Red Angel - Sonho de um anjo

22 Capítulo 22- Aquele brilho


Notas iniciais
Yo! Finalmente atualizei a fic! Depois de IE Ares aparecer, deu vontade de rever o Clássico e bem, que melhor maneira de o fazer aproveitando para escrever?! :3 Por isso, aqui está o capítulo! Boa leitura!

Malina

Agradeci à minha mãe pela comida e levantei-me sem dizer nada mais, dirigindo-me à porta. Não tinha falado com o Mamoru sobre irmos para o parque da Torre treinar. Queria fazê-lo sozinha, concentrar-me no meu treino e não ter os outros constantemente a querer ajudar. Sabia bem que ele só queriam o melhor para mim, mas era algo que precisava de fazer sozinha. Além de que não sabia como encara-los depois da maneira como lhes falei.

—Malina, hija, aconteceu alguma coisa? — olhei para ela, terminando de me calçar.

—Não, porquê?

—Pareces triste e preocupada. Durante o pequeno-almoço só suspiraste e nem te vi sorrir uma só vez.

—Eu sorri.

—Estou a falar de forma genuína. — Terminei de me calçar, peguei na minha mochila com as águas e uma toalha – com alguma coisa para comer quando tivesse fome — e pus-me de pé, sorrindo-lhe. Só esperava que ela não percebesse o meu esforço.

—O próximo jogo está perto, os treinos estão muito puxados e eu estou um pouco cansada. Só isso.

—E mesmo assim vais agora treinar? Hoje é domingo, podias descansar mais um pouco.- encolhi os ombros, dirigindo-me à porta, abrindo-a.

—Tal como eu disse, o jogo está próximo. — Saí. Só me queria ir embora.

—Mas Malina…

—Até logo, mãe! — sem lhe dar mais tempo para nada, fechei a porta, saindo a correr em direção ao parque.

Corri até lá o mais rápido que podia. Seria uma espécie de aquecimento, além de que serviu para me aquecer antes do treino. E assim que lá cheguei preparei-me diante do enorme pneu. Respirei fundo e empurrei-o. Ele derrubou-me uma… Duas… Dez… Mais vezes do que aquelas que podia conta. Estava tão frustrada comigo mesma. Porque não conseguia? Havia altura que não havia qualquer problema em parar aquela roda, mas naquele momento parecia tão pesada, parecia até maior que das outras vezes que já havia treinado.

Estava mais um vez no chão, tentando recuperar o fôlego, quando vi um par de pernas colocarem-se no outro lado da árvore. Levantei a cabeça e vi o meu primo já pronto para treinar, sorrindo para mim. Nem dei por por ele chegar. E tal como chegou, começou o treino; em silêncio. Ele provavelmente entendia o que sentia e sabia bem que dizer algo não era a melhor altura. Sorri. Era-lhe muito grata por isso.

As horas foram passando sem que nos déssemos conta disso. O sol começava a pôr-se no horizonte e nenhum de nós parecia ter obtido aquilo que queria; o Mamoru ainda não tinha parado o pneu, e eu muito menos. Da técnica, não tinha nem ideia do que fazer. Continuava completamente às escuras. Mas sabia como éramos ambos. Não iríamos desistir.

No entanto, eu estava a ficar um pouco farta de falhar. Farta de duvidar de mim, das minhas capacidades como jogadora, como uma companheira na Raimon. Cansada de não conseguir sentir-me útil para os meus amigos. E quando dei por mim, o meu pé estava a empurrar o pneu o para trás. Foi algo fraco e subtil, mas foi o suficiente para me fazer ganhar o dia. Olhei para o meu primo, e ele segurava o pneu com as ambas as mãos, quase sendo empurrado para trás, mas parando-o tempo.

—Boa! — aproximou-se de mim e elevou-me no ar, rodando comigo, como se não pesasse nada – Agora estou feliz! — fiquei surpresa inicialmente, mas acabei por rir enquanto ele me festejava e me levantava.

*

—Não achas melhor ires para a cama? — levantei a cabeça das costas do sofá assim que ouvi a minha mãe.

—Não! Tudo bem. Eu vou só acabar de ver este filme e já me vou deitar. — Ela não me disse nada mais, passando à minha frente antes de se sentar a meu lado.

