Red Angel - Sonho de um anjo
10 Capítulo 10- Amigos, não adversários.
Notas iniciais
Malina
—Rapazes, o nosso rival no jogo da segunda ronda é...- bateu no quadro branco, assustando-me já que estava mesmo ao lado- O Instituto Senbayama!- todos nós já o tínhamos percebido pelo nome escrito no quadro da sede do clube de futebol.
—O Instituto Senbayama está rodeado de montanhas e os seus jogadores treinam no meio da natureza.- Era incrível o que a Haruna sabia.
—Poder jogar em pleno campo? Que sorte têm?- o Kabeyama não era o único com essa opinião. Devia ser algo maravilhoso!
—De certeza que todos fazem o que querem!- o Shourinji e o Kabeyama começaram a cantarolar.
—Aqui diz que o que têm é uma defesa impenetrável chamada Infinite Wall, razão pela qual não receberam um só golo.
—Em todo o campeonato?- estava bastante admirada.
—Sim. Nem um só golo.- A admiração foi total- Não são muito fortes na hora de atacar, mas se conseguiram chegar até esta fase é pela defesa impenetrável que têm.
—Está bem! Então só temos que romper essa defesa impenetrável e já está!
—E depois é só marcarmos um golo e fica tudo resolvido!- o meu olhou para mim e assentimos.
—Só temos de a romper...- o Kabeyama não parecia muito convencido disso.
—Como se isso fosse assim tão fácil.- Nem o Shourinji?- Se fosse assim não lhe chamariam defesa impenetrável.- Todos assentiram.
—Mas... Rapazes...- atrás de mim ouvi alguém rir- Goenji!- parou logo de rir.
—Significa que não se pode atravessar, certo?
—Sim, claro capitão. Isso mesmo.- Olhei para o Goenji, ainda um pouco chateada. Ele desviou logo a face.
—Então devemos ataca-la com a força de um diamante que é inquebrável.- Os rapazes não pareciam muito convencidos com a ideia do capitão... Honestamente, também não- Até as defesas impenetráveis podem romper-se! Necessitamos ter a dureza do diamante!- agora fazia sentido- O que significa mais treinos especiais!
—Sim!- nesse mesmo instante, a animação de todos foi-se a baixo. Creio que todos concordaram no calor do momento.
Claramente, o Mamoru não deixou que reclamassem muito e obrigou-nos a sair rapidamente para iremos para treinar. O aquecimento foi duro como sempre, mas parecia que à medida que íamos tento mais treinos, menos cansada ficava. Na verdade sentia-me muito bem! Aliás, todos pareciam! Os rapazes também estava a evoluir bastante! O Shourinji, por exemplo, até cabeçada por fazer uma nova técnica onde usava alguns passos de kung fu antes de saltar e cabecear a bola.
—Essa técnica vai chamar-se Kung Fu Head!- aproximei-me do Megane antes de ir para o campo para continuar o treino.
—Estás cada vez mais rápido a dar nomes às técnicas.- Riu-se.
—É do treino especial!
—Treino especial?- ele treinava?
—Jogo e leio todos os mangás que tenho esperando melhorar a minha capacidade de dar nome às novas técnicas que inventem!- não sabia exatamente o que pensar sobre isso.
—Mas não é o que fazes sempre? Jogar e ler em vez de treinar?- ele virou logo pedra. Fiquei um pouco mal pelo que dissera, mas corri logo para o campo antes que voltasse ao normal.
Todos pareciam bem e de boa forma, não mostravam qualquer problema físico e o cansaço ainda não os tinha afetado, mas havia algo estranho. O passe do Shido para o Kazemaru foi mal feito, a bola nem chegou ao nosso membro mais veloz, o que é estranho, ele não costuma falhar passes assim. O Kabeyama também acabou por levar com a própria bola na face após a ter rematado para cima, caindo no chão com o rosto todo marcado, e ela apenas nos disse que rematou como sempre. Só que não eram os únicos! O Domon também passou para o Kurimatsu com tanta força que o pobre se assustou e deixou a bola sair. Porém, não era hora de me preocupar com algo assim. Talvez estivessem todos nervosos com o próximo jogo. E mal o Handa rematou para o Someoka, eu tive de me concentrar e fazer com eles o Dragon Tornado God. Porém, ao sair dos meus pés, a nossa técnica nem chegou à baliza com força. Perdeu de imediato a meio do caminho. Ficamos todos tão admirados que o Mamoru nem agarrou na bola, deixando-a entrar na baliza.
