Red Dead: Rebirth
1 Prólogo
Notas iniciais
“Mary!”
Arthur Morgan gritava, enquanto cavalgava por uma bela pastagem. Galopava em Boadiceia, sua égua que era mais que uma condução, mas uma companheira de vida. Mais adiante, cavalgava também a mulher por quem cujo coração batia mais rápido: Mary. Com um sorriso no rosto, acelerava os passos de Boadiceia para alcança-la. Gritava por seu nome, para que ela olhasse para trás. Mas ela não fazia isso. Cavalgava mais e mais rápido, o que deixava Arthur impressionado. Não sabia que ela tinha um cavalo tão rápido, nem que ela saberia deixar o animal em tão grande velocidade.
“Mary!”
Gritou, agora preocupado. O cavalo dela estava rápido demais. Mary não era tão habilidosa assim com as rédeas, a ponto de conseguir controlar um animal tão disparado assim. Pensou que o cavalo dela talvez estivesse descontrolado. Temeu pelo pior. Que ela caísse, se machucasse gravemente ou até mesmo morresse. Tentou acelerar o galope, mas Boadiceia já dava sinais de cansaço. Arfava, sacudia a cabeça em protesto, e por fim, sua velocidade começou a cair. Estava ficando esgotada.
“Mary!”
E Arthur gritou, desejando que ela olhasse para trás. Mas o cavalo dela estava cada vez mais distante, até se tornar nada mais que um pequeno ponto no horizonte. O som de um disparo de arma de fogo congelou o sangue que havia em suas veias.
-NÃO!
Ofegante de pavor, Arthur Morgan abriu seus olhos. Não. Não era mais um adolescente errante atrás de sua namoradinha, nem estava mais naquelas belas pastagens do Oregon. O som do disparo, entretanto, era real. Ao tentar se levantar, tossiu levemente. Era uma tosse leve, muito diferente da que tivera nos últimos tempos. Mais branda. Isso o estranhou um pouco, acostumado a sentir seu peito estremecer de tanto tossir. Mas então, percebera que não tossira por causa da tuberculose, mas sim porque o ar estava coberto de fumaça.
Alerta como todo pistoleiro, ouviu outro disparo. Levantou-se, enérgico, apesar do cansaço e da letargia que irradiava de seu corpo. Sentia-se um tanto travado, como alguém que passara muito tempo deitado em uma cama. E cama, obviamente, era um modo de dizer. Ao mero passar de olhos, concluiu que estava em uma tenda rústica, tendo sob seu corpo uma pele de urso como cobertor. Descalço, vestia apenas calças. Seu peito, nu, estava coberto de uma mistura estranha de ervas, que cheirava bem apesar da aparência verde e gosmenta nada agradável de se ver. Ouviu outro disparo, e percebeu que ficar agachado era nada mais que uma sábia decisão, ao ver uma bala zunir perto de si, rasgando o tecido da tenda onde se abrigava.
Ouviu mais tiros, e principalmente gritos. Estava tonto, sem compreender bem o que estava acontecendo. Olhou ao redor. Nada tinha além de ervas, ervas e ervas, ora penduradas pelo teto da tenda, ora em cima de cuias. Procurou por suas armas e nada encontrou. O cheiro de fumaça continuava forte e ele já podia sentir o calor das chamas. Um incêndio, não muito próximo de si. Agachado, acabou por decidir lutar, ainda que não soubesse quem exatamente era seu inimigo.
Buscou abrigo atrás de um barril. Soldados do Exército Americano, percebeu pelo distinto e inconfundível uniforme azul. Atiravam contra os pobres indígenas. Rindo. Não respeitavam nem mesmo mulheres e crianças, alvos fáceis de suas armas de fogo. Os poucos que resistiam não tinham poderio o bastante para revidar à altura, abrigando-se em uma vã tentativa de pegá-los com suas flechas. Não era difícil perceber que estava acontecendo um verdadeiro massacre diante de seus olhos, mas Arthur ainda não conseguia compreender o que exatamente ele fazia ali. Suas memórias sobre os últimos acontecimentos eram nebulosas. Se recordava de um passeio nas montanhas com Chuva Caindo, uma conversa sobre a vida, seu passado...
