Red Ice Klaroline
13 Capitulo 13 - Unconditionally
Notas iniciais
"So come just as you are to me
Don't need apologies
Know that you are a worthy
I take your bad days with your good
Walk through this storm I would
I'd do it all because I love you
I love you"
(Unconditionally /Katy Perry)
*** Klaus ***
Eu demorei no banho de propósito. Eu sabia que ela precisava de tempo para pensar sobre o que tinha acontecido aquela noite. Eu podia, agora que ela parecia normal, encara-la e pergunta se ela tinha ficado maluca na noite anterior, mas eu gostei do jogo dela e se ela quisesse repetir eu estaria super disposto a cooperar, então era melhor não questiona-la.
Eu percebi que haviam alguns fios de cabelos loiros grudados no meu corpo enquanto eu me enxugava e a dona deles estava batendo na porta impaciente. Eu abri, mas ainda não estava vestido, ela tentou ignorar isso.
–É absurdo que você demore mais no banho do que eu.
–Da próxima vez tome banho comigo.
–Você pode sair do banheiro agora?
Eu olhei pra ela, enrolada no lençol, e ri porque não havia nada ali que eu não tenha visto e era ridículo ela me querer fora dali agora por algum tipo de pudor. Ela pareceu entender o motivo do meu sorriso.
–Eu preciso de um pouco de privacidade. Você acha que é fácil estar trancada em um lugar onde você está por toda parte?
–Ah..ok...eu esqueci que forço minha presença a você e forço todo o resto...
Eu estava colocando o roupão e saindo quando ela quase gritou:
–Espera!
Eu me virei esperando que ela continuasse.
–Ontem eu achei que estava sonhando....eu estava irritada, quer dizer eu ainda estou irritada. Eu li os livros e dormi exausta e então eu sonhei e de repente lá estava você. Eu não queria realmente ter feito aquilo, eu não sou do tipo que fica altamente influenciada quando ler esse tipo de coisa, mas eu acho que...
Ela parou e me olhou e foi fazendo aquela cara deliciosa que ela faz quando está muito puta por algo que fez e se arrependeu:
–Porque você está com essa cara, Klaus?
–O que tem a minha cara?
–Cinismo! É isso que tem! Você está sendo cínico. E ontem você se aproveitou da situação e sinceramente você deve ser doente, porque você tinha acabado de passar a noite comendo aquela loira sem graça e ainda veio pra cima de mim daquela maneira.
Eu ri. Realmente não deu pra segurar o riso. Ela foi ficando ainda mais deliciosamente furiosa. Eu segurei o riso e respondi fazendo todo o esforço do mundo pra isso soar como algo sério:
–Eu não passei a noite com a Cami. Eu estava em uma reunião de negócios. Entenda, nem todos os vampiros são ligados em datas comemorativas como Elijah. E eu não estou sendo cínico...eu vou ser inclusive extremamente sincero no que vou dizer a você agora. Ela me olhou, os olhos mudaram de zanga pra curiosidade e então impaciência. Eu acho que você devia sonhar assim comigo mais vezes.
Eu segurei o braço dela antes que ela pudesse jogar o meu perfume favorito em minha direção. A proximidade do gesto parecia perturbar tanto a ela quanto a mim. E olhei nos olhos dela, segurando o rosto pra que ela não desviasse o olhar:
–Diga que foi ruim, Caroline. Diga que essa não foi a sua melhor noite de Valentine's Day. Diga que não gostou, que não gozou, que eu fiz tudo errado.
Ela fechou os olhos e suspirou...eu alisei o rosto dela, uma mecha do cabelo, os lábios...eu estava pronto pra fazer amor com ela ali de novo, se ela quisesse e ela sabia disso porque apenas abriu os olhos e disse:
–Não, você não fez nada errado. Provavelmente essa é coisa que você consegue fazer de melhor na vida e é até mais eficiente do que quando você estraçalha seus inimigos.
Meu telefone tocou em cima do balcão e ela olhou.
–É Elijah, atenda, deve ser importante.
Eu olhei pra ela e acho que ela percebeu que eu iria jogar o telefone pela janela, porque ela atendeu rapidamente:
–Oi, Elijah. Sim sou eu. Ele está aqui sim e vai falar com você agora.
Ela botou o telefone na minha mão e foi me empurrando de porta afora enquanto eu resmungava um "alo" pra o meu irmão e então ela fechou a porta do banheiro.
*** Caroline***
Eu havia tomado aquele que eu considerei o melhor banho do mundo porque tinha conseguido me acalmar e organizar as minha ideias com clareza. Não, eu não queria admitir que estava calma porque tinha transado com ele loucamente na noite anterior porque ele não me acalmava. Eu me senti mais leve depois do banho e fiz uma lista mental das coisas que eu deveria fazer hoje e no topo da lista estava ligar pra minha mãe e ter uma longa conversa com ela cheia de pedidos de desculpas....mas ok, talvez eu devesse colocar isso no fim da lista.
–Caroline Forbes!
A voz de Rebekah cortou a sala e Klaus cortou o ar entre nós duas logo em seguida, se posicionando entre mim e ela. Ele olhava para ela ameaçador.