—Olhem só! Fizeram-me um golo!- por muito engraçado que ele tentasse ser, não sabia se era altura para isso. Não conseguia rir da situação. Algo não estava bem.
—Outra vez.- Olhei para o Goenji. Estava bastante sério.
Tornámos a fazer a nossa técnica conjunta, e a mesma sensação da primeira vez aconteceu, ainda que o Mamoru a tenha agarrado desta vez.
—Porque razão não marcamos?- começava a ficar preocupada.
—Será que rematei mal sem querer?
—Não, Someoka o teu remate foi perfeito.- Encarou-me- Como foste a última, notas-te alguma coisa?- neguei.
—Nada. Pareceu-me tudo igual. Os vossos remates estavam excelentes.
—Então porque será?
—Será que vocês não estão bem? Bem, animem-se! Lembrem-se que temos de enfrentar a Senbayama!- para o meu primo parecia fácil, mas nós é que fazíamos a técnica e nem sabíamos a razão de estar a falar.
Ficamos a falar um pouco sobre o que poderíamos fazer já que não estávamos a conseguir acertar com a técnica. Sendo assim teríamos de praticar as nossas técnicas individuais, mas primeiro faríamos alguns passes antes de rematar. E pouco tempo após começarmos, ouviu-se o apito da Aki.
—Vamos, rapazes! Hora de descansar um pouco!
—Ei! Tenho bebidas frescas!- só me apetecia agarrar uma daquelas botijas de água que a Haruna tinha nas mãos.
—E deliciosos e refrescantes discos de limão com mel!- a Natsumi teria trazido aquilo em pensar em nós?!
Corremos todos até ao banco, pegando em toalhas e nas bebidas. Só que ninguém resistiu muito tempo ao limão e assim que pus um na boca soube tão bem aquela frescura depois do treino intenso!
—Natsumi, quando tiveste tempo para fazer tudo isto?- peguei num outro pedaço de limão e levei à boca.
—Nos meus tempos livres.
—Então preocupas-te com eles.- A Aki tinha razão.
—Só me preocupo que percam e manchem a nossa reputação.- Sorri. Ia tentar acreditar que sim.
—Vamos! De volta ao treino!
—Sim!- endireitei-me e fui para o campo assim como os meus companheiros.
Os treinos decorreram sem grandes problemas. Claro que os iniciais ainda se mantinham, mas todos tentaram resolve-los e acabamos por treinar como devia ser. Numa altura do treino, a Aki e a Haruna aproximaram-se do Mamoru e ele chamo-me, ao Goenji e ao Domon. A nossa ajudante tinha uns quantos dados sobre o nosso adversário que queria partilhar connosco, antes de sair a correr para ir à sala do clube ver umas quantas coisas.
—Endou, tens a certeza que conseguiremos romper a Infinite Wall?- o Goenji não era o único preocupado com isso, mas eu tinha fé na equipa e de que iríamos conseguir!
—Claro! Vamos de frente com toda a forçar!- não era bem assim que pensava que resolver as coisas, mas o capitão parecia feliz de mais para ser contrariado.
—Mas como estamos agora não podemos.- As palavras do Domon desanimaram logo o meu primo.
—Tenham calma... Lembrem-se que contamos com a Honoo No Kazamidori e a Inazuma One! Podemos fazê-lo.
—E poderemos marcar?
—Claro que sim!- não entendi aquele desanimo- Se o fizemos com vontade, conseguiremos!- o Mamoru foi o único que concordou comigo. Não entendi alguns dos suspiros. O Goenji também não parecia muito convencido.
—Sabes, Domon? Porque não tentam o Tri-Pegasus?
—Ah sim! É verdade, o nosso famoso Tri-Pegasus.- Do que estariam eles dois a falar?
—E que técnica é essa?!
—É uma técnica de respiração que tínhamos o meu amigo Ichinose, eu e outra pessoa.
—Uma técnica tripla...- Olhei para o Goenji. Era como a minha e a dos rapazes.
—Uma técnica que necessita que os jogadores coordenem até a respiração.- Era impressionante!
—Diz-me uma coisa! Quem é esse Ichinose e como o conheces?!- ri-me. O Mamoru nem perdia tempo.
—É um amigo que ia ao mesmo colégio que nós quando vivíamos nos Estados Unidos.- Não sabia que a Aki tinha estado lá- Além disso era excelente a jogar futebol!