Quando uma bala zuniu próxima de sua cabeça, Arthur afastou os pensamentos. Precisava agora sobreviver àquele ataque, ainda que não entendesse bem o que estava acontecendo nem porquê estava ali, entre eles. Andando e se abrigando de disparos, correu para perto de um soldado morto – talvez o único sucumbido ali, com uma flecha no meio da testa. Pegou sem qualquer cerimônia seu rifle e começou a atirar contra os soldados. Logo o jogo começou a virar. Tão logo três sucumbiram diante suas balas, os demais passaram a se amedrontar e a buscar por abrigo. Os sorrisos de deboche logo sumiram de suas caras. Arthur sabia que poderia morrer ali, lutando, mas só em ver aqueles desgraçados se cagando nas calças isso já lhe soava como vitória o suficiente.
-Retirada! Retirada! – gritou um deles, sendo obedecido pelos demais soldados. Quando já longe dali, Arthur baixou a guarda. Jogou um rifle em um canto, saindo de seu esconderijo e ficando de pé. Percebeu-se cansado, quase que esgotado. Sequer havia percebido o quão debilitado estava, com o sangue quente pelo tiroteio. Era seu instinto de sobrevivência, fazendo seu corpo atravessar pelas provas mais inimagináveis, tal como passara em Guarma.
-Arthur! – era Chuva Caindo, correndo para perto de si. Segurava tolamente com os dedos um ferimento em seu braço, provavelmente um tiro de raspão. Mesmo que Arthur não apresentasse qualquer sinal de ferimento, o líder indígena estava genuinamente preocupado. Talvez porque eu esteja com uma cara péssima, pensou o pistoleiro.
-Você está bem?
-Estou sim... – disse, imediatamente caindo em uma crise de tosse. Quando voltou a si, olhou ao seu redor. Mortos. Muitos mortos. Homens, mulheres e mesmo algumas crianças. Aquela cena embrulhou o seu estômago.
-Eu sinto muito, eu...
-Isso não foi culpa sua, Arthur. Essa patrulha do Exército deve ter seguido nosso rastro e resolveu nos emboscar no meio da noite. Você lutou bravamente. Se não tivesse reagido, certamente estaríamos todos mortos. Eu nem sei como...
O chefe Wapiti interrompeu-se, ao perceber que Arthur voltara a tossir forte novamente.
-Precisamos ir embora daqui o quanto antes. Aqueles soldados certamente não gostaram de ser colocados para correr por você e voltarão com mais gente. Deixemos os agradecimentos para outro momento. Agora, vamos.
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Algumas semanas antes...
Era isto, então. O jovem morria, para que o velho vivesse. Um velho cansado e doente, com poucos dias de vida pela frente. Ele sabia desde o início que aquela bala era dele, se o jovem Águia Voando não tivesse aparecido em seu socorro – muito diferente daquele que julgava ser seu grande amigo, Dutch, que tudo que fez foi dar às costas e abandoná-lo à própria sorte. E agora, Águia Voando estava morto. O futuro daquela tribo de miseráveis sem qualquer fio de esperança de sobrevivência, morto. Um pai sequer chorava, perante o cadáver de seu único filho – o único que restara, dentre tantos filhos mortos que Arthur Morgan desconhecia a quantidade.
Ele tossiu mais uma vez. Sentia-se nervoso, irritado com o turbilhão de acontecimentos daquele dia. Não fora capaz de deter Dutch de provocar um desastre para a tribo dos Wapiti e sentia-se irritado por isso. Mais uma derrota sobre suas costas. Mais um homem inocente que chorava seus mortos. Desde que soubera da tuberculose, Arthur guardara seu revólver para quando não houvesse falta de alternativas. Era menos rude com estranhos, menos encrenqueiro. Com isso, os corpos em seu caminho reduziram-se sobremaneira. Quantos tantos não poderiam ser poupados com um mero jogo de palavras gentis? Era tarde para falar sobre cada cadáver deixado para trás, mas ainda havia o que se fazer com quem aparecesse em seu caminho. E ver o jovem Águia Voando morto doía-lhe muito, talvez tanto quanto a dor que sentia em suas crises de tosse, cada vez mais constantes e fortes.
