Red Angel
28 Capítulo 28- Otaku.
Notas iniciais
Pov Malina
Sem dizer nada mais, levaram-nos para dentro de um elevador que havia no interior do café, na zona interdita aos clientes, mas eles pareciam poder entrar naquele espaço, facilitando-nos a passagem. Continuamos a descer sem qualquer tipo de conversa de ambos os lados. Começava a ficar nervosa. Por muito que quisesse satisfazer a minha curiosidade, preocupava-me sobre o que eles pretendiam. Não me pareciam más pessoas, pelo contrário, mas não o podia evitar. E mal o elevador parou, o meu coração deu um pulo com o susto.
—Vamos, venham sem medo.
Ele realmente tinha razão. Saíamos do elevador e percebi que podíamos ir ali sem qualquer tipo de medo. Talvez um pouco de fascínio, pelo menos para quem gosta de animes. E parecia ser o caso do Megane. Mostrava-se fascinado com o que via diante de si. Havia uma série de prateleiras, cheias de caixas e figuras de ação de vários animes e imensos jogos de todo o tipo. Também lá estavam alguns rapazes que pareciam entretidos a jogar ou a pintar figuras de ação, a montar algo, até mesmo a coser e a trabalhar com aparelhos eletrónicos, ou simplesmente a ver um anime. Realmente não havia do que ter medo. E o Megane que o dissesse, já que se pôs logo a correr a ver tudo, a dizer o nome de tudo o que via como se conhecesse cada um como a palma da sua mão. Não éramos os únicos espantados com aquele facto, os outros rapazes também pareciam pasmados.
—Megane, és incrível! Realmente conheces isto tudo.- O Mamoru não era o único impressionado. Eu também já tinha assistido a alguns animes, principalmente quando estava na Europa, mas nunca ponto de saber tanto.
—Não existe nada que eu não conheça, amigo Endou.- Não pude evitar rir.
—Como eu imaginava.- Olhei logo para rapaz mais alto- Sabia que tu reconhecerias o valor de tudo o que há aqui.
—Tens no teu coração o espírito de um autêntico otaku.- O Megane limitava-se a sorrir.
—Otaku?- começava a suspeitar de algo.
—Com o tempo, cheguei a reunir algumas coisas.
—Não sigas a corrente, Megane.- Poderia ser perigoso.
—Ah!- mas não me fez caso- E isto?- correu logo para junto de um coleção de mangás- Não é possível! É a coleção completa de Silky Nana – A princesa mágica*! É o melhor mangá de raparigas mágicas de toda a história do mangá, escrito pelo mestre Noberu Raito e desenhado pelo mestre Manga Moe!
—Se tudo o dizes...- eu realmente não percebia nada daquilo.
—Fico feliz por saber que há alguém que gosta da nossa pequena obra.
—Como que nossa?
—Eu sou Nobaru Raito, o roteirista deste mangá.- Então era assim que se chama aquele rapaz enorme.
—E eu Manga Moe, o desenhista.- Então afinal eles eram artistas, e ainda por cima os heróis do Megane.
—Jamais teria imaginado que chegaria a conhece-los!
—A nós faz-nos felizes conhecer os nossos fãs do nosso trabalho!- o Noberu realmente podia estar orgulhoso, e o Megane estava todo contente.
—Podemos falar dele todo o dia.- Aí não! Isso é que não!
—Alto! Basta! Chega!- assim que pude, pus-me logo no meio deles evitando que apertassem as mãos e continuassem aquela conversa- Lamento, mas não temos tempo para isto.
—É verdade. Temos um pouco de futebol muito importante para o qual devemos treinador.
—Mas capitão...- Lamentava pelo Megane, mas havia mais coisas mais importantes.
—Como? Vocês também jogam futebol?
—Se nós também jogamos?- o Mamoru olhou e não sabia o que lhe dizer. Eles jogavam?
—É que nós estamos num torneio num torneio de futebol muito importante, ao que parece. Como se chamava?- será que o Manga Moe estaria a falar do...
—Football qualquer coisa.- O rapaz dos vídeo-jogos estava a prestar atenção?