—Sim. A nossa equipa venceu a liga estado-unidense infantil de futebol, e além disso foi nomeado melhor jogador do torneio!- o Domon parecia bastante orgulhoso ao falar sobre o amigo- Era um autêntico génio! As pessoas chamavam-nos oMago do Campo!
—O Mago do Campo? Que incrível!
—Tem nos apresenta-lo!- ele parecia ser alguém fantástico.
—Olhem, e onde vive agora o vosso amigo Ichinose?- o Domon limitou-se a apontar para o céu após a pergunta do Mamoru.
—O Ichinose morreu.- E ele ainda conseguia sorrir assim?
—Lamento...- era tudo o que conseguia dizer.
—Mas Domon, eu acho que és capaz de ensinar-lhes a técnica, não achas?
—É possível.- Eu e o Mamoru encaramo-nos e assentimos. A equipa teria de realizar aquela técnica. Esperamos que o Domon dissesse como, mas ele estava a demorar muito para explicar e só emitia sons, deixando-nos impacientes.
—Vá lá! Ensina-nos logo!
—É que custa explica-lo com palavras.
O Domon baixou-se e todos o fizemos para o escutar. Ele tentou explicar-nos a técnica o melhor possível: três jogadores corriam ao mesmo centro onde estaria a bola, para passarem pelo local ao mesmo tempo, sincronizando velocidade e respiração para poderem realizar a técnica. Era um pouco difícil conseguir imagina-la só com palavras.
—E porque tem de ser assim?
—Para que as forças coincidam desta maneira.- Tornou a desenhar no chão. Porém, nesse mesmo instante levantei o olhar, reparando que o Goenji olhava para outro local. Olhei também discretamente, vendo a Haruna sair do portão.
—O que achas, Malina?- encarei, percebendo que estava a dar demasiado nas vistas. Não queria que o Goenji pensasse que estava ficar uma intrometida.
—Ah, sim! É interessante!
A Haruna não voltou mais ao campo. Perguntava-me o que se estaria a passar. Porque razão teria ido embora? Aliás, não demorou muito até o Goenji desaparecer também, só que não conseguir evitar segui-lo. Deti-o em frente ao portão, séria e convicta da minha decisão. Ele limitou-se a sorrir e a assentir antes de continuar. Não disse uma só palavra e segui-o. Não imaginava o que tivesse na mente, mas fosse o que fosse... Eu só estava a sentir ciúmes. Teria razão para isso? O Goenji nunca me deu motivos para tal e nós nem éramos nada, mas eu estava apaixonada por ele, era normal sentir-me assim... Não?
Porém, só enquanto caminhávamos é que reparei na bola de futebol que levava de baixo do braço e me comecei a aperceber do local para onde nos dirigíamos... Onde estávamos conseguia ver a ponte de Inazuma, e junto dela estava o campo de futebol junto ao rio. Continuei sem lhe dizer absolutamente nada. Já em cima da ponte, acabei por ver o Kidou e a Haruna a conversarem. Ia para cumprimenta-los quando, repentinamente, vi o Goenji fazer o Fire Tornando, rematando a bola para o Kidou o qual conseguiu devolver a técnica com um outro remate, fazendo a bola bater na ponte antes de subir para as mãos do Goenji. O nosso atacante de fogo desceu da ponte e caminhou até ao Kidou. Tentei que parasse, mas não me deu ouvidos. Honestamente, confiava nele, e sabia que tinha algo em mente, mas com certeza não seria nada de mal.
—Não, Goenji! Ouve-me! O meu irmão desta vez não veio espiar-nos! É a verdade!
—O teu irmão?- talvez ele estivesse a pensar na Yuka. Com certeza o seu pensamento tinha sido dirijido para ela.
—Sim!
—Vem.- Ainda assim o Goenji dirigiu-se para as escadas e começou a desce-las.
—Está bem.- O Kidou limitou-se a segui-lo.
Desceram as escadas sem grande pressa, mas mal chegaram ao campo, ficaram frente a frente antes do Goenji começar por rematar a bola com toda a força, sendo devolvia pelo Kidou. Eu e a Haruna assistíamos a tudo fora do campo. Com certeza com pensamentos diferentes, mas ambas com preocupação; o Kidou era o irmão dela, mas o Goenji era alguém importante para mim.