Precisava voltar ao acampamento, antes que Dutch tivesse mais um plano brilhante que culminasse em qualquer coisa, menos no dinheiro que a gangue precisava para fugir. Pretendia chegar no esconderijo da Caverna dos Castores antes do sol raiar, mas seu cavalo reclamava de cansaço. Não muito tempo havia galopado bravamente até a Reserva dos Wapiti, e agora resmungava querendo um descanso. E o frio daquela noite não lhe dava trégua. Tossia e tossia, encharcado pelo sereno da noite e pelo frio que estremecia-lhe os ossos. Uma pessoa sensata buscaria abrigo em um acampamento naquela noite fria, mas Arthur Morgan sentia que o tempo estava contra si. Não poderia dar-se a tal luxo de parar agora.
-Aguente firme, garoto... – disse, tossindo. Descendo a colina, eis que veio aquela crise de tosse, talvez a mais forte que já tivera em vida. Sentia o peito estremecido, dolorido. Queria parar de tossir, mas não conseguia. Tossia e tremia de frio. Abraçou seu cavalo, numa vã tentativa de se aquecer. Sequer pôde ouvir o som do baque de sua queda no chão. Fraco, nem mesmo gritou de dor. Fechou seus olhos, tossindo sem parar. Sentia-se vencido. Visões começaram a lhe surgir. Sempre ouvira dizer que as pessoas recordavam-se de seu passado, antes de partir, e com ele isso não foi diferente. Lembrava-se de seus dias de namoro, ainda muito rapaz, com Mary. Dos sonhos e promessas que aquele casal tolo de adolescentes fazia um ao outro. De Dutch e Hosea, quando o trio aterrorizava os poderosos atuando como verdadeiros Robin Hood, a distribuir a riqueza de seus golpes entre os mais pobres. Bons tempos, pensou com um sorriso cansado. Recordava-se das muitas noites de prosa ao redor de uma boa fogueira, com seus velhos amigos – os vivos e aqueles já mortos. Então, isso é morrer, pensou. Esperava contemplar a lua pela última vez, mas tudo que viu foi grama e poeira da estrada. Não era um final glorioso, mas era seu final. E assim, permitiu-o ser.
As memórias a seguir lhe foram turvas. Arthur jamais soube ao certo o que aconteceu desde que caíra do cavalo, no caminho de volta ao esconderijo, então preferiu aceitar os relatos de Chuva Caindo e imaginá-los junto aos fragmentos de lembrança, ainda que escassos, daquela noite. Não, não havia morrido. Não ainda. Mas chegara bem perto dos braços da Morte, talvez a ponto de sentir seu calor, seu cheiro. Mas aquele não foi seu último suspiro. A Morte teve que esperar.
Tudo porque o líder dos Wapiti percebeu o quão abalado e enfraquecido ele estava, e mandou um de seus homens segui-lo, com o intuito de escolta-lo em segurança. Foi um dos Wapiti quem o socorreu. Colocou-o na garupa de seu cavalo e o carregou de volta à aldeia. Algumas anciãs levaram-no até uma cabana, onde doentes costumavam ser tratados com ritos ancestrais daquela tribo. Era um homem branco, portanto indigno de receber proteção de seus deuses, mas acima de tudo um amigo. Alguém que ao menos tentou ajuda-los. Uma virtude rara entre os peles-brancas, mas reconhecível o bastante para ceder-lhe um pouco do conhecimento do povo indígena.
