esta fantasiando muito hahaha. – Falou o mais velho.
— Você acha que foi ele que matou os pais?
— Não, ele é só um garoto, não conseguiria fazer aqueles cortes profundos sozinho.
— Temos um caso de assassinato então?
— Talvez, melhor levarmos isso para a delegacia.
Depois que eles foram embora, fiquei pensando no que aconteceu e no porquê de só eu ter sido salvo e porque aquilo estava acontecendo comigo. E até mais importante, por que o Homem de Preto me atormentava por todo aquele tempo se era só ele me matar pra resolver tudo. Havia algo muito importante que eu deveria saber, e que eu precisava e iria descobrir.
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