—Kidou! Não é verdade que te sentes humilhado?!- saltou e tornou rematar a bola com mais força.
—Claro que sim.- Continuou a correr para a bola- Quero derrotar o Zeus.- Parou a bola com o pé, girou sobre si mesmo e rematou-a para o Goenji.
—Então fá-lo!
—É impossível. A Teikoku foi eliminada do Football Frontier.- Sabia que era a verdade, mas custava sabê-lo.
—Mas tu não queres vingar-te da derrota?- o Goenji parecia bastante sério- Diz-me, Kidou!
Atirou a bola ao ar antes de saltar. Coloquei as mãos sobre a boca ao vê-lo fazer o Fire Tornado. Felizmente o Kidou não se mexeu e a bola acabou por lhe passar ao lado. Sabia que ele não era capaz de lhe fazer algo, mas assustara-me. Principalmente porque o remate fora tão forte que acabou por abrir um buraco no gramado e explodir a bola.
—Há uma maneira para isso.- Encarou-me por breves segundos antes de tornar a olhar para o Kidou- Até agora só pudeste jogar com os Endou como adversários.- Estava-se a referir a mim e ao Mamoru?- Não pensaste em como seria jogar ao lado deles?
Creio que acabei por ficar ainda mais admirada que o próprio Kidou com aquela proposta. Porém, nenhum dos dois disso nada mais. O Kidou limitou-se a subir as escadas, passando por mim sem me encarar, enquanto a Haruna o segui-a, chamando pelo irmão que parecia não querer parar. Enquanto isso, fiquei ali no campo, encarando o Goenji, tentando perceber no que estaria ele a querer fazer.
*
O estádio estava novamente cheio de gente. As pessoas pareciam extremamente entusiasmadas com o jogo. Isso significava que nos começavam a dar importante, não?! Era bom saber que a Raimon estava novamente a ganhar prestigio em todo o Japão, que todos se começavam a recordar da Inazuma Eleven! Pelo menos esperava eu. Talvez fosse pelos nossos adversários, os quais, olhando para o banco deles, pareciam bastante descontraídos. Já no nosso, a agitação era enorme, e o árbitro nao podia esperar mais por nós.
—Temos que começar agora.
—Sinto muito, mas não podemos esperar mais um pouco?- receava que ele me dissesse não.
—Treinador, por favor, faça alguma coisa.
—Não.- Foi tudo o que respondeu ao Kazemaru- Ainda nos falta alguém.
—Falta-nos alguém. Falta-nos alguém.- O Someoka já estava impaciente, e não era o único- Mas nós estamos todos. E o Kabeyama?
—Foi ao wc.- Por isso não podia ser ele.
—Mal voltará rapidamente e teremos uma equipa completa.- Suspeitava de quem pudesse ser, mas o Kazemaru já parecia aborrecido. Queria poder dizer o meu palpite, mas não sabia se podia fazê-lo. Afinal, ele não confirmou nada.
—Segunda as regras o torneio, se uma equipa não sair ao terreno de jogo no espaço de trinta minutos, será desqualificada.- O medo foi geral.
—Mas o que se passa, treinador?!
—De quem estamos à espera?
—Vão desqualificar-nos dos torneio?
—Oh não!- os rapazes estavam extremamente impacientes Não que eu não estivesse, tinha receio de sermos desqualificados. Limitei-me a sentar ao lado do meu primo antes de nos encararmos.
—Endou, diz ao treinador! És o capitão, não?- afinal os rapazes não era os únicos impacientes.
—Ainda não percebi porquê, mas se o treinador diz que ainda não, porque não esperamos?- a Aki endireitou-se, chateada.
—Só resta um minuto.- Entrelacei os dedos uns nos outros, pondo-os de baixo do queixo. Só queria rezar para que aparecesse depressa.
—Por favor! Vão desqualificar-nos do jogo.
—Falta alguém, mas quem é?
—Não há mais ninguém para vir.
—Já estão aqui todos!
—Porque não começamos o jogo, treinador?!- eles começavam a deixar-me nervosa.
—Têm trinta segundos.- Senti-a as lágrimas aparecerem-me no canto dos olhos.
—Por favor, treinador! Quem falta aparecer? Diga-nos!
Nesse mesmo instante, abri os olhos e olhei para o corredor que dá acesso ao estádio ao escutar passos vindos do seus interior e não podia ter ficado mais feliz! Finalmente o Kidou tinha aparecido!
Fale com o autor