Red Angel - Sonho de um anjo
18 Capítulo 17- Kidokawa - parte 2
Notas iniciais
Malina
Entramos novamente para o campo. A segunda parte ia começar e precisávamos de dar tudo por tudo para vencer este jogo e passar à final. Não seria fácil, mas teríamos de conseguir. Claro que primeiro teríamos de retirar a bola à Kidokawa, já que eles deram o remate inicial para recomeçar o jogo. E, obviamente, os irmãos Mukata já tinham a bola e avançavam a toda a velocidade pelo nosso campo. Não os estávamos a conseguir parar, e a defesa também não conseguiu fazer nada, dando-lhes espaço para fazer aquela técnica… Triangle Z.
O Mamoru não pensou duas vezes para fazer a God Hand… E eu não hesitei em continuar a correr. Estava a fazer um enorme esforço com as pernas, mas precisava de chegar a tempo. Por muito que me custasse admitir, eu sentia que o meu primo não ia conseguir defender aquela bola. Precisaria de ajuda e eu queria fazer algo. Corri para trás dele e empurrei a sua mão para junto da outra, antes de me apoiar nas suas costas, tentando empurra-lo. Ficou surpreso por me ver ali, mas também não disse nada, concentrando-se em parar a técnica dos irmãos Mukata. No entanto sentia os meus pés recuar por mais força que fizesse e isso resultou na quebra da técnica, dando um golo à Kidokawa. Olhei para trás e vi a bola rolar atrás mim.
—A God Hand… Foi quebrada. — Olhei para o meu primo que fitava a sua mão. Estava em choque.
—Vamos lá… — levantei-me – Não podemos ficar aqui sentados para sempre. — Estiquei-lhe a mão, a qual agarrou, hesitando um pouco na hora de o fazer, mas deu-me um sorriso e levantou-se do chão.
—Obrigado pela ajuda. — Odiava forçar sorrisos.
—Lamento que não tenha funcionado. — Antes que ele pudesse dizer algo mais, corri em direção à minha posição no campo.
Queria tornar a ajudá-lo caso voltasse a acontecer o mesmo, mas também tinha de me focar na minha posição… Só me restava acreditar nele. E que os meus companheiros conseguiriam tirar-lhes a bola, uma vez que, por descuido, a perdi. Felizmente a reação deles estava a ser bastante rápida e conseguiram parar o Tomo quando estava a avançar, mas ele passou a bola para o Masaru antes de a conseguirem tirar. O Kidou foi na sua direção, fazendo um carrinho para lhe tirar a bola, mas o Masaru acabou por chutar a bola na direção do Mamoru, que a agarrou sem grande problema.
—Vá lá! Vamos! O Tri-Pegasus!
Ele passou a bola para o Ichinose que a recebeu sem qualquer problema, avançando para o campo da Kidokawa com o Domon e o nosso capitão. E nesse instante, vi o amigo do Ichinose e do Domon correr na direção deles. Enquanto corria, o seu pé direito foi tomando um tom azulado, até que saltou e deu uma espécie de pontapé no ar, lançando uma linha azul em frente aos rapazes, que pararam devido às chamas que saíram dela, fazendo a bola sair do campo. O Nishigaki chamara àquela técnica, Spinning Cut.
—O Pégasus perdeu as suas asas, Ichinose.
Eles podiam ser amigos de longa data, mas estávamos todos no campo a lutar pelo mesmo; a vitória. Ainda que fosse frustrante… Depois de tantas horas de treino.
—Que defesa tão boa. Não podia esperar outra coisa do Nishigaki. — Suspirei.
—Mas que tenha sido capaz de parar o Tri-Pegasus…
—Mamoru… — ele ainda devia estar chateado pelo que aconteceu à pouco.
—Não te preocupes, Endou. — olhei para o Goenji, aproximando-se – Eu conseguirei marcar outro golo. — E o Mamoru assentiu, após ser apanhado de surpresa.
—Malina, conto contigo. — Agora eu é que tinha sido apanhada de surpresa.
—S-Sim.
Como fomos os últimos a ter a posse de bola antes de ir para fora, a Kidokawa ficara com ela, e avançava pelo nosso campo. Um dos jogadores adversário passou a bola para os irmãos Mukata, que não esperaram um segundo para avançar. No entanto o Goenji conseguiu cortar o passe, correndo a toda a velocidade para o campo da Kidokawa.
—Malina! Someoka! — assenti.
