Red Angel - Sonho de um anjo
3 Capítulo 3- A nossa sede.
Notas iniciais
Malina
Desde que o Kazemaru e o Goenji realizaram bem, pela primeira vez, a Honoo no Kazamidori, que ela ainda não tinha falhado uma única vez. A sincronia deles na técnica era perfeita. Marcavam toda a vez que tentavam e ela saia potente e direta para a baliza. Estava muito orgulhosa deles! Realmente tinha sido bem melhor serem eles a fazer a técnica porque o resultado da união daqueles dois estava à vista de todos.
—Muito bem! Marcaram!- claro que o nosso capitão estava entusiasmado, e acreditava que ele mal podia esperar para entrar em campo e tentar defender aquela técnica. Limitar-se a observa-la com certeza não o satisfazia.
—Vamos lá! Mais uma vez.- Assenti.
Peguei numa outra bola e voltei a atirar, mas desta vez para o Kazemaru. Estávamos a tentar que eles mesmo começassem a técnica sem terem alguém de fora para lhes passar a bola e essa tarefa cabia-me a mim, mas podia haver sempre o facto de eu não poder, caso estivesse longe ou bloqueada por jogadores. Claro que me desapontava um bocado não poder ajudar sempre, mas tinha de pensar no bem da equipa, e era isso que importava. Tal como importava o facto da técnica ter voltado a sair-lhes na perfeição e que continuasse sempre assim!
—Estão perfeitamente sincronizados! Até na respiração?- sorri. Devia preocupar-me ou ficar com ciúmes?
—Esse remate podia até superar o Dragon Tornado God.- Claro que o Someoka não iria deixar passar um técnica em que ele estava incluído.
—O que achas, Jin?!- ainda bem que eu conseguia gritar bastante. Precisamos do Jin na varanda principal da escola para verificar se a técnica era realizada sem qualquer problema.
—Está perfeito!- e não parecia haver problemas!
—Foi tudo graças a ti, Jin!- o Kazemaru tinha mesmo que lhe dar os agradecimentos. Todos nós tínhamos.
Continuamos a praticar mais um pouco. Os rapazes realizaram novamente a técnica e reparei que os do primeiro ano pareciam entusiasmados com isso. Também queria ter a sua própria e isso enchia-me de alegria. Ver a equipa a crescer era fantástico, principalmente depois da maneira como estava quando cheguei à Raimon.
—Olhem! Temos visitas.- Assim que ouvi o Mamoru chamar-nos, olhei para o local junto ao cima das escadas, vendo um veiculo parar naquele local. O mordomo — e antigo jogador da Inazuma Eleven — saiu do carro para abrir a porta de trás para um homem.
—Quem é esse homem?
—É o Presidente da Junta Escolar. E além disso é o pai da Natsumi.- Agradecia bastante ao Someoka pelas informações. O Domon não era o único a não fazer ideia de quem era ele.
—Como queres que saiba? Acabei de chegar a este instituto.
—O que faz aqui o Presidente da Junta?
—Quem sabe.
—Já sei!- o Mamoru pôs-se logo no meio de nós as duas, assustando-me- Ele também foi jogador da Inazuma Eleven!- ri-me um pouco com a ideia dele. A Natsumi não achou grande piada.
—Duvido muito, Mamoru.
—Porque tinha de ser por isso? O meu pai é o Presidente da Associação de Futebol da secundária, e também Presidente do Comité Executivo do Torneio Football Frontier.- Uau. Ele era presidente de muita coisa. O meu pai era apenas um arquiteto. Também era um trabalho difícil!
Assim que o senhor Raimon desceu as escadas, o treinador mandou-nos reunir junto ao banco, onde estava, de costas para ele, o pai da Natsumi. Pelo que tinha dito ao treinador, queria falar com todos nós. Estava curiosa para saber o que era. Os rapazes não disseram uma só palavra enquanto caminhavam até ele, e eu não fui diferente.
—Rapazes! Menina...- sorri ao vê-lo fazer o mesmo e do facto de não se ter esquecido de especificar esse facto. Não era que me chateasse com o facto de por vezes se esquecerem de que havia uma rapariga na equipa, mas era sempre bom quando era lembrado- Muitos parabéns por terem chegado ao torneio nacional.
—Muito obrigado, senhor!- agradecemos quase num coro perfeito.
—Treinador, que grande surpresa que tive quando a Natsumi me falou de si. A nossa equipa, guiada por um integrante da lendária Inazuma Eleven!
—Vamos, não diga isso!- tive que evitar rir. O treinador estava todo atrapalhado com o elogio- Pertence ao passado, senhor.
—Não o muito feliz que fico ao saber que voltaram ao futebol.- Tornou a encarar-nos- Graças a vocês, o Torneio Football Frontier recuperou o seu prestigio e espero que durante o torneio vejamos jogos tão apaixonados como aqueles que tivemos até agora.
—Claro!- o nosso capitão nem hesitou em voltar-se para nós, dando as costas ao Presidente- Rapazes! Vamos esforçar-nos para vencer o torneio?!- todos gritamos um enorme "Sim" juntamente com ele.
—Muito bem! Conto com vocês.
—E espero que nos venha animar.
—Claro! Contem com isso!- o senhor Raimon parecia um grande apaixonado pelo futebol.
—Mais alguma coisa, pai? Obrigada por vires, mas a equipa tem que voltar a treinar.
