Red Angel - Sonho de um anjo
5 Capítulo 5- Dúvidas e dores
Notas iniciais
Malina
Bem cedo, antes mesmo do meu pai sair de casa para apanhar o avião, despedi-me dos meus pais e saí de casa já com o Mamoru na rua à minha espera. Cumprimentei-o e seguimos caminho até à Raimon. Tentei não tocar no assunto sobre o Kazemaru e ele também não parecia disposto a fazer o mesmo enquanto se distraia com a bola de futebol sobre a cabeça, mas mal chegamos ao campo junto ao rio, vimos logo o Kazemaru com o tal rapaz do atletismo. Estavam sentado de frente para o rio e pareciam estar a conversar. Ambos paramos para os ouvir. Eu tinha mesmo que perder aquele hábito.
—Ontem quando me perguntaste quando pensava voltar ao clube, dei conta de que estava tão concentrado no futebol que nem parei para pensar nisso. E desde então que não paro de pensar; o que faço no clube de futebol? Porque continuo nele?- Doeu um pouco ouvir aquilo. Será que ele iria considerar voltar?
—Então porque não o deixas? A equipa de futebol já tem pessoas que cheguem. Acho que já cumpriste com o teu dever de os ajudar.- Agarrei-me ao casaco do Mamoru. Não queria ouvir aquilo. E ainda menos saber a resposta do nosso companheiro. O meu primo limitou-se a agarrar a minha mão e a sorrir.
—O meu dever...
—Kazemaru, volta à equipa de atletismo.
—Pensei se não deveria voltar, mas...- o coração deu um enorme pulo- Por agora não posso voltar.- Eu e o meu primo encaramo-nos com um enorme sorriso.
—Porque tens tantas duvidas?
—Futebol e atletismo têm coisas interessantes ainda que sejam diferentes. Já sabes que sempre quis crescer como desportista, enfrentando os melhores.
—Mas os melhores estão no atletismo!- assim que vi o Mamoru seguir caminho e descer as escadas, hesitei um pouco, mas não demorei muito a segui-lo.
—Sim, eu sei. Mas quantos jogadores ótimos haverá no futebol contra os quais poderei jogar e que ainda não conheço?
—Parece que o atletismo já não te importa. Jamais havia imaginado que te ouviria dizer essas coisas?- Partia-me um pouco coração ouvi-lo dizer aquilo. Talvez ele admirasse bastante o Kazemaru- Por favor, Kazemaru, volta à equipa. Vamos voltar a correr juntos. O que tem o futebol para te atrair tanto?
—Atrai-me muito. Sim. É possível.
—Não, Kazemaru...
—Miyasaka, amanhã começa o Football Frontier, achas que podes ir ver o jogo? Quero que me vejas a jogar futebol.
—Porque haveria de ir?
—Miyasaka, vem ver-me jogar e depois da partida falaremos de voltar ao atletismo.
—Bem, já que me pedes... Irei ao jogo.
—Muito obrigado!- o tal Miyasaka levantou-se logo e curvou-se.
—Vou treinar.- Começou a correr e passou por nós os dois com uma cara bem chateada.
—Adeus.- Quando o meu primo se despediu, nem parou para fazer o mesmo. Não sabia que devia achar qe era um grande mal educado, pois sabia bem que estava chateado. Seguimos caminho antes de paramos junto ao nosso defesa- Estivemos a ouvir-vos.- Claro que o Mamoru tinha de ir direto ao ponto.
—Chama-se Miyasaka. É um bom velocista apesar de que ainda lhe falta aperfeiçoar um pouco a sua técnica.
—E esse rapaz disse-te algo desagradável?- talvez também o Kazemaru estivesse chateado com a situação. Caminhei um pouco mais e sentei-me de modo a deixar espaço para que o meu primo fizesse o mesmo, ajeitando a saia. Eu e o Kazemaru sorrimos um para o outro.
—Pelo contrário. Fui eu que disse.- O Mamoru sentou-se também, mas em cima da bola.
—Sempre quis que te unisses à equipa de futebol, mas enfim, sei que o fizeste porque te pedimos que nos ajudasses.
—Foi ao ver esses vossos treinos loucos e a paixão que lhe punham.- Rimo-nos.
—Não são assim tão loucos!- eu pelo menos não achava.
—Mas a verdade é que naquela altura estávamos muito desesperados.- Tive de concordar.
—Inicialmente entrei na equipa só para dar uma mão, mas quando dei conta não fazia mais do que pensar no futebol. O que sentia era igual a quando comecei com o atletismo.- Como entendi a sua sensação- Como posso explicar? Era divertido!
—Voltarás para eles?