Livrei-me da marcação assim como o Someoka e corremos para as nossas posições. O Goenji passou-lhe a bola, depois voltou para o próprio e por último, para mim, terminando o Fire Tornado God. O goleiro da Kidokawa girou os braços, tendo umas fracas chamas azuis nas suas mãos, antes de os encolher e ficar bem rígido no seu lugar, fazendo a bola bater-lhe na barriga antes de ir para cima. A técnica fora de chamada de Toughness Block.
A bola continuava em cima das nossas cabeças, e antes de chegar a alguém, o Goenji saltou bem alto e fez logo o Fire Tornado. O adversário não teve tempo de executar a técnia. Atirou-se para a bola, mas foi tarde mais, já que ela acabou por entrar na baliza da Kidokawa. Agora estávamos empatados!
O jogo retornou com o pontapé de saída da Kidokawa. Desta vez, a posse de bola estava a ser bastante disputada. Parecia que algo tinha mudado após o segundo golo e estava feliz que assim fosse. Era como se nos tivesse dado ânimos para jogar. Nem sempre tínhamos a bola, éramos rapidamente bloqueados pelos defesas, mas sempre conseguíamos desfazer-nos da marcação e recuperação a bola por muito que as perdêssemos nos passes. Todos usavam as suas técnicas para conseguir ter a bola e avançar para a baliza adversária.
Não sabia quanto tempo faltava. Não conseguia olhar para o relógio. Retirar os olhos do campo era como deixar um buraco enorme, aberto, para eles poderem passar. Precisava de me concentrar o máximo possível. E antes que fosses a prolongamento, precisávamos de marcar o terceiro golo rapidamente. O tempo não durava para sempre.
Por descuido do Kurimatsu, um dos defesas da Kidokawa tirou-lhe a bola e passou de imediato para os irmãos Mukata que não hesitaram um segundo em correr na direção do Mamoru. Já dentro do nosso campo, começaram a preparam-se para fazer a Triangle Z e desta vez, por muito que corresse, eu não conseguiria chegar a tempo.
O meu primo fez novamente a God Hand, começando a ser empurrado com a força da técnica, antes de colocar novamente a outra mão para a ajudar, mas ainda assim ele estava a recuar! Pensei em começar a correr, por muito inútil que pudesse ser, quando vi o Kurimatsu e o Kabeyama fazer exatamente o que eu fizera antes, apoiando o capitão… E resultou! Eles conseguiram para a Triangle Z!
—Rapazes… — foi um alívio tão grande ver que conseguiram. Mas não era tempo de vestejar – Mamoru! Passa ao Goenji! — ele era o que estava mais perto da baliza. Eu estava no meio do campo e precisávamos rapidamente de um golo.
Ele fez o que eu disse e o Goenji não perdeu tempo em avançar. Também o fiz para lhe dar auxilio se necessário, quando vi os irmãos Mukata passarem por mim e colocaram-se de imediato à frente do ex-companheiro de equipa. Não estavam dispostos a deixa-lo passar e pelo que vi, aquele não era o plano dele, já que passou a bola, com o calcanhar, para o Ichinose.
—Vamos! O Tri-Pegasus, depressa. — Eles os três não foram os únicos a ficar espantados – Marquem agora.
O Mamoru saiu da baliza sem perder mais tempo. O Domon subiu para o ataque e o Ichinose ia a frente com a bola. Estavam prontos para executar a técnica, mas o Nishigaki já estava pronto para fazer a sua Spinning Cut e para-los. Só que mesmo com a técnica em frente para os impedir, eles passaram por ela com toda a sua força, mostrando como ela não os impediria de fazer a técnica. E quando a bola subiu, o tom azulado desapareceu, dando lugar a um tom alaranjado, de chamas, de onde surgiu um belo pássaro de fogo. A técnica foi executada de qualquer forma, mas no lugar de um pégasus, agora era uma fénix! Derrubou tudo e todos que estavam no seu caminho até entrar na baliza e marcar o nosso terceiro golo. E nesse instante, o apito do árbitro fez-se ouvir por todo o estádio.
Corri para o Mamoru, o mesmo agarrou-me pela cintura e levantou-me no ar, rindo de felicidade. Estávamos na final! Quarenta anos depois, a Raimon estava na final e fomos nós que conseguimos isso.
—Conseguiram vencer-me. — O Mamoru soltou-se assim que ouvimos o Nishigaki aproximar-se – É uma técnica maravilhosa.
—Muito obrigado.
—O Ichinose voltou das suas cinzas como se fosse o famoso pássaro imortal.
—Sim. A fénix. — O próprio concordou.
—”O pássaro imortal.” Sim… É um nome muito adequado para o Ichinose.