—Não será Football Frontier?- perguntei.
—Ah, sim, esse. É que não me lembrava do nome.- E de seguida começou a discutir com o jogo.
—Os que passam o dia num Maid Cafe...- o Kazemaru tinha razão! Como não percebemos logo isso?!
—São a equipa do Instituto Otaku.
—Sim, Mamoru, são eles.- Os dois artistas entreolharam-se sem perceber. Mas será que não nos reconheciam pelos nosso uniformes?
—O que se passa connosco?
Não conseguimos evitar ficar mais espantados com toda a situação. Como assim eles eram a escola que nós iríamos enfrentar?!
*
Todos saíram do estabelecimento um pouco desanimados pelo que tinham descoberto. Não que eu estivesse diferente. Eles eram realmente um pouco e não pareciam ter ar de jogadores, mas se estavam no Football Frontier e tinham vencido o Colégio Sobrenatural, algum tipo de poder tinham de ter, não?! Mas os rapazes talvez não pensassem assim... O treino havia sido duro como sempre e demos o nosso máximo, o sol já se punha no horizonte e mesmo após tantas horas, eles ainda pareciam estar a tentar processar toda a informação. Falhavam passes simples e por várias vezes atiravam para fora ou falhavam a baliza... Como no meu caso.
—Mas o que estão a fazer?! Fechem bem a defesa!
—Desculpa.- Suspirei. Parecia que não me faziam caso. Deixei o resto do treino com o Someoka e caminhei até ao banco para beber um pouco de água. Peguei nele e fui até aos rapazes que estavam por de trás de baliza a planear algumas táticas para o jogo seguinte.
—Isto é inútil.- Continuei a beber escutando o meu primo- Os rapazes ficaram sem motivação.- Era verdade. A defesa hoje tinha estado muito mal. Fechei a abertura da garrafa e sentei-me entre o Mamoru – que me sorriu – e o Domon.
—É que sabendo que sabendo que jogamos a semi-final com aqueles tipos...- limitei-me a assentir. O Max tinha razão.
—Não podemos esquecer que eles foram vencendo até chegarem à semi-final. Subestima-los é um erro grave.
—Mas eles não pareciam muito fortes, se queres que te diga.- Ri-me. Creio que o Handa tinha acertado exatamente no porquê dos rapazes estarem desanimados.
—Ei! Concentrem-se!
—Estamos concentrados!- parecia que o Someoka não estava a conseguir fazer grande coisa. Ao meu lado, ouvi o meu primo suspirar fortemente.
—De certeza que tudo ficará bem na semi-final? Não tenho a certeza.
—Bem, a pessoas diziam que esta era equipa mais fraca de todas as que já participaram no torneio. Por isso tem calma, Mamoru!
Encarou-me e riu-se... Via-se logo que aquilo que eu disse não serviu de nada.
*
O jogo mal tinha começado... Aliás, ainda nem estávamos no campo, e as surpresas já começavam.
—Vocês querem... Que eu vista isto?- a Natsumi parecia prestes a explodir com o vestido de maid na mão.
Quando chegamos ao banco, após acabarmos de colocar tudo no sítio para quando chegasse o intervalo, as empregadas do Maid Cafe chamaram-me e às nossas ajudantes. Inicialmente não imaginava para que fosse, mas surpreende-me ao ver entregarem um vestido à Natsumi, e de seguida, à Aki e a Haruna, que receberam bastante contentes. Começava a ficar assustada... Dar-me-ião um também? Eu não podia jogar com aquilo!
—É que são as normas do nosso instituto.- Que nos explicava tudo era a empregada que nos serviu no dia anterior- Todas as ajudantes dos clubes desportivos devem usar um desses vestidos. São as regras.
—E quem foi o engraçado que inventou essas regras?!
—A-Acalma-te Natsumi!- tinha medo daquela rapariga.
—O chefe!- era impressionante como ela não desvia o sorriso- Quer dizer... O treinador!- olhei para lado e não podia ter ficado mais desanimada. Era um homem bastante gordo, sentado em cima de caixas de melancias e com uma fatia de melancia na mão... A comer.