–Olá Rebekah. Eu respondi.
Klaus ainda se posicionava entre nós olhando-a fixamente como uma animal a espreita da presa.
–Niklaus, você realmente não vai me permitir cumprimentar Caroline?
–Um passo a frente e você morre, Rebekah. E você sabe que estou falando sério.
–E você sabe que eu não seria burra de tentar mata-la. Mesmo que você tenha feito isso com todas as pessoas que eu já amei, Niklaus eu não acho que tenha que matar Caroline pra te castigar. Eu acho que você ama-la já é castigo bastante.
Eu não tive tempo de refletir se devia considerar as palavras de Rebekah realmente um insulto; Elijah entrou na sala e percebeu a tensão no ar. Mas ela agia como um diplomata caminhando lentamente como se estivesse vendo o quadro mais natural do mundo e não uma quase batalha sangrenta.
–Então temos aqui uma reunião de família!
–Elijah, por favor explique para Niklaus que não vim matar Caroline.
–Claro que você não veio, Elijah respondeu.Nós estamos protegendo Caroline Forbes e os inimigos dela são nossos inimigos.
Era como se Elijah quisesse esconder de Rebekah o fato de que Klaus e eu...bem...esconder que havia um "nós dois". Mas ela me pareceu saber disso desde que me cumprimentou.
–Veja Caroline, os homens dessa família me acham burra. Elijah está querendo me convencer de que você está aqui porque meu irmão decidiu ser bom para os habitantes de Mystic Falls e lhe dar abrigo. Ele acha que não sei que Nik ama você, assim como sei sobre ele e a Hayley. Mas acostume-se, nessa família, mulheres são sempre subestimadas.
Eu percebi um vislumbre de algo que não sei definir o que era, nos olhos de Elijah quando ela citou a Hayley. Rebekah continuou:
–Eu vim aqui para ajudar no que for preciso com esses vampiros que estão causando problemas. Eles cometeram a insanidade de profanar o solo sagrado de Mystic Falls e quase mataram alguém de quem eu prezo muito a vida.
–O Matt? Eu devo ter gritado isso. Eu dei um passo em direção a ela mas Klaus me segurou e me abraçou quando percebeu que eu estava tremendo. Eles machucaram o Matt? Perguntei.
–Não se preocupe, ele já está bem. Eu fiz questão de verificar pessoalmente....Percebeu Nik, que agora é questão pessoal? Sem ofensas Caroline, eu não me importo com a sua vida, mas eu me importo mais do que devia com a vida do Matt e tudo isso simplesmente não é e nunca foi justo pra ele.
–Ela tem razão Klaus, eu disse olhando pra ele, tentando relaxar a posição protetora que ele assumia enquanto me abraçava. Eu acredito nos seus interesses Rebekah e eu concordo com você que o Matt já pagou por muitas coisas que ele não devia. Eu aceito sua ajuda.
Klaus me olhou em total desaprovação.
–Se você tentar algum tipo de gracinha Rebekah.... a ameaça estava implicita no tom de voz dele.
Rebekah sorriu e me estendeu a mão, eu estendi a mão a ela sabendo que Klaus observava milimetricamente cada movimento nosso.
–Bem vinda a família. Esqueça sua experiência de lar tranquilo com a Xerife Forbes, nós não somos nada como uma família funcional. Na verdade, mesmo quando não éramos vampiros, éramos estranhos.
–Eu acho que todas as famílias são estranhas quando olhamos de perto.
Apertamos as mãos e Klaus olhou pra Elijah e pela troca de olhares entre eles eu percebi que eles continuavam julgando a Rebekah . Eu nunca tive irmãos, mas eu acho que as coisas são assim quando se tem uma grande família. Há sempre o elemento mais fraco, o duvidoso, etc. Provavelmente tinham feito isso a vida inteira e fariam para sempre porque eles eram, assim como eu, imortais. E eu não poderia percebe-la como eles a percebiam porque eles eram da mesma família. Uma família grande, poderosa, peculiar, perigosa. E de alguma estranha forma eu estava começando a fazer parte disso.
Klaus continuava inquieto e resolveu me tirar de casa, segundo ele, estava na hora de eu conhecer o verdadeiro lar dele. Claro que eu não entendi de primeira o que ele quis dizer com lar. Ele estava me levando para um tour pela cidade.
– Você sabe que eu poderia simplesmente me juntar a um desses tours que os grupos de turistas fazem por aqui não sabe?
Pelo segundo sónico que ele demorou a perceber que eu estava apenas brincando ele me odiou por ser capaz de compara- lo a uma guia qualquer de Nola.
– Vamos? Eu serei o seu guia.
Ele estava realmente levando aquilo a sério. O que era fofo. Dentro do que era possível para as limitações dele claro.
Já que estávamos brincando de turistas eu resolvi dificultar um pouco a situação e me divertir um pouquinho. Encontramos um grupo pequeno de turistas esperando uma guia, e eu disse que eles poderiam se juntar a nós, que eu tinha um guia particular e que eles não teriam que pagar nada por isso. O grupo era maioritariamente de origem asiática. Klaus não se intimidou nem um pouco com a brincadeira. Eu pensei que ele iria ignorar as pessoas e simplesmente continuar comigo, mas não. Ele estava preparado para dar um show. E eu não estou brincando.