—Diz-me uma coisa, filha. — Olhei para ela. Estava a sorrir para mim e com um sentimento estranho no olhar. Não lhe podia chamar de pena ou compaixão, era apenas doce – Como começaste a gostar de futebol? — fique surpresa com a pergunta.

—Mas já te contei.

—Sim, eu sei, mas o que quero saber é como começaste a gostar, desde que momento. — Entendia o que ela me queria perguntar, só que não tinha uma resposta para ela. Encarei-a e sorrir.

—Eu não sei. — Era a resposta mais sincera que lhe podia dar – Desde o momento em que comecei a chutar uma bola de futebol, nunca mais quis parar. Foi um sentimento tão bom. Depois quando tive companheiros pela primeira vez, quando cheguei numa partida de verdade, foi como um sonho, foi… Eu não sei, mas senti-me tão feliz. — Vi-a apenas sorrir, sem dizer uma só palavra.

—E és feliz agora?

—O quê? — pegou nas minhas mãos e apertou-as entre as suas.

—Hoje fui ver-te treinar no parque da Torre. — Fiquei bastante surpreendida – Estive lá com a tua tia, a ver o treino e o do teu primo. Antes de mais, aquilo é de loucos! — sorri, meio embaraçada. A minha mãe não sabia que era aquele tipo de treino que eu fazia. Estava à espera de levar na cabeça – Mas para além disso, sabes o que vi lá? — seguiu-se um breve silêncio – Vi-te infeliz.

—Infeliz? — assentiu.

—Vi-te esforçar como uma louca, é verdade. Mas onde estava a diversão naquilo, Malina? Sei bem que o teu treino foi sério, não duvido disso um só segundo, mas não via gosto pelo que fazias. Parecias apenas chateadas em cada pontapé, como se descontasses toda a tua frustração ali. — Apertou-me um pouco mais as mãos – Tens estado triste, notei isso ontem à noite. Não te vou perguntar o que se passou, nem o te perturba, mas aquela Malina que vi naquele parque, não era a mesma de quando joga futebol com todo o seu coração, brilhando mais do que todos quando o faz. — Senti um enorme peso no coração. Só deixei a minha mãe preocupada, provavelmente os meus amigos estavam também preocupados e eu além de ter sido egoísta e só ter pensado em mim, estava a esquecer-me do mais importante; da diversão – Sei que a final te preocupa mais do que tudo neste momento, mas eu quero que te divirtas a fazer o que queres. O futebol não é isso? — riu-se enquanto me via chorar.

Larguei as suas mãos e joguei-me nos seus braços, chorando junto ao seu peito enquanto ela, docemente, me acariciava os cabelos sem dizer uma só palavra. Ela tinha razão em tudo o que dissera. O futebol para mim sempre foi diversão, não apenas uma mera maneira de expor as minhas frustrações e foi isso que fiz hoje. O único momento em que me senti feliz ao treinar, foi quando consegui parar aquele pneu enorme, mas durante todo o treino só a minha preocupação me passou pela cabeça. Eu não era assim… Eu não queria assim.

*

—Peço desculpa. — Levantei um pouco a cabeça e vi que os rapazes olhavam para mim de forma estranha, enquanto me mantinha curvada na frente deles – Lamento pela forma como vos falei — Levantei-me aos poucos, vendo-os começar a sorrir.

—Ainda a pensar nisso? — o Ichinose foi o primeiro a dizer algo.

—Nós já tínhamos esquecido isso. — O Kidou esquecer algo?

—Nós também não devias ter insistido. — Até o Goenji sorria para mim.

—Vá lá, Malina. — o Mamoru aproximou-se de mim, pegando na minha mão – Todos nós passamos por momentos difíceis e tu não és diferente. — Riu, um pouco constrangido – Eu também peço desculpa por não ter percebido como te sentias. Desculpa. — Todos fizeram o mesmo. Tontos… Senti as lágrimas quererem sair, mas esforcei-me para que tal não acontecesse, sorrindo.

Apertei a mão do Mamoru e puxei-o comigo. A minha preocupação e o meu objetivo ainda não tinham desaparecido, ainda queria fazer uma nova técnica antes do jogo contra a Zeus, mas era hora do treino e eu queria jogar futebol.

Notas finais
Reviews?! Kissus!