Red Angel - Sonho de um anjo
29 Capítulo 29- O fim?
Notas iniciais
Malina
Assim que os meus companheiros viram o goleiro passar a bola para um dos seus companheiros, partiram logo para cima dele, tentando tirar-lhe a bola. Eles queriam ajudar o Mamoru, ele não estava sozinho e de certeza que ele sabia que podia contar com a defesa para o ajudar no que necessitasse. No entanto, o nosso adversário não pensou duas vezes em usar uma técnica, criando um vento extremamente forte à sua frente, retirando os meus amigos do caminho com a Dash Storm, o que os fez cair no chão de forma muito má. Já não tinha ninguém mais à frente que o parasse e impedisse de rematar à baliza. Umas rochas enormes começaram a surgir do chão e assim que se encontraram no ar, ele rematou a bola, a qual bateu em várias deles ganhando mais força e rapidez, técnica a qual ele chamou dele Reflect Buster. Obviamente, o nosso capitão não pensou duas vezes em fazer a God Hand, mas infelizmente ela não durou muito e acabou por quebrar, fazendo mais um golo para a Zeus.
—Não… — eles estavam com uma vantagem ainda maior e eu começava a sentir-me cada vez mais fraca. Não queria ter de sair do jogo.
—Sourinji! Max!
Ergui a cabeça assim que ouvi a aflita voz do Kazemaru. Os meus olhos pousaram de imediato no Shourinji e o Max. Ele estava deitado no chão, agarrado à perna. Corremos todos até ele e só ai consegui ver bem a sua expressão de dor.
—Shourinji! Max! Como é que vocês estão?
—Lamento, capitão. Não pude para-lo.
—Nem eu.
—Não sem preocupem com isso.
—Tenho aqui os primeiros socorros! — a Haruna chegou junto de nós a correr com o kit nas mãos e baixou-se logo para cuidar dos nossos companheiros o mais rapidamente possível. No entanto, mas ele lhe tocou na perna, o Shourinji começou logo a queixar-se – Capitão, temos de substitui-lo. E o Max não parece estar difetente.
—É o que dá confrontarem-se com um deus. — Notei logo que o Someoka ouviu e já queria partir para agressão. Corri logo para o deter.
—Para, Someoka! — agarrei-o pelo ombro – Não lhe dês atenção! Não ligues às provocações. — Assim que o soltei, senti o meu corpo fraquejar e ficar tão pesado que me deixei cair para a frente.
—Malina! — a minha sorte foi que o Someoka foi rápido o suficiente para me apanhar – O que se passa? — tentei respirar fundo e pôr de pé.
—Malina, o que se passa? — ouvi a voz do meu primo atrás de mim. Notava-se a preocupação na voz e ai lembrei-me de imediato que tinha a minha família a ver o jogo nas bancadas. Se algo me acontecesse, iria ouvir do meu irmão pelo resto da semana.
—Tu estás a arder em febre! — ouvi os rapazes falarem atrás de mim. Erguei-me com a ajuda do Someoka e sorri-lhe.
—Eu estou bem, não te preocupes. — Senti uma mão sobre a testa e vi que foi o meu primo que havia tirado a luva para verificar se era verdade.
—Estás muito quente, Malina. — Voltei-lhe para ele e para os outros rapazes que me olhavam com preocupação.
—Vá lá, eu estou bem. É só um pouco de febre, nada de mais. Eu estou bem para continuar a jogar.
—Já estavas assim no balneário, não surgiu só agora.
—Goenji…
—Seria melhor se descanses. — Até o Kidou? — O jogo é muito importante, mas a tua saúde também é.
—Mas…
—Sim, é melhor…
—Não! Nem pensar! — não ia deixar que eles tomassem aquela decisão por mim – Eu vou ficar aqui com vocês. — Tentava acalmar-me, mas sentia todo o corpo tremer. Não sabia exatamente se era da febre, se do embaraço que sentia naquele momento – Agradeço por se preocuparem tanto comigo. Fico muito feliz por vos ter como companheiros, e além disso, como amigos, mas eu quero ficar aqui, no campo, com vocês. Quero jogar esta final com vocês até ao fim e derrotar a Zeus em campo, com todas as nossas forças. Eu estou doente, sim, desculpem não vos ter dito nada mais cedo, mas sabia que nenhum de vós me deixaria entrar em campo porque vocês estão sempre, todos, a cuidar de mim e eu queria jogar final a vosso lado. Por favor, deixem-me ficar. — Nenhum deles me dizia nada – Rapazes… Capitão!
—Desculpa, Malina. — Não podia acreditar que o meu primo me ia retirar de campo. No entanto, ele encarou-me e sorriu – Vais ter de o fazer com uma condição.
—O quê?
—Claro. — Encarei o Ichinose – Com a condição de que nos dizes se te sentires pior, sim? — fiquei sem saber o que dizer.
—Tu própria o disseste. — Olhei para o Goenji que também me sorria, como todos eles – Todos nós cuidamos de ti e agora não será diferente.
Vi uma botija de água me ser estendida e vi que era o Kidou quem ma entregava, assim como notei a Haruna sorrir atrás dele, com certeza que havia sido ela quem a foi buscar. Agarrei na botija e comecei a beber, tinha uma sede enorme. Tentei controlar-me para não beber toda a água antes de a entregar para o Kidou.
—Prometo. Se eu não estive bem, eu digo-vos e saio do campo. — Todos concordaram e aceitaram a decisão. Eu não podia ter melhores companheiro do que aqueles. Olhei para as bancadas e sorri, tudo o que menos queria era preocupar também a minha família.