—Na verdade ainda há mais um assunto.
Sem nos revelar nada, o senhor Raimon pediu-nos para o acompanhássemos, e assim o fizemos. Foi a falar com o treinador sobre algo, o qual não quis intrometer nem escutar. Como tal, acabei a conversar com os rapazes... Enfim, com o Goenji! Pelo menos até pararmos em frente à sede do clube. O assunto teria alguma coisa a ver com ela?
—Bom... Realmente tem uns quantos anos.
—Queria ver a sede da equipa de futebol?
—A Natsumi contou-me que era bastante velha.
—Claro, era a que usávamos no nosso tempo.- Era assim tão antiga?
O treinador pediu licença ao senhor Raimon e dirigiu-se para dentro do barracão. Todos nós o seguimos. Ele pareceu inspecionar um pouco o local até que foi para junto do cesto de bolas, pegando nelas e tirando-o da frente da parede. Baixou-se um pouco para verificar algo antes de apontar para o mesmo local.
—Ainda estão aqui as pinturas que fizemos naquela época.
Aproximei-me e ele realmente tinha razão! Naquele mesma parede estava escrito, já um pouco apagado, a frase: "Nós jamais nos rendemos". O treinador pôs-se logo a afastar todas as coisas que estavam à frente das frases, fosse pneus ou mesas, até mesmo armários. Algumas delas diziam: "Já tenho a minha própria técnica" e "Quero ser mais forte". Havia imensas.
—Não acredito que nunca tínhamos reparado nelas.
—Malina, vem ver!- aproximei-me do meu primo e também me abaixei- Este era do avô!
—Sim!- só podia ser ele. Mas ninguém escrevia algo como "Isto está... Kabuum! Baruuuum! Zubuun!"- De certeza que é dele!
—Está tudo exatamente igual que aquele então.- Olhei para o treinador. Com certeza tudo aquilo lhe trazia uma enorme nostalgia.
—Então tudo isto foi da Inazuma Eleven, não é? Quase que se pode sentir o suor e as lágrimas desses jogadores.- Assim que ouvimos o barulho de bola, eu e o meu primo voltamo-nos para o pai da Natsumi, vendo-o dar toques na bola com o joelho. Não pude evitar um sorriso enquanto todos os rapazes pareciam um pouco admirados.
—Incrível!- claro que o Mamoru estava impressionado. Afinal, não era todos os dias que víamos um homem de fato e gravata dar toques numa bola.
—É fabuloso, não é? Pensar que aqui se ama o futebol desde há muito tempo.- Devido à distração, o senhor Raimon pareceu perder o controlo da bola até que a chutou na nossa direção. Baixei-me logo para não me acertar, mas na verdade acabou por embater no rosto do meu primo e voltar para o pai da Natsumi, deixando a filha envergonhada e a mim preocupada com o meu parente- Sinto muito.- E voltou a pôr a bola no lugar. Era mais seguro- É verdade, estava a pensar que nesta sede com tantos jogadores novos, agora devem estar um pouco apertados, não?
—Bem, agora que diz...- Creio que o Mamoru não estava a ver bem o que o senhor Raimon queria. Com certeza ele não quis vir à sede para saber a sua história.
—É certo que este lugar tem muitas recordações, no entanto preocupa-me que sendo tão velho possa vir-se abaixo num destes dias, e pensei em proporcionar-lhe uma nova sede ao clube de futebol.- Já sabia. Fitei o Mamoru que pensou em encarar-me. Estava com uma tremenda cara de espanto. Já eu não achava grande ideia.- Vocês podem pensar que é para celebrar o renascimento da nossa equipa de futebol e como uma recompensa por se terem classificado.
Não queria sair dali, e neguei logo essa ideia ao meu primo, que assentiu ao entender o que lhe queria dizer. Claro que não queria impedir o nosso clube de ter melhores instalações, mas era difícil sair daquele barracão. Os do primeiro ano eram os mais entusiasmados com a mudança... Será que era a única importar-me com aquela velha sede?
—Desculpe, mas eu prefiro continuar tal como estamos.
Fiquei um pouco nervosa com o silêncio repentino. Sentia que estava a ser egoísta ao pensar apenas nos meus sentimentos. Porém, senti logo uma mão agarrar a minha... Era o Mamoru.
—Esta sede viu os tempos em que não podíamos jogar nenhum jogo, os tempos da Inazuma Eleven, esses momentos... Esta sede é parte da Inazuma e são uma grande referência para a nossa equipa!
—Mamoru!- não estar mais orgulhosa de poder ser prima dele- Este foi o local onde celebramos a nossa primeira vitória, o nosso primeiro. Foi nesta sede que o nosso clube voltou a erguer-se e nesta sede que sempre sonhei festejar quando formos campeões do Football Frontier.
—Vocês têm toda a razão.- Someoka...
—Devemos decorar a nossa sede com o troféu do torneio nacional.- Kazemaru...
—Sim, claro que sim.
—Capitão, nós entendemos.- Kurimatsu!
—Também preferimos ficar aqui.
—Rapazes...- faltava muito pouco para começar a chorar. Eu e o Mamoru encaramo-nos. Ergueu um pouco as nossas mãos e sorrimos antes de as soltarmos. Era muito bom poder contar sempre com ele- Muito obrigada!- ele não imaginavam o quão me feliz me deixaram!
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