Enquanto o rito funerário de Águia Voando começava, o de Arthur Morgan, a cada passo mais perto da Morte graças a tuberculose, terminava. As mulheres prepararam uma mistura de ervas, colhidas no alto das montanhas. Socavam o preparado em uma cuia em meio a rezas. Usavam brasas da fogueira que havia sobre o centro daquela tenda. Evocavam seus deuses. Pediam ajuda. Fizeram o inconsciente Arthur beber um pouco do preparado. Se acordado, certamente teria vomitado pelo gosto forte. Lançaram um pouco daquele preparado sobre sua cabeça, mas foi seu peito quem recebera mais atenção. Espalharam folhas e mais folhas sobre seu dorso nu, e com brasas vivas lançavam fumaça negra sobre seu rosto e peito, que as mulheres diziam ser o abrigo de todo o mau que habitava em si. E que agora, precisava ser removido.
Ainda não havia amanhecido quando o ritual terminou. Arthur foi deixado descansando, deitado naquela tenda. E assim permaneceu por muito tempo.
Seu consciente, ainda que nebuloso, alerta-se na presença de pessoas ao seu redor. Eram vozes masculinas, e não femininas. Conversas, e não rezas. Pareciam discutir sobre alguma coisa. E a julgar pelos olhares que sentia sobre si, deveria ser a seu respeito.
“Ele não vai resistir à viagem...”
“Ele precisa ter essa chance...”
“... esse branco só vai nos atrapalhar...”
“... e colocamos sobre um cavalo...”
“... está com os pulmões fracos...”
“... muito doente...”
Arthur não conseguiu presenciar o fim daquela discussão. Fechou os olhos, entregando-se mais uma vez a um sono sem sonhos, pesado e instável. Desde então, tivera breves lampejos de consciência, todos tão semelhantes que ele se perguntava se não teria vivido exatamente a mesma coisa. Sentia o chacoalhar da estrada, os sons rústicos das rodas de uma carroça velha, o relinchar de um cavalo. Às vezes, o sol batia forte sobre sua cabeça e ele não conseguia enxergar bem, voltando a ficar inconsciente. E assim foi por muito tempo. Não se recordava das noites, e sabia bem o porquê: era frequentemente drogado nos rituais de curandeirismo, único momento que as curandeiras tinham para trata-lo, quando todos da tribo podiam descansar em acampamentos e parar um pouco em meio àquela extenuante viagem, cujo destino Arthur desconhecia.
Desde o ataque à refinaria, os Wapiti estavam em fuga. O Exército estava disposto a puni-los pelo ocorrido, o que os forçou a abandonar suas terras. Ainda que fossem pouco produtivas, aquelas terras eram um solo no qual eles podiam chamar de lar. E agora, com o pé na estrada a fugir da vingança do homem branco, os índios nada mais tinham senão a si mesmos.
Estavam na província de Wyoming quando foram atacados por uma patrulha de soldados, que do modo mais covarde possível, atacou-os enquanto os indígenas descansavam em um acampamento. Mas aqueles soldados não contavam que havia um pistoleiro altamente habilidoso e experiente entre eles, que mesmo não gozando de perfeita saúde, conseguiu defender a tribo bem o suficiente para impedir que os Wapiti fossem exterminados naquela noite. Mesmo que alguns não se agradassem com a decisão de Chuva Caindo de trazer aquele branco para partir com eles, agora todos olhavam para Arthur com respeito. Viam nele um protetor da tribo, pouco se importando com seu passado repleto de crimes e violência ou de pertencer a um povo que lhes desejava a Morte.
O dia amanheceu com Arthur sentado na carroça. Sobre suas costas, estava uma pele de urso, que pôde aquecê-lo do sereno da madrugada. Passara o resto daquela noite ali, a vigiar a estrada. Sentia-se cansado, mas alerta. Sob a cintura, seus inseparáveis revólveres, agora devolvidos ao seu verdadeiro dono. E em suas mãos, um rifle pronto para ser usado em ação, se necessário. Esperava que não fosse.