– Meus caros senhores, algum de vocês estará em New Orleans apenas por um dia?
Alguns dos turistas responderam que sim. Klaus pediu que eles dessem um passo em frente aos outros e começou a falar.
– Para quem tem apenas um dia para visitar New Orleans, não tem nem o que pensar: O ponto certo a explorar é o French Quarter. Vocês não vão se sentir numa cidade americana e é justamente aí reside seu charme. Aqui, ele apontava e gesticulava conforme ia nos guiando através das ruas, é o coração da vida musical, intelectual e noturna na cidade. Ocupando uma área de seis por treze quadras bem no centro, estas ruazinhas com prédios antigos, balcões de ferro trabalhado, sobrados históricos, bares, restaurantes, casas de jogo, música em cada esquina e muita animação fazem a fama da cidade. O coração do bairro e ponto de partida para exploração da área é a pracinha Jackon Square que constitui a porta de entrada do French Quarter. Em torno da praça é difícil não encontrar músicos, estátuas humanas, cartomantes, mímicos, agenciadores de passeios turísticos pela cidade, e principalmente muitos turistas e suas máquinas digitais, ele apontou agora para as mulheres que aproveitavam a deixa para tirar fotos dele. E teve inclusive que negar tirar fotos com elas para não atrasar o “curso da pequena viagem”.
– Você, meu caro amigo, que vai embora amanhã pela manhã, ele se dirigiu directamente a um homem, como se ele realmente fosse um guia amigável e servil, eu ri, ele me olhou acusatoriamente, eu parei, e ele continuou.
– O que eu recomendo para você, ele passou o braço por cima do ombro do cara e sugeriu: Perca a inibição experimentando a bebida típica da cidade, o Hurricane, a base de rum com suco de frutas. Depois visite a House of Blues, para ouvir boa música. E no almoço conheça as famosas Bienville Oysters, ostras preparadas de acordo com uma antiga receita local. Se você for apreciador de uma boa partida, aproveite, aqui no Louisiana o jogo é legal, e por isso New Orleans também tem seus cassinos. Um dos mais populares é o Bally's, que funciona numa réplica daquelas antigas barcas com pás na popa, que cruzavam o Mississippi, era engraçado como ele parecia sonhador e nostálgico quando mencionava o passado da cidade. Eu ficava perguntando do que ele estava se lembrando enquanto contava e explicava aquelas coisas.
– Quem prefere ficar em terra firme pode tentar a sorte no Harrah's. Se o jogo não é sua praia, deixe o pessoal arriscando seus dólares enquanto você visita o New Orleans Museum Of Art, considerado um dos melhores do sul do país. Ou então esqueça os burguers com ketchup e batatas fritas e faça um lanche diferente no simpático Café du Monde, que foi inaugurado em 1862, e agora abre todos os dias. O item mais pedido de seu cardápio são os Beignets avec Café au Lait.
O carinha que recebeu suas dicas personalizadas para um dia, seguiu caminho, e me matou de rir quando deu uma gorjeta generosa a Klaus, que aceitou com uma cara de surpresa que eu nunca tinha tido o prazer de admirar. Era de facto um prazer poder vê lo assim, encaixando na vida real, de pessoas reais, vivas sabe? Era extremamente prazeroso vê lo falando com tanto gosto e entusiasmo do lugar. Dava de facto vontade de experimentar tudo que ele sugeria para cada turista em particular e pra cada pequeno grupo como um todo. Ele era muito bom guia. Eu voltei a me concentrar no que ele estava dizendo. Alguns turistas tinham ficado pelo caminho. Outros continuaram connosco, até decidirem o que iriam explorar.
– À medida que nos afastamos dos bairros históricos a semelhança com uma cidade comum americana logo reaparece. Delimitando o lado esquerdo do French Quarter está Canal Street, principal rua comercial do centro. Descendo por esta rua em direção ao rio Mississipi chega-se ao Riverwalk Mall, onde estão boas lojas e restaurantes. Ao seu lado está o World Trade Center, prédio com mirante no topo, de onde se tem uma boa vista da cidade e do rio. Caminhando no sentido oposto chega-se ao Duncan Plaza, um ótimo shopping, muito bem localizado. E logo após o mesmo está a principal arena de esportes da cidade, o Louisiana Superdome.
Um carinha com um inglês terrível perguntou quais os locais mais populares, ele queria escrever num bloquinho de anotações. Eu estava vendo a hora de Klaus sair do personagem, e jogar todos eles pro alto e perguntar o que eu tinha na cabeça, mas ele meio que parecia estar gostando. Eu não podia dizer com certeza. A voz dele ia se encontrando e se perdendo dos meus pensamentos, e eu perdia algumas partes das explicações.