—Não sei, Endou. Todos os companheiros do clube de atletismo também são muito importantes para mim e sei que escolha quem escolher, no final acabarei por falhar a alguém.
—Pois eu acho que tomes a decisão que tomares, será sempre a melhor!
—Ele tem razão. Tens de pensar bem nisso e decidir o que também é melhor para ti.
Ficava feliz por o Kazemaru se ter aberto para connosco e ter dito o que realmente se passava. Acreditava que com o Mamoru se passasse o mesmo, pois logo pôs-lhe a mão sobre o ombro. E ao inclinar-se para o amigo, a bola por baixo dele acabou por escapar, deixando o Mamoru cair, enquanto rolava até cair no rio. Claro que aquele tonto se riu.
—Ah! Mamoru! A bola!
Após obriga-lo a ir buscar a bola ao rio — e de molhar o uniforme escolar quase todo, fazendo-me rir -, seguimos para o escola na companhia do Kazemaru. Não tocamos mais no assunto sobre ele voltar ao não para o clube de atletismo e deixar o de futebol. Claro que preferia que ele continuasse connosco, mas a decisão final seria sempre dele. E mal chegamos à escola, o próprio separou-se de nós ao dizer que tinha algo para fazer. Fiquei um pouco nervosa, mas tentei não mostrar, despedindo-me também e continuando com o meu primo até à sede do clube. De lá, ouvia-se os rapazes e a Aki a conversarem. Já podia adivinhar sobre o que seria.
—Bem, pensemos numa coisa; ele veio ajudar-nos no jogo amigável contra a Teikoku e chegamos ao torneio nacional. Se ele voltar ao atletismo não poderíamos acusa-lo de nada.- O Someoka tinha razão. Talvez fosse assim que o Kazemaru pensava.
—O quê? Então ele vai deixar a equipa?- o meu primo pareceu logo chateado com o que dissera o Kabeyama, pondo-se à andar. Suspirei. Eles iam mesmo ouvir.
—Oh não! Não pode ser!- o meu primo nem hesitou em abrir a porta.
—Rapazes, acalmem-se!
—Q-Q-Que desastre, capitão! O Kazemaru quer ir-se embora.
—Já sabemos isso, Kabeyama. Acalma-te.- Os rapazes por vezes faziam com cada escândalo.
—Já falamos com ele, mas a decisão é apenas do Kazemaru.
O nosso capitão obrigou a que todos esquecessem o assunto. Ninhamos que nos concentrar no próximo jogo e não em problemas que não poderíamos ser nós a resolver. Todos pegamos nos nossos equipamentos, eu e a Aki saímos da sede e fomos até ao wc feminino trocar os uniformes escolares antes de irmos para o campos encontrando já alguns dos rapazes e as outras meninas. Rapidamente começamos o treino.
—Muito bem! Continuem assim rapazes!
Desta vez a técnica estava a correr bem! Ambos pareciam concentrados e desde o início que a bola entrava na baliza. A técnica mostra-se bastante poderosa e com toda a certeza que seria eficiente contra os nossos próximos adversários!
—Mais um vez!
Assim que ouvimos a ordem do treinador, uma outra bola me foi passada para lhes poder lança-la. Ouvi um celular tocar enquanto ia para a minha posição, não era o meu, apesar de estar à espera de uma chamada do meu pai. Olhei para o banco e vi que era o da Natsumi, a qual atendeu de a ver boquiaberta e a tremer. Estava-se a passar algo muito mau.
*
Assim que a porta do elevador do hospital se abriu, eu, a Natsumi, a Aki e o Mamoru saímos a correr, encontrando, sentado, o mordomo da família da Natsumi, e antigo jogador da Inazuma Eleven, que se levantou logo ao ver-nos chegar.
—E o meu pai?
—Para além das feridas, esteve a trabalhar tanto a tentar que o torneio de futebol fosse um sucesso, que acabou por perder os sentidos.
A Natsumi sentou-se pesadamente sobre os bancos almofadados que lá haviam e eu e a Aki tentamos dar-lhe apoio, sentando-nos a seu lado. Não sabia exatamente o que lhe dizer. Ela chorava, mas só lhe podia dar o meu apoio. Aquilo só me fazia pensar no meu... Logo quando ele ia viajar.
—Acalma-te, Natsumi. Vai ficar tudo bem!
—Obrigada, Malina. Sei que não é nada, mas...- Mas devia ser difícil.
—E o que aconteceu?- nem me lembrei de perguntar isso. Olhei para o ex-jogador, esperando a resposta.
—Sofremos um acidente quando voltávamos de uma inspeção prévia do estádio para o Football Frontier.- Sentia a Natsumi tremer- Ele estava mais preocupado pelo estádio das outras pessoas envolvidas, mas parece que o mais afetado foi ele.
—Natsumi...- ela tremia cada vez mais. Controlava-se para não chorar.
—Natsumi, tens que ficar com o teu pai.- Erguei a cabeça para o meu primo- Não te preocupes. É melhor assim.
—Se ficares com ele, serás a primeira coisa que vai ver quando acordar e isso irá ajuda-lo bastante a recuperar.
—Isso! Estou de acordo, prima!- ri-me- Por isso, eu também te digo o mesmo, Natsumi! Não te preocupes connosco, asseguro-te que venceremos o primeiro jogo por ti.
—É assim que eu gosto! Com paixão!- por trás do Mamoru, vi o detetive Onigawara aparecer- Fiquei preocupado quando me contaram que o senhor Raimon havia sofrido um acidente. Nas circunstancias atuais não devemos descartar ninguém.
Não nos disse nada mais, mas claro que aquelas me palavras me tinham preocupado... E muito.
*
Mal comecei a ouvir os fogos de artificio, o meu coração de um pulo. Já sabia o que significava aquilo. Queria dizer que íamos entrar no estádio e mostrar a todos que também estávamos no torneio! Estava tão entusiasmada, mas tão nervosa ao mesmo tempo! Tinha coração a mil e o sorriso não desaparecia da minha face por muito que tentasse. Mal podia acreditar que estávamos naquele estádio, a representar a Raimon como equipa de futebol. Era um sonho feito realidade! A primeira equipa a sair foram os nossos adversário, Sengoku Igajima, enquanto o nosso capitão e o treinador nos mandaram reunir.
—Muito bem! Chegou o momento.- Não havia um de nós que não sorrisse ao ouvir o capitão- Aconteceram-nos muitas coisas até ao dia de hoje, mas já estamos aqui e temos que lutar para vencer o campeonato!
—Sim!- foi um grito perfeito de todos nós.
—Kabeyama, tens que ir ao wc agora?
—Já fui antes, capitão!- que tipo de conversa era aquela?
—Animo, rapazes! E pensam que também o farão pelo senhor Raimon!
—Seguimos com o campeão da capital, e o único com uma rapariga em campo,o Instituto Raimon!— era a nossa vez! Senti-me um pouco constrangida ao ter os rapazes a olhar para mim e a rir. Agora com certeza que nos estádio todos iriam olhar para mim depois daquele comunicado.
Corremos logo a seguir para a entrada do estádio após a ordem do treinador para irmos. Pusemo-nos todos atrás da rapariga que nos iria levar ao estádio, com a placa com o nosso nome erguido para todos vissem. Ia à frente com o Mamoru, seguidos pelo Goenji e o Someoka que vinham logo atrás de nós bem como o resto da equipa. Estava tão nervosa por estarem todos a olhar para nós. Olhei em redor à procura da minha mãe, mas não a vi. Queria ter a certeza que havia ali uma cara familiar, só que estava difícil. Foi então que nesse mesmo instante, senti a minha mão ser agarrada e ao ver quem era, vi o meu primo sorrir. Não pude evitar fazê-lo, sentindo o meu coração serenar.
Logo a seguir, foi a Teikoku que entrou. Era bom vê-los ali. Queria muito voltar a jogar contra eles e mostrar-lhes aquilo que tínhamos melhorado em tão pouco tempo. Com certeza que eles também estavam mais fortes e isso só me entusiasmava mais. E claro, eles tiveram que ficar ao nosso lado.
—Como está a tua perna, Kidou?- agarrei o ombro do meu primo, esticando-me para me aproximar.
—Não te preocupes com os outros e apenas contigo mesma. O torneio nacional não se parece nada do que aquilo que vocês viram.
—Isso emociona-me ainda mais!- estávamos a falar do meu primo!
—Espero que não se deixem vencer por nenhuma equipa até que nos possamos enfrentar outra vez.
—Claro. O mesmo para vocês. Ganhar tudo!- e era isso mesmo que sempre pretendemos.
—E finalmente só nos falta apresentar a última equipa da todas. Vamos dar a bem-vinda ao Instituto Zeus que foi convidado por méritos próprios.- Nunca tinha ouvido falar daquela equipa.
—Instituto Zeus?- ao que parecia o Mamoru também não.
Não era a única curiosa em saber quem eles eram. Todos nos viramos para a entrada do estádio esperando que eles saíssem para descobrirmos quem eram afinal, mas fiquei um pouco desiludida ao ver a rapariga com a placa deles aparecer sozinha, sem a equipa atrás. Como assim eles não estavam ali? A pobre parecia extremamente envergonhada com a situação.
Porém, o que importava era que todas as equipas estavam anunciadas. O torneio estava para começar e nós não pretendíamos perder para ninguém. Iríamos ser campeões.
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