—Aquele... É o treinador da equipa?- se os rapazes fizesse aquilo ficariam doentes.
No final, a Natsumi não teve outro remédio senão ir com a Aki e a Haruna trocar-se ao wc feminino. Como estava feliz por ser jogadora.
—Toma!- olhei para o lado e vi que a ajudante que nos explicara tudo aquilo me estendia uma tiara com umas orelhas de gato brancas. Não sabia exatamente o que dizer, mas recebi-as- Como és jogadora da equipa, mesmo sendo uma menina, e não podemos usar um vestido para jogador, então pedimos-te que uses isso, por favor!- o sorriso dela era doce para recusar. Agradecia por o Goenji não estar ali.
Poucos minutos depois, arranjei coragem para colocar aquilo na cabeça. Só teria de o fazer durante o jogo, mas mais valia colocar logo se teria de o fazer de qualquer maneira. Talvez até fizesse mais... Agarrei a ponta do meu cabelo preso e retirei-lhe o elástico amarelo que o prendia. Não faria mal nenhum jogar assim por uma vez.
Nesse mesmo instante, ouvi passos de salto alto por trás de mim. Voltei-me tentando ver se elas e como estavam, mas dois jogadores da Otaku puseram-se logo à frente, animados com a situação. Estiquei um pouco para conseguir ver até eles saírem da minha frente, mostrando-me um Natsumi extremamente chateada e envergonhada com o vestido que usava.
—Por que tenho que passar por isto?
A Aki e a Haruna pareciam estar a divertir-se. E os dois jogadores da Otaku também. Um deles até pegou na tiara que a Natsumi trazia na mão e colocou-lha na cabeça... Ela não gostou lá muito. De seguida, o goleiro empurrou o seu companheiro, aparecendo com uma máquina fotográfica na mão.
—Por favor, olhem para aqui por um momento!- a Natsumi começou logo a tentar para-lo.
—Não! Deixem-me em paz!- mas as outras duas não lhe derem hipóteses. Agarram nos braços da ruiva e começaram a fazer poses para tirar fotografias, divertidíssimas, enquanto o goleiro se divertia também com elas. A pobre da Natsumi... Bem... Creio que se pudesse desaparecia.
—Estes são os nossos rivais da semi-final?- suspirei.
—Sim...- Só então me apercebi de quem estava a meu lado- Go-Goenji-kun?!- encarou-me de seguida, deixando-me ainda mais envergonhada. Sentia as bochechas arder de tão vermelhas que deviam estar. Não esperava vê-lo ali! E claro que a primeira coisa que reparou foi naquilo que tinha na cabeça.
—Fica... Fica-te bem.
—São regras do Instituto Otaku!- que vergonha!- Eu tenho de o usar porque... O quê?- só então parei para dar atenção nas palavras dele. Isso queria dizer que ela achava que eu estava bonita? Olhei para ele e que já tinha virado a face para o outro lado. Não conseguia ver o seu rosto, perguntando-me que tipo de expressão teria naquele momento. Já eu, estava muito feliz pelo elogio, principalmente vindo dele.
—Obrigada!- ficamos os dois em silêncio, tendo apenas a companhia um do outro. Pelo menos até o Mamoru se aproximar.
—Ah! Goenji!- inicialmente vinha bastante feliz, até o seu sorriso desaparecer e dar lugar a uma expressão de espanto- O que se passa? Estás vermelho... Estás com febre?
—Não.- E começou a andar- Estou simplesmente cansado de andar com o pé assim e apoiado nisto.- O Mamoru olhou para mim sem perceber o que se passava, encolhendo os ombros, e eu dei-lhe um pequeno sorriso.
Fixei o meu olhar no Goenji, vendo-o sentar-se no banco. Apertei as mãos junto peito... Só eu sabia como estava feliz. Creio que aquele tinha sido a primeira vez que ele me tinha elogiado em algo que não fosse o futebol, mas o que me deixou ainda mais contente... Foi o facto de perceber a reação do Goenji..
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