–Entre os locais mais visitados da cidade estão a famosa Bourbon Street, o French Market tradicional mercado urbano onde estão cafés, restaurantes e diversas lojinhas, a Saint Louis Cathedral a catedral mais antiga do país, construída em 1794 e o pitoresco Voodoo Museum, Museu dedicado ao Vudú, prática trazida pelos escravos africanos, situado na Dumaine Street 724. Ao lado, vista aérea do Superdome, ao fundo o centro, mais adiante o rio Mississippi e à esquerda do centro o French Quarter. Quem quiser fazer compras e gosta de shoppings pode escolher entre o Lakeside Mall e o Esplanade, os dois melhores centros comerciais da cidade.
Com essa ultima sacada das compras, perdemos mais 6 pessoas do grupinho que ameaçava ficar cada vez menor conforme seguíamos caminho.
Os últimos 3 que continuavam connosco apenas esperavam a ultima dica, sobre musica, e Klaus satisfez a vontade deles.
– O jazz é a música oficial deste lugar. Andando pelo French Quarter pode-se ouvir várias bandas diferentes a medida que passamos de rua em rua. A maior parte das apresentações é feita à noite, mas muitos bares e restaurantes, para atrair clientela, tem bandas se apresentando durante todo o dia. Há desde grupos formados por semi-amadores até profissionais, informais e até mesmo desfiles protagonizados por músicos vestindo roupas típicas das antigas bandas de jazz. Quem gosta mesmo de jazz pode aprender mais sobre o assunto no New Orleans Jazz Nation Historic Park, situado na Canal Street 365. Aliás, um dos nossos costumes mais antigos é acompanhar procissões fúnebres com bandas de jazz.
Os últimos turistas do grupo agradeceram. E nos deixaram sozinhos seguindo o seu caminho.
Klaus fez uma pequena vênia pra mim, e bati palmas pela sua performance.
– E então? Como eu me sai?
– Você foi perfeito.
– Estarei ouvindo Caroline Forbes dizendo que eu sou perfeito? Foi isso que eu ouvi? Ele ficou olhando pro nada, e consultando pessoas invisíveis no ar antes de dizer:
– A multidão concorda. Eu sou de facto perfeito.
– Você é um perfeito idiota Klaus. Ele me beijou, ali no meio da rua, onde todos e qualquer um podiam nos ver. Para um casal normal isso não passava de uma trivialidade, mas pra um casal como nós, aquilo era algo muito significativo. Era tipo ligar o foda-se pro mundo, e para todos os problemas que provavelmente surgiriam depois. Eu o abracei com força, e beijei seu ombro.
– Eu te amo muito mais quando você não é um ser detestável Caroline Forbes, ele passou a mão pelo meu cabelo e me apertou em seus braços beijando a minha testa.
– Você continua sendo um idiota. Embora suas aptidões de guia tenham me seduzido e eu te perdoe. Eu afastei as mãos dele de mim antes que aquele carinho se tornasse indecente. Afinal ainda era de dia, e eu ainda era Caroline Forbes. Ele me deu mais um beijo, e fez uma trilha suave pelo meu pescoço que foi interrompida abruptamente e eu fiz um beicinho de decepção.
– Nós ainda não terminamos senhorita, ele se defendeu.
– Ainda tem mais para ver? – eu disse querendo terminar aquele tour em casa, no quarto para ser mais especifica.
– New Orleans é uma miniatura de mundo Caroline. Você não pode achar que já viu tudo. Ele me rodou como que dançando, e me abraçou por trás, quando eu vi que ele estava falando sério e uma carruagem apareceu na nossa frente. Nós íamos andar de carruagem pela cidade. Eu estava me sentindo a própria Cinderela, e dado nosso histórico de encontros que tinha dado certo já estava calculando quanto tempo demoraria pra carruagem virar abóbora e o príncipe lobisomem, literalmente. Mas isso não aconteceu. O passeio foi perfeito. Provavelmente a única memoria romântica e não sexual que poderia registar para a posteridade. Eu estava me sentindo feliz, e satisfeita quando nós descemos no Garden District pra explorar as ruas à pé. O bairro era bem bonito, cheio de carvalhos enormes e as casas históricas realmente lindas, vale a pena o passeio. Detalhe: muitas árvores cheias de colares de contas pendurados, que eles jogam durante o Mardi Gras. Eu não resisti e peguei um e coloquei no pescoço, Klaus riu lembrando de algo e eu pedi que ele me contasse.