O Shourinji e o Max foram substituídos pelo Handa e o Kurimatsu e o jogo prosseguiu rapidamente, com a Zeus a roubar-nos a bola num piscar de olhos. A nossa defesa voltou a tentar parar o atacante adversário, mas, mais uma vez, ele usou a Dash Storm, afastando os meus companheiros, passando a bola para um dos seus. Ele levantou a bola e saltou em seguida, começando a dar vários pontapés na bola, a qual ia ganhando uma luz azul-clara, recebendo uma energia cada vez mais forte, antes de lhe voltar as costas para rematar, sendo a técnica nomeada de Divine Arrows. A bola foi com toda a força para em direção ao Mamoru, o qual fez logo a Blazing Knuckle, mas não lhe serviu de nada. A bola entrou fazendo o 3-0. Nesse instante, olhei para os defesas. O Kurimatsu estava lesionado e o levantava-se a muito custo, só com a ajuda do Domon. Ele foi logo levado para o banco, sendo substituído pelo Jin. Só nos restava dois suplentes.
O jogo começou novamente. Tínhamos a bola em nosso poder, eu tinha, para ser mais exata, só que a Zeus conseguiu roubar-ma rapidamente. O atacante usou novamente a Dash Storm, levando o Domon e o Jin ao ar. O Domon ainda conseguiu resistir e acabou por conseguir atirar a bola para fora, deixando-nos a todos surpreendidos. Já o atacante não achou muita graça. Porém, não era momento de festejar, o Jin estava deitado no chão agarrado ao joelho. Teria de ser substitui. Como tal, o Shido entrou no lugar dele. Agora sim só nos restava mesmo um único suplente.
Quando a bola entrou em jogo, o Someoka conseguiu recupera-la para nós, avançando sozinho para o campo adversário. Claro que eu e o Goenji não pensamos duas vezes em acompanha-lo. Precisávamos de marcar a todo o custo. Claro que rapidamente a Zeus tentou para-lo e o seu grande defesa saltou bastante alto e assim que bateu no chão, ele desfez-se como um grande terramoto, sendo a técnica Mega Quake. O Someoka deu um grande salto, pouco precavido para o que aconteceu e quando chegou ao chão, o impacto foi muito feio, enquanto a bola rolava para fora do campo. Foi então que vi o Someoka agarrar-se ao próprio ombro, contorcendo-se de dores. Olhei para o banco. O treinador já se preparava para o substituir pelo único que restava; o Megane. Podia não ter participado em muitos jogos, nem na maioria dos treinos, mas era um de nós e mal o vi erguer-se, percebi que também ele queria lutar a nosso lado.
Assim que ele entrou no campo, todas as nossas substituições tinham sido feitas. Não havia mais ninguém que pudéssemos pôr em campo caso algo acontecesse com um de nós. Por isso, os meus amigos que me perdoassem, mas teria de quebrar a promessa que lhes fiz. Não nos podíamos dar ao luxo de perder mais um jogador, principalmente quando a culpa era inteiramente minha. No entanto, assim que o jogo começou novamente, o defesa fez, uma vez mais, a Mega Quake contra o Megane. Foi óbvio que ele não aguentou e saiu do campo no mesmo instante. Estávamos reduzidos a dez jogadores em campo.
Todos eles sentiram a fúria daquelas técnicas, não apenas os defesas, já que os atacantes se juntaram para os parar. Dash Storm era realmente poderosa. Para além de não conseguiam nem abrir os olhos no meio daquela tempestade, mas eram capazes de ser equilibrar-nos para cair como deve ser. Felizmente mais nenhum deles se magoou com o impacto, mas eu… Eu fui mandada para trás. Todos eles me queriam proteger e enviar-me para a defesa, para junto do Mamoru, ficando frente a frente com o Aprhodi e a sua God Knows. Corri para trás do meu capitão sem pensar duas vezes e comecei a empurrar as suas costas mal ele fez a God Hand. Mais uma vez aquela sensação percorreu-me o corpo, a de que a técnica iria falhar. Não nos servia de nada estarmos a tentar… E a bola acabou por entrar.
Caímos ao chão. Eu já não tinha forças. Sentia o meu corpo febril, fraco e frágil. Senti como se me levantasse, não iria ter sequer forças para me mover, mas eu não podia desistir. Estiquei os braços e olhei para a minha frente e vi o meu primo caído de barriga para baixo, enquanto eu, de lado, vi o Aprodi aproximar-se de nós.
—Ainda querem continuar a jogar? Se a resposta é que lutaram até ao final, aconteça o que acontecer, mudo de pergunta. — Encarou-me – Querem continuar a ver os vossos amigos e companheiros caírem lesionados? — senti que os meus braços perderam a força naquele momento e caí novamente ao chão.
O que fazíamos não tinha qualquer efeito, nada funcionava, nada servia contra eles. Não pensávamos em desistir, nem um único segundo, mas do que nos valia? Amigos feridos? Só isso estava a sair de toda a nossa teimosia. E eu sabia que grande parte da culpa era minha. Olhei para o meu primo, as suas mãos tremiam. Talvez pensássemos o mesmo. Ele não queria desistir, eu também não, mas… Mas… E se realmente não havia mais nada a fazer?
Deitei-me no manto verde. Senti as lágrimas escorrerem pela minha face.
Talvez aquele fosse mesmo o fim.
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