O Nishigaki estendeu a mão ao Ichinose. O mesmo agarrou-a enquanto o Mamoru e o Domon colocaram as suas por cima. Deixava-me sempre de coração cheio quando um jogo acaba mas aqueles que foram nossos adversário, se tornam grandes amigos. Só que nem tudo estava bem... Voltei-me para trás e vi o Goenji aproximar-se dos irmãos Mukata, ainda no chão, lamentando-se pela derrota.
—Vieste rir-te de nós? — ainda assim, vi o Goenji estender a mão ao Masaru, com um sorriso no rosto. No entanto, ele bateu-lhe na mão para a afastar, antes de se levantar com os irmãos.
—Goenji, tínhamos jurado que te superaríamos em tudo. — O Tomo e os irmãos ainda pensavam nisso?
—A Triangle Z tinha de ser a técnica mais forte! Porque razão não vencemos? — queria que o Tsutomo e os irmãos percebessem o porquê, mas parei de imediato ao ver o treinador deles aproximar-se, parando atrás do Goenji.
—É verdade que vocês os três praticaram muito durante o ano passado, no entanto tentaram derrotar o Goenji e a Raimon sozinhos e eles lutaram com a força de toda a equipa junta. — Eles pareceram admirados – Esse foi o vosso erro. No futebol, uma só pessoa não decide o resultado do jogo, nem que seja o Goenji. — Os três olharam para a nossa equipa. Já estavam todos no banco. Sentia-me um pouco a mais ali no meio, mas também não queria deixar ali o Goenji. Sabia que era pessoal e que só podia resolver, mas simplesmente não conseguia.
—O Goenji não decidia o resultado do jogo.
—É verdade. E muito menos nós os três.
—Era a força de toda a equipa. — Assenti. Finalmente tinham aprendido.
—Senhor Nikaidou…
—Ouve Goenji, vejo que amadureceste notavelmente este ano. Fico muito feliz por ti, a sério. — Ficava feliz por o treinado ser uma boa pessoa.
—Em respeito ao ano passado… Quero pedir desculpa por toda a mágoa e pelos problemas que causei.
—Fica tranquilo. Se é pelo acidente da tua irmã, eu já sabia. — Os irmãos Mukata ficaram tão surpresos quanto eu. Claramente por razões diferentes. E o Goenji também não ficou de fora – Pensas que fosse qual fosse a razão, continuaria a ser uma desculpa, assim que decidiste calar-te, estou errado? — ele simplesmente baixou o olhar.
—Goenji… — afinal ele pensou assim esse tempo todo. Ele esteve sempre a pensar na sua antiga equipa e a forma como a deixou… Como o amava.
—Mas estou convencido que com o jogo de hoje, tu mesmo compreendeste que não és dos que fogem. E eles também não. — Isso era verdade. O Goenji não era alguém que fugia de algo, e tinha-o comprovado em diversas ocasiões.
—Treinador… — o próprio colocou as mãos em cima dos seus ombros.
—Não há problema. Não te preocupes.
—Está bem. — Controlei-me bastante para não chorar.
—Goenji… — assim que os irmãos o chamaram, o próprio voltou-se para trás.
—Perdoa-nos pelo que aconteceu, sim? — Masaru…
—Estávamos errados sobre ti. — Tomo…
—A derrota do ano passado não foi culpa tua mas nossa por fazer-te carregar com toda a responsabilidade.
O Masaru estendeu-lhe a mão a qual o Goenji agarrou após um surpresa inicial. Estava muito feiliz por ele! Finalmente estava resolvido e ele não precisava de se sentir mais culpado. Não havia mais mágoas nem remorsos.
—Só não te podemos perdoar uma coisa… — Fiquei espantada com as palavras do Tomo. Pensei que estivesse tudo bem, mas de repente os três apontaram para mim, fazendo o Goenji notar a minha presença ali.
—Não perdoamos o facto de teres conseguido uma namorado primeiro que nós. — Inicialmente não entendi, até que consegui processar as suas palavras e senti o meu rosto aquecer a uma enorme velocidade.
—N-Não! E-Eu… Eu não… Nós não… Não somos…
Não conseguia falar como deve. O que tentava dizer parecia ficar preso e só sabia gesticular rapidamente para tentar expressar-me, mas parecia que só piorava. Até que senti uma mão quente agarrar a minha. Senti-me acalmar e vi que fora o Goenji, sorria-me, encarando-me
—A Malina é uma amiga e companheira muito especial.
Ele não disse nada mais e puxou-me com ele. Não soltou a minha mão durante o caminho para o banco. Eu não tentei fazê-lo e muito menos ocultar o meu rosto vermelho ou os meus sentimentos. Apertei a sua mão contra a minha, desejando que nunca mais a soltasse.
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