Ele me contou que no primeiro Carnaval de Marcel na cidade, ele era pequeno ainda claro, e ele nunca tinha visto uma festa. Ele estava andando pela rua, e Marcel correu na frente, e quando ele voltou correndo de volta, ele vinha esbaforido com umas freiras muito chateadas atrás dele. Acontece que Marcel tinha achado que que as freiras eram pessoas fantasiadas, e ficou brincando de Carnaval com elas. Eles ficaram chateadas mas não podia fazer nada porque ele era só uma criança. Eu imagino que ver isso acontecer tenha sido muito mais engraçado que ouvir contado, porque Klaus estava realmente rindo muito tentando contar a história em meio a gargalhadas. Ele falava com orgulho de Marcel. De tudo que ele tinha feito na cidade, de como ele era um líder nato, e um comandante inteligente e justo. Eu podia sentir uma pontada de inveja manchando a admiração, mas eu sabia que aquilo era o melhor que ele podia fazer para colocar alguém no pódio que não fosse ele próprio. Ele realmente se orgulhava de Marcel. Um orgulho quase paternal. Ele se sentia responsável por Marcel, Marcel transformou a cidade que ele começou a construir numa cidade de festa eterna onde o comando é o poder. Eu podia imaginar ele falando do filho dele com a Hayley, exactamente do mesmo jeito que eu estava vendo ele falar do pequeno Marcel no seu primeiro Carnaval, e do Marcel adulto, depois de tantos anos. Como sempre que eu lembrava que Hayley estava esperando um filho a angustia bateu forte na minha alma e começou a raspar aquilo que seria um buraco de auto comiseração em breves momentos se eu não focasse em outra coisa que não fosse aquela criança.
*** Rebekah ***
Tyler estava furioso, eu tive que nocautea lo para tira lo da praça quando ele viu Klaus e Caroline entrando na carruagem juntos. Ele quase teve um colapso nervoso antes de começar a ficar com os olhos amarelos e eu prever que ele iria se transformar em lobo se perdesse o controle e tentasse ataca los, que era exactamente o que ele pretendia. Claro que eu queria que ele sentisse ódio. Eu precisava de um parceiro no crime, e eu precisava do primeiro hibrido. Klaus não perdia por esperar, e era apenas poético que o meu peão nesse jogo voraz fosse ser o grande amor da vida do grande amor da vida do meu irmão. Esse ciclo me agradava particularmente. Essa história estava me saindo melhor do que a encomenda. Eu ia esperar Tyler acordar e o deixaria lidar com a dor de corno dele sozinho. Afinal, eu apenas queria motiva lo a me ajudar, e com certeza, o passeio romântico de Klaus e Caroline pela cidade promoveu minhas intenções de um jeito nunca antes visto. Ele queria destruir Caroline pela traição, e Klaus, bom, apenas por ser Klaus. Não são de facto necessárias explicações quando se trata do meu irmão. Afinal não é pouca coisa que ele tenha matado a mãe do garoto e estivesse transando com a namorada dele. Eu não sei mais quantas coisas terríveis meu irmão possa ter feito para Tyler, mas eu estou certa de que foram muitas. Onde quer que vá klaus deixa um rastro de destruição, e Tyler estava marcado até a alma. Ele não tinha saída. No momento ele estava tão perdido, que qualquer caminho apresentado iria lhe parecer certo. E aqui estava eu, Rebekah Mickaelson, pronta pra mostrar o caminho fácil. Me ajudar a destruir Klaus e ser feliz. Eu não deixei claro que ele estava arriscando um pouco mais que a vida entrando nesse plano, mas não me parece que ele se importe muito com a vida depois de tudo que aconteceu, então manterei esse detalhe para mim mesma. Afinal, o que é uma mulher que não tem seus pequenos segredos?
Nada.
Ele acordou e nem sequer reclamou por eu ter quebrado a coluna dele em duas para o tirar do local. Ele apenas olhou nos meus olhos com determinação e disse:
– Eu vou destruir Klaus e quem estiver do lado dele, nem que isso seja a ultima coisa que eu faça nessa vida.
– E eu estou aqui para te ajudar Tyler. Talvez essa fosse de facto a ultima coisa que ele ia fazer na vida, mas não era culpa minha que ele não se importasse era? Ele estava oferecendo e eu estava aceitando. Nada mais justo no mundo. Uns dão outros recebem, é a lei da vida. Eu precisava ligar para a Olga para coloca la a par das novidades.
*** Klaus ***
Eu olhava Caroline de pés descalços, molhando-os no lago do City Park e queria poder pinta-la nesse exato momento. Eu tinha mostrado o museu pra ela e contado a história que eu sabia sobre as peças lá expostas. O parque estava quase vazio porque ainda não é época das férias escolares. Eu a observava balançar os pés na água quando de repente notei uma ruga de preocupação entre seus olhos. Sentei ao lado dela na grama:
–O que foi? Preocupada com a Rebakah? Caroline, eu não vou deixar que...
–Não. Não estou preocupada com a Rebekah...eu acredito que ela se importa com Mystic Falls, ela se importa como eu deveria me importar Klaus...minha vida toda está lá.
Algo em mim se inquietou com essa declaração dela e eu não consegui ignorar e não perguntar:
–Você não gosta de estar aqui? Você realmente pretendia ficar em Mystic Falls para sempre quando era humana?
–Pretendia. Sim, eu pretendia. Claro que eu queria sair, fazer uma faculdade, ter uma profissão, mas nunca sairia de lá. Sempre que eu pensava em casa e ter filhos, uma casa, um cachorro, um gato, um jardim. Sempre era em Mystic Falls.
Eu ergui a cabeça e olhei o céu sobre o City Park de Nola, porque eu sabia que se falasse o que eu achava sobre isso tudo iria magoá-la. Eu não entendia como alguém tão fascinante como ela podia ter sonhos tão limitados. Podia estar tão enraizada em uma cidade que não tem muito o que oferecer nem mesmo para turistas ocasionais. Eu gostava de Nola. Porque essa é a minha cidade, o meu reino, a sede do meu Império. E não se podia comparar New Orleans com Mystic Falls. Quando baixei a cabeça pra olhar o lago ela estava olhando pra mim, como se tentasse adivinhar o que eu pensava. Ela segurava o telefone.
–Eu acho que essa é uma boa hora de ligar pra minha mãe e pedir desculpas e dizer a ela que estou bem. Pode me trazer um hot dog daquela lanchonete pela qual passamos quando entramos no parque? É um jeito de você não ficar e ouvir uma conversa melosa de mãe e filha...
Eu a beijei antes de levantar e partir para minha importante missão de voltar ao inicio do parque pra comprar hot dog.
*** Caroline ***
Eu mal apertei a tecla de chamada e o meu telefone voou da minha mão quase caindo no lago. O primeiro pressentimento que tive foi que seria Rebekah e Klaus e Elijah estavam certos sobre ela, mas era Tyler que estava alí na minha frente e parecia furioso como eu nunca o tinha visto antes.
–O que você faz aqui Tyler?
–O que eu faço aqui, Caroline? Você quer saber o que faço aqui? Com certeza não é o mesmo que você. Eu não abandonei a minha cidade à dura sorte com os problemas que eu causei, para ser concubina do rei de New Orleans.
–Você não tem o direito de me julgar e nem eu tenho que dar satisfações a você do que eu faço ou não da minha vida. Nós terminamos lembra? E se bem me lembro foi uma opção sua. Mas pra mim agora não faz mais diferença.
–Você me mandou escolher entre o meu amor por você e o meu ódio pelo Klaus. Mas na verdade você já tinha feito a muito tempo uma opção por ele, só não tinha coragem de admitir porque até então você era digna. Você não era a puta que agiu como uma cadela no cio vindo procura-lo na cidade dele.
–Tyler o Klaus pode voltar a qualquer momento e ele vai matar você. Porque favor vá embora. Eu já causei muitos danos a Mystic Falls esses dias, eu não quero ser a responsável por sua morte.
–Você fala como se você se importasse Caroline! Mas tudo que você se importa é você mesmo.
–Vá embora Tyler!
O meu grito congelou no ar e eu paralisei completamente quando Klaus cortou o ar se lançando ameaçadoramente sobre Tyler. Ele não parecia em nada o homem que tinha saído daqui com a missão de comprar hot-dog, não era o homem com quem fiz amor a noite passada, nem mesmo a máquina de destruição que tentava me proteger de Rebekah essa manhã. Ele estava insano. Ele era uma fera. E eu vi a morte de Tyler nos olhos dele.
Estava tudo acontecendo demasiado rápido eu não sabia o que fazer para parar, minhas lágrimas começaram a rolar pelo meus rosto e meus soluços de agonia perante aquela cena se intensificando me impedindo de respirar.
– Por favor Klaus, não faz isso. Por favor pára. A minha voz soava demasiado esganiçada, demasiado sem controle, por favor. Se você o matar você vai estar matando a mim também. Ele parou por um segundo e jogou Tyler longe, que embateu no chão com um saco de cimento, eu pude ouvir alguns dos seus ossos quebrando e fiz um esgar e dor por ele.
– O que você disse Caroline?
– Por favor, deixa ele em paz. Você já tirou o suficiente da vida dele, você não pode também mata –lo. Por favor. Eu estava de joelhos no chão, do lado de Tyler pedindo pela vida dele como se a minha vida dependesse disso. Eu sabia que era pedir muito, mas era o único jeito de tentar salvar o Tyler. Klaus estava disposto estraçalha lo de vez.
Ele se aproximou da gente, furioso, e eu continuei com o pior discurso da minha vida.
– Quando você ama alguém essa pessoa passa a fazer parte de você, se você fizer alguma coisa com ele, eu nunca vou conseguir superar. Ele é o meu amor, ele o homem com quem eu partilhei meus sonhos, planeei meu futuro, partilhei a minha infância e adolescência. Se ele morrer, uma parte de mim vai junto, e eu não sei se alguma vez eu vou voltar a ser quem eu sou. Eu passava as mãos pelo rosto de Tyler ainda chorando, e tentando deixa lo numa posição confortável, as suas feridas iriam sarar entretanto, eu só queria impedir que Klaus chegasse perto dele de novo. Eu estava fazendo uma barreira com meu próprio corpo.
– Eu pensei que você me amava Caroline.
Eu precisei de todas as minhas forças para fingir, porque a vida de Tyler dependia do quão convincente eu fosse com o meu discurso. Eu tinha medo porque Klaus me conhecia bem, porque ele sabia mais sobre mim do que eu mesma. Mas eu também o conhecia e eu sabia perfeitamente como atingi-lo, como pará-lo naquele momento, como fazer a fúria dar lugar a indignação e o desprezo. Eu precisava salvar Tyler e ele nunca ia entender se eu falasse os reais motivos, eu precisava mentir e mentir bem.
– Eu amo. Mas eu também amo o Tyler. Você está na minha vida a alguns meses, eu estou apaixonada por você, mas o Tyler esta na minha vida desde de que eu me entendo por gente, e se você ama alguém de verdade, esse sentimento nunca morre. Eu vou amar o Tyler pra sempre Klaus. Não importa quanto tempo eu viva. Ele vai ser sempre o meu primeiro grande amor. Eu olhei pro chão, eu sabia que estava machucando o Klaus. Eu sabia como aquilo tudo estava soando e eu já queria correr pros braços dele e abraça lo mas se eu esmorecesse ele ia acabar com Tyler, eu tinha a certeza. Matt já tinha sido machucado por minha causa, eu não ia deixar que o Tyler perdesse a vida se eu pudesse impedir.
–Por favor Klaus. Deixa ele em paz.
Ele ficou algum tempo apenas encarando a cena, eu no chão, lavada em lágrimas com as mãos sujas do sangue de Tyler que se recuperava logo atrás de mim, mas ainda não tinha recuperado a consciência. Ele olhou pro céu, respirou fundo, e quando ele olhou pra mim de novo eu soube que a minha escolha teria consequências que eu não gostaria de lidar. Eu escolhi salvar Tyler. Mais uma vez alguém que ele amava o tinha traído, e estava claro em seus olhos a decepção. Ele nunca iria entender o que eu estava fazendo. Para ele eu apenas tinha mais uma vez, rejeitado tudo que ele tem para me oferecer para ficar com Tyler, o menino de ouro da cidade pequena. Eu podia ver o julgamento em seus olhos antes de mesmo dele abrir a boca. E esperei as palavras mais duras mas elas não vieram. O que foi ainda pior.
– Você pode sair daqui com ele Caroline. E viver seus sonhos medíocres o quanto você quiser. Eu não vou te impedir. Tira ele daqui, e não voltem. Se eu voltar a ver vocês de novo, eu serei a ultima pessoa que vocês verão em vida.
Ele se afastou calmamente, como se nada tivesse acontecido, e eu já estava com um peso no meu coração, eu tinha que tirar Tyler dali rápido, e ir pra casa falar com Klaus.
Deixei Tyler em uma pequena pousada e compeli as pessoas para que cuidassem dele, deixei um bilhete onde pedia que ele fosse embora e dizia que não precisava me agradecer por estava vivo. Eu não tinha tempo para ficar e conversar com ele. Eu precisava ir a casa do Klaus e explicar o que eu tinha feito e porque eu tinha feito. Explicar que menti porque sabia que seria a única forma de pará-lo. Dizer que não queria que Tyler morresse, como não quero que Elena, Stefan ou qualquer um dos meus amigos de Mystic Falls morra. Muito menos por minha causa. Eu estava apavorada por que por pouco Matt não estava morto. Eu sabia o quanto seria difícil para Klaus entender isso, porque ele não se importava com o fato de que pessoas do seu cicrculo vivessem ou morressem. Na verdade Klaus nunca teve um circulo. Mas alguma coisa ele teria que aprender comigo, alguma coisa eu poderia em fim ser capaz de ensinar a ele. Eu ja havia ligado pra ele pelo menos umas 50 vezes e deixei muitas mensagens. Eu sabia que ele não atenderia mas eu não queria me sentir uma inútil enquanto caminhava até a casa dele.
Elijah estava sentado lendo o que me pareceu ser um livro muito antigo e pela expressão de espanto com a qual me olhou parecia não saber de nada.
–Onde está Klaus? Eu preciso falar com ele, Elijah.
–Ele não estava com você?
–Estava. Mas o Tyler apareceu e ele iria matar o Tyler,então eu fiz a única coisa que podia para tentar salvar o Tyler, eu disse ao Klaus que sempre amaria o Tyler, que por ele estava apenas apaixonada, mas eu estava mentindo.
Eu estava chorando descontroladamente. Elijah me sentou numa poltrona em frente a dele tentando me acalmar;
–Calma, Caroline. Ele deve estar bastante...digamos...furioso. Mas você pode esclarecer tudo e...
–Ligue pra ele Elijah, por favor. Ele não atende meus telefonemas, eu deixei mensagens, ele não retorna. Eu o magoei muito, eu disse a ele coisas muito duras. Mas eu estava mentindo. Eu amo o Klaus, entende?
–Claro, Caroline. Eu vou ligar pra ele agora.
Enquanto Elijah ligava, algo como uma angústia crescia dentro de mim. Eu estava desesperada e me sentia um monstro por ter mentido pra ele, por ter danificado ainda mais alguém que já tinha os sentimentos destroçados. Eu realmente não sabia se ele me perdoaria por ter mentido pra salvar o Tyler. Por te-lo machucado para salvar um cara que estava sendo um idiota comigo. Eu poderia agora ter perdido o Klaus para sempre e esse vazio crescia dentro de mim assustadoramente junto com angústia sobre o que seria pra mim agora uma vida onde ele não estivesse.
–Ele também não me atende. Isso é estranho. Mas estamos falando de Niklaus.
Elijah parecia calmo, mas vislumbrei algo de impaciente enquanto enviava pra o irmão uma sms.
–Talvez ele não atenda porque imaginou que voce poderia vir aqui.Perguntei algo agora a ele sobre outro assunto, algo aleatório. Ele deve me responder porque vai imaginar que ainda não sei o que houve entre vocês.
Muitos minutos se passaram e o telefone de Elijah permanecia sem nenhuma nova mensagem ou ligação. A angústia havia dado lugar para a dor que me golpeava por dentro. Algo físico. Eu sabia que ele estava sofrendo em algum lugar por causa do que eu disse e a dor dele era duas vezes a minha.
–Klaus! Klaus! Klaus! Onde está o Klaus?
O Marcel de quem eu havia ouvido falar durante todo o dia entrou sem cerimônia e parecia apreensivo.
–Parece que hoje todo mundo resolveu procurar o meu irmão.
–Ele não está aqui? Essa é Caroline Forbes? Ele perguntou a Elijah como se eu não fosse capaz de responder, talvez ele tenha percebido que eu realmente não estava bem.
–Sim, essa é Caroline. Caroline, esse é o Marcel.
Eu cumprimentei o cara com o olhar.
Ele não parecia estar com muito tempo para formalidades.
–Preciso falar com o Klaus identificamos presenças estranhas na cidade.
Eu imaginei que ele estivesse falando do Tyler e falei:
–Tyler Lokwood não vai mais causar problemas. Eu o salvei hoje e ele vai voltar para Mystic Falls ou eu mesmo o mato da próxima vez.
Marcel riu, mas não pareceu de fato achar aquilo uma piada.
–Tyler Lokwood não é nada comparado ao que encontramos. Onde está o Klaus? Ele não atende minhas ligações.
–Nós não sabemos Marcel, também estamos procurando. O que vocês encontraram exatamente?
–Uma colónia de bruxos. Bruxos muito antigos. Matamos 15 mas segundo relatos eles eram pelo menos 50 e alguns dos que enfrentamos pareciam invulneráveis. Eu não estava no campo de batalha, mas quem encontrou com eles disse que nunca viu nada igual antes.
Meu desespero estava me paralisando e me fazendo pensar coisas desconexas. Klaus era invulnerável, ele não podia estar em perigo. Ou podia? Mas a cidade dele estava em perigo e ele não estava ali pra protege-los porque eu o havia irritado a ponto de faze-lo querer desligar-se do mundo. Eu era responsável por coisas terríveis em Mystic Falls e em Nola. O quão destrutiva eu havia me tornado?
Um rapaz jovem veio se juntar a nós na sala e parecia apavorado. Eu sabia que ele era evidentemente um vampiro, mas os seus olhos eram de medo, como o de qualquer garoto humano que tivesse visto a morte e não quem devia ser, para muitos humanos, a morte.
–Acho que perdemos mais um dos nossos. Vocês sabem a quem pertence isso?
Ele segurava a jaqueta do Klaus. Ou o que tinha sobrado dela. No bolso eu podia ver pendurado o colar que eu tinha pego das árvores. Fora isso havia sangue por toda a peça. Eu arrebatei aquela jaqueta das mãos do rapaz sem que ele tivesse tempo para reagir, ele me olhou sem entender nada, porque eu só conseguia segurar aquele pedaço de tecido e sussurrar o nome dele, como se isso fosse fazer ele se materializar ali. Eu senti a mão de Elijah no meu ombro.
–Se isso pertence a Klaus então eu presumo que esses visitantes já estão mortos. Meu irmão é indestrutível.
Eu estava falando isso alto o bastante para que todos os presentes pudessem ouvir, mas mesmo assim parecia direcionado a mim.
–Cavalheiros, vamos para o escritório do meu irmão. Precisamos traçar uma estratégia para evitar novos ataques desse tipo.
Eu sabia que ele estava tentando conversar sozinho com eles, mas eu não iria dar essa chance, seja o que for que estivesse acontecendo, ou que ele achasse que estava acontecendo, eu tinha que saber. Eu me levantei pra segui-los.
–Não, Caroline. Você fica aqui. Ele vai voltar pra casa a qualquer momento e quando ele entrar por aquela porta depois dessa batalha, melhor que ele veja você do que seu exército.
Ele estava deliberadamente me distraindo. Eu ia protestar quando senti outras mãos em meus ombros:
–Acalme-se, Caroline. Eu olhei e só então percebi que Hayley também estava alí. Devia ter estado todo esse tempo e eu simplesmente não percebi. Eu estava cega, todos os meus sentidos agora concentravam-se nele e ele não estava ali. Só havia a jaqueta destroçada que eu segurava como um portal que pudesse traze-lo.
–Ele é indestrutível Caroline. Ele não é apenas mais um híbrido. Ele é vampiro mais poderoso que já existiu e o Lobisomem invencível. Klaus é invulnerável e ninguém pode destruí-lo. Acalme-se.
Mas eu chorei ainda mais descontroladamente porque eu me lembrei que o tinha ferido aquela tarde, que eu o tinha machucado profundamente. E que eu nunca me perdoaria por isso.
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