Red Garden

1 Capítulo 1


A alta sociedade, como era chamada naquela época, encontrava-se reunida em um grande salão dourado. Um emaranhado brilhante de falsos sorrisos, intrigas e jogos de poder se estendia pelo piso de mármore pálido.

Em meio aos inúmeros vestidos encrustados de pérolas, ternos de marca e taças de champanhe ele observava um ser em particular com certo interesse. O olhar fixo e provocativo, como se o estivesse possuindo ali mesmo, já conseguia sentir seu sabor antes mesmo de prová-lo. Só esperava pelo momento certo, deveria ser cuidadoso, sabia que não seria visto com bons olhos caso percebessem seu interesse peculiar.

Caminhou lentamente em direção ao rapaz de cabelos castanhos, tomando todo o cuidado para não levantar suspeitas, porém o alvo, percebendo sua aproximação, recuou e juntou-se a uma panela qualquer. Cedo demais? Não... Ele era esperto. Os olhos esmeralda tornaram-se rubros, ele não desistiria agora. Os passos antes calmos, agora eram desesperados, as tranças rubras balançavam no ar, tamanha a sua ânsia de penetrá-lo.

A potência de seu olhar atraiu a atenção de um grupo de senhores. Está tudo bem? Precisa de algo? Manteve a calma, por mais que quisesse dilacerar todos naquele momento.

Alguns segundos bastaram para que o alvo criasse uma distância ainda maior entre os dois. Estava prestes a surtar quando se livrou rudemente dos incômodos senhores, tal como se livra de uma mosca e dirigiu-se até o jardim, seguindo a doce fragrância que o alvo exalava, tal como uma trilha.

O alvo respirava com dificuldade, o olhar apreensivo se lançava sobre as rosas pouco rubras e amarronzadas que o cercava. Estavam morrendo afinal. O dono das tranças vermelhas se aproximou finalmente do mais jovem, pigarreou e disse, quase que em um sussurro: Uma beleza, não é mesmo? O mais novo se virou abruptamente, engolindo em seco. – Estão morrendo de sede. Os dentes pontiagudos do rapaz de cabelos vermelhos se projetaram para fora em um sorriso. –Elas precisam de um estímulo para se tornarem vermelhas novamente. Mal havia terminado a frase, quando se aproximou do mais novo o suficiente para agarrá-lo pelos braços e encará-lo com os orbes de fogo. Não havia tempo de reação, os dentes, tal como agulhas, penetraram a pele alva do jovem, rasgando sua jugular. O cheiro metálico era inebriante. Alguns segundos depois, o corpo pálido do pobre alvo encontrava-se em meio as rosas amarronzadas, compartilhando com elas o que restara de sua última primavera. Tudo mais naquela noite se resumiu a um baile entre os membros da alta sociedade.

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