-Tem certeza de que não deseja dormir um pouco? – perguntou Chuva Caindo.
-Sou mais útil acordado do que dormindo.
-Todos são, Mr. Morgan. Deixe que outro cubra você, por pelo menos algumas horas...
-Esses pobres coitados acabaram de enterrar seus familiares às pressas. Deixe que pranteiem um pouco. Eu não perdi ninguém e... – disse, sendo interrompido por uma crise de tosse.
-Você ainda não está completamente recuperado.
-Talvez eu nunca esteja, e todas essas ervas que vocês estão me dando estejam só adiando o inevitável.
-Não estão, Mr. Morgan. O tratamento está surtindo efeito. Obviamente, seria mais rápido se você não estivesse submetido ao rigor da estrada, para não dizer a esse tiroteio todo ocorrido recentemente... Mas é nítido que está surtindo efeito. Basta olhar para você.
Arthur ainda não havia se visto no espelho. Tudo que sentia era sua barba e cabelos mais longos do que o usual mas no fundo sentia-se... Renovado. Estranhamente renovado, apesar de todos os problemas. Mesmo estando lançado à própria sorte, longe da gangue a quem chamava de família há muitos anos, ele sentia-se mais tranquilo, sossegado. Em paz. Não fazia ideia do que havia ocorrido a Dutch e aos outros, se estavam vivos ou mortos, mas sabia que Chuva Caindo não tinha as respostas que ele desejava. E nem mesmo estava em condições de busca-las. Um problema de cada vez, como diria Hosea. Precisava agora se concentrar apenas em sobreviver, e para isso, precisava alcançar... Que lugar mesmo?
-Para onde estamos indo?
-Canadá. Chefes de outras nações indígenas me fizeram esse convite, tão logo o último tratado de paz foi quebrado pelo Exército. Creio que imaginavam que as coisas chegariam a um ponto irreversível... Coloquei esta como minha última opção, na esperança de que seria capaz de resolver as coisas, como das últimas vezes. Mas...
-Mas Dutch apareceu e estragou tudo. Pode dizer.
O chefe Wapiti suspirou em dor.
-Melhor não remoermos mais o passado. Iremos para terras pouco desbravadas, onde o homem branco ainda não voltou seus olhos de cobiça. Pelo menos, por enquanto. É um isolamento, um reconhecimento de derrota, mas ao menos o meu povo terá a chance de recomeçar. E você também, Arthur.
-Mas...
-Sei o que está se passando em sua cabeça. Muita coisa, mas por hora não pense nisso. Fique conosco até o fim de seu tratamento, ao menos. Depois, poderá tomar a decisão que quiser.
-Tudo bem. – concordou, ainda que um tanto ressabiado. Sabia que o Canadá era imenso, mas havia espaço para um pistoleiro como ele? Apesar de suas dúvidas, sabia que não estava em condições de decidir qualquer coisa, não com seus pulmões ainda em recuperação. Chuva Caindo estava certo. Precisava agora se concentrar em ir ao Canadá junto com os Wapiti. Depois, pensaria em um plano melhor.
Plano. Uma palavra tão simples, mas que graças a Dutch, sentia até arrepio em ouvi-la... Se antes, quando jovem, Arthur confiava cegamente em Dutch e seus planos infalíveis, agora adulto e já calejado pela vida ele estava cansado nos desastres provocados pela mente cada vez mais doentia de seu líder. Não sabia se a sorte havia acabado, se os tempos mudaram, ou se Dutch simplesmente se revelou o que sempre era, por trás de todo o verniz de líder carismático de palavras doces. Hosea foi abençoado por ter partido sem ter visto – ao menos não completamente – a face mais feia e atroz de Dutch: um homem disposto a prejudicar um povo historicamente combalido em prol de objetivos egoístas.
“Preciso me concentrar na estrada. Apenas na estrada.”, disse a si mesmo, abandonando as dolorosas lembranças e se concentrando no horizonte. Arma em punho, pronto para o que quer